O início de uma inquietação interior
Ao final dos meus 16 anos, tive uma experiência forte com Jesus. Foi ali que começou uma inquietação constante e o desejo de descobrir o sentido da minha vida. ERa uma busca real em descobrir a minha vocação: o que Deus quer de mim?
Eu estava em um tempo novo da minha vida, estava bem comigo mesmo e tinha ganho novos amigos. Estava engajado em vários trabalhos pastorais. Mas essa pergunta continuava no meu coração: “O que Deus quer de mim?”.
Eu estava feliz, porém queria mais; era chamado para algo a mais.
Trabalhava com uma pastoral de rua, cuidava dos mais pobres; no entanto, eu queria mais. Participava do grupo de jovens e teatro e, ainda assim, não era suficiente. Precisava de mais!
O que era esse algo a mais?
Uma simples empolgação de alguém que tinha acabado de se converter? Não.
Era uma vocação ainda em embrião.
Era uma vocação ainda em embrião: o anseio da radicalidade do Evangelho e a coragem de ofertar a vida a Deus.
O viver com outras pessoas, homens e mulheres, que possuíssem o mesmo objetivo: santidade e evangelização.
Quando nem todos entendem sua vocação
Passaram-se meses e o anseio permanecia dentro de mim. Comecei a partilhar com as pessoas mais próximas e que faziam parte do meu círculo de amizades. Percebi que nem todos sentiam o que eu estava sentindo, e muitos não eram capazes de me entender.
O encontro que mudou tudo
Quando tinha 17 anos, partilhando com um amigo, comecei a falar de tudo o que eu estava vivendo. Disse que não sabia onde aquilo me levaria, mas estava sendo incomodado por tudo isso. Ele me interrompeu e disse:
— Eu preciso lhe apresentar uma pessoa que vai te entender um pouco melhor; ela já viveu algumas experiências nesse sentido.
Eu respondi:
— Sim, claro, então me apresenta, por favor.
Fomos até a casa dela. Era uma jovem de 26 anos, morava sozinha e já tinha feito uma experiência vocacional na Canção Nova. Nós nos cumprimentamos e, antes de eu ou meu amigo começarmos a falar algo a respeito de vocação, ela começou a partilhar várias experiências que tinha vivido na casa de missão da Canção Nova em São Paulo.
Calma! Ela não era alguém que adivinhava as coisas (rsrs). Foi providência de Deus!
Ela contou sobre a vida fraterna e a sadia convivência entre homens e mulheres. Achei aquilo fantástico. Partilhou sobre inúmeros trabalhos de evangelização que a Canção Nova realizava. Então percebi que existiam pessoas que deixaram tudo para seguir a Deus.
Ufa! A primeira conclusão foi que eu não era um alienígena!
O que me marcou foi que, enquanto ela partilhava suas experiências com a Canção Nova, meu coração batia forte e parecia que estava pegando fogo. Era isso que eu estava procurando. Algo dentro de mim respondia conforme ela partilhava.
Foi nesse momento que comecei a entender minha vocação — o que Deus queria de mim começou passar de inquietação para um caminho concreto de discernimento.
A experiência concreta: servir com sentido
Ao final dessa conversa, percebendo que eu tinha ficado muito empolgado com tudo o que ela havia partilhado, ela me chamou para ir a uma vigília que a Canção Nova realizava — e ainda realiza — na Basílica de Nossa Senhora da Penha, na cidade de São Paulo.
Eu disse que iria, com certeza. Mas não era um convite apenas para participar da vigília; era para trabalhar, ajudando nas escalas como lanchonete, acolhida, cozinha e outras atividades.
Fui a essa vigília e, comigo, foram alguns amigos do grupo de jovens. Lembro que éramos mais ou menos 10 jovens.
Na vigília, fiquei na escala da lanchonete. Havia duas mesas lado a lado: uma com alimentos e outra com bebidas. Na parte de comer, tínhamos salgados como coxinha, esfirra, pão de queijo e hambúrguer. Na outra parte, tínhamos café, chocolate quente, água e refrigerante.
Fiquei responsável por servir chocolate quente. A pessoa vinha até mim, entregava uma ficha, eu a guardava, pegava um copo e o enchia.
Eram muitas pessoas, todas falando ao mesmo tempo. Não existia fila naquele lugar — apenas um monte de gente querendo tudo ao mesmo tempo. Tudo muito rápido e agitado. Desesperador! Essa é a palavra: desesperador.
O momento decisivo: quando tudo fez sentido
Tínhamos uma garrafa de chocolate quente de seis litros, com uma rosca que abríamos para servir e depois fechávamos. O movimento era muito grande e precisávamos fazer tudo muito rápido.
De repente, enquanto eu abria a garrafa, a rosca soltou e começou a cair chocolate quente por todo o chão. Fiquei ainda mais desesperado. Não conseguia servir as pessoas, nem encaixar novamente a rosca da garrafa térmica. E, para completar, o chão parecia um rio de chocolate quente!
Escutei uma voz que disse:
— A gente precisa pegar um pano e limpar isso!
Fui rapidamente até a cozinha pegar um pano de chão. Voltei, me agachei e comecei a limpar.
Enquanto eu limpava, meus amigos chegaram e disseram:
— Jonathan, o que você está fazendo? O que é isso?
Eu, com um sorriso no rosto, respondi:
— Estou limpando o chão!
A descoberta da vocação
A pergunta dos meus amigos vinha de quem não entendia o que estava acontecendo. Talvez também não concordassem com o trabalho de limpar o chão.
Mas a minha resposta — alegre — vinha de alguém que encontrou o que tanto procurava.
Servir café na lanchonete ou limpar o chão, tudo tinha uma motivação: a salvação das almas.
Não era apenas o que eu estava fazendo. Não era o fazer pelo fazer. Era o sentido e a motivação por trás de tudo isso.
Mais do que fazer, eu estava assumindo o que Deus me chamou para ser: Canção Nova.
Era indescritível o que eu estava vivendo. O sentimento era de estar onde eu realmente fui chamado para estar e de ser quem eu realmente fui chamado para ser.
Foi nesse episódio — limpando o chão com um sorriso no rosto — que percebi minha vocação à Canção Nova.
Eu não era melhor do que eles. Eles, por sua vez, não eram melhores do que eu. Mas, do meio deles, o Senhor me escolheu.
O preço da vocação: escolha e entrega
Entrei na Canção Nova com 20 anos. E o que eu mais me questionava no primeiro ano de comunidade era:
“O que eu deixei? Do que eu abri mão pela minha vocação? Qual foi a minha renúncia?”
Essa inquietação sobre “vocação: o que Deus quer de mim?”; começou a ganhar um novo sentido dentro de mim.
Antes de tudo, preciso dizer que deixar ou renunciar foi fruto de uma escolha livre e por amor.
Deus me escolheu, mas eu também escolhi a Deus.
Por isso fui capaz de sair de casa, deixar meus pais, irmãos e familiares. Deixar minha faculdade e meu emprego. Deixar a cidade que eu tanto gostava de morar. Abrir mão do sonho de morar em outro país para viver onde Deus me enviasse.
Deixei, deixei e deixei…
Mais do que deixar: eu ofertei!
Tudo por amor e com amor. Ofertei minha juventude, meu trabalho, meus sonhos, minha sexualidade, minha afetividade, minha história, minha família, meus amigos — tudo o que eu tinha — a Deus.
Vocação: o que Deus quer de mim
Quero deixar uma provocação no final deste texto.
O que tem feito o seu coração bater mais forte?
Já parou para pensar que Deus pode ter te escolhido?
Talvez você também esteja se perguntando sobre sua vocação: o que Deus quer de mim?
Essa pergunta pode mudar tudo.
Deus está te chamando. Sim, Ele está gritando o seu nome.
Não foi por acaso que você leu este texto. Foi providência divina.
Ele está investindo em você.
Em você que tem se perguntado: “qual é a minha vocação?”
E também em você que nem tinha pensado nisso.
Já parou para considerar que a sua vocação pode ser a Canção Nova?
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Jonathan Ferreira
Missionário da Comunidade Canção Nova





