Vocação: como discernir?
Parece algo distante, confuso… até meio abstrato.
Mas, a verdade é que o sentido da nossa vida não está naquilo que mostramos nas redes sociais nem no que dizemos nas conversas com os amigos. Está na vocação para a qual Deus nos criou. É nela que a gente se realiza de verdade.
Então vem a pergunta:
o que eu faço, de verdade, com isso?
Por que é tão difícil decidir hoje?
Existe uma tirania da nossa “modernidade líquida, relativista e subjetivista” que ilude nossa juventude, vendendo liberdade ao preço da solidão. O resultado? Estresse, depressão e uma enorme indecisão.
O que fazer da sua vida?
Qual é a sua vocação?
Neste momento, é preciso colocar alguns pingos nos “is” e deixar claros alguns conceitos, para que essa ponte quebrada seja atravessada com segurança.
Vocação não começa em você — começa em Deus
É preciso dizer algo fundamental: a vocação, antes de ser uma resposta ou uma escolha, é um chamado de Deus.
E Ele chama a todos indistintamente para a vida.
Sobre essa vocação, não precisamos ter dúvidas. Um dia, fomos chamados a ser quem somos e onde estamos. Não escolhemos nossos pais. Não escolhemos nossa cor, cultura, origem, povo, raça ou nação. Quando tomamos consciência da vida, já estávamos aqui.
Essa vocação de raiz não exige discernimento.
Exige aceitação, cultivo e gratidão.
A fé precisa se tornar pessoal
Depois, fomos chamados à vida cristã.
Quem foi batizado na infância teve o sacramento da Crisma para confirmar sua decisão de pertencer ao povo de Deus na Igreja Católica. Aqui, já é necessário discernimento.
Não basta receber a fé dos pais.
É preciso fazer a sua própria experiência com Deus.
Hoje, quem nasce católico só permanecerá católico se viver uma conversão pessoal, a partir de uma experiência real de Deus dentro da Igreja.
Mas, ainda assim, nesse nível, normalmente não surgem grandes crises vocacionais. O problema aparece quando chega o momento de escolher o seu estado de vida.
Os três caminhos dentro da vocação cristã
No Cristianismo católico ocidental, existem três estados de vida:
- o fiel leigo
- o religioso(a) consagrado(a)
- o ministro ordenado (diácono ou sacerdote)
São esses os três caminhos.
E é justamente aqui que muitos jovens entram em crise:
como discernir a própria vocação?
Um ponto importante que simplifica tudo
É importante entender: todo cristão, antes de qualquer coisa, é leigo.
A palavra “leigo” vem do grego laós, que significa “povo de Deus”.
Ou seja: todos nós somos povo de Deus.
A menos que o próprio Deus nos chame para uma consagração ou para o ministério ordenado.
Discernimento vocacional: como entender o chamado de Deus para sua vida
Aprendi algo importante: Deus não chama apenas uma vez.
Ele é insistente com aqueles que escolhe.
Mas, se você está em dúvida, aqui vai uma dica prática:
Se acha que está ouvindo a voz de Deus para o sacerdócio, entre em um seminário. Isso não significa que você será padre, mas ali terá as condições ideais para escutar melhor esse chamado.
O mesmo vale para a vida consagrada.
Tenha coragem de iniciar um processo de discernimento.
Em vocação, a pior coisa é ficar parado.
Dê um passo — mesmo com medo.
Até mesmo um passo errado, se for sincero, pode te colocar no caminho certo.
Um alerta importante
Agora, o conselho contrário.
Mesmo que você sinta um certo chamado à vida consagrada ou sacerdotal, não dê esse passo por falta de opção.
Todos os que Jesus chamou estavam ocupados e deixaram tudo para segui-Lo.
O sinal de uma vocação verdadeira
Mesmo que você tenha namorado(a) e um bom emprego, isso pode ser uma confirmação vocacional ainda mais forte se você for capaz de deixar tudo para seguir o Senhor.
Quem não tem nada a deixar tende a permanecer na dúvida e na indecisão.
Mas quem deixa tudo por amor a Cristo experimenta, no coração, um sinal claro de confirmação vocacional.




