A Vida de Oração

Como compreender a nossa Vida de Oração?

 

Pretendo fazer um conjunto de artigos que abordem a temática, para que fique mais clara a compreensão e relevância do assunto tratado. Neste primeiro, farei uma breve introdução…

É praticamente impossível avançarmos em qualquer temática do cristianismo sem que compreendamos a importância sobre a Vida de Oração. Ela é um dos pontos mais importantes da nossa vida espiritual, do nosso relacionamento com Deus, e poderia até mesmo dizer do nosso autoconhecimento.

Começo já iluminando a importância da vida de oração, com o ensinamento daqueles que também foram nos ensinando ao longo dos séculos como trilharmos este caminho tão sublime, mas que por vezes se torna cansativo e desértico, e estes são os santos!
Não há um santo que não tenha se dedicado a escrever sobre o assunto, porque aprenderam com a vida, que a amizade com Deus se faz por meio da vida de oração.
Insisto sempre em escrever “Vida de Oração” e não tão somente Oração, porque assim aprendi com Padre Jonas Abib, que não é somente questão de rezar; porque rezar qualquer um pode fazer! A questão está em fazer da nossa vida, uma Vida de Oração; eis o grande desafio!

Já posso começar com algumas definições que os santos nos trazem sobre a Oração:

– “A Oração é um falar com Deus.” (São João Crisostomo)
– “A Oração é a conversão da mente à Deus, com um piedoso e humilde afeto.” (Sto. Agostinho)
– “A Oração é o pedido à Deus de coisas convenientes.” (São João Damasceno)
– “É o tratar da amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama.” (Santa Teresa)
– “A Oração é a elevação da mente a Deus para louva-lO e pedir-lhe coisas convenientes para a Salvação Eterna.” (Sto. Tomás de Aquino)

O próprio Jesus no Evangelho traz uma verdade sobre a necessidade da Vida de Oração:
…a necessidade de orar sempre, sem nunca desistir…” (Lc 18,1)

O Catecismo da Igreja Católica nos diz assim:
“Se conhecesses o dom de Deus!” (Jo 4, 10) “A maravilha da oração se revela justamente aí, a beira dos poços aonde vamos procurar nossa água; é aí que Cristo vem ao encontro de todo ser humano, é o primeiro a nos procurar, e é Ele que pede de beber. Jesus tem sede, seu pedido vem das profundezas do Deus que nos deseja. A Oração quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dEle.”

A Oração é este encontro que nos transforma, que nos converte, que nos ilumina! A Oração ao mesmo tempo que é súplica, ela é resposta! Resposta à um Deus de amor que tem sede de nós seus filhos!
É exatamente por isso que a Oração não pode ter os nossos sentimentos como base para que ela se concretize! Os nossos sentimentos, sempre ou na maioria das vezes, oscilam muito, há variáveis; e se a nossa vida de oração dependesse de “bons sentimentos” ou simplesmente da nossa vontade; certamente estaríamos fadados ao fracasso!
A oração brota do reconhecimento de quem Deus é, e da nossa miséria enquanto filhos! Diante disso, precisamos entender que a oração é uma questão de decisão! Eu me decido rezar! Não é questão de querer! Quantas vezes eu me percebo sem a mínima vontade de rezar?! Mas porque não sou movido pelo querer, nem por aquilo que estou sentindo; eu me decido e vou rezar. E mesmo que nesta minha Oração “sem vontade” eu não cumpra com alguns “requisitos”(que tratarei em outros artigos) que seriam importantes e mais frutuosos para minha vida; ainda assim, isso é Oração!

Muitos que atendo se questionam que quando rezam querem se sentir bem, querem experimentar aquele tipo de “sentimento motivacional” que lhes ajude a caminhar, aquela “sensação” de que foram ouvidos por Deus e tantas outras coisas…
A grande verdade é que isso nem sempre acontecerá, digo mais; quase nunca acontece!
Um dia ouvi de um grande amigo, psiquiatra, Doutor Ítalo Marsili uma afirmação sobre a Oração que é verdadeira. Ele disse: “Não sei como alguém pode sentir-se bem fazendo oração verdadeira.
A frase é forte, confunde alguns; mas é a mais pura realidade!!
Porque quando rezamos, estamos entrando em comunhão com o Senhor, que é a Luz das luzes, a Santidade, A Pureza; e é quase impossível estarmos diante de tamanha Santidade e não nos constrangermos, não sairmos atônitos com a visão das nossas fraquezas, dos nossos pecados, do nosso Orgulho, da nossa Soberba e Egoísmo!
A Oração verdadeira é sempre este encontro de “contrários”!
Não é impossível por vezes que saiamos visitados pelas consolações Divina, mas a verdade é que de modo geral, não é assim que acontece.
Recordo-me do livro “A Imitação de Cristo” quando a alma suplicante reza:
Senhor, não sou digno que me consoleis nem que me visiteis espiritualmente; e, por isso, quando me deixais pobre e desamparado, me tratais com justiça.
Ainda que minhas lágrimas corressem abundantes como as águas do mar, não seria digno de vossa consolação.
Só mereço castigos e punições, porque vos ofendi muitas vezes e gravemente pequei de mil maneiras.
Assim, bem pesadas todas as coisas, sou indigno da menor de vossas consolações[…]
Que fiz eu, Senhor, para merecer alguma consolação do céu?
Não me lembro de haver feito bem algum, fui sempre inclinado ao vício e negligente em corrigir-me[…]
Pelos meus pecados, que mereci senão o inferno e o fogo eterno?
Com sinceridade confesso que sou digno de todo escárnio e desprezo e nem mereço ser contado entre vossos servos.
E ainda que me seja penoso ouvir isto, darei testemunho pela verdade contra mim e acusarei os meus pecados, a fim de que mais facilmente mereça alcançar a vossa misericórdia.[…]
Que mais exigis de um pecador, criminoso e miserável, senão que se arrependa e se humilhe de seus pecados?

Esta oração de súplica acima, é na verdade, aquilo que experimento quando me coloca à frente de Jesus para rezar. Como pensar e realmente ver outra coisa, senão as minhas misérias e limitações?
Esta deve ser também um dos grandes frutos da sua Vida de Oração: O reconhecimento do seu nada! Mas não aquele reconhecimento falso que muitas vezes trazemos em nosso peito, de afirmarmos que somos pecadores; mas acabamos que falamos isso da boca para fora, por puro hábito. Não! Mas sim, o reconhecimento de sermos pecadores porque nos encontramos com a verdadeira Luz! E esta Luz é capaz de nos iluminar tanto, que chega a doer nos ver como realmente somos. Este é o tipo de dor que nos traz conversão!

Resumindo:
– A Oração é de fundamental importância para a vida dos cristãos;
– A Oração é o meio de nos encontrarmos com Jesus Cristo;
– A Oração não deve ser movida pelos nossos sentimentos;
– A Oração será sempre uma questão de decisão da nossa parte;
– Nem sempre teremos consolos através da Oração;
– A Oração nos lança frente aos nossos pecados e sujeiras;
– Através da Oração e do arrependimento, voltamos à Deus;

E você, tem rezado para se “sentir bem”, ou rezado para que se converta realmente?

Deus abençoe você!

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Danilo Gesualdo é membro da Comunidade Canção Nova e atua junto ao Ministério de Cura e Libertação, residindo em nossa sede em Cachoeira Paulista (SP).
Para contato, envie-me um e-mail para:
livresdetodomal@cancaonova.com

 

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