AJUDE A EVANGELIZAR A CHINA - urgente

Filed under: Biblia — Prof. Felipe Aquino at 5:40 pm on Friday, August 8, 2008

Você sabe que a China comunista é um país que proíbe a entrada de Bíblias e literatura cristã no país. Tendo em vista o terremoto que matou mais de 70 mil chineses e a abertura ao Ocidente diante do maior evento esportivo do ano que acontecerá em Pequim (os Jogos Olímpicos de 08 a 24 de Agosto) a organização internacional conhecida como “Parceiros pela China“, juntamente com seu presidente (Henry Capello), percebem ser este o momento-chave para uma divulgação maciça com o intuito de levar Jesus Cristo ao povo chinês.

Como cristãos, sabemos que tudo isso só pode ser experimentado em sua plenitude a partir de um contato com a força transformadora da Palavra de Deus. O governo chinês, por ocasião dos Jogos Olímpicos, “facilitou”, a entrada de Bíblias católicas traduzidas para o mandarim (língua falada) na China.

 Esta é uma oportunidade única, onde o governo chinês “diminuiu sua rigidez” quanto a entrada da Palavra de Deus no interior do país. Entretanto, estudiosos sobre perseguições ao Cristianismo no mundo, afirmam com convicção que, após os Jogos Olímpicos em Pequim, a perseguição aos cristãos na China terá proporções ainda maiores! Então não podemos deixar escapar essa oportunidade para evangelizar aquele povo que não conhece Jesus Cristo. Sabemos que não há portas fechadas para o Evangelho. Este projeto de levar a Bíblia para o interior da China espalhando a Palavra de Deus por aquele país é “um projeto do coração do Papa” (segundo as palavras do Papa Bento XVI numa audiência com Henry Capello em Roma). O tempo é curto. Após o término dos Jogos Olímpicos, os obstáculos à divulgação do Evangelho na China voltarão a crescer…

VOCÊ PODE PARTICIPAR DE MANEIRA ATIVA DESTA MISSÃO! ACESSENDO  O SITE WWW.PARCEIROSPELACHINA.COM

No site está tudo explicado: como contribuir, qual o valor da
contribuição, número da conta para depósito etc.  Com cada R$5,00 será possível enviar uma Bíblia e um CD sobre Jesus Cristo para a China. Faça a sua oferta.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

A Moral no Antigo Testamento

Filed under: Biblia — Prof. Felipe Aquino at 9:50 pm on Wednesday, May 14, 2008

Os homens da antiguidade, mesmo os mais chegados a Deus, tinham mentalidade primitiva e, praticavam o que hoje para nós seriam “escândalos morais” - mentira, fraude, crueldade para com os adversários, concubinato, poligamia.  D. Estevão Bettencourt em seu livro “Para entender o Antigo Testamento” (editora Lúmen Christi), nos ajuda a entender esta realidade.

Os textos bíblicos que narram coisas desse tipo deixam chocado o leitor que não se dá conta da moral primitiva desses homens. Pode parecer que nem a consciência repreendia os israelitas que assim procediam, e que nem o próprio Deus os censurava.

Antes de tudo é preciso saber que nem tudo que o Antigo Testamento narra é proposto como “norma de conduta” para nós. Nem todas as ações de um herói (como Sansão, por exemplo) de um livro inspirado por Deus, são inspiradas. A Bíblia não tem erro de doutrina, verdades de fé reveladas por Deus, mas pode ter falhas de outra natureza. A Igreja, assistida pelo Espírito Santo, sabe fazer este discernimento, e é para isto que Jesus deixou o Magistério sagrado do Papa e dos Bispos.  A Igreja sabe encontrar as verdades dogmáticas transmitidas mesmo através de histórias às vezes “não edificantes”.

Os “escândalos” narrados no Antigo Testamento fazem parte da miséria dos filhos de Adão. Então, ao se defrontar com os episódios de “barbárie” das Escrituras antigas, não devemos nos prender no aspecto repugnante que eles podem ter; devemos saber passar além da aparência superficial, e olhar “para dentro desses acontecimentos” com o olhar de Deus. Assim, também eles nos falarão de algo muito sublime.

