Walk by Faith

Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. (2 Coríntios 5:7)

Month: agosto 2021

A delicadeza dos detalhes no universo feminino

É preciso olhar os detalhes. Eles semeiam nossas vidas com pedrinhas que nos guiam. (Katherine Pancol)

Olhe em volta. O que vê? Independente de onde estiver, dificilmente esse lugar terá passado despercebido aos olhos de uma mulher. A sensibilidade feminina pode se traduzir de  muitas formas. Aparece no projeto arquitetônico de uma construção, em uma mesa posta, na arte da cozinha, no campo empresarial, na educação, na administração da casa e por fim, no arranjo de flores sobre a mesa. Os detalhes da feminilidade da mulher está no cheiro adocicado de um bolo de laranja assando no forno e na organização e funcionalidade de um espaço e até mesmo de uma empresa. E embora quase tudo o que ela faça, os homens também consigam fazer, aquilo que leva a assinatura de uma mulher é diferente, principalmente quando essa mulher é uma mulher conduzida por Deus. Talvez a mulher, traga consigo, o anúncio de um abraço, a intenção de um afago, a essência altruísta da maternidade, da provedora que cuida da cria, que afaga e acaricia seu companheiro, que organiza e gera vida por onde passa. Segundo Hernán Sábio, um escritor, os grandes corações se contentam com pequenos detalhes. Na vida das mulheres pequenos detalhes cotidianos são os que fazem a diferença, aqueles que permanecem invisíveis aos olhos mas que brilham com luz própria a medida que realizados com um simples toque de ternura. Um mínimo detalhe é capaz de nos levar ao mais alto sucesso ou ao fracasso mais angustiante, já que se encontra esfumaçado entre milhões de intenções. Um exemplo é Ester que diante de uma grande adversidade, instruída por Deus preparou um jantar, ou melhor dois jantares para o Rei Xerxes e o vilão Hamã. Diz a história que, no terceiro dia de jejum, Ester se vestiu com as suas roupas de rainha, foi e ficou esperando no pátio de dentro do palácio, em frente do salão nobre do rei. Ele estava lá dentro, sentado no trono, que ficava em frente da porta do pátio. E, quando ele viu a rainha Ester esperando lá fora no pátio, teve boa vontade para com ela e estendeu-lhe o seu cetro de ouro. Ester entrou, chegou perto dele e tocou na ponta do cetro.  E o rei perguntou, o que está acontecendo, rainha Ester? O que você deseja? Peça o que quiser, que eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. Ester respondeu, se for do seu agrado, eu gostaria de convidar o senhor e Hamã para o banquete que estou preparando hoje para o senhor. Aí o rei ordenou, digam a Hamã que venha depressa, para que nós aceitemos o convite de Ester. Assim o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado. Quando estavam bebendo vinho, o rei perguntou a Ester: Qual é o seu pedido? Peça o que quiser, que eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. Ester respondeu, se eu puder me valer da bondade do rei, e se for do seu agrado atender o meu pedido, gostaria de convidar o senhor e Hamã para outro banquete que eu vou preparar amanhã para os dois. Aí lhe direi o que eu quero. No dia seguinte, quando se realizava o banquete de Ester, com a presença do rei e de Hamã, Assuero (o rei) perguntou novamente: “Qual é a tua petição, rainha Ester? E qual o teu requerimento? Até metade do reino te será dado”.Ester ergueu-se para dar mais ênfase às suas palavras: “Dê-me minha vida como petição e a do meu povo como requerimento. Porque estamos vendidos, eu e meu povo, para sermos destruídos”. O rei também levantou-se indignado: “E onde está aquele cujo coração o instigou a assim fazer?” E disse Ester, apontando para Hamã: “O homem, o inimigo, o opressor é este”. Surpreendido e abalado por essa revelação contra o homem que ele mais prezava, Assuero retirou-se para o jardim. Então Hamã atirou-se aos pés de Esther, pedindo misericórdia. Ao reentrar, Assuero, deparando com Hamã ajoelhado diante de Ester, gritou-lhe colérico: “Porventura também queres forçar a rainha na minha própria casa? Guardas! Prendam este homem!”… Paremos um pouco para pensarmos nos detalhes, Ester mesmo sabendo de tudo que Hamã já tinha realizado e planejado, ela agiu com sabedoria, com mansidão, com classe, com educação, nos relatos em nenhum, momento fala que Ester se comportou com ira, arrogante, agressiva, mas relata o serviço em preparar um banquete estando tudo bem preparado  para receber o rei e o seu inimigo Hamã. É muito importante observar a postura de Ester diante dos fatos, o seu equilíbrio emocional.  O equilíbrio emocional é a capacidade da mente e do corpo em manter a estabilidade e a flexibilidade em meio a desafios e mudanças nos mais variados aspectos. Esse equilíbrio promove a saúde física e é um pré-requisito para o bem-estar e o crescimento profissional e pessoal de toda mulher. Sei que não é fácil alcançar o equilíbrio emocional, mas é algo que precisa ser trabalhado ao longo de toda a vida. Não é um talento nato. Por isso, é preciso força de vontade e perseverança para conseguir dominar a mente nas mais diversas situações. A vida de Ester foi forjando essa característica, essa virtude nela. O equilíbrio emocional permite também enxergar as situações com maior clareza e racionalidade. Ele nos tira da situação de espectadores e nos coloca como protagonistas do processo, do nosso processo. Em meio a tantos problemas que vivenciamos simultaneamente no dia a dia , como trabalho, filhos, cônjuge, entre tantas outras realidades, acabamos sufocadas pelas emoções ruins e não conseguimos, na maioria das vezes, visualizar a melhor solução para cada problema. Não deixe que pequenos ou grandes