Foto: WALLACE ANDRADE

Um dia desses de inverno, onde os pastos estão secos, as matas desidratadas e a escassez de flores é inevitável, fui atraído por uma florada de Bougainville. E logo me veio a pergunta: Que Deus é esse que oferece flores em pleno inverno seco, sem chuvas e nem orvalho? E Ele mesmo me fez lembrar do livro de Oséias, que diz no capítulo 14, versículo 6: “Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto” . É que lá onde flagrei essa beleza em forma de flor, existe um lago que a sustenta. E depois, em casa, ao olhar as fotos que fiz do Bougainville, parei nos detalhes e me encantei com esse artista do mundo inigualável. A flor, nativa da América do Sul e que pode ser encontrada nas cores branca, roxa, vermelha, amarela e laranja, também tem algumas particularidades que são divinas. Perceba que as cores vivas que chamam a atenção não são das flores e sim das folhas. Que Deus é esse, que modifica as folhas e as deixa mais chamativas? E tudo com um propósito magnífico. Atrair abelhas, borboletas e beija-flor, exímios polinizadores. Eles se confundem, porque no Bougainville as folhas modificadas chamam mais a atenção que as pétalas das minúsculas flores. E, claro, depois de atraídos pela cor das folhas tudo fica mais fácil e eles chegam às verdadeiras pétalas que são as branquinhas. As tais flores diminutas que nos deixam maravilhados estão ali, fazendo o papel mais importante, que é 

o  de preservar a espécie. Abertas ao processo de polinização. Que Deus é esse? Esse é o Deus que tudo fez e tudo faz para entendermos que a harmonia natural da fauna e flora será sempre sinal de sua perfeição. Se as flores são perfeitas, se os insetos e pássaros cumprem seu papel de uma forma natural, também nós somos capazes de buscar a perfeição e harmonia original, com a qual nascemos. Somos sim um organismo planejado com detalhes por Deus e capazes de vencer as provas dessa vida, desde que façamos a nossa parte. Cuidando dessa máquina prefeita chamada corpo e mente, mas também do que Ele nos concede como sobrenatural. Faça sempre das suas descobertas, motivo de oração contemplativa para alimentar seu ser espiritual e fazer desses momentos de  sua vida cotidiana, motivos para um encontro pessoal com Deus. Irá sempre encontrar as respostas exatas para essa pergunta, sempre formulada e carregada de certezas das respostas que já guardadas em nossos corações. Que Deus é esse? O Deus que te ama e nunca irá desistir de ti!!! 

  

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova 

Ilustração: DAVI ANDRADE

Vivemos num tempo de grande aceleramento físico,mental, psicológico e corremos feito carro descendo a montanha e com falhas no freio. Todos os dias me pergunto, onde esse carro vai parar? Será que na próxima curva eu consigo saltar dele sem muitos danos? E se continuo nele, vou conseguir sobreviver ao impacto que o fim da estrada me reserva? Pois bem meus amigos, a melhor saida será sempre a de usar a sabedoria e a inteligência que Deus nos deu como dom divino. Lembra que disse no início que o carro tinha falhas no freio? Isso signifca que em alguns momentos dessa ladeira ele funciona. E é exatamente nessa hora que devo parar o carro, descer dele e buscar uma alternativa mais segura. O primeiro passo é travar suas rodas com pedra ou pedaço de árvore, pra que ele não continue a descer “desembestado” e causar um dano sério. Depois dessa operação preciso olhar ao meu redor e acreditar que sou um milagre. Se continuo de olhos abertos é porque Deus ainda tem planos pra mim. E se observar com requintes de detalhes, verei sua grande obra de arte na montanha em que estou, cercada de árvores, com acordes diferenciados de Tiziu, Sabiá, Gaturamo e até Bem-Te-Vi. E sem renegar o autor dessa obra, fazer minha oração contemplativa e agradecer, que mesmo sem carro, continuarei a ter pernas pra descer e subir o monte, quantas vezes for preciso. E em todas as vezes, terei olhos para admirar e coração para agradecer o dom de minha vida. Não sabemos quanto tempo temos pra isso nenhum ser humano é capaz de precisar isso, mesmo se eu tivesse continuado no carro sem freio e me acidentado gravemente no trecho final. Só Deus pode dizer a hora e o local do “The End” de nossa passagem por esse mundo. Então saidocarro da morte em que te colocaram e acredite: a vida é muito mais do que andam pintando na TV e nos meios sociais. Libere ou liberte sua imaginação e contemple o que muita gente não contempla mais. E seja feliz em Deus!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova 

Foto: Bárbara Martins 

Existem situações intrigantes e tidas como  surpreendente em alguns dias de nossas vidas. Acordar cedo para uma caminhada na praia, sempre pode reservar surpresas, no mínimo inspiradora. E encontrar uma figura como essa no percurso pode ser motivo de oração contemplativa. Não é todo dia que se encontra uma Athene Cunicularia, também chamada de coruja “buraqueira”, coruja da praia ou urucuriá, na língua indígena. Um pouco de história dessa bela ave. Ao perceber a chegada da primavera, nossa corujinha aí se movimenta para cumprir o ritual de acasalamento. O macho escolhe ou escava um buraco, em regiões de vegetação baixa para facilitar a captura de insetos e pequenos roedores no solo. Depois o casal se reveza no trabalho de alargar o “doce lar”, cavando uma galeria horizontal usando os pés e o bico. Em seguida eles forram a cavidade do ninho com capim seco. O material mais comum usado por elas para forrar o buraco é o estrume, colocado dentro da câmara do ninho e em volta da entrada. Parece nojento, mas instintamente inteligente. As corujas usam o material de cheiro ruim para encobrir o cheiro dos ovos e dos filhotes, e com isso protegê-los de predadores. Isso sem falar dos insetos gerados nesse ambiente, que servem de alimento para a fêmea, enquanto choca os ovos, e também no controle do clima dentro da cova, para que não fique quente demais. O flagrante registro, feito pela advogada, fotógrafa e minha afilhada, Bárbara Martins, é de uma “Buraqueira”, certamente macho. Aparentemente ele está solitário, mas a fêmea deve estar por perto, em uma toca a chocar os ovos ou aquecer seus filhotes. E esse simples retrato da natureza provoca uma bela reflexão. Afinal viver em silêncio e solitário é um martírio pra muita gente, principalmente em tempos de pandemia, como agora. Viver na simplicidade do improviso, como as corujas ou como José e Maria, que foram forçados a experimentar numa manjedoura onde nasceu o menino Jesus, porque não encontraram um coração solidário para acolhê-los, são situações que algumas pessoas não cogitam e nem admitem viver nos tempos de modernidade como hoje. Tem uma boa fatia da sociedade repleta de pessoas entregues às comodidades da tecnologia, da comida refinada e de rápido preparo e de luxuosas e espaçosas mansões, onde vivem de forma requintada. E no contraste dessa humanidade, cada vez mais longe de Deus, pessoas em marquises, barracos de papelão ou sob os viadutos, como “buraqueiras”. As corujas nasceram para viver assim ao relento e cheia de sagacidade para capturar seu farto alimento de cada dia. A humanidade nasceu para viver o amor ao próximo, mas sua natureza tem recebido muita informação ao mesmo tempo e não sobra espaço em seus HDs internos do cérebro e do coração, instalados caprichosamente pelo Criador, para outras pessoas que não seja o “eu mesmo”. E assim a vida passa, sem que muitas vezes percebamos as corujinhas buraqueiras que se tornaram aqueles que Deus nos deu para cuidar e amar. 

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova

 