Às vezes no Antigo Testamento os homens considerados justos (Abraão, Moisés, Davi,…) cometem atos ao nosso critério pecaminosos. Para entender esta dificuldade é preciso que consideremos o problema dentro de um quadro à luz de Deus, e não simplesmente do nosso ponto de vista de homens do século XXI.

As obras de Deus são lentas, basta ver como a natureza se desenvolve: a grande árvore começa de uma semente… Também na ordem moral isto ocorre, especialmente no que diz respeito à consciência humana da humanidade. Basta ver como a consciência da criança se desenvolve até a fase adulta. Só aos poucos é que a criança ou o adolescente vai percebendo as conseqüências concretas daquilo que nos diz a consciência: “faça o bem, evite o mal”.

Com o gênero humano inteiro aconteceu algo semelhante ao que se dá com toda criança: nos primórdios da história, os homens tinham uma consciência moral pouco desenvolvida, a qual  foi se tornando mais apurada e sensível através dos séculos. Deus agiu assim com o homem, de maneira pedagógica.

Isto aconteceu com o povo de Deus, portador da verdadeira fé. Este povo também possuía uma consciência moral ainda embrionária.  Sabiam que era preciso “fazer o bem e evitar o mal”, e obedecer a Vontade de Deus; mas na prática este princípio escapava à sua percepção. Jesus fez o mesmo com os Apóstolos. Na última Ceia Ele lhes diz: “Ainda tenho muitas coisas para dizer-lhes, mas vocês não as podeis entender agora. Quando vier o Paráclito…” (Jo 16,12). Só depois de Pentecostes é que os Apóstolos entenderam muitas coisas.

Deus respeita o lento desabrochar da natureza. Esse desabrochar da consciência humana deveria acontecer pela reflexão dos homens de todos os tempos, e pela meditação da Revelação de Deus.
Assim, por esses dois meios – reflexão e Revelação - a consciência do povo de Deus foi se aperfeiçoando, desde a  moralidade simples dos Patriarcas do Antigo Testamento até  à lei de Cristo – a caridade. O caminho foi lento e árduo por causa das conseqüências do pecado original que enfraqueceram a inteligência e a vontade do homem.

Deus, para preservar a verdadeira fé e a esperança messiânica no mundo idólatra, escolheu Abraão e sua posteridade para formar o povo e onde nasceria o Messias. Não se pode esquecer que essa gente, oriunda de ambiente pagão (Mesopotâmia), recebeu de seus antepassados na Caldéia, muitas tradições e costumes supersticiosos. Deus teve que polir e elevar esta gente até  à altura do culto do verdadeiro Deus; mas não quis cortar bruscamente todas essas tradições, pois seria antipedagógico, e não seria entendido.

Inicialmente Deus fez o essencial, eliminou, rigorosamente o que era estritamente Politeísta; mas quanto às outras coisas, preferiu ir devagar, contemporizando, aceitando o povo como era, seguindo práticas antigas, mas não politeístas. Assim, por meio dos profetas Deus foi fazendo com que o povo fosse se elevando espiritualmente, até um dia poder ouvir a mensagem do Evangelho: “Este é o meu preceito: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei” (Jo 15, 12)”.

A consciência embrionária do povo no Antigo Testamento, não é incompatível com santidade. Em qualquer época da história, a inocência consiste em que o homem nada faça “contra a sua consciência”, nada que lhe pareça contradizer à Vontade de Deus.
Veja, os grandes homens e mulheres da história sagrada, como mostra o texto bíblico, se esforçavam por não violar normas que o seu senso moral (consciência) lhes exigia e, quando por fraqueza, as violaram, se arrependeram disto sinceramente. Há muitos exemplos disso na Bíblia. Esses homens davam a Deus tudo que sabiam que deviam dar-lhe; embora “tudo”, era pouco em comparação com o padrão moral que hoje nos é proposto; mas precisavam de grande esforço.

