A oração ao ritmo da vida acontece exatamente aqui: no meio da vida real.
Padre Jonas Abib, como fiel filho de Dom Bosco, sempre nos ensinou algo muito direto: o maior laço que o demônio coloca na vida dos jovens é o ócio. Ele é a origem de muitos vícios.
É preciso entender isso com seriedade: o homem nasceu para o desenvolvimento e o trabalho. Quando tenta fugir dele, sai do seu lugar, perde o centro e se expõe ao risco de ofender a Deus.
O ócio é chamado, pelo próprio Espírito Santo, de pai dos vícios. Já o trabalho, quando bem vivido, combate e vence todos eles.
Por outro lado, não há maior consolo do que saber que um pouco de tempo, vivido no serviço a Deus, é suficiente para nos santificar. Por isso, Padre Jonas Abib nos ensinou a espiritualidade do trabalho santificado.
Carlo Acutis é um exemplo concreto disso. Além de suas atividades escolares, foi catequista em sua paróquia, Santa Maria Segreta, em Milão, onde aprendeu a projetar e criar páginas web enquanto trabalhava no site da paróquia com um aluno de engenharia da computação.
Desenvolveu tamanha paixão por esse tipo de trabalho que, no verão de 2006, projetou um site para um projeto de promoção do voluntariado em sua escola e trabalhou na página da Pontifícia Academia Cultorum Martyrum, da qual sua mãe participava.
Ele também usou o computador para criar um layout para a oração do Rosário e um site sobre milagres eucarísticos. Ele dizia que, assim, poderia levar a exposição que havia produzido em painéis a muitas pessoas que não teriam acesso a ela.
Carlo viveu como um jovem comum — gostava de futebol, videogame e tecnologia —, mas com uma fé profunda, centrada na Eucaristia. Participava da missa todos os dias e nos dias que não podia participar devido aos estudos, fazia a comunhão espiritual.
Estava sempre disposto a ajudar um colega necessitado e era amigo dos pobres de sua vizinhança, dando-lhes parte de sua mesada quando pediam ajuda.
Ele costumava dizer: “Estar sempre perto de Jesus, esse é o meu projeto de vida”.
É assim que a oração no ritmo da vida se torna concreta: no trabalho, nas responsabilidades e nas escolhas diárias.
Isso não significa viver sem descanso. Pelo contrário, há espaço para lazer e diversão, próprios da sua idade — desde que não ofendam a Deus. O importante é escolher bem as atividades que, além de recrear, também ajudem a crescer.
Os jogos e entretenimentos também têm seu lugar. São bons quando ajudam a equilibrar corpo e mente. Mas é preciso vivê-los com responsabilidade: sem enganos, sem pequenas fraudes, sem atitudes que gerem discórdia ou firam os outros.
E aqui está o ponto decisivo: em tudo — no jogo, na conversa, no trabalho — levante o coração a Deus. Ofereça tudo a Ele.






