mar 1st

Eu faço minha história

“Eu sou o que faço da minha história”. É o título de um dos livros do padre Deolino Baldissera dirigido, sobretudo, aos jovens e às jovens. Nele o autor demonstra a grande importância dessa afirmativa na vida de cada pessoa. Sua reflexão é um convite a parar de vez em quando e dar uma olhadela para ver se a elaboração desta história prossegue no rumo e no ritmo certo; porque às vezes ela vai sendo construída ‘aos trancos e barrancos’ deixando rastros negativos na vida, especialmente de quem se prepara a projetar o seu futuro.

Somos obra-prima do Criador
Todos corremos pela vida; porém, não sozinhos. De um jeito ou de outro, sempre exercemos alguma liderança e alguém segue os nossos passos, seja para o bem ou para o mal. E é mesmo por causa disso, que esse stop se torna necessário. Observemos o que faz o pintor, o escultor a cada manhã, antes de avançar no seu trabalho. Olha para a sua obra, toma distância para ver melhor o todo. Se tudo estiver correto, ele prossegue; mas, se perceber que algo não está de acordo com o seu gosto, ele não hesita em refazer tudo. Por que faz isto? Obviamente, porque quer que a sua obra seja perfeita. Isto nos faz lembrar uma outra realidade: nós seres humanos, somos uma obra; uma obra-prima saída das mãos do Criador que a fez à sua imagem e semelhança; depois no-la entregou para que fizéssemos os acabamentos. Precisamos ter consciência disso; afinal, somos os responsáveis diretos pelo bom ou pelo mau êxito da nossa existência.

Uma história sem expressão
É o que acontece: ocupamo-nos com tantas outras coisas e a nossa vida, que deveria estar em primeiro lugar nas nossas atenções e preocupações, deixamos em segundo, terceiro, quando não em último plano. Não que queiramos esquecer ou fugir dela, de propósito; mas, às vezes até inconscientemente, deixamos que muitos outros interesses a suplantem. Só que o tempo não pára, e a nossa história vai sendo construída por nós; e quando olhamos para trás, o que percebemos? Uma história sem expressão, medíocre, sem marcas e experiências
profundas, sem nada que a identifique com a história daqueles e daquelas que vão em frente com entusiasmo, arrastando outros e outras atrás de si, convictos que aquele é o rumo certo; eles têm clareza e sabem onde querem chegar.

O filme da nossa existência
A nossa história é comparada a um filme; um filme que é muito bom assistir de vez em quando. Não assistir só por assistir; mas fazê-lo com atenção, observando-o, analisando-o e tendo também a coragem de, se necessário, fazer alguns cortes, anexos e ajustes. Estes são muito importantes. São justamente eles que nos ajudarão a fazer com que a nossa história avance no tempo e na idade, respeitando os limites e
as regras do bem viver. Diante do nosso filme, podemos nos perguntar: eu teria a coragem de apresentá-lo todo inteiro, sem censura, às pessoas que eu amo: meus pais, meus amigos, meus professores? Se sim, parabéns! Se não, sempre é tempo para dar uma guinada e tomar outro rumo; aquele rumo que nos garantirá um futuro bem resolvido e feliz.

Para refetir:
Se quiser continuar a reflexão, leia o texto bíblico 1Cor 9, 24-27
e responda às questões:
1. Conhecemos, nós, a nossa história? Ou prosseguimos na vida sem nem saber bem o que queremos?
2. Temos o hábito de parar de vez em quando para assistir ao
nosso filme? Temos a coragem de apresentá-lo a outros sem constrangimentos?
3. “O mundo abre passagem a quem sabe para onde está indo” (Émerson). Pode ser este um programa de vida. Que
tal fazer a experiência?

Publicado em “Revista Missões” www.revistamissoes.org.br

fev 22nd

Vocação para o casamento

Para isso, é preciso orientação e formação

Vivemos num contexto social de muitas “éticas” até confrontantes. As desculpas para não se seguirem valores inerentes à natureza e a verdades objetivas são muitas. A título de ser moderno ou não retrógrado passa-se, não raro, por cima da verdade e do direito em função do modismo ou da satisfação pessoal. Compromissos com valores da dignidade humana, da família, do sexo, do respeito aos indefesos, do meio ambiente e do bem comum ficam para os que são formados e assumem a altivez de caráter como valor acima de outros interesses.