Na medida em que a consciência não os acusassem, podiam seguir seus costumes primitivos, para nós as vezes bárbasros; e assim não deixavam de obedecer   o que Deus lhes pedisse. Era esta incondicional adesão ao Senhor que os tornava justos, santos. Por isso, esses homens são modelos de santidade, para a época, não pelo aspecto exterior de sua vida (que às vezes nos assusta!), mas pelo desejo interior de cumprir a vontade de Deus e lhe ser fiel. Veja a fé de Abraão, o fervor da oração de Davi, o zelo de Elias, são modelos que devemos imitar.  A Igreja não os coloca nos altares porque nem sempre suas atitudes servem hoje de modelo de vida.

Para nós que temos o conhecimento do Evangelho, seria ilícito repetir o que era praticado pelos justos do Antigo Testamento, já que a nossa consciência, iluminada por Cristo, tem agora muito mais clara noção  do bem e do mal,  e se torna mais exigente.
O que hoje é pecado contra a lei natural sempre foi mau olhos de Deus, já que o mal não depende de mera convenção humana, mas nem sempre isto foi percebido pelos homens antigos, por causa de sua consciência moral pouco desenvolvida.
Enfim, Deus quis fazer do homem seu filho, chamando-o a participar de sua vida e da sua felicidade, e para isto o foi educando pedagogicamente.

Á luz dessas explicações podemos agora compreender porque a lei de Moisés (1240 a.C.) incorporava a lei de talião. O código babilônico, de onde veio Abraão, do rei Hamurabi (1800 a.C.), prescrevia: “Olho vazado por olho vazado” (Art. 196); “membro quebrado por membro quebrado” (Art. 197); “dente espedaçado por dente espedaçado” (Art. 200); “boi por boi, carneiro por carneiro” (Art. 263); “morte ao arquiteto de uma casa que desmorone sobre o proprietário” (Cf. art. 229); “morte ao filho do arquiteto, se a casa cai sobre o filho do proprietário” (Cf. art. 230).

Com o progresso da cultura, os antigos pagãos foram percebendo a imperfeição da retribuição pelo talião.  Consequentemente, admitiam que o criminoso pagasse indenização monetária, caso nisto consentisse a vítima.
Ao promulgar a Lei Mosaica, Magna Carta de Israel, o Senhor quis respeitar a tradição da sua gente; para depois reformá-la aos poucos.  Jesus, completando o processo pedagógico do Antigo Testamento, aboliu a lei de talião, ordenando que os discípulos perdoassem gratuitamente até os inimigos (cf. Mt. 5, 38-42, 21-15).
Às vezes aparece a poligamia no Antigo Testamento, como se Deus a aceitasse. Não é bem assim. O matrimônio, quando aparece na história sagrada, pela primeira vez, é como uma união monogâmica; o Criador mesmo o instituiu e abençoou dando-lhe um valor religioso (cf. Gn 1,28; 2,23s).  Por isto, o casamento é chamado “aliança de Deus” (Pr 2,17), aliança “da qual o Senhor é testemunha” (cf. Ml 2,14).

A praxe da poligamia foi reconhecida pela Lei mosaica em 1240 (cf. Dt 17, 17; 21, 15; Lv 18,18), mas isto se explica por um ato de tolerância divina. ‘E o que  Jesus disse aos fariseus:
“Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés o permitiu: a princípio, porém, não era assim”.  (Mt 19,8)

No tempo de Abraão uma família numerosa era sinal de bênção divina, a esterilidade era vista como uma maldição (cf. Is 63, 9 e Os 9, 14; Lc 1,25).  Assim, a moral da época aceitava que o marido da esposa estéril podia gerar um filho com outra mulher livre ou a escrava da sua esposa; e os filhos da escrava eram  pertencentes à sua esposa. Isto era aceito com naturalidade pelos antigos judeus.

Mas, ao lado dos casos de poligamia, concubinato e divórcio reconhecidos pela Lei, houve na história sagrada, episódios que em hipótese alguma poderiam ser justificados, motivados pela fraqueza humana. Entre esses casos está o pecado de Onã (donde o nome do vício “onanismo”), que Deus puniu severamente (cf. Gn 38, 6-10); o atentado incestuoso dos sodomitas (Gs 19, 1-25); a conduta  errada de Salomão, que acarretou, como punição, o cisma do reino deste monarca (cf. 1Rs 11, 1-13, 29-33).  Além disso a Lei advertia o rei contra os abusos da poligamia (cf. Dt 17,17).

“A BÍBLIA NA LINGUAGEM DE HOJE (BLH)”

Filed under: Biblia — Prof. Felipe Aquino at 3:54 pm on Monday, May 12, 2008

D. Estevão Bettencourt, conhecido teólogo e biblista, que participou da tradução de algumas Bíblias, que domina o grego, hebraico, latim, inglês, françês, espanhol, etc, não recomenda a “Bíblia na Linguagem de Hoje”.
Diz ele que a “Bíblia na Linguagem de Hoje” é uma tentativa de traduzir em linguagem popular o texto sagrado para torná-lo acessível ao grande público. A intenção dos tradutores é louvável, mas a obra é infeliz, pois, mais do que uma tradução, fizeram uma interpretação, por vezes nitidamente protestante. Além do quê, a adaptação do texto sagrado ao vocabulário popular faz que o novo texto deixe de apresentar termos bíblicos ricos de conotações e temas teológicos como “Tradição, depósito, mistério…”; assim se empalidece a mensagem bíblica em vez de ser levada ao povo simples. A solução para o problema da difusão da Bíblia está, antes, em conservar o vocabulário típico e rico do texto sagrado, munindo-o, porém de notas explicativas em rodapé, a fim de que o leitor não iniciado cresça em cultura bíblica, em vez de ser deixado na sua exígua cultura, com empobrecimento da mensagem sagrada.”
A Sociedade Bíblica do Brasil, de orientação protestante, editou em 1988 os livros protocanônicos da Bíblia (Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico, 1/2 Macabeus, Ester 10, 4-16, 24; Daniel 3, 24-90, 13-14), “na linguagem de hoje” que o catálogo católico considera Palavra de Deus ou partes integrantes da S. Escritura.”
“As Edições Paulinas obtiveram a autorização para publicar num só volume os textos canônicos e deuterocanônicos da Bíblia, que atualmente está sendo apresentado ao público como “Nova Tradução na Linguagem de Hoje” (BLH); acompanhada de uma carta assinada pelo Sr. Bispo D. Eugenio Rixen, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética, … carta que não quer dizer que tal é a melhor tradução da Bíblia, mas apenas significa que é aceitável”.
Esta versão da Bíblia deixa de usar termos típicos como “justificação, carne e sangue…”. Muitos termos bíblicos com: Tradição, têm sua história, suas conotações, suas assonâncias na cultura antiga (hebraica, aramaica ou grega); conseqüentemente, se se trocam tais termos por outros, pode-se perder a noção da riqueza e das implicações semânticas de tais vocábulos.

A BLH troca a palavra “Tradição” e “ensinamento de viva voz” por apenas “mensagem” (2Ts 2,1 e 1 Cor 11, 2). A intenção de evitar a palavra “tradição, tradições” quando o Apóstolo a recomenda, deve-se ao fato de que os protestantes rejeitam a tradição divino-apostólica ou as doutrinas que nos foram transmitidas por via meramente oral.
A palavra “Depósito” (parathéke no grego) é trocada por “boas coisas” (2Tm 1, 14; 1Tm 6,20; 2Tm 1, 12)
O mesmo acontece com muitas outras palavras que não poderiam se substituídas para não enfraquecer a hermenêutica católica, tais como: justificação em Rm 3, 20-22; Rm 1, 17b; Gl 3, 11b; Hb 10, 38; primeiro filho em Lc 2, 7; mistério, ligar e desligar, e muitos outros.
D. Estevão conclui dizendo que:
“Concluímos que a BLH não é simplesmente uma tradução, mas vem a ser, em mais de um caso, uma interpretação… o tradutor, de caso pensado, procura evitar vocábulos consagrados pelo uso, como se dá na BLH. E diga-se de passagem: a interpretação dada ao texto da BLH, cá e lá, é evidentemente protestante. - Daí não se poder recomendar o uso da BLH nem para católicos, nem para protestantes, pois uns e outros necessitam, antes do mais, de ler o texto bíblico na sua identidade tão objetiva quanto possível.
Julgamos, pois, que não se devem evitar as palavras técnicas do vocabulário  bíblico como Evangelho, justificação, mistério… e outras muitas, pois têm suas conotações que outras, tidas como equivalentes, não possuem; o que elas possam apresentar de  insólito, seja explicado ao pé da página do texto bíblico ou em glossário próprio, de modo que percam sua estranheza para o leitor não iniciado.”
Não publicamos o artigo inteiro de D. Estevão (Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”, Nº 523 - Ano 2006 - Pág. 7) por ser longo; quem desejar vê-lo na íntegra poderá vê-lo em nosso site www.cleofas.com.br dentro de alguns dias.

Os Evangelhos são de fato históricos?

Filed under: Evangelhos, Biblia — Prof. Felipe Aquino at 3:25 pm on Wednesday, April 9, 2008

 

O Catecismo da Igreja afirma com segurança: “A Igreja defende firmemente que os quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente aquilo que Jesus, Filho de Deus, ao viver entre os homens, realmente fez e ensinou para a eterna salvação deles, até ao dia que foi elevado” (§ 126; Dei Verbum 19). 

Como já vimos há mais de 5000 manuscritos (cópias) do texto original grego do Novo Testamento, comprovados como autênticos pelos especialistas. São 81 papiros; 266 códices maiúsculos; 2754 códices minúsculos e 2135 lecionários. Os papiros são os mais antigos testemunhos do texto do Novo Testamento. Estão nos EUA, na Itália, Áustria, Paris, Londres, Moscou, Alemanha… e datam do dos séculos II a VI. Existem 76 papiros do texto original do Novo Testamento. Acham-se ainda em Leningrado (p11, p68), no Cairo (p15, p16), em Oxford (p19), em Cambridge (p27), em Heidelberg (p40), em Nova York (p59, p60, p61), em Gênova (p72, p74, p75),… Desses papiros alguns são do ano 200. É, por exemplo, do ano 200 aproximadamente, o papiro 67, guardado em Barcelona.  

O valor de tais testemunhas ainda se torna mais evidente se se considera o estado de conservação das obras dos autores clássicos. Destas se possui às vezes um só manuscrito (ao passo que dos Evangelhos existem mais de cinco mil). Além disso, o autor que melhor se pode conhecer é Virgílio († 19 a. C.); no entanto há  um intervalo de 350 anos entre a morte deste poeta e o mais antigo manuscrito do mesmo hoje conservado. Para Tito Lívio († 17 d. C.), o intervalo corresponde é de 500 anos; para Horácio († 18 a. C.), é de 900 anos; para Júlio César (†  44 a. C.) e Cornélio Nepos († 32 a. C.), 1200 anos; para Platão († 347 a. C.) e Tucídides (†  395 a. C.), 1300 anos; para Eurípides (†  407/6 a. C.), 1600 anos! 

Vemos,  então, que a transmissão desses clássicos antigos, gregos e latinos, tão usados pela humanidade, com total credibilidade, tiveram uma transmissão muito mais precária do que o Novo Testamento, com os seus mais de 5000 manuscritos, muito mais próximos de seus originais. Se a humanidade não põe em dúvida a autenticidade desses textos latinos e gregos, então, jamais poderá questionar a autenticidade do Novo Testamento. 

As fontes dos primeiros séculos confirmam a autenticidade do Novo Testamento. Vejamos apenas uns poucos exemplos. Atente bem para as datas.  

Evangelho de Mateus - No ano 130, Bispo Pápias, de Hierápolis na Frígia, região da Ásia Menor, que foi uma das primeiras a ser evangelizada pelos Apóstolos, fala do Evangelho de São Mateus dizendo: “Mateus, por sua parte, pôs em ordem os dizeres na língua hebraica, e cada um depois os traduziu como pode” (Eusébio,  História da Igreja III, 39,16). 

Quem escreveu essas palavras foi o bispo Eusébio, de Cesaréia na Palestina, quando por volta do ano 300 escreveu a primeira história da Igreja. Ele dá o testemunho histórico de Pápias. Note que Pápias nasceu no primeiro século, isto é, no tempo dos próprios Apóstolos; S. João ainda era vivo. Portanto este testemunho é inequívoco.  

Outro testemunho importante sobre o Evangelho de Mateus é dado por Santo Irineu (†200), do segundo século. Ele foi discípulo do grande bispo S. Policarpo de Esmirna, que foi discípulo de S. João evangelista.  S. Irineu na sua obra contra os hereges gnósticos, também fala do Evangelho de Mateus, dizendo:  “Mateus compôs o Evangelho para os hebreus na sua língua, enquanto Pedro e Paulo em Roma pregavam o Evangelho e fundavam a Igreja.” (Adv. Haereses II, 1,1). 

Evangelho de São Marcos - É também o Bispo de Hierápolis, Pápias (†130) que dá o primeiro testemunho do Evangelho de Marcos, conforme escreve Eusébio: “Marcos, intérprete de Pedro, escreveu com exatidão, mas sem ordem, tudo aquilo que recordava das palavras e das ações do Senhor; não tinha ouvido nem seguido o Senhor, mas, mais tarde…., Pedro. Ora, como Pedro ensinava, adaptando-se às várias necessidades dos ouvintes, sem se preocupar em oferecer composição ordenada das sentenças do Senhor, Marcos não nos enganou escrevendo conforme recordava; tinha somente esta preocupação, nada negligenciar do que tinha ouvido, e nada dizer de falso” (Eusébio, História da Igreja, III, 39,15). 

Evangelho de São Lucas - O Prólogo do Evangelho de S. Lucas, usado comumente no século II, dava testemunho deste Evangelho, ao dizer: “Lucas foi sírio de Antioquia, de profissão médica, discípulo dos apóstolos, mais tarde seguiu Paulo até a confissão (martírio) deste, servindo irrepreensivelmente o Senhor. Nunca teve esposa nem filhos; com oitenta e quatro anos morreu na Bitínia, cheio do Espírito Santo. Já tendo sido escritos os evangelhos de Mateus, na Bitínia, e de Marcos, na Itália, impelido pelo Espírito Santo, redigiu este Evangelho nas regiões da Acaia, dando a saber logo no início que os outros Evangelhos já haviam sido escritos.” 

Evangelho de São João – é Santo Ireneu (†202) que dá o seu testemunho: “Enfim, João, o discípulo do Senhor, o mesmo que reclinou sobre o seu peito, publicou também o Evangelho quando de sua estadia em Éfeso. Ora, todos esses homens legaram a seguinte doutrina: … Quem não lhes dá assentimento despreza os que tiveram parte com o Senhor, despreza o próprio Senhor, despreza enfim o Pai; e assim se condena a si mesmo, pois resiste e se opõe à sua salvação – e é o que fazem todos os hereges”. (Contra as heresias) 

É por isso que a Igreja, com toda a sua seriedade, e fazendo uso da ciência, depois de examinar todas as coisas, com todo o rigor que lhe é peculiar, não tem dúvida de nos apresentar os Evangelhos como rigorosamente históricos. A Constituição Apostólica Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, diz: “A santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, tem como sagrados e canônicos os livros completos tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, porque, escritos  sob a inspiração do Espírito Santo, eles têm Deus como Autor e nesta sua qualidade foram confiados à Igreja” (DV,11). 

Outros estudos mais recentes confirmaram a autenticidade dos Evangelhos, especialmente com as descobertas dos manuscritos de Qumran, na Palestina, próximo do Mar Morto, no ano 1949. Ai foram encontrados cópias da Bíblia, do século primeiro, inclusive pequeno fragmento do Evangelho de S. Marcos; o que mostra que eles foram escritos antes do ano 70, já que foi nesta data que os monges essênios esconderam os textos bíblicos nas grutas.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

 

 

Onde estão os originais dos Evangelhos?

Filed under: Biblia — Prof. Felipe Aquino at 6:55 pm on Monday, April 7, 2008

            Onde estão os originais dos Evangelhos? 