A história que trago hoje é bem interessante. Diz de um galo “garnizé” que foi dado de presente ao meu filho. Imediatamente fui lançado ao final dos anos 70 quando tive a chance de aprender um pouco mais sobre esse bicho, que habitava meu quintal. Então me veio a certeza de que meu menino teria belas experiências com a ave. Até porque no pacote não veio só o galo, mas também a galinha. O casal rapidamente se adaptou ao meu quintal. Terra, milho, sombra e água fresca. E já no primeiro dia de reconhecimento do terreno, o malando já soltou um canto afinado. Uma sequência repetida várias vezes. Fiquei cheio de satisfação, porque já projetava algumas experiências que meu garoto iria fazer, por exemplo quando fosse comer um dos ovos, colhidos no quintal de casa. Ou quem sabe até ver a ninhada de pintinhos caminhando com a galinha pra lá e prá cá. Então veio a primeira noite e lá pelo fim da madrugada, por volta das 5h15min, acordei com o galo enchendo os pulmões e mandando ver no canto. E logo imaginei que esse bendito iria acabar incomodando mais do que agradando a família e os vizinhos. Mas insisti com a aventura e fiz até um galinheiro pro bonito ficar mais a vontade, e quem sabe até resolver acordar um pouco mais tarde. Ledo engano! Os dias foram passando e os cantos cada vez mais executados madrugada a dentro. Até que um dia ouvi o primeiro cacarejo antes das 4h da madrugada. Aí eu vi que o caldo iria engrossar de verdade. E no mesmo dia ouvi de um vizinho que a esposa estava muito incomodada. E até busquei entender um pouco mais essa loucura do galo de interromper o sono pra cantar a plenos pulmões. Descobri que alguns estudos revelam que o canto do galo antes do amanhecer é na verdade uma forma de demonstrar  às outras aves quem é que domina aquele território. Ou seja, o bichão tava se sentindo o dono do pedaço. Então fizemos uma reunião de família e com muito custo, meu filho aceitou devolver o galo para o sítio onde ele nasceu. Duro foi pegar o casal, que me deu mais olé que Garrincha frente aos marcadores. Então deixei a noite cair e fiz o resgate das duas aves. Mais duro ainda foi ver o meu menino chorar aos prantos, que não queria ficar sem o galo. Mas depois de uns dez minutos de choro, resolveu ir comigo ao sítio e se despedir daquela criação que durou menos de um mês e nem deu tempo de colher um ovo sequer do “casal”. E ainda ouvi piada do ex-dono, que voltou a ser dono, dizendo que eu devia era ter colocado os dois penosos na panela e feito um belo ensopado. Mas a grande moral de toda essa pequena confusão é a seguinte: Nosso direito só vai até onde o direito do outro, no caso os vizinhos, começa. Se faço uma opção de forma egoísta e sem pensar no próximo, corro o risco de transformar amigos em grandes inimigos e não fazer valer a máxima: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, encontrou um tesouro.” (Eclesiástico 6,14).

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova

 

Fotos: Wallace Andrade CN

A vida tem sempre caminhos e pessoas surpreendentes! Ao dar os primeiros passos numa estrada desconhecida, geramos em nossos pensamentos expectativas que fazem o coração disparar. E na medida em que avançamos pelo trecho, surgem boas e nem tão boas surpresas. Toda rota tem buracos, pedras, espinhos e troncos que atravessam o percurso. E em cada obstáculo que aparece, não dá pra parar, sentar e chorar até morrer! Preciso buscar meios de tapar os buracos, arrancar as pedras, espanar os espinhos e arrastar os troncos. Afinal a viagem precisar continuar.

E na rotina dessa estrada tem sempre alguém que ajuda a empurrar o carro de sua vida. Tem sempre aquele que pega a pá contigo e tapa os buracos. E aquele que aparece e arranca os espinhos que te causa tanta dor? E o cara que agarra a pedra ao teu lado e te motiva a fazer força? Surpresa mesmo é quando você ouve a motosserra chegando e cortando em fatias o tronco de seu caminho. Essas pessoas já estão em sua estrada, como fragmentos importantes na trilha, como anjos que nos fazem entender que Deus tem muito carinho por nós!

O problema é quando nessa estrada tem os que abrem mais buracos, lançam mais espinhos, despejam mais pedras e derrubam muitas árvores para impedir que você prossiga em sua rota de harmonia e felicidade, de certeza e esperança! Para esses é melhor não dar crédito. É louvável não darmos títulos, pois podemos ser injustos com o Senhor. Afinal, a providência Divina, que rege todas as coisas, é cercada de mistérios e permissões do Criador.

As pessoas que dificultam nosso prosseguir, podem estar até nos atrapalhando e nos atrasando, mas não serão nunca capazes de nos fazer desistir, se em suas provocações, nos encontrar dispostos e acompanhados daquelas outras pessoas que já mostraram que estão ali para nos ajudar. Pessoas em quem podemos contar sempre.

E como ponto final desse texto, é sempre bom lembrar que nas estradas desse mundo, existirão sempre pessoas prontas pra nos dizer: FAÇA O QUE EU DIGO! Difícil é ver que nem sempre são capazes de nos dizer: FAÇA O QUE EU FAÇO! Afinal a vida é feita de testemunhos reais e verdadeiros. O resto são só palavras ao vento… e pérolas aos porcos!! E no tempo de Deus, elas vão passar em nossas vidas, como os buracos, as pedras, os espinhos e os troncos que já ficaram para trás em nossa viagem terrena, rumo ao céu!!

Deus abençoe!

Wallace Andrade 
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com