Na ordem afetiva, sentimental e sexual se fica muito à mercê da propaganda e dos desejos impulsionados pela libido e pela sensorialidade. Tais desejos nem sempre são canalizados por valores que orientam a pessoa à consecução da felicidade como conjugação do prazer momentâneo e aquele da realização de um ideal de vida. Fixando-se mais no animalesco do que no sentido da vida plenificado com valores éticos, morais e sociais, a pessoa está sujeita à irracionalidade do uso e da busca do prazer momentâneo como sendo isso absoluto. Nessa direção, a pessoa se torna insaciável e não encontra no prazer momentâneo um sentido mais elevado e realizador da vida.

Na trilha e na busca de sentido para a convivência matrimonial, pode haver ledo engano de realização humana, quando homem e mulher não se unirem em vista de uma real vocação conjugal. O impulso para o casamento, baseado unicamente no sensorial ou no desejo de os dois se gratificarem na complementaridade afetiva e sexual, frequentemente pode ser rompido com algum desequilíbrio de doação de um pelo outro. Havendo, porém, em ambos, a consciência e o pacto de mútua ajuda para conseguirem um ideal de vida por motivo de um sentido de vida maior, dá-se base de fecundidade na vocação matrimonial. Para isso, é preciso orientação e formação para o valor do casamento como verdadeira vocação. Preparação para tanto é fundamental.

Caso contrário, viveremos cada vez mais a panacéia de uniões que não levam à realização das pessoas que se casam, com as consequências muitas vezes danosas para tantos filhos! Não à toa Jesus Cristo fala da união para sempre do casamento entre homem e mulher, para a busca da felicidade, que está num ideal de vida buscado perenemente. A bênção divina está no bojo de tal encaminhamento. Mas é preciso, nessa direção, haver preparação, vontade e responsabilidade de construção da vida a dois para valer.

Nada, assim, vai tirar o casal do sério de uma vida de amor e doação autênticos. Meios coadjuvantes para isso encontramos na ordem natural e sobrenatural: diálogo, compreensão, boa vontade, colaboração, valorização do outro, perdão, oração, meditação na Palavra de Deus, sacramentos, aceitação das observações do outro, aconselhamento…

Muitos são os obstáculos para que o amor matrimonial corra nessa perspectiva. A influência do paganismo, da mediocridade, a falta de formação e influência de grandes meios de comunicação materialistas dificultam a juventude a se pautar na vida por valores acima apresentados. Aliás, na sociedade vemos duas vocações de fundamental importância: a família e a política. Justamente para as duas há muita falta de preparo! As consequências são óbvias!

A Palavra de Deus nos auxilia para valorizarmos a vocação matrimonial: “Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por Ela… Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo… Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne” (Ef 5, 25.28.31).

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros - MG

ago 2nd

Vocação

Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar. Sabe que pessoas Deus escolhe para a ordenação sacerdotal? Deus escolhe para serem ordenados homens que tenham duas vocações. A Igreja escolhe, porque vocação quem dá é Deus. Só Ele pode dar. Eles precisam ser chamados a ser padres e precisam com as suas vidas assegurar que são chamados a serem consagrados a Deus na oblação inteira do seu amor, o celibato.

Talvez o mundo se escandalize. Você pode pensar assim: ‘Homens saudáveis poderiam ter família. Não poderiam também servir a Deus como casados?’ Poderiam, mas não foi o chamado que Deus fez. Os sacerdotes não são incompletos por não se casarem. São inteiros e íntegros e felizes. Um padre ou diácono não são pessoas que abafam o seu coração e a sua capacidade de amar. Mas são homens que dilatam o seu coração na medida do coração de Jesus. Isso é ser celibatário.

Não são homens que reprimem sua capacidade de amar. Mas só dá para ser celibatário se forem capazes de amar mais do que todos os outros. Porque a medida que tem de existir no coração do padre é a medida do coração de Cristo. Nada menos.

Nosso Senhor lhes pede outra oblação. A oblação da sua liberdade. Eles são chamados a ser servidores, na pobreza.