problemas tirem você do sério. Reserve alguns minutos para analisá-los de maneira racional, se permita adentrar em oração e pedir a Deus uma orientação de como agir diante de tantos desafios, frustrações e tantas outras realidades, busque o autoconhecimento às vezes até com ajuda de um psicólogo (a) você poderá vivenciar um lindo processo de autoconhecimento,  pergunte a si mesma: “Como posso resolver essa situação da melhor maneira?”, analise os fatos, não seja ansiosa, nem imediatista, busque o conselho de alguém instruída a nível humano, psicológico e espiritual. Mas saiba que é sempre será você a pessoa a saborear os frutos da sua escolha. Além do equilíbrio emocional, encontramos em Ester alguém que é intercessora  no capítulo 4 do livro de Ester conta que Ester jejuou por três dias, falou com o Rei e conquistou para seu povo o direito de se defender. No dia decretado por Hamã, os inimigos do povo judeu esperavam dominá-lo, mas graças ao direito de defesa que Ester conquistou, a história teve um final imprevisto.  Muitas vezes eu fico imaginando tudo que pode ter passado pela cabeça de Ester durante aquele um ano de tratamento que ela recebeu para poder entrar na presença do rei. Não deve ter sido fácil para ela ficar longe de sua família durante um ano, sem saber o que seria de seu futuro e se ela não fosse a escolhida pelo rei, seria apenas uma concubina do rei. Mas o mais bonito é que  Deus tinha um propósito, prepará-la para ser eleita a rainha de Assuero, pois só assim poderia interceder a favor do povo de Deus e salvá-lo. Assim é comigo e com você, Deus tem um propósito em nossas vidas, talvez seja você a pessoa convidada a interceder pela salvação do seu povo, da sua família, do seu esposo, dos seus filhos, enfim, já parou para pensar nessa possibilidade.  Muitas vezes passamos por momentos difíceis, sem entender muita coisa, sem saber o que está acontecendo e o porquê; as circunstâncias ficam sombrias e o futuro torna-se uma grande interrogação. Mas saiba que Deus sempre tem um propósito, não é que Deus queira que você passe por momentos de adversidades, mas saiba que se esses momentos forem bem vivenciados em oração, no sofrimento, no abraçar a cruz, eles podem forjar em você frutos de eternidade. Assim como Deus cuidou de Ester, Ele está cuidando de nós, só precisamos crer que Ele está no controle de tudo e que nos ama, pois é esse amor que gera em nós esperança, fé, confiança e uma paz que supera todo entendimento. Como Ester, eu e você, nós precisamos ser casa de oração onde o Espírito Santo habita, faz morada e conduz. O livro narra que Ester preparou o jantar para o Rei e Hamã, o que este detalhe nos quer dizer. Nos quer dizer que é na mesa que partilhamos vida, que laços são estreitados, onde por muitas vezes nós mulheres somos convidadas a colocarmos os nossos talentos a tona, seja na arte de cozinhar, de servir, de colocar a mesa  posta com aqueles detalhes que só nós sabemos fazer. Receber alguém em casa pode ser uma experiência única e tanto para o anfitrião quanto para o convidado. O cuidado e planejamento com o evento vai dizer muito sobre você. A ideia não é impressionar ninguém, mas garantir que todos se sintam à vontade, acolhidos e queridos, é nessa hora que quem sabe arrumar uma mesa faz toda a diferença. Começar pela cor sempre ajuda. Defina uma paleta harmônica de cores com predominância de 2 ou 3 tons para a mesa, desde detalhes das louças aos jogos americanos e flores, flores sempre alegram e encantam o ambiente. Em seguida, entenda o estilo que mais se adequa ao evento da sua casa, seja um momento familiar com seu esposo e seus filhos, alguma comemoração, um jantar temático, romântico… Enfim, estou estou falando de jantar pois foi o que Ester preparou, mas este contexto serve para todas refeições. Seja a protagonista da sua casa, exerça seu papel de mulher, mãe, esposa, ou seja, a administradora do seu lar. Algo triste neste mundo moderno é que cada vez mais as famílias estão distantes, as pessoas não estão mais se conhecendo, muitas vezes os pais não conhecem mais os seus filhos, o que eles vivem, os desafios que enfrentam e as lutas interiores que travam principalmente na adolescência. O fato é que comer em família é um hábito que nos aproxima e nos ensina muito sobre convivência, o respeito, o acolhimento, pois  é com a partilha olho no olho, que não deixamos a afetividade esfriar  e estreitamos os nossos laços. Refeições em família têm mesmo um pouco de tudo, pois combinam conversas triviais com assuntos importantes, intimidade com estranhamento, risadas e discussões, feijão, arroz, bife, batata frita com “você não sai daqui se não comer os legumes”. Hoje, quando podemos bloquear alguém nas redes sociais, publicações de pessoas com as quais não concordamos, o fazemos não é verdade,  mas os parentes acabam sendo a única esfera na qual precisamos conviver e aprendermos a lidar com as diferenças gerando respeito e acolhimento ao diferente que não quer dizer melhor ou pior, apenas diferente. O interessante é que a família nos tira da bolha e forja em nós virtudes como respeito, tolerância, acolhimento e o mais fecundo que é o amor. A Bíblia fala que o rei Xerxes amou Ester mais do que a todas outras. O que será que ela tinha de tão especial? Será que era a sua postura, a sua educação, a sua fé, o seu equilíbrio emocional,  a sua inteligência, a sua beleza ou até mesmo o seu Deus que cuidava de cada detalhe de sua vida? E você o que te faz ser uma mulher, particular, única e irresistível? Te convido agora a pegar a caneta e fazer uma autoavaliação das qualidades e virtudes que você já tem em si e aquelas em que você precisa crescer?

 

  Huanna Cruz – CN

A sabedoria da mulher temente a Deus

 Enganosa é a graça e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. (Provérbios 31.30)

Na bíblia, temos exemplos de muitas mulheres que ao longo da história, foram tementes a Deus. Por exemplo, em 1 Samuel, 25 que relata Abigail, que foi a esposa de um homem rico e malvado chamado Nabal. Mas Abigail era sensata e humilde, além de ser muito bonita tanto física como espiritualmente. Narra a Sagrada Escritura que Abigail agindo com sabedoria e discernimento, evitou que uma tragédia acontecesse. Uma outra personagem que mostra a sabedoria de uma mulher temente a Deus é a jovem sulamita, que era uma linda jovem camponesa que foi personagem principal do livro bíblico O Cântico de Salomão. A Bíblia não revela o nome dela, dando assim a possibilidade de todas as mulheres se colocarem em seu lugar. Uma das características ou até mesmo virtude que traduz a jovem sulamita é a lealdade, ela  se manteve leal ao jovem pastor que ela amava. (Cântico de Salomão 2,16) Como era muito bonita, ela chamou a atenção do rico rei Salomão, que tentou conquistá-la. (Cântico de Salomão 7,6) É muito comum a beleza atrair a muitos, pois a alma humana deseja contemplar o que é belo.  

O interessante é que muitos a incentivaram escolher o rei Salomão mas,  ela se recusou a fazer isso, pois ela amava o humilde pastor e foi leal a ele. — Cântico de Salomão 3,5; 7,10; 8,6. Atualmente, em um mundo cheio de interesses como é difícil se deparar com mulheres que sejam leais a sua própria dignidade de mulher.  Uma outra personagem é Débora, que foi uma profetisa que o Deus de Israel, Jeová, usou para revelar qual era a vontade dele em assuntos relacionados ao Seu povo. Deus também a usou para resolver problemas que existiam entre os israelitas. — (Juízes 4:4, 5). Ela corajosamente apoiou o povo de Deus. Seguindo a orientação Dele, ela convocou Baraque para liderar o exército israelita numa guerra contra os cananeus. (Juízes 4:6, 7) Quando Baraque pediu que Débora fosse junto com ele para a batalha, ela teve coragem e aceitou prontamente. — (Juízes 4:8, 9). Depois de Deus dar a vitória aos israelitas, Débora compôs pelo menos parte do cântico que ela e Baraque cantaram sobre o que tinha acontecido. Nesse cântico, ela fala do que Jael, outra mulher corajosa, fez para ajudar a derrotar os cananeus. — (Juízes, capítulo 5). 

A partir da vida de Débora, aprendemos a sermos corajosas, pois ela estava disposta a se sacrificar pelos outros. Ela encorajou outros a obedecer a Deus. E, quando eles fizeram isso, ela os elogiou pelo que tinham feito. É isso o que Deus espera de nós mulheres.  Podemos ressaltar também Jael que era a esposa de Héber, um homem que não era israelita. Ela corajosamente ajudou o povo de Deus. Ela agiu com firmeza quando Sísera, chefe do exército cananeu, chegou ao acampamento dela. Sísera tinha perdido a batalha contra Israel e agora estava fugindo em busca de abrigo. Jael o convidou para se esconder e descansar na sua tenda. Daí, enquanto ele dormia, Jael o matou. — (Juízes 4:17-21). O que Jael fez cumpriu uma profecia que Débora havia falado: “Será nas mãos de uma mulher que Jeová entregará Sísera.” (Juízes 4:9) Por causa do que fez, Jael foi elogiada como “a mais abençoada das mulheres”. — (Juízes 5:24). Como Jael teve iniciativa e agiu com coragem. A sua experiência mostra que Deus pode converter/ redirecionar situações para que suas profecias se cumpram. Diante dessas reflexões, podemos afirmar, que a mulher é um dom de Deus para a humanidade e quanto mais assumirmos essa verdade, mais eficazes seremos em nossa vida e integridade de ser mulher. São muitas as tarefas que enfrentamos durante o dia: servir a igreja quanto religiosa, ser missionária, evangelizar, trabalhar, estudar, cuidar da casa, dos filhos,  do marido e assim por diante. Como realizar tudo isso sendo presença de Deus nesses meios, onde quer que estejamos? Para que isso aconteça, é essencial ter uma vida de oração para ouvir os direcionamentos do Senhor e responder essa pergunta. A intimidade com Ele concederá à mulher as virtudes necessárias para ser uma extensão do seu amor em tudo que ela for realizar como foram as mulheres citadas, que se destacaram na Bíblia entre tantas outras. 

A mulher de Deus não toma nenhuma atitude antes de adentrar em intimidade com Deus. A mulher de Deus, sempre pergunta ao Senhor, o que devo fazer? Qual atitude devo tomar? Como agir? Qual resposta devo dar? Como devo me arrumar? Como cuidar do meu corpo como templo de Deus? Como devo educar meus filhos? Como ser uma boa esposa?  Ester, agia  assim instruída por Deus, foi dessa forma, que após ter feito jejum de 3 dias e ter adentrado em intimidade com Deus, que ela foi à presença do rei para interceder pela vida do seu povo.  O rei por sua vez estendeu para ela o seu cetro (cajado ou bastão). Mas o segredo de Ester, é que usou toda a sabedoria que Deus lhe deu: Não abordou diretamente o problema; executou sua estratégia por etapa: convidou o rei para assistir a um banquete e até este ponto nenhuma revelação especial fora feita ao rei por parte de Ester. A mulher de Deus, precisa esperar o tempo certo de agir, ela precisa ter uma escuta afinada a voz do seu Senhor.  

Sucedeu, pois, que, ao terceiro dia, Ester se vestiu de suas vestes reais e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte do aposento do rei; e o rei estava assentado sobre o seu trono real, na casa real, defronte da porta do aposento.  E sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester, que estava no pátio, ela alcançou graça aos seus olhos; e o rei apontou para Ester com o cetro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou e tocou a ponta do cetro.  Então, o rei lhe disse: Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará.  E disse Ester: Se bem parecer ao rei, venha o rei e Hamã hoje ao banquete que tenho preparado para o rei.  Então, disse o rei: Fazei apressar a Hamã, que cumpra o mandado de Ester. Vindo, pois, o rei e Hamã ao banquete, que Ester tinha preparado,  disse o rei a Ester, no banquete do vinho: Qual é a tua petição? E se te dará. E qual é o teu requerimento? E se fará, ainda até metade do reino.  Então, respondeu Ester e disse: Minha petição e requerimento é:  se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição e outorgar-me o meu requerimento, venha o rei com Hamã ao banquete que lhes hei de preparar, e amanhã farei conforme o mandado do rei. (ESTER 5, 1 – 8)

Depois de ter sido recebida pelo rei, Ester encheu-se de coragem, considerando que, se uma da regra tinha sido quebrada, outras tantas também poderiam ser, com a ajuda de Deus. Convidou-o para um banquete e ele o aceitou. Ester estava aguardando o momento certo para apontar o conspirador e pedir a anulação do decreto. Será que Ester deveria contar tudo ao rei na frente de sua corte? Fazer isso poderia humilhá-lo e dar tempo para seu conselheiro Hamã questionar as acusações dela. Assim, o que Ester fez? Séculos antes, o sábio Rei Salomão escreveu sob inspiração.

Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir. Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar. Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar.(Ecl. 3:1, 7

Podemos imaginar o pai adotivo de Ester, o fiel Mordecai, ensinando à jovem esses princípios à medida que ela crescia. Com certeza, Ester sabia da importância de escolher com cuidado o “tempo para falar”. Ester disse: “Se parecer bem ao rei, venha o rei com Hamã hoje ao banquete que preparei para ele.” (Ester 5:4) O rei concordou e mandou avisar Hamã. Consegue perceber como Ester escolheu sabiamente as palavras? Ela preservou a dignidade de seu marido e criou uma oportunidade mais adequada para revelar suas preocupações. 

Naturalmente a mulher tem uma tendência de agir por impulso. Quando pensamos em tomada de decisão, precisamos ter em mente qual é o resultado que esperamos obter ao agir de uma ou outra maneira. No entanto, existem momentos em que somos regidas pelas emoções, agindo por impulso e não levando em consideração as consequências dos nossos atos. Agir sem pensar, é deixar a emoção falar mais alto, mais forte e de modo desgovernado. Quem vive realizando ações no famoso “piloto automático” está, muitas vezes, a mercê da repetição de padrão, até mesmo agora, quero te convidar a refletir sobre o ditado popular: toda ação tem uma reação. Esse ditado tem sua origem na terceira lei de Newton, conhecida como lei da ação e reação, afirma que, para toda força de ação que é aplicada a um corpo, surge uma força de reação em um corpo diferente. Essa força de reação tem a mesma intensidade da força de ação e atua na mesma direção, mas com sentido oposto. Na vida da mulher temente a Deus, não pode ser assim, ela precisa ser uma mulher sábia. Os hábitos ou maus hábitos não podem passar a dominar a nossa mente, nos deixando crenças negativas se tornarem realidade inúmeras vezes e ainda falar com orgulho, comigo é assim, toda ação tem uma reação. Quem age dessa maneira não tem liberdade para novos resultados. É como se estivesse preso numa bolha negativa de vivências. Normalmente, nosso agir por impulso se dá na tomada de decisão, mediante a realidade adversa, mas é nossa hora, nos momentos de adversidade que eu e você, precisamos adentrar em intimidade com o nosso Senhor e receber D’Ele a orientação de como devemos agir mediante as dores, tribulações, humilhações, tempestades, adversidades, traições, dificuldades entre tantas realidades que nós mulheres somos desafiadas a vivermos. A mulher de Deus não age por impulso, ela age a partir da instrução e intuição divina. Pois algo interessante é que o coração de uma mulher de Deus, sempre gera vida e que exerce uma grande influência por onde passa, direta ou indiretamente, a mulher tem essa capacidade de gerar vida onde outrora era morte, dor, adversidade, traição… O triste é quando a mulher por falta de uma experiência com Deus não usa essa capacidade de transcendência e acaba por falta de fecundidade de gerar vida, fica querendo controlá-la, controlar seus filhos, seu marido e as coisas que estão em sua volta. A mulher de Deus, ela tem aquele jogo de cintura para fecundar os ambientes e situações de deserto, isso não por sua força, mas pela graça de Deus.

