A vida sempre vai nos oferecer muita coisa. E sempre será muito fácil descartar coisas e pessoas. Afinal o mundo está acelerado e repleto de alternativas que distraem a atenção e esvaziam o coração. Mas nada como um bom álbum de fotografias para perceber que existem coisas e pessoas que ninguém vai roubar de você. Pequenos seres que são verdadeiros presentes de Deus em nossas vidas. Existe possibilidade de se esquecer do dia em que você assiste seu afilhado fazer as primeiras descobertas da vida? Um momento como esse em que ele tocou no violão pela primeira vez e vibrou com o som que as cordas faziam ao serem dedilhadas pelos pequeninos polegar e indicador, ficarão pra sempre no porta retratos do meu coração. Hoje faço questão de lembrar aquele garotinho que veio ao mundo há DEZ anos e já começa a se despedir da infância e logo vai abrir a porta da pré-adolescência. Agradeço ao Nosso Senhor Jesus Cristo, por todo o amparo e proteção dispensados ao Lucas nessa jornada, que ainda está começando. E como cada um tem sua história, que a sua seja feita de lutas sim, mas que vão resultar em vitórias. Que sua estrada seja com curvas sim, mas que feitas com exatidão e que te livrarão dos erros desse mundo. E que sua casa seja sempre o porto seguro, onde você possa ter a certeza de que vão existir pessoas que te amam, rezam por ti e nunca vão esquecer de você. Mesmo que as fotos eletrônicas sejam deletadas dos arquivos digitais, mesmo que os álbuns já não estejam mais nas estantes. Afinal o melhor lugar para guardar histórias que nunca passam em nossas vidas, será sempre o coração.  Feliz Aniversário amigão!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

Foto: Bárbara Martins 

Existem situações intrigantes e tidas como  surpreendente em alguns dias de nossas vidas. Acordar cedo para uma caminhada na praia, sempre pode reservar surpresas, no mínimo inspiradora. E encontrar uma figura como essa no percurso pode ser motivo de oração contemplativa. Não é todo dia que se encontra uma Athene Cunicularia, também chamada de coruja “buraqueira”, coruja da praia ou urucuriá, na língua indígena. Um pouco de história dessa bela ave. Ao perceber a chegada da primavera, nossa corujinha aí se movimenta para cumprir o ritual de acasalamento. O macho escolhe ou escava um buraco, em regiões de vegetação baixa para facilitar a captura de insetos e pequenos roedores no solo. Depois o casal se reveza no trabalho de alargar o “doce lar”, cavando uma galeria horizontal usando os pés e o bico. Em seguida eles forram a cavidade do ninho com capim seco. O material mais comum usado por elas para forrar o buraco é o estrume, colocado dentro da câmara do ninho e em volta da entrada. Parece nojento, mas instintamente inteligente. As corujas usam o material de cheiro ruim para encobrir o cheiro dos ovos e dos filhotes, e com isso protegê-los de predadores. Isso sem falar dos insetos gerados nesse ambiente, que servem de alimento para a fêmea, enquanto choca os ovos, e também no controle do clima dentro da cova, para que não fique quente demais. O flagrante registro, feito pela advogada, fotógrafa e minha afilhada, Bárbara Martins, é de uma “Buraqueira”, certamente macho. Aparentemente ele está solitário, mas a fêmea deve estar por perto, em uma toca a chocar os ovos ou aquecer seus filhotes. E esse simples retrato da natureza provoca uma bela reflexão. Afinal viver em silêncio e solitário é um martírio pra muita gente, principalmente em tempos de pandemia, como agora. Viver na simplicidade do improviso, como as corujas ou como José e Maria, que foram forçados a experimentar numa manjedoura onde nasceu o menino Jesus, porque não encontraram um coração solidário para acolhê-los, são situações que algumas pessoas não cogitam e nem admitem viver nos tempos de modernidade como hoje. Tem uma boa fatia da sociedade repleta de pessoas entregues às comodidades da tecnologia, da comida refinada e de rápido preparo e de luxuosas e espaçosas mansões, onde vivem de forma requintada. E no contraste dessa humanidade, cada vez mais longe de Deus, pessoas em marquises, barracos de papelão ou sob os viadutos, como “buraqueiras”. As corujas nasceram para viver assim ao relento e cheia de sagacidade para capturar seu farto alimento de cada dia. A humanidade nasceu para viver o amor ao próximo, mas sua natureza tem recebido muita informação ao mesmo tempo e não sobra espaço em seus HDs internos do cérebro e do coração, instalados caprichosamente pelo Criador, para outras pessoas que não seja o “eu mesmo”. E assim a vida passa, sem que muitas vezes percebamos as corujinhas buraqueiras que se tornaram aqueles que Deus nos deu para cuidar e amar. 

