Certo momento na comunidade estava com um monte de coisas entaladas no meu coração. Pelo clima do ambiente, tinha medo e receio de dizer o que estava sentindo.

Até que certo dia, o nosso padre formador, coloco-nos todos na casa em círculo de frente um para outro para “lavar as roupas sujas”. Naquele dia, eu e meus irmãos podemos dizer uns para os outros, tudo o que estava entulhado em nosso corações, as coisas que cada um achava que não estava certo e etc. Não foram coisas ditas fora do amor e no desequilíbrio. Foram nossas verdades…

Isto foi uma grande libertação para mim naquele ano.

Por isso digo que às vezes é preciso sim “lavar as roupas sujas”, sempre em um clima de amor e verdade.

Gostaria de partilhar com vocês que gosto muito de passear, viajar, conviver e etc. Como já disse certa vez, a diversão não é pecado. Faz muito bem para nossa cabeça que habita um mundo tão agitado.

Quando Deus nos provê a graça de uma convivência. Ali podemos nos divertir, se descontrair, e ainda temos a graça de evangelizar com o nosso jeito saudável de ser.

Somos jovens como qualquer jovem do mundo, porém trazemos em nós o anseio de dar uma resposta diferente ao mundo, buscando a santidade onde quer que estejamos.

Um dos nossos princípios é a Vida Fraterna nela está inserida as convivências que é essencial para nossa vida na missão.

Conviver é bom demais…

A palavra de Deus fala que realmente somos loucos. Isto mesmo conferi aí: ….

” O que é loucura para mundo, Deus escolheu para confundir os sábios…(ICor.1,18)  Nós somos loucos por causa do Cristo…”(ICor.4,10)

A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem…para nós ela é poder de Deus (ICor.1,18).

Experimentamos este amor de Deus e ninguém pode tirar esta loucura de nosso coração, que na realidade é a verdadeira sabedoria celeste revelada ao nosso coração.

Por isso eu digo como os DDDs – Doidim de Deus: “Eu sou doido, maluco, pirado por Jesus…”


Depois de meu encontro pessoal, servia ao Senhor em minha Paróquia era fiel e procurava uma vida de santidade. Porém, me faltava algo…

Nesta época conheci a Canção Nova, me encantei, encontrei meu tesouro. Deixei pais, irmãos, casa, emprego, carro, namorada…Para consumir minha vida pelo Evangelho. Encontrei o que me faltava.

Tudo o que se vive neste carisma é o que alimenta e sustenta minha alma. Ser Canção Nova me realiza como filho de Deus, sou feliz.

Sou Canção Nova para glória do Senhor…

Quando quero que as coisas aconteçam sempre do meu jeito, do meu gosto e etc. Eu caio no egoísmo, torno-me uma pessoa insuportável e indesejável. Sabe aquelas pessoas que quando chegam, você sente o desejo de ir embora.

Não abrimos espaços para opiniões, sempre é a minha idéia que tem de prevalecer. Quando minha ideia é superada pela do irmão, eu crítico, zombo, trato com sacarmos, faço de tudo para diminuir.

Talvez seja até inconsciente, mas é um sentimento de que eu sou o perfeito.  Quando na verdade, você está tentando esconder nesta sua maneira de agir uma baixa estima ou complexo de inferiodade que traz escondido nas sua história.

Precisamos sempre olhar para nós mesmo e pensar o porque de nossas atitudes.

A Foto é  feia, porém pode ser minha língua ou a sua…

A língua porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos o Senhor nosso Pai e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.” (Tg. 3,8-9)

Que minha língua não seja instrumento do veneno de Satanás a matar meus irmãos, mediante fofocas, mentiras, blasfemas, murmuração. Como fala o livro do Eclesiático 28,13C: “…A língua que presta falso testemunho causa a morte.”

Que minhas palavras sejam instrumento de bençãos e salvação…

Se não tenho uma palavra boa que edifique e santifique o próximo, o silêncio será a melhor virtude.


Fiquei refletindo um dia destes, sobre a grande graça que Deus nos concede da singularidade. Somos indíviduos, somos únicos…

Existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo, ninguém é igual a mim… Pode até ser que tenha alguém com mesmo aspecto físico, mas ninguém neste mundo é igual a mim, com minhas manias, minhas qualidades, meus defeitos, meu pensar, meu agir, minhas escolhas, com a minha história de vida. Sou único, sou indivíduo.

Um grande erro que cometo no meu egoísmo é o desejo de que os outros sejam igual a mim. Devo aprender respeitar a singularidade do irmão, porque ele também é único.

Devo crescer com as riquezas individuais do meu irmão, porque cada pessoa é um dom de Deus.


Ao viver em comunidade temos certas dificuldades com os irmãos que são mais estabanados, atrapalhados ou aqueles que são mais “lentos”.

Mas aí está um detalhe importante da vida fraterna que é saber respeitar o limite de cada pessoa. Cada um tem o seu ritmo, o seu jeito de ser.

Devemos até ajudar e incentivar o crescimento do irmão. Porém, não devemos atropelar a pessoa com nossa “ignorância”. Todos os dons passarão, no fim só restará o amor.

Por isso, aprendamos a amar e ter paciência para com todos.

Devo ser transparente, porém ser transparente não é ser um “grosso” e ficar dando “coices” nas pessoas…

É preciso pedir ao Senhor a graça do discernimento para dizer em Deus a verdade que incomoda o seu coração. O segredo é silenciar, rezar e falar…Mas falar como gente. Certa vez, uma pessoa me dizia, que o que tinha que falar, falava na “lata”. Este falar na “lata” é falta de maturidade e caridade, falta de equilibrio de saber falar na hora certa e na tonalidade certa.

