É no seio familiar que a identidade da mulher e do homem recebe as primeiras programações culturais e formativas, pois é nela que se constroem diversos tipos de relações, de comportamentos e de condicionamentos culturais, sociais, religiosos e emocionais. A divisão dos papéis entre o casal para a educação dos filhos é de fundamental importância e reflete os valores e as crenças da instituição familiar. Em geral, a esposa cuida do funcionamento do lar enquanto o marido é impulsionado a tratar da obtenção dos recursos materiais e financeiros para a sua manutenção. É comum e natural que cada família tenha regras e valores próprios, quem sabe até passada por gerações. Segundo Giddens (2000), as famílias desenvolvem um currículo oculto de ensinamentos. De qualquer modo, é comum na pedagogia familiar do Ocidente que as meninas, ainda no berçário, ganhem brinquinhos e vestes cor-de-rosa e que recebam um pequeno laço de fita nos cabelos logo após o primeiro banho. Assim, daquele momento em diante, instala-se na vida daquela pequena mulher o início do aprendizado dos rituais e valores de beleza que deverão fazer parte de sua identidade feminina durante toda a sua vida, pois toda mulher é uma princesa. Somos seres especiais. E Deus nos criou com perfeição, embora nem sempre tenhamos consciência disso.Somente a nós mulheres foi dado o dom da maternidade. O dom de gestar a partir da união procriativa com o homem. Toda família tem na matriarca a administração do lar. A mãe é aquela que distribui mais amor, mais sabedoria e mais atenção a todos os membros da família, por meio de sua delicadeza e ternura. Não podemos esquecer que somos a leveza da casa, a essência da beleza e da ternura, existe um sábio ditado popular que diz, que por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher e isto é fato, pois no matrimônio o homem é sustentado pela mulher, como a mulher é sustentada pelo homem por meio do amor conjugal que vai além do sexo, embora ele faça parte da união intima e prociativa do casal. Um grande homem se faz também através de uma grande mulher, mulher que ama e cuida, mas que também é cuidada e amada. Que se dedica de coração e recebe também toda dedicação que merece. Todo grande homem sabe tratar muito bem a mulher, seja ela sua mãe, filha e até mesmo a esposa. O homem de Deus entendeu que a mulher é uma rosa delicada que deve ser tratada com carinho para assim poder exalar o mais belo perfume que é o amor. O homem de Deus sabe cuidar do jardim do amor para que a rosa continue sempre linda e fortalecida, a ponto de não ser derrubada por nenhum vento forte, tempestade ou até mesmo furacão. Precisamos olhar no espelho e admirar o ser maravilhoso que somos. Nos enxergarmos como princesas, olhar dentro dos próprios olhos e ver o encanto que flui da nossa alma, encanto este de quem sabe que é amada, querida e respeitada. Muitas de nós ainda tem que aprender que não são objetos, mas filhas do Rei que nos ama como princesas que de fato o somos e nos educa para sermos Rainhas, pois somos herdeiras do seu reino de eternidade e por isso o Senhor tem forjado em mim e em você certas virtudes que nos diferencia de tantas outras que ainda não reconheceram a sua realeza. É exatamente assim que se constroem princesas a partir das virtudes. As virtudes de uma mulher temente a Deus são como pérolas valiosas, é como uma concha, ela até é bonita, se cuida, preza por sua aparência, mas o seu verdadeiro valor está dentro dela. Existem muitas conchas no mundo, não é verdade, cada uma com o seu encanto, mas não podemos esquecer que são poucas as que trazem o valor precioso que é a pérola. A pérola que está dentro da concha é que vale infinitamente mais, sendo assim, não importa o tamanho, a beleza e a cor da concha, mas sim a sua essência e preciosidade que é a pérola. Mas o que é essa pérola e como produzi-la? Antes de responder a essa pergunta, preciso afirmar que estudos comprovam que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas. As pérolas das ostras são resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. Ou seja, as pérolas são produto da dor. Cientificamente é comprovado que na parte interna da concha há uma substância lustrosa chamada nácar e quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. O resultado você já sabe que uma linda pérola vai se formando. Por isso, uma ostra que não foi ferida jamais poderá produzir pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Nós seres humanos e principalmente mulheres, com toda a nossa sensibilidade, passamos pelo mesmo processo pelo qual a ostra passa. Ao sermos feridas por palavras, traições, decepções, sofrimentos, adversidades, doenças, enfim…, criamos uma mágoa, um rancor, insegurança, medo… Sentimentos que são ―objetos‖ estranhos dentro de nós, já que um ser humano em plena felicidade não pode ter esses ―grãos de areia‖ ferindo a sua alma. Diante dessas feridas, precisamos então proteger nosso corpo, nossa alma, recobrindo estes ―grãos‖ com várias camadas de AMOR, como a ostra o faz com seu nácar. Amor que vem da intimidade com o Senhor, do apoio familiar, de boas amizades… Costumo falar que Princesas da vida real, são mulheres fortes que ousam ser felizes. Independentemente do cenário ou até mesmo do roteiro, pois elas aprenderam a colocar a sua confiança em seu Pai que cuida de cada um dos detalhes de sua vida. Elas entenderam que o temor do Senhor dá à mulher uma nova estatura; que conhecer o Senhor a fortalece para prosseguir rumo a meta vertical que é a santidade; elas entenderam que a intimidade com o Senhor capacita a mulher a suportar a tribulação e forja nela virtudes, como a mansidão, que é brandura, suavidade. A tornando pacificadora. A longanimidade, que significa ―grandeza de ânimo‖, que é aquela paciência em relação a outras pessoas, não cobrando tão rapidamente seus erros, sendo paciente com o processo do outro. O perdão que é desculpar, absolver, esquecer, sendo assim, cancelar uma dívida, devolvendo ao outro a dignidade de filho de Deus dentro de si. A Humildade, que é reconhecer a nossa posição perante Deus. É importante ressaltar que um espírito humilde não exige os seus próprios direitos, mas reconhece que se somos alguma coisa é somente pela misericórdia e graça do Senhor. Falando de humildade temos um grande exemplo a seguir que é a Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus. Que por sua humildade esmagou a cabeça de toda a soberba e trouxe a nós o salvador. O único caminho para reconhecermos a princesa que vive escondida no castelo do nosso templo interior é reconhecermos filhas e filhas amadas de um Pai muito zeloso, que nos convida a sermos Heroínas que são sinceras consigo mesmas e com seus processos e verdade, que não precisam ter corpo perfeito e nem seguir a ditadura da moda, mas que se cuidam e vestem de modo decente, belo, singelo e encantador. Não se esqueça que a princesa que vive escondida no castelo do nosso templo interior, precisa ver a luz, pois ela nasceu para brilhar e refletir a beleza do seu criador.