Sabemos que os originais (autógrafos) dos Evangelhos, tais como saíram das mãos Mateus, Marcos, Lucas e João, se perderam, dada a fragilidade do material usado (pele de ovelha ou papiro), mas isto não impede que  a História prove a sua existência.

 Ficaram-nos as cópias (manuscritos) antigas desses originais, que são os papiros, os códices unciais (escritos em caracteres maiúsculos sobre pergaminho), os códices minúsculos (escritos mais tarde em caracteres minúsculos) e os lecionários (textos para uso litúrgico). 

Conhecem-se cerca de 5236 manuscritos (cópias) do texto original grego do Novo Testamento, comprovados como autênticos pelos especialistas. Estão assim distribuídos: 81 papiros; 266 códices maiúsculos; 2754 códices minúsculos e 2135 lecionários.  

Os papiros são os mais antigos testemunhos do texto do Novo Testamento. Estão assim distribuídos pelo mundo: 

P1 – Evangelhos – Filadélfia (EUA), do século III;

P2 – Evangelhos – Florença (Itália), do século III;

P3 – Evangelhos – Viena (Áustria), do século VI-VII;

P4 – Evangelhos – Paris (França), do século III;

P5 – Evangelhos – Londres (Inglaterra), do século III;

P6 – Evangelhos – Estrasburgo, do século IV;

P7 – Atos dos Apóstolos – Berlim (Alemanha), do século IV. 

         Existem 76 papiros do texto original do Novo Testamento. Acham-se ainda em Leningrado (p11, p68), no Cairo (p15, p16), em Oxford (p19), em Cambridge (p27), em Heidelberg (p40), em Nova York (p59, p60, p61), em Gênova (p72, p74, p75),… Desses papiros alguns são do ano 200, o que é muito importante, já que o Evangelho de São João foi escrito por volta do ano 100. São, por exemplo, do ano 200 aproximadamente, o papiro 67, guardado em Barcelona. 

Os códices unciais são verdadeiros livros de grande formato, escritos em caracteres maiúsculos (unciais). Uncial vem de “uncia”, polegada
em latim. Eis a relação de alguns deles: 

A 01 (Sináitico) – Novo Testamento, Londres, do século IV;

A 02 (Alexandrino) – Novo Testamento, Londres, do século V;

B 03 (Vaticano) – Novo Testamento, Roma, do século IV;

C 04 (Efrém rescrito ) – Novo  Testamento, Paris, do século V;

D 05 (Beza) - Evangelhos – Cambridge, do século VI;

D 06 (Claromantono) – Paulo – Paris, século VI.

 Há mais de duzentos códices unciais, espalhados por Moscou (K 018; V 031; 036); Utrecht (F 09); Leningrado (P 025); Washington (W 032); Monte Athos (H 015; 044); São Galo (037) … 

Desses dados é fácil entender que a pesquisa e o estudo dos manuscritos do Novo Testamento não dependem de permissão  do Vaticano, pela simples razão que a sua maioria não está em posse da Igreja.  Só há um código datado do século IV, no Vaticano. As pesquisas sempre foram realizadas independentemente da autorização da Igreja Católica, o que dissipa qualquer dúvida. Os manuscritos bíblicos são manuscritos da humanidade; muitos foram levados do Oriente, por estudiosos e outros interessados, para as bibliotecas dos países ocidentais, onde se acham guardados até hoje.  

Como vimos, existem hoje mais de cinco mil cópias manuscritas do Novo Testamento datadas dos dez primeiros séculos. Algumas são papiros dos séculos II-III. O mais antigo de todos é o papiro de Rylands, conservado em Manchester (Inglaterra) sob a sigla P. Ryl. Gk. 457; do ano 120 aproximadamente, e contém os versículos de João 18,31-33.37.38.  

Se observarmos que o Evangelho de S. João foi escrito por volta do ano 100, verificamos que temos um manuscrito que é, então, cópia do próprio original. As pequenas variações encontradas nessas cinco mil cópias são meramente gramaticais  ou sintáticas e que não alteram o seu conteúdo. Os estudiosos, analisando este grande número de manuscritos antigos, concluem que é possível reconstruir a face autêntica original do Novo Testamento, que é o que hoje usamos. 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

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