Assim ser transparente não é ser um grosso ou grossa mas é saber ser equilibrado para dizer sua verdade com caridade.

Ontém fiz uma experiência muito legal de ir a um ginásio de esportes para assistir a final do campeonato brasileiro de basquete aqui em São José dos Campos. Ali de maneira simples pude me fazer um com eles, torcendo, gritando, vibrando, me emocionando…Ali eu pude ser eu mesmo…

Eu me diverti muito e de maneira saudável, fiz algo que gosto e amo muito que é assistir esporte. Porém com um diferencial, fiz tudo isto de uma maneira cristã, e tenho certeza que evangelizei com o meu jeito de ser. Conheci pessoas e partilhei vida.

Você, meu irmão, não precisa ser um bitolado, a diversão faz parte da dimensão humana da pessoa. A diversão não é perda de tempo como muitos pensam. E ainda não é pecado. Posso ir ao cinema, teatro, shopping, parques de diversões, fazendas, praia, piscina, estádio… O segredo só é ter discernimento para saber escolher bem a sua diversão, ter consciência do lugar que você vai, observar se isto vai lhe causar bem ou mal.

O importante é saber se divertir de maneira saudável e cristã, isto já é um grande testemunho para este mundo.

Fritamos o irmão quando não respeitamos os seus limites, achando-nos donos plenos da verdade, como se fossemos quase semi-deuses da razão.

Na vida fraterna é preciso ter caridade e saber tratar cada um de maneira individual. Porque se não for assim, corre-se grande risco de “matar” o próximo.

É nossa obrigação, como cristão, tratar cada pessoa de maneira individual, como Jesus trata. Eu não posso querer que o irmão seja igual a mim. O irmão tem o ritmo dele e eu o meu. Ele tem as qualidades dele e eu as minhas, ele tem os defeitos dele e eu os meus. Quando não individualizo o irmão, eu estou fritando-o, estou matando-o.

Em primeiro lugar vem a pessoa. A começar de mim, preciso aprender a tratar as pessoas de maneira singular…

A psicologia mostra-nos que temos mecanismos de defesa em nossa mente que são inconscientes. Um do qual quero falar diz muito de mim que é a “projeção” ou espelho.

Muitas vezes vejo certos defeitos no irmão que me incomoda muito. Isto faz com que eu fale, pense e queira mal a este irmão.

Passando com uma psicologa, ela me fez perceber que estas pessoas das quais eu tinha dificuldades eram simplesmente reflexo do que sou. Eu via defeitos em certos irmãos que me incomodava demais, porém tinha o mesmo defeito, ou até mesmo desejava ser o que a pessoa era. Como disse: tudo no inconsciente, não no consciente.

Na verdade eu me via no espelho, e no meu inconsciente não aceitava os meus próprios defeitos. Um exemplo foi que no meu pré-discipulado na Comunidade Canção Nova, tinha muita raiva de um irmão, falava mal e julgava, para ser sincero eu não suportava este irmão. Isto me incomodou, e parei para rezar, nisto Deus me falou:” Este irmão é você…aquilo que você deseja ser…”

Relutei dentro de mim, mas percebi que era tudo verdade. Porque o irmão cantava, rezava, pregava, era extrovertido e etc…Tomando consciência disso a imagem do irmão mudou dentro de mim, hoje é uma pessoa que admiro e grande amigo.

Por isso hoje antes de criticar ou julgar o irmão, eu paro para perceber que estes defeitos do irmão podem ser na verdade meus defeitos…

Irmãos façamos uma pequena reflexão e procuramos observar  se os defeitos que você vemos no irmão, se na verdade não são os nossos defeitos. Na verdade ninguém gosta de ficar vendo os seus defeitos e limites no espelho, buscamos ver nossa beleza, mas quem quer ver os defeitos…

Quem nunca chegou cansado e esgotado em casa depois de um dia intenso de serviço?

Ontem cheguei assim em casa. A única coisa que queria era simplesmente deitar na minha cama e dormir. Mas havia sido marcado uma reunião fraterna. Por obediência tinha que ir. Irmãos que experiência maravilhosa fiz com a vida fraterna nesta reunião , a convivência me refez, arrancou-me do desânimo e do cansaço. Recebi de Deus através de meus irmãos uma efusão de ânimo e alegria.

Graças a Deus na Canção Nova nossos princípios de vida são vivenciais, são encarnados. Ontem tive a graça de ser refeito pela Vida Fraterna, junto de meus irmãos e irmãs, experimentei a eficácia sobrenatural da fraternidade.

Não se entregue ao desânimo e ao cansaço do cotidiano, que suga nossa alma, mas permita Deus fazer em ti um Batismo de alegria e amor pelos irmãos, por aqueles que te ama.

Viva a Vida Fraterna….

 

Ontém em casa tivemos a graça de partilhar nossa história de salvação. E puder perceber o tesouro que é a vida de cada irmão e irmã, como Deus tece um fio de ouro que conduz a nossa vida. Nisto percebi também que não devo julgar ou falar mal dos irmãos. Ficar julgando os defeitos e limites do próximo.

Ouvindo a história de cada um além de ter sido cura para mim, pude compreender certas atitudes deles. Pude perceber nisto que não existem pessoas más, mas existem feridas. Ninguém é perfeito, caminhamos nesta vida na busca de restauração interior para alcançar a graça deste homem novo. Eu não estou pronto como exigir que o irmãos estejam…

Nesta partilha cresceu em meu coração o amor por cada um, por adentrar no sagrado dos meus irmãos.

Portanto, antes de julgar o seu irmão, procure conhecer sua história…