Muito se discute sobre o uso da internet e seus efeitos na vida dos usuários. Outro dia, li um artigo que apresentava o seguinte questionamento: “A internet nos deixa mais burros ou mais inteligentes?”. Fiquei analisando as questões que sempre aparecem a respeito do uso dos meios de comunicação, principalmente sobre a internet, pois esta, ainda hoje, é vista por muitos como um mal.

Com a ascensão das novas tecnologias e inúmeros dispositivos móveis conectados à rede mundial de computadores, muitas pessoas passam boa parte de suas vidas navegando pela web. O que irá determinar se esse usuário será mais ou menos inteligente será o modo como ele utilizará a ferramenta, pois esta é apenas um meio. Não é ela que deixa o usuário mais inteligente, mas é a disposição dele em querer aprender vai fazer a diferença.

Como aponta o documento da Igreja Católica ‘Ética nas Comunicações Sociais’: “Um grande bem e um grande mal provêm do uso que as pessoas fazem dos meios de comunicação social”. Ou seja, o meio não é bom nem ruim, é apenas uma ferramenta.
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Não é difícil perceber que a ética, na TV brasileira, está em segundo plano em algumas emissoras; em outras, até mesmo deixando de existir. Parece que as empresas de comunicação não enxergam a ética como uma necessidade social, mas como uma alternativa, por isso dão lugar à baixaria em suas programações, abrindo mão de suas regras de conduta.

A programação da TV brasileira está em declínio e um importante fator desse drama é a competição pela maior audiência na TV aberta. Sendo assim, o homem já não é tratado como cidadão, mas como mero consumidor.

Apelação sexual, exposição dos indivíduos ao ridículo, sensacionalismo, exibição de violência, instrumentalização dos conflitos familiares, palavras de baixo nível, incitação ao sexo, estimulação ao divórcio, incentivo à inversão de valores, pornografia; esses são alguns temas dos conteúdos da TV brasileira que não agregam valores à vida de quem os assiste.

Programas como reality shows – criticados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) -, apresentam uma grande apelação sexual. Com esse tipo de conteúdo, que não promove a pessoa humana, nota-se que o importante para as emissoras é o resultado das pesquisas do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), mas não a ética.

Segundo a nota divulgada pela CNBB, no dia 17 de fevereiro de 2011, esses programas “atentam contra a dignidade da pessoa humana, tanto de seus participantes – fascinados por um prêmio em dinheiro ou por um fugaz momento como ‘celebridade’ -, quanto do público receptor, que é a família brasileira”. Para os bispos, programas como esses são um mal para a sociedade.

Outros programas desatentos à questão ética são aqueles que se utilizam dos dramas familiares, expondo pessoas ao ridículo, com o suposto objetivo de ajudá-las. Não é difícil perceber que, na verdade, não querem outra coisa senão estar à frente dos demais canais, então, usam desses casos para alcançar o lucro.

Até mesmo alguns programas de notícias, que se dizem comprometidos com a verdade e a imparcialidade, estão dando lugar ao sensacionalismo, enfocando notícias violentas, imagens trágicas que, ao contrário de levar o telespectador ao desejo de mudança da realidade, leva-o a um desejo de justiça, mas realizada por meio da vingança, o que só aumenta a violência.

O chamado “jornalista” desse tipo de programa apresenta-se ainda como um “super-herói” por ter a coragem de mostrar a realidade, quando, na verdade, o intuito de todo esse disparate é assegurar a audiência.

Há também outros tipos de jornais que tentam manipular a sociedade com aquelas notícias que já foram vendidas à custa de status, para não perder o domínio e o prestígio no mercado da comunicação. Essas emissoras não estão interessadas em esclarecer aos cidadãos sobre os seus direitos, a verdade que eles necessitam saber para, de alguma forma, mudar as situações à volta deles.

Outro ponto importante a ser mencionado é a publicidade na televisão, pois esta, além de estimular a demanda exagerada de bens materiais, apresentando o materialismo como estilo de vida, está ligada à incitação do sexo. Isso acontece já em qualquer horário, desrespeitando até mesmo a censura. Esse tipo de propaganda faz com que o telespectador sem senso crítico pense que a vida humana gira em torno do sexo. Sem contar a coisificação da mulher e o estímulo a casos extraconjugais como nas propagandas de cerveja.

Não se trata de apresentar um discurso moralista, mas sim de denunciar o fato de os meio de comunicação não levarem em consideração a questão ética, pois influencia a sociedade de forma negativa. Em muitos casos, até aliena o indivíduo, porque ele acredita que a vida é como as novelas, as propagandas e os jornais mostram. Esse tipo de programação faz com que o homem não tenha senso crítico diante de situações que ele deveria intervir como cidadão.

Portanto, são poucos os programas que contribuem, de fato, para a transformação da comunidade, a fim de aproximar o homem do conhecimento político, da realidade de mundo sem que essa seja alterada por aqueles que querem manipular a sociedade.

Willieny Isaias
Missionária da Comunidade Canção Nova

“A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. […] Muitas vezes, o termo ‘alma’ designa na Sagrada Escritura a vida humana ou a pessoa inteira” (Catecismo da Igreja Católica 362. 363).

Até aqui na nossa série: “Vida direito de todos”, nós acompanhamos a formação biológica e psíquica no desenvolvimento do ser humano, além do seu valor como pessoa humana possuidora de direitos desde a sua concepção até a sua morte natural. No entanto, sabemos que o ser humano é dotado de uma alma, um sopro de vida, algo que a Igreja define como sendo “Criada por Deus e Imortal” (CIC 265), que não perece quando se separa do corpo na morte.

A alma está presente no ser humano desde o momento de sua concepção, pois ali, no mais profundo do seu ser “o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: ‘Alma’ significa o princípio espiritual do homem” (CIC 264). A Igreja afirma que a alma de um ser não é dada por ninguém mais a não ser por Deus, que cria o ser humano e imprime em sua natureza a capacidade de ser elevada gratuitamente à comunhão com Ele.

“De onde vem a alma? Ela não pode vir de baixo, da matéria, porque ela é superior, e o menor não pode criar o maior. Então a alma deve vir de algo superior à matéria, ela só pode vir do Criador, ela vem de Deus”, afirma o professor e filósofo Paulo César.

Segundo o filósofo, em nossa sociedade atual é preciso entender este conceito de alma e do valor do ser humano, “não basta falar quem somos se não houver um processo da consciência valorativa no que diz respeito a afirmar o nosso valor”.

“Onde existe o ser, existe o valor. Um grão de areia tem o valor de um grão de areia, uma planta tem o valor no nível de uma planta, mas o ser humano aparece nesta cadeia numa espécie de ruptura continuada, ou seja, ele tem um valor transcendente. O nosso valor não se fundamenta no que vem de baixo [matéria], mas se fundamenta no próprio Criador”, diz professor Paulo.

Se biologicamente o ser humano tem um valor incomensurável pelo simples fato de possuir direitos – sobretudo o primeiro deles, o de nascer – quanto mais o seu valor diante do Criador. “Quem faz algum mal à pessoa, consciente ou inconsciente, está atentando contra o seu Criador”, diz o filósofo Paulo. “Por isso a ética diz que o ser humano nunca pode ser instrumentalizado. O que significa isso? Que o ser humano nunca pode ser usado como meio. Ele não pode ser usado como meio político, econômico, sexual; o ser humano deve ser o fim das instituições”, completa o filósofo.

Vejo o vídeo com o depoimento do filósofo e professor Paulo César

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