O que significa ser profeta hoje
Ser profeta, hoje, é um chamado que continua vivo na Igreja. Desde o início do cristianismo, Deus forma um povo capaz de testemunhar esperança no meio do mundo. Por isso, falar de ser profeta hoje significa entender que todo cristão é chamado a viver e anunciar a esperança de Deus na história.
Todo o povo cristão está comprometido, diante do mundo, com o apostolado da esperança. Essa é a sua essência. É isso que faz da Igreja uma verdadeira comunidade de profetas.
Mas, na prática, o que significa ser profeta hoje?
Significa reconhecer que, como povo profético, precisamos manter viva a consciência daquilo que Deus deseja para o mundo: a paz e a justiça de Deus.
Como comunidade de profetas, somos chamados a pensar, falar e agir na direção desse projeto de Deus nas situações simples e concretas da vida.
Isso se torna visível quando, no meio do mundo, homens e mulheres espirituais assumem sua missão no cotidiano com um olhar profético e cheio de esperança, apontando com a própria vida para onde a história caminha.
Diáspora e missão: quando o povo de Deus se espalha
Na Bíblia e na história do povo de Deus, houve muitos conflitos e épocas em que o povo foi exilado para fora de sua terra. Algo semelhante ao que vemos hoje acontecer em lugares como Ucrânia, Síria e tantos outros países marcados pela guerra.
Com essa dispersão, os judeus passaram a viver longe do Templo de Jerusalém. Assim, onde havia um pequeno grupo de judeus, ali também surgia uma sinagoga. E onde existia uma sinagoga, estavam presentes o estudo, a leitura e a interpretação das Escrituras.
Quando os apóstolos viajavam, especialmente São Paulo, quase sempre começavam sua pregação nas sinagogas das cidades.
Foi nesse contexto que Paulo assumiu sua vocação de profeta enviado aos gentios, chamado para ser luz das nações, como ele mesmo testemunha (cf. Gl 1,16).
A palavra gentios vem do latim gentilis, que significa “povos” ou “nações”.
Dentro desse contexto, Padre Jonas Abib também ensina algo importante para nós que somos Canção Nova. Ele afirma que um aspecto essencial do profetismo que somos chamados a viver é a diáspora, ou seja, a dispersão missionária:
“A Canção Nova não é somente o núcleo, mas a ‘Canção Nova total’, nas suas várias pertenças, é chamada a viver a ‘diáspora’, a ‘dispersão’, como o Povo Eleito espalhado pelo mundo para semeá-lo, para penetrar todas as suas realidades e contagiar com o Evangelho todos os tipos de atividades do homem. É aí, nesta situação de ‘Diáspora’, que somos chamados a viver, a ser o que somos e a transformar, evangelicamente, muito mais pelo que somos do que pelo que fazemos.” (ND 412)
São Paulo e a missão profética para todas as nações
O principal propagador da mensagem de Jesus fora da Judeia foi Paulo de Tarso. Ele era um judeu da diáspora, instruído por mestres fariseus e profundamente familiarizado com o estudo das Escrituras.
Como ele mesmo afirma:
“Circuncidado ao oitavo dia, da descendência de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus; quanto à Lei, fariseu.” (Fl 3,5; cf. Rm 11,1; Gl 1,13-14)
Aproveitando o ambiente acolhedor das comunidades judaicas da diáspora, Paulo anunciou com força a mensagem da cruz e da ressurreição de Jesus, sempre interpretando esses acontecimentos à luz das Escrituras.
De forma semelhante, Padre Jonas Abib também assumiu sua missão profética. Inspirado nas palavras de São Paulo, fez da sua vida uma missão para salvar almas:
“Embora livre, eu me fiz servo de todos para ganhar o maior número possível […] Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a todo preço.” (cf. 1Cor 9,19.22-23)
Ele mesmo afirmava:
“Feito ‘tudo para todos’ para ganhar o maior número possível exprime bem o que sou. Deus me fez assim. A finalidade da minha vida, a minha razão de ser é esta.” (ND 738)
O profeta enviado aos gentios
Paulo compreendeu sua vocação como um chamado maior: levar a luz de Deus a todas as nações. Ele se reconheceu como um profeta enviado aos gentios, em continuidade com a tradição profética de Israel.
Essa missão está ligada à antiga profecia de Isaías, que fala de um enviado de Deus como “luz das nações” (Is 42,6; 49,1; cf. Gl 1,16).
No documento em que Padre Jonas escreveu à comunidade sobre a Divina Misericórdia ele diz:
[…] todos esses meios de comunicação que Deus nos deu […] tudo isso é para levar às nações, e até aos confins da terra, esta Divina Misericórdia, que quer atingir a todos, sem distinção. Deus nos deu meios de comunicação de massa. Enquanto outros se utilizam deles para massificar, roubando a dignidade dos filhos de Deus – não só a dignidade de filhos, mas a própria dignidade humana –, nós somos convocados a utilizar todos esses meios da moderna comunicação para atingir a todos com a Divina Misericórdia e devolver-lhes a dignidade humana e a dignidade de filhos de Deus.” (ND 1079 e 1080)
Assim, cada consagrado da Canção Nova carrega esse mesmo chamado. Evangelizar não é apenas falar, mas dar a própria vida no testemunho.
Como o próprio Padre Jonas dizia: Deus nos criou em comunidade, como um cacho de uvas. Por isso, cada membro da Canção Nova traz em si, ao menos em semente, essa vocação missionária e profética.
Um chamado para você
Ser profeta hoje não é algo reservado a poucas pessoas.
É um chamado que nasce do batismo e se realiza no cotidiano.
Talvez Deus esteja chamando você exatamente para isso: viver como parte dessa comunidade de profetas e levar a esperança do Evangelho ao mundo.
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Graziele R. Lacquaneti é missionária da Comunidade Canção Nova há mais de 30 anos, celibatária consagrada e formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atualmente é pós-graduanda em Sagradas Escrituras e coordena o setor de Produção Digital de Conteúdos Formativos da Comunidade Canção Nova, atuando na evangelização e formação cristã por meio das mídias digitais.