O sacerdote também tem de viver a pobreza, a castidade e a obediência. Só pelo fato de serem ordenados eles já têm de ser modelos de pobreza, castidade e obediência, já dizia São Tomas de Aquino. Eles fazem essa entrega e uma forma linda para a qual o Senhor os chamou.

Nosso Senhor os faz servidores da Palavra, anunciadores do Evangelho. Nosso Senhor os faz servidores do Altar da Eucaristia e da caridade.

Vale a pena ser diácono, vale a pena ser padre, porque vale a pena seguir Jesus! Diácono, discípulos. E discípulos em nome d’Ele.

A vocação é essa expressão magnífica do amor de Deus por nós.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Trecho de homilia de Dom Alberto Taveira na ordenação diaconal do seminaristas da CN em 13 de janeiro de 2008

ago 1st

Rede de intercessão pelos sacerdotes!

“Dificilmente se podem imaginar as contrariedades e os sofrimentos físicos destas intermináveis horas no confessionário, para um homem já esgotado pelos jejuns, macerações, enfermidades, e falta de sono… Mas, acima de tudo, ele sentia-se como moralmente esmagado pela dor. Escutai a sua lamentação: “Ofende-se tanto a Deus, que quase nos sentimos tentados a pedir o fim do mundo!..É preciso vir a Ars para se saber o que é o pecado e a sua multidão quase infinita… Não se sabe o que se deve fazer: só se pode chorar e rezar”. O santo esquecia-se de acrescentar que tomava também sobre si uma parte da expiação: “Pela minha parte - contava ele a quem lhe pedia conselho - dou-lhes uma penitência pequena e o resto faço-a eu por eles”.” (op. cit.

Estamos nesta semana rezando pelos sacerdotes!

Adote um sacerdote e o mantenha com a sua oração. Escreva para nós dizendo qual o sacerdote que você quer que coloquemos em nossa caixa de oração. Nos uniremos em oração pela vocação e preseverança no ministério que Deus confiou a cada um.

Ritinha

ago 1st

Agosto-Mês Vocacional

Vocações que nascem do amor para servir no amor

No dia 4, celebramos São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, Patrono dos Presbíteros. Ganha destaque a vocação sacerdotal.

No segundo domingo, dia 9, comemora-se o Dia dos Pais. Com eles, lembramos as famílias.

Nos dias 15 e 16, Festa da Assunção de Nossa Senhora, comemoramos a vocação à Vida Religiosas.

No domingo, dia 30, comemora-se o Dia Nacional do Catequista.

ago 1st

Agosto-Mês Vocacional

Já é tradição no Brasil a motivação dos meses temáticos trabalhados em sintonia com o calendário litúrgico: mês de Maria, do Sagrado Coração, das vocações, da bíblia, missionário e assim por diante. Essa tradição foi surgindo aos poucos e entrando no coração do nosso povo. A motivação central era a de se reforçar a importância de um determinado tema para que o mesmo se tornasse conhecido e amado. Faz-se, entretanto, importante lembrar que o centro da liturgia é Jesus Cristo ressuscitado. Todo o restante deve ressaltar essa verdade e não ofuscá-la, sobretudo as temáticas de cada mês.

É nessa perspectiva que vamos falar de agosto, conhecido como o mês vocacional. A sua realização tem uma motivação histórica muito concreta, ou seja, reavivar a oração e o apoio às vocações de especial consagração, num período de crise. Temos hoje a consciência de que a preocupação vocacional deve ser uma constante na vida de nossas comunidades e não, apenas, restrita a um mês específico.

O referido mês tem sua origem logo após o Concílio Vaticano II. Com o objetivo de despertar a consciência das comunidades para a corresponsabilidade  num período de crise das vocações de especial consagração, Dom Aloísio Lorscheider, então bispo de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, instituiu uma comissão para criar um diretório vocacional para a diocese. Em 1970 surgia a primeira experiência do mês vocacional no Brasil. Esta iniciativa deu certo e, em 1981, a Assembléia Geral da CNBB instituiu o mês de agosto como mês vocacional para todo o Brasil. De fato, de norte a sul do Brasil, o mês de agosto é conhecido e celebrado com grande criatividade. A consciência vocacional está presente em grande número de nossas comunidades e a pastoral vocacional está conquistando o seu espaço.