Por meio da fé, a própria Sara recebeu poder para gerar filhos, ainda que estéril e avançada em idade, porque considerou fidedigno Aquele que lhe havia feito a promessa. ( Hb 11, 11)

 

Sara realmente deu à luz um filho prometido. Chamou Abraão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, Isaque. Pela fé, Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz uma criança, quando se achava fora da idade. Como na vida de Sara, aquilo é estéril em nossa vida pode se tornar fértil. Você acredita nisso?  Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis, basta apenas confiar. Vale a pena ser uma mulher temente a Deus. 

Huanna Cruz – CN

A intervenção de Deus na vida do povo Judeu

Deus usa um judeu para salvar o rei. Deus faz o ímpio honrar o justo. Assim, podemos perceber que Deus não precisa bradar para mostrar o seu agir. Ele apenas age, e agindo Ele quem impedirá? (Isaías 43.13)

Comecei este capítulo com a passagem de Isaías, para dizer que Deus faz o que Ele quer e a hora que Ele quer, agindo Deus, ninguém pode impedir, diante disso Ele usa de pessoas para os seus propósitos. Precisamos crer que Deus tem planos eternos para cada um de nós, e não nos desampara, nem desamparará. Ele promete e cumpri seus propósitos de levar a bom termo tudo o que Ele mesmo planejou. Ester foi feita rainha para aquele propósito, o de salvar o povo de Deus. Ela não estava ali para “ser feliz”, ou ser um exemplo que os mais simples podem também vencer na vida, ou mudar de posição social, ou tão pouco adquirir status . Não. Deus tinha um propósito especial para aquela jovem mulher judia, pobre e órfã, assim também, tem um propósito singular para a minha e a sua vida. 

Para poder realizar a intervenção, Ester precisou agir com fé, sabedoria e coragem. A jovem mulher judia teve que deixar de lado, o medo, a insegurança e teve que dar um passo na fé por amor a Deus e ao seu povo, arriscando assim a sua própria vida. Depois de súplicas, orações e jejum é chegado o dia de se apresentar ao Rei, sem ser chamada. A Lei real, era muito clara ao afirmar que uma pessoa não poderia entrar na presença do Rei sem ser solicitada a sua presença, chegando a ser decretado a morte da pessoa que entrasse na presença do rei sem ser convidada ao menos que o rei levantasse o cetro em favor daquela pessoa.

Podemos imaginar a cena, segundo o que está escrito na bíblia. Ester se aproximando pouco a pouco do trono, possivelmente com o coração muito acelerado, mãos geladas e corpo trêmulo, mas confiante no Senhor, tendo em vista que se vivemos é para a glória do Senhor e se morremos também é para a glória D’Ele. Naquele momento, podemos imaginar o silêncio que pairou sobre a grandiosa corte real do Palácio Persa em Susã, um silêncio tão profundo que Ester podia ouvir sua respiração e seu caminhar. A imponência da corte real, a beleza das colunas e o deslumbrante teto esculpido feito de cedros importados do distante Líbano, chamava a atenção, principalmente por olhar a soberania da realeza e a sua pequenez quanto serva de Deus. Com o coração firmado em Deus e consciente da missão, ela concentrou toda a sua atenção no rei, o homem que tinha a vida e a morte dela e do seu povo em suas mãos. Por um outro lado, enquanto Ester aproximava-se, o rei a observava atentamente e um misto de sentimentos penetrava o seu interior, tendo ele levantado os seus olhos e vendo-a num primeiro momento, diz a palavra, que ele pensou em matá-la, falando em bom tom ameaçador: “Quem ousou entrar na presença real sem ter sido convocado?”. Diante dessa frase, Ester estremeceu e desmaiou, neste momento o Deus dos judeus, o Senhor de toda a criação, mudou o contexto e o rei ao olhá-la com calma para Ester, seu coração se alegrou ao ver resplandecer tanta beleza de corpo e alma, a mansidão pairou no coração do rei que estendeu o  cetro de ouro que o tinha em mãos. Foi um gesto simples, mas significou a vida de Ester, pois indicava que o rei a tinha perdoado pela violação que ela havia acabado de cometer: entrar na presença do rei sem ter sido convocada.

 Ao chegar perto do trono, Ester estendeu a mão e tocou a ponta do cetro, cheia de gratidão e alívio, em seguida desmaiou novamente, o rei envolvido por tanta compaixão, lhe pergunta o que ela quer e mesmo que fosse a metade do seu reino ele o daria. Naquele momento, não é relatado no livro, mas aconteceu uma outra intervenção divina, o Senhor concedeu a Ester a graça da Sabedoria, pois aquele não era o momento de fazer o seu pedido e diante disso ela fala ao rei: Senhor, se for possível, do agrado do rei, peço-te que venhas hoje e Amã contigo, para o banquete que preparei, e diz a palavra, que imediatamente o rei determinou que Amã fosse chamado para que se cumprisse o desejo da rainha Ester. Esse detalhe de ser amigo do tempo se faz muito presente no livro de Ester. O fato é que Ester não deveria contar tudo ao rei na frente de sua corte, pois tal realidade poderia aparentar uma humilhação para rei, diante da sua corte e ainda dar tempo ao seu conselheiro Amã de questionar as acusações dela contra ele. A atitude de Ester, foi de uma mulher sábia e prudente, em resumo ela foi amiga do tempo, como somos todos nós convidados a sermos amigos do tempo e viver os conselhos de Eclesiásticos:  “Para tudo há um tempo determinado, . . . tempo para ficar quieto e tempo para falar.” (Ecl. 3, 1- 7). Ester foi uma mulher sábia que  sabia da importância de escolher com cuidado o “tempo para falar”, isso é prudência. E você, você se considera uma pessoa prudente? 

A Prudência nada mais é do que a característica de quem se comporta de maneira a evitar os perigos ou consequências ruins. É próprio  de quem é prudente, a precaução. Na pessoa prudente há sensatez;  a pessoa age com paciência; ponderação e muita calma. Quantas situações adversas poderiam ser resolvidas se de fato vivêssemos concretamente a virtude da prudência. Além da prudência, Ester escolheu muito bem as palavras ao falar com Rei, nos mostrando que devemos escolher muito bem as palavras para os nossos relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais, já em relação ao banquete, Ester esteve atenta a todos os detalhes. Como uma mulher prendada e bem educada, Ester preparou aquele banquete com todo o cuidado, certificando-se de que as preferências de seu marido fossem atendidas em todos os detalhes. O banquete agradou tanto ao rei Xerxes que se sentiu extremamente feliz e servido, chegando ao ponto de estar motivado e perguntar novamente a Ester, qual era o seu pedido. Mas como muita prudência e discernimento, ela sentiu que ainda não era o momento, sendo assim, ela convidou o rei e Amã para um segundo banquete, no dia seguinte. O fato é que ela não estava enrolando, mas em oração discernindo o melhor momento para intervir pela sua vida e pela vida do seu povo. O fato é que o povo de Ester estava sob ameaça de morte por causa do decreto real, escrito a mando de Amã. Com tanta coisa em jogo, Ester precisava escolher a hora certa para falar, fazer a sua súplica por sua vida e a vida do seu povo. Portanto, ela esperou, toda espera fecunda gera frutos de salvação, criando uma nova oportunidade para mostrar a seu marido o quanto o respeitava e apreciava. 

O interessante é que embora Ester estivesse aflita e ansiosa para falar, como toda e qualquer mulher estaria, ela foi paciente e esperou o momento certo. Quantas coisas poderiam ser mais simples, se eu e você esperássemos o momento certo para agir. A paciência é uma qualidade muito rara e valiosa, mas se você ainda não tem essa qualidade, peça ao Espírito Santo o dom da paciência, pois com paciência conseguimos vencer muitas batalhas, se você vive batalhas em sua vida familiar ou profissional, tenha paciência, peça a Deus a graça de ter palavras ajustadas, de agir com prudência e com paciência esperar o tempo de Deus, a hora em que cada coisa irá ocupar o seu devido lugar.    Podemos aprender muito com o exemplo de Ester, pois com certeza todos nós vemos coisas erradas que precisam ser corrigidas, mas posso te falar um segredo: existe um tempo para cada coisa. Se quisermos convencer alguém em autoridade a resolver um problema, precisamos imitar Ester e ser pacientes. Nas sagradas escrituras em (Provérbios – 25,15) diz: “Com muita paciência pode se convencer a autoridade, e a língua branda quebra até ossos.” Se esperarmos pacientemente o momento certo e falarmos com brandura, assim como Ester fez, podemos obter a vitória, que não é temporal (humana), mas atemporal (divina). A paciência de Ester, unida a ação e intervenção divina, preparou o caminho para uma impressionante sequência de eventos. Amã saiu do banquete todo animado, por acreditar que o rei e rainha tinham muita consideração por ele. Contudo, ao passar pelo portão do castelo, ele viu Mardoqueu, o judeu que continuava a se recusar a se inclinar a ele em respeito e homenagem por ele ser o segundo homem mais poderoso do reinado de Xerxes. Para uma melhor compreensão é importante ressaltar que Mardoque não fazia isso por desrespeito, mas sim por causa de sua consciência e crença, pois como um bom judeu, a sua adoração e inclinação era apenas para o seu Deus. A situação mexeu tanto com Amã que ele chegou em casa falando tudo para a sua esposa, que não era uma mulher sábia e nem de bom coração, que infelizmente o incentivou  a mandar construir uma enorme estaca com mais de 20 metros de altura e a pedir permissão ao rei para pendurar Mardoqueu nela. Amã ficou muito feliz com a ideia e imediatamente colocou o plano em ação. Nesse intervalo de tempo, o rei teve uma noite incomum, sem dúvida uma outra intervenção divina. 

A Bíblia diz que o rei perdeu o sono e, por isso, ordenou que os registros oficiais do império fossem lidos em voz alta. A leitura incluía um relatório sobre uma trama para o assassinar. Imediatamente, ele se lembrou do fato, seus sentimentos e lembranças foram atualizadas referente ao fato, os que queriam matá-lo foram capturados e executados. Mas nada tinha sido feito para honra, aquele que tivera denunciado o fato em favor da vida do rei. Por ironia do destino, o rei perguntou a Amã o que ele deveria fazer em favor de alguém que ele quisesse honrar, Amã por sua vez que tinha ido ao palácio para pedir a permissão de matar Mardoqueu, deu a ideia ao rei de uma homenagem cheia de pompa, a pessoa deveria vestir-se com vestes reais e o rei deveria designar um alto funcionário para acompanhá-lo num desfile por Susã no próprio cavalo do rei, aclamando-o diante de todos. Amã deu essa sugestão, pois pensava que ele seria essa pessoa que receberia toda a honra e pompa, mas o rei confia a Amã este serviço e revela que o homem que ele quer homenagear é Mardoqueu, o homem que Amã tanto deseja matar. Imagino, Amã falando e anunciando em toda Susã a seguinte frase: É assim que são tratados aqueles que o rei deseja exaltar e ainda imagino o mais profundo furor que devia estar em seu coração neste momento. 

 

A respeito do pedido de intervenção de Ester, a bíblia relata:

O rei e Amã foram, pois, ao banquete de Ester. No segundo dia, bebendo vinho, disse ainda o rei a Ester: “Qual é teu pedido, rainha Ester? Será atendido. Que é que desejas? Ainda que me peças metade do reino, te será concedido!”. A rainha respondeu: “Se achei graça a teus olhos, ó rei, e se ao rei lhe parecer bem, concede-me a vida – eis o meu pedido; salva meu povo – eis o meu desejo. Fomos votados eu e meu povo, ao extermínio, à morte, ao aniquilamento. Se tivéssemos sido vendidos como escravos eu me calaria, mas eis que agora o opressor não poderia compensar o prejuízo que causa ao mesmo rei”. “Quem é – replicou o rei –, e onde está quem maquina tal projeto em seu coração?” “O opressor, o inimigo – disse a rainha – é Amã – eis aí o infame!” Amã ficou aterrorizado diante do rei e da rainha. O rei, aceso em cólera, levantou-se e deixou o banquete, dirigindo-se ao jardim do palácio, ao passo que Amã permanecia ali, para implorar a Ester o perdão de sua vida, porque via bem que no espírito do rei estava decretada sua perda. Quando o rei voltou do jardim do palácio para a sala do banquete, viu Amã que se tinha deixado cair sobre o divã em que repousava Ester: “Como!” – exclamou. “Ei-lo que quer fazer violência à rainha em minha casa em meu palácio!” Mal tinha saído essa palavra da boca do rei, quando cobriram a face de Amã. Har­bona, um dos eunucos, disse ao rei: “A forca preparada por Amã para Mardoqueu, cuja denúncia em favor do rei tinha sido tão salutar, acha-se levantada na casa de Amã, altura de cinquenta côvados”. “Que o suspendam nela!” – exclamou o rei. E suspenderam Amã na forca que tinha preparado para Mardoqueu. Isso acalmou a cólera do rei.” (ESTER 7, 1 – 10)

Vimos que Ester foi paciente e esperou a hora de Deus para apresentar seu pedido ao rei. E que a maldade se derrota sozinha, foi assim que Amã sem perceber arquitetou a sua própria destruição. Não é de se admirar que a Bíblia nos incentiva a termos “uma atitude de espera”. Não tenha dúvidas, quando esperamos por Deus, por ação e intervenção, descobrimos que suas soluções para os nossos problemas são muito melhores do que qualquer solução que nós mesmos podemos encontrar ou planejar. 

Huanna Cruz – CN

Jejum e oração no Livro de Ester

 

“Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.” (Mateus 6:16-18)

 

Na vida de um cristão e no seu relacionamento com Deus, o jejum e a oração são duas práticas essenciais, essas práticas revela duas características que favorece o processo de santificação que é a intimidade com Deus e o auto-controle. 

Orar nada mais é do que conversar com Deus, entrar em intimidade com Deus. É impossível ter intimidade com uma pessoa se não passamos tempo falando com ela, se não a buscamos conhecer. Essa busca de intimidade com Deus, não interfere em nada naquilo que Deus é, Ele é e isso basta, Deus é imutável, a busca de intimidade com Deus, só favorece a própria pessoa, pois a medida que buscamos nos relacionarmos com Deus, nós crescemos na intimidade com Ele, mas se não separamos tempo todos os dias para falar com Deus, o nosso relacionamento com Ele vai esfriando. 

É igual ao fato em que  duas pessoas eram muito amigas, mas ao decorrer as pessoas não foram conversando, foram fazendo outras amizades e com o passar do tempo elas não se relacionavam mais e até mesmo não se conheciam mais e perderam a intimidade, quem sabe até o amor e a admiração que tinham um pelo outro. É assim também em nosso relacionamento com Deus, a diferença é que Deus nos ama e está sempre disposto a nos perdoar, restaurar e recomeçar, mas o nosso coração frágil e pecador, tem a tendência de não amar o amor e por isso muitas vezes, o amor que é o próprio Deus, não é amado.

O Ato de jejuar significa muito mais do que deixar de comer e ou beber durante um determinado período de tempo enquanto se busca a presença de Deus. O jejum na bíblia,  está associado a uma unção especial do poder de Deus na vida de quem jejua, diante de um propósito salvífico. É claro que o  jejum não muda Deus (porque Deus é imutável, sempre bom, fiel, justo e amoroso), mas muda quem jejua, trabalhando a fé o temor a Deus, a esperança e o autocontrole na vida de quem realiza essa prática de fé. No Livro de Ester na Bíblia Sagrada, encontramos o jejum de Ester, que foi um jejum de três dias que Ester e todos os judeus da cidade de Susã realizaram. Ela fez esse jejum para se preparar para entrar na presença do Rei e pedir a intervenção na vida dos judeus. 

Ester tinha ciência que ao entrar na presença do rei, sem ser convidada a faria correr risco de vida mas, se não fizesse nada, todo seu povo iria morrer e como Mardoqueu a faz relembrar que talvez Deus a tenha permitido viver essa experiência, justamente para esse propósito. Toda posição e situação que acontece em nossa vida, pode ser utilizada como ferramenta para um bem maior. O jejum de Ester foi um jejum muito radical, que só deve ser feito, no máximo, por três dias. Pois ficar mais tempo sem comer e nem beber é muito perigoso para a saúde. 

A situação de Ester era muito grave, e pedia medidas drásticas. Sendo judia, Ester  jejuava. Ela  acreditava que a partir do jejum Deus a ia instruir de como agir com sabedoria para a salvação do seu povo. O interessante é que quando Ester decidiu jejuar, ela convocou todos os judeus de sua cidade para se unirem a ela nesse propósito. Diante desse contexto, Ester, suas criadas, Mardoqueu e todos os judeus de Susã passaram três dias sem comer nem beber nada (Ester 4:15-17). 

A  situação em Ester se encontrava, era uma situação desesperadora! Mesmo que ela salvasse sua vida e o rei aceitasse seu pedido, os decretos com o selo real continuariam irrevogáveis; o próprio rei não poderia anulá-los. Quão pequena era a possibilidade de sucesso do seu sacrifício. No entanto, ela não tinha muita escolha. A Bíblia relata que Ester decidiu não abandonar seu povo nesse momento de aflição e que ia se sacrificar se preciso para tentar salvar o seu povo. Em Susã, Mardoqueu reuniu as crianças judias. Todos se vestiram com sacos e cinzas por sobre a cabeça e gritavam, rezavam dia e noite para que Deus tivesse compaixão de suas vidas. 

O jejum de Ester foi uma forma dela mostrar sua dependência total de Deus, como o reconhecimento de Deus era o único que de fato poderia salvar a sua vida e a vida do seu povo. Na Bíblia o jejum não aparece como um mandamento, mas é assumido como uma prática cristã, e este por sua vez, deve ser voltado para Deus, não para o reconhecimento próprio ou dos outros. Assim como fez Davi ao lutar com o Golias, Ester se apresentou iria se apresentar ao rei, interessante é que na história de Davi, que encontramos na Bíblia Sagrada no livro de Samuel, Golias era o guerreiro ideal, com todo o equipamento mais avançado da época. Já Davi, era um pastor de ovelhas. 

Segundo os escritos Davi era ruivo, de belos olhos, saudável e admirável aparência, porém sem porte de um guerreiro. Diante desse contexto, podemos afirmar que humanamente seria impossível para Davi vencer o Golias. E tinha mais, a Sagrada Escritura afirma, que Golias tinha quase três metros de altura, considerado um gigante em comparação aos outros. A sua armadura era muito pesada cobria quase todos os pontos fracos e ele estava armado com uma lança, um dardo e uma espada. Seu equipamento era feito de bronze, um metal muito bom para criar armas e que pouca gente sabia usar nessa altura, já Davi decidiu levar apenas seu cajado, cinco pedras lisas e sua atiradeira. Sem proteção nenhuma, Davi foi enfrentar o gigante. Na verdade a confiança de Davi não estava nas armaduras, em si ou nas pessoas, sua confiança estava em Deus e vamos ser bem sinceros… Agindo Deus, quem impedirá? 

Ester não tinha a garantia do bom êxito em relação a intervenção que pretendia fazer, mas ela tinha fé em Deus e amor pelo seu povo e isso foi o suficiente para ela se ofertar em favor do seu povo e o Senhor que não se deixa vencer em generosidade, acolheu a sua oferta, o seu sacrifício e a sua oração. O jejum de Ester foi uma forma de mostrar dependência total em Deus, o único que poderia salvar sua vida. E o seu jejum, o que tem sido? 

 

Oração de Ester

 

Meu Senhor, nosso único Rei, vinde socorrer-me, porque estou só e não tenho outro auxílio senão Vós 
e corre perigo a minha vida. Desde criança, ouvi dizer na minha tribo paterna que