O amor e a dor igualmente se “perdem” num abraço

“Porque só o que se ama pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado” 

Nesta tríade sobre o Amor de Deus que a Christus Vivit nos apresenta no capítulo IV, hoje o destaque é o Amor Misericordioso de Seu Filho Jesus.

Cristo revela a nós a face do amor misericordioso de Deus. Misericórdia é a junção de duas palavras em latim: miseratio (compaixão) + cordis (coração): Deus teve compaixão de nós e nos introduziu em Seu Coração Misericordioso, perdoando a nossa dívida, impossível de ser paga por esforços humanos.

Hesed, em hebraico quer dizer misericórdia, esta palavra  aparece inúmeras vezes em toda a Sagrada Escritura, e se torna palpável em Jesus Cristo. Por suas características, podemos comparar este “jeito” de Deus nos amar, com o amor materno: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is 49,15).

Por amor Cristo se dá em Alimento

O que Isaías expressa através da Palavra escrita, em Cristo se faz: “Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida” (Jo 6,55). Como uma mãe alimenta o pequenino em seu seio, Cristo nos alimenta do seu Corpo e do seu Sangue.

Esta é uma verdade que nunca pode ser esquecida: “Cristo entregou-Se até ao fim para nos salvar. Os seus braços abertos na cruz são o sinal mais precioso dum amigo capaz de levar até ao extremo o seu amor: «Ele, que amava os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo» (Jo 13, 1)” (Christus Vivit, nº 118)

É um amor incondicional, aqui posto em paralelo com o amor materno que é aquele amor que se comove até as entranhas pelos seus filhos. Com maior profundidade e perfeita entrega Cristo comoveu-se de compaixão para nos salvar e nos restituir a dignidade de filhos de Deus.

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Só o que se abraça, pode ser transformado

Nós «fomos salvos por Jesus: porque nos ama e não pode deixar de o fazer. Porque só o que se ama pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado. O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, que todas as nossas fragilidades e que todas as nossas mesquinhices, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta história de amor. Abraçou o filho pródigo, abraçou Pedro depois de O ter negado e abraça-nos sempre, sempre, sempre, depois das nossas quedas, ajudando-nos a levantar e ficar de pé. Porque a verdadeira queda – atenção a isto! – a verdadeira queda, aquela que nos pode arruinar a vida, é ficar por terra e não se deixar ajudar» (Christus Vivit, 120)

O Amor e a dor igualmente se “perdem” num abraço. A entrega de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz dispensa explicações, é só nos colocarmos em atitude de contemplação: Ele sempre estará de braços abertos para nos receber, mesmo que estejamos cobertos de misérias.

Não tenhas medo! Corra para o abraço misericordioso de Deus: Jesus!

 

Patrícia Coêlho Costa

Comunidade Canção Nova