Vale a pena recordar o que celebramos no mês de agosto: no primeiro domingo destacamos o dia do padre, a motivação é a festa de S. João Maria Vianey, lembrada no dia 04 de agosto, padroeiro dos párocos. A vocação aqui recordada é a do padre diocesano. No segundo domingo celebramos o dia dos pais, recordamos, então, o chamado a gerar vida, a continuar com a obra criadora de Deus. Ser pai e ser mãe, constituir família, assumir um estado de vida na Igreja. Motivados pela festa da Assunção de Maria, modelo de todos aqueles que dizem sim, celebramos no terceiro domingo a vocação consagrada, feminina e masculina. No quarto domingo trazemos presente todos os ministérios leigos e, de modo especial, os catequistas. No ano em que o mês de agosto tem cinco domingos, no quarto celebramos os ministérios leigos e no quinto, o dia do catequista.

O mês vocacional foi instituído para dinamizar o trabalho pelas vocações. Precisamos, agora, dar um passo além: a conscientização vocacional deve acontecer a cada dia e em todos os meses do ano. As equipes vocacionais devem estar atentas para observar, no calendário litúrgico, as leituras com temática vocacional e todas as possibilidades que possam ser aproveitadas. Devemos implantar uma cultura vocacional, isto é, em todo processo evangelizador da Igreja, deve existir a preocupação com o compromisso dos cristãos na comunidade e na sociedade.

A vocação é a resposta de Deus providente a uma comunidade orante, diz Puebla. Rezemos pelas vocações e façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para cumprir o mandato de Jesus: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe” (Mt 9,38). Existem muitos subsídios que ajudam as comunidades a celebrar o mês de agosto, destacamos, porém, que o mais importante é a criatividade da equipe vocacional.

Pe. Carlos Alberto Chiquim

Fonte: Pastoral Vocacional

jun 12th

Namorados

Um dos princípios vividos pela Comunidade Canção Nova é o do masculino e o feminino vividos em sadia convivência. E é justamente está prática que ajuda os missionários no discernimento do seu estado de vida, tanto para o sacerdócio, celibato ou matrimônio. Aos que optam pelo casamento, há um caminho que começa desde o namoro, o período mais importante de um relacionamento.

Quando um membro desta Obra de Deus sente-se vocacionado ao namoro partilha com o seu formador sobre os seus sentimentos. Este, por sua vez, acompanha mais de perto o casal e o orienta a enviar uma carta para o Conselho da Comunidade a fim de pedir permissão para o namoro.
“Assim como pedimos para os nossos pais para namorar ou para tomar determinadas decisões, os missionários também pedem para o Conselho da Canção Nova. A Comunidade é uma família”, explica o Formador Geral, diácono Nelsinho Corrêa.

Se aprovado pelo Conselho, o casal começa a fazer o caminho de namoro para verificar se o sentimento é mesmo amor de homem para mulher ou de amizade. “Este caminho é realizado porque temos um cuidado com o amor humano, logo que a nossa meta é constituir famílias sólidas, santas e que vivam o Evangelho. A base do casamento é o namoro, assim, um namoro bem vivido dará um casamento frutuoso”, conta a Formadora dos namorados e noivos, Fabiana Azambuja.

Logo depois desta etapa, começa a formação específica para os namorados, que acontece semanalmente, com duração de uma hora. Dentre os temas trabalhados nesta formação, estão: por que namorar na Canção Nova; onde quero chegar com o namoro; e como ser um casal de namorados referência. Além disso, eles renovam os seus conhecimentos sobre os princípios de Vida da Comunidade, só que dentro da realidade do namoro. Para trabalhar estes assuntos, os formadores se embasam nos estatutos e documentos desta Obra de Deus; e no Catecismo da Igreja. O tempo de duração do namoro varia de casal para casal.

Parabéns para os namorados!

mai 14th

A vocação profissional

‘Ser santo é cumprir bem os deveres e ser alegre’

Acredito que toda criança escuta a famosa pergunta: “O que você vai ser quando crescer?” E assim, mesmo sem entendermos bem, crescemos com um questionamento vocacional dentro de nós. A palavra “vocação” vem do latim “vocatione” (substantivo) e significa “chamado”, “escolha”, “talento”, “aptidão” ou “vocare” (verbo), que significa “chamar”.

Podemos dizer que existem dois tipos de chamado: um humano e outro divino. O que chamamos de humano consiste na possibilidade de realização de todas as nossas capacidades ou talentos. A dimensão divina consiste no chamado a termos uma relação pessoal com Deus. As duas dimensões são igualmente importantes.

Hoje, no entanto, falaremos um pouco da primeira dimensão, ou seja, da humana. Na escolha por uma profissão é importante levarmos em conta a realização pessoal e o serviço ao próximo. Para descobrirmos a nossa vocação precisamos responder a perguntas como: Do que eu gosto? Quais são as minhas aptidões naturais? O que fala mais alto em mim quando penso em uma vocação? Responder essas perguntas é o primeiro passo para a descoberta de nossa vocação.

Entretanto, precisamos salientar que precisamos perceber em que temos uma maior habilidade e adaptar o nosso talento natural à realidade, pois o trabalho também possui uma outra dimensão que é a de prover a subsistência de cada um de nós.

Victor Frankl afirma que: “O trabalho pode representar o campo em que o ‘caráter de algo único’ do indivíduo se relaciona com a comunidade, recebendo assim o seu sentido e o seu valor. Contudo, este sentido e valor é inerente em cada caso, à realização (à realização com que se contribui para a comunidade) e não a profissão concreta como tal. Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão, em si, não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para vir a sê-lo”.

A nossa profissão constitui-se numa possibilidade de nos colocarmos a serviço do outro, e é nessa possibilidade que o nosso trabalho ganha importância e significado, permitindo-nos a descoberta de quem realmente somos. A realização que vem do trabalho tem relação com o que há de mais específico e original em cada um de nós.

No exercício profissional podemos expressar, de forma única, quem somos e, assim, oferecer uma contribuição para a sociedade que somente nós podemos dar. Isso independentemente do que fazemos. Portanto, a questão não está no que fazemos, e sim, em como fazemos. Claro, precisamos estar atentos à realidade em que vivemos e as oportunidades que por um acaso possam surgir para bem aproveitá-las. Mas o mais importante é entendemos que não é uma profissão que faz o homem feliz; uma profissão apenas oferece oportunidade para sermos feliz. A verdadeira felicidade está em servimos ao outro e a Deus.

São Domingos Sávio dizia que: “Ser santo é cumprir bem os deveres e ser alegre”. Ele nos deixou a lição de que “trabalhar com alegria” é um bom caminho que podemos seguir rumo à santidade e, dessa forma, podemos unir as duas dimensões vocacionais: a humana e a divina.

Façamos tudo com alegria, na certeza de que independente da nossa profissão, independente do que nós fazemos, podemos contribuir para o bem de outros, podemos deixar a marca da nossa singularidade, pois somos “únicos e irrepetíveis” como bem dizia Victor Frankl. Procuremos viver a cada dia o princípio deixado por São Paulo: “Quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, façais tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31).

Manuela Melo/Comunidade Canção Nova

fev 14th

Vocação: chamado de Deus

Vocacionados, são chamados antes de tudo à santidade

Vocação significa chamado: Alguém chama e alguém é chamado. Há uma ligação íntima entre aquele que vocaciona e aquele que é vocacionado ou chamado. Quem vocaciona dá a vocação e alimenta a chama do vocacionado.

A vocação, sem a qual nenhuma outra nos enriqueceria, é o chamado a existir, à vida. A vida humana, segundo a Palavra revelada, é dom sagrado, precioso e sublime do amor de Deus. Eis o que afirma a Bíblia: Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. (Gen 1)

A Bíblia ratifica a Vocação à vida humana como Dom de Deus a cada pessoa e diz categoricamente que “o Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gen 2,7).

A imagem bíblica deixa clara a procedência da vida humana, matéria trabalhada pelas mãos do criador e pelo sopro vivificante do Espírito de Deus moldando à criatura humana em uma unidade perfeita, distinta e diferente Dele, mas criada à sua imagem e semelhança.

Somos chamados à vida, ou seja, a sua, a minha, as nossas vidas são dons de Deus, nós apenas as recebemos da gratuidade de seu amor. Mas… vida dada, vida recebida, o que fazer com a vida? Só temos uma vida e precisamos usá-la bem.

É necessário canalizá-la, a partir da nossa liberdade, iluminada pela fé e em diálogo com a Igreja, para objetivos que discernimos como “a vontade de Deus para nós” .Vocação é um desígnio pessoal do amor de Deus para cada pessoa. Quando Deus nos chamou à vida, no seu coração de Pai, Ele já guardava desde toda a Eternidade um estado de vida, uma graça para enriquecer a pessoa e enviá-la à missão.

Vocação e missão se encontram estreitamente ligados. Por isso, o que importa é discernir a vontade de Deus e abraçá-la. Se esta for o casamento, vamos assumí-la, se for o sacerdócio ou a vida religiosa ou mesmo consagrados como casados, assumamos a postura de Maria: “Faça-se em mim segundo a vossa Palavra”( Lc 1, 38 ).

Na grande vocação cristã há um chamado de Deus dirigido a todos: “sede santos porque eu sou Santo”. No Novo Testamento está escrito “a vontade de Deus é a vossa santificação”. Religiosos, padres e leigos vocacionados, são chamados antes de tudo à santidade.

Jesus nos ilumina para discernir a vontade de Deus, propondo o caminho do amor: “A quem me ama eu me manifestarei”. A vocação à santidade é para todos, ninguém está excluído. No céu entra quem, aceitando o chamado de Deus, se deixa conduzir pelo Espírito Santo e se assemelha, no coração e na prática da vida, a Jesus, aqui na terra.

Mas, vocação, no caminho da Igreja, é chamado de Deus, graça que enriquece o batizado e o convida para uma consagração e uma missão. O primado do ser sobre o ter é o reconhecimento do sentido da vida como o chamado do amor gratuito de Deus, como dom livre e responsável de si mesmo aos outros em Cristo e na atitude evangélica de serviço de Maria. Não fostes vós que me escolhestes mas eu que vos escolhi” (Jo 15,16).

Vocacionados ao sacerdócio, à vida religiosa sob os mais diversos carismas são sempre pessoas amadas pessoalmente por Deus e candidatos à consagração. Ainda hoje Deus continua chamando. Qual sua resposta a Jesus que te chama?

Dom José Palmeira Lessa
Arc. Metropolitano de Aracaju - SE

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fev 12th

Assume a vitória

Ainda tens medo de morrer. O medo está relacionado com o receio de não seres amado. As tuas perguntas: “Amas-me?” e “Tenho que morrer?” estão profundamente ligadas. Interrogavas-te quando eras criança e ainda te interrogas-te quando eras criança e ainda te interrogas.

À medida que te capacitas de seres completa e incondicionalmente amado, também te apercebes que não tens que temer a morte. O amor é mais forte que a morte; o amor de Deus já te envolvia antes de teres nascido e permanecerá após a tua morte.

Jesus chamou-te desde o momento da tua concepção no ventre da tua mãe. É tua vocação para receber e dar amor. Mas sentes desde o princípio a força da morte. Ela atacou-te durante todo o teu amadurecimento. Tens sido fiel à tua vocação, ainda que muitas vezes te tenhas sentido esmagado pelas trevas. Sabes agora que essas forças soturnas não terão nenhum poder final sobre ti. É a vitória de Jesus, que te chamou. Ele venceu por ti as forças da morte para que tu pudesses viver em liberdade.

Tens que assumir essa vitória e não viver como se a morte ainda te controlasse. A tua alma conhece essa vitória, mas a tua mente e as tuas emoções ainda não a aceitaram completamente. Continuam a lutar. Neste aspecto continuas a ser uma pessoa de pouca fé. Confia na vitória e deixa que as tuas emoções e a tua mente se convertam gradualmente à verdade. Experimentarás nova alegria e nova paz à medida que deixares essa verdade chegar a cada canto do seu ser. Não te esqueças: a vitória foi conquistada, as forças da morte já não governam, o amor é mais forte do que a morte.

Henri Nouwen ( A Voz Íntima do amor)