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova

 

Foto: Rosemary Andrade

O mar é um dos mais belos exemplos de transformação da vida. Ele nunca é o mesmo dois dias seguidos. Sempre haverá modificações importantes, causadas pelos altos e baixos das marés, pelas influências da lua, pelo vento e pelas barras e pontais onde afluentes e rios desembocam. No mar de Gargaú, no chamado delta do Rio Paraíba do Sul, está aquele que é considerado o segundo maior manguezal do estado do Rio, tombado como área de Mata Atlântica, através de um Decreto Estadual de 06/03/1991. E nesse lugar de grande biodiversidade,  que  atrai vários  pesquisadores de todo o país, existe alguém de jeito simples, que ama o contato diário com a natureza, e se sente mais perto de Deus. A foto de rara beleza é de alguém de meia idade, de jeito simples e sensível aos requintes do artista divino. O flagrante mostra o momento em que a boca da barra se rompe de forma silenciosa e vagarosa. Mar e água doce se encontram e revitalizam pequenos crustáceos, plantas e aves, que se fartam dia após dia nesse pedaço quase escondido do Norte Fluminense. Dá até pra imaginar o sorriso de satisfação dessa fotógrafa, que sempre admirou o simples e o básico da vida. Afinal, quem não quer viver em paz e harmonia com a natureza, onde a poluição não tem lugar, onde o barulho dá lugar ao silêncio e onde os olhos só lacrimejam de emoção, por ter a certeza de que alguém um dia criou tudo isso pra ser admirado e respeitado por aqueles, que mesmo em meio a toda a agitação do mundo, são capazes de parar, observar os detalhes e agradecer ao Deus Criador, que além de toda essa beleza, também criou o amor. 

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
@WallaceAndrade9

Em tempos de apavoramento e insegurança, provocados pelo coronavirus… um convite a refletir e aumentar nossa fé. A história da humanidade mostra que as pandemias vieram acompanhadas de medos e mortes… mas também foram embora e deixaram crescimento científico, humano e porque não espiritual. Deixo aqui uma reflexão que fiz depois de ler um pouco sobre a peste negra, no século XIV … Guy de Chauliac, era um famoso cirurgião e médico do papa Clemente VI, no auge da peste negra em 1348. Ele sobreviveu à peste e deixou um relato impressionante. Dizia: “A Peste Negra era tão contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra; o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade desaparecera por completo”. Algumas áreas, foram inexplicavelmente poupadas. Entre elas Milão e a Polônia. Terras de dois importantes santos da igreja. São João Paulo II e Santo Ambrósio. Aliás um dos ensinamentos de Santo Ambrósio é: “Da mesma forma que o temor do mundo é fraqueza, o temor de Deus é grande força.” E que não percamos a fé de que Deus tudo pode. Santa noite!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

A história que trago hoje é bem interessante. Diz de um galo “garnizé” que foi dado de presente ao meu filho. Imediatamente fui lançado ao final dos anos 70 quando tive a chance de aprender um pouco mais sobre esse bicho, que habitava meu quintal. Então me veio a certeza de que meu menino teria belas experiências com a ave. Até porque no pacote não veio só o galo, mas também a galinha. O casal rapidamente se adaptou ao meu quintal. Terra, milho, sombra e água fresca. E já no primeiro dia de reconhecimento do terreno, o malando já soltou um canto afinado. Uma sequência repetida várias vezes. Fiquei cheio de satisfação, porque já projetava algumas experiências que meu garoto iria fazer, por exemplo quando fosse comer um dos ovos, colhidos no quintal de casa. Ou quem sabe até ver a ninhada de pintinhos caminhando com a galinha pra lá e prá cá. Então veio a primeira noite e lá pelo fim da madrugada, por volta das 5h15min, acordei com o galo enchendo os pulmões e mandando ver no canto. E logo imaginei que esse bendito iria acabar incomodando mais do que agradando a família e os vizinhos. Mas insisti com a aventura e fiz até um galinheiro pro bonito ficar mais a vontade, e quem sabe até resolver acordar um pouco mais tarde. Ledo engano! Os dias foram passando e os cantos cada vez mais executados madrugada a dentro. Até que um dia ouvi o primeiro cacarejo antes das 4h da madrugada. Aí eu vi que o caldo iria engrossar de verdade. E no mesmo dia ouvi de um vizinho que a esposa estava muito incomodada. E até busquei entender um pouco mais essa loucura do galo de interromper o sono pra cantar a plenos pulmões. Descobri que alguns estudos revelam que o canto do galo antes do amanhecer é na verdade uma forma de demonstrar  às outras aves quem é que domina aquele território. Ou seja, o bichão tava se sentindo o dono do pedaço. Então fizemos uma reunião de família e com muito custo, meu filho aceitou devolver o galo para o sítio onde ele nasceu. Duro foi pegar o casal, que me deu mais olé que Garrincha frente aos marcadores. Então deixei a noite cair e fiz o resgate das duas aves. Mais duro ainda foi ver o meu menino chorar aos prantos, que não queria ficar sem o galo. Mas depois de uns dez minutos de choro, resolveu ir comigo ao sítio e se despedir daquela criação que durou menos de um mês e nem deu tempo de colher um ovo sequer do “casal”. E ainda ouvi piada do ex-dono, que voltou a ser dono, dizendo que eu devia era ter colocado os dois penosos na panela e feito um belo ensopado. Mas a grande moral de toda essa pequena confusão é a seguinte: Nosso direito só vai até onde o direito do outro, no caso os vizinhos, começa. Se faço uma opção de forma egoísta e sem pensar no próximo, corro o risco de transformar amigos em grandes inimigos e não fazer valer a máxima: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, encontrou um tesouro.” (Eclesiástico 6,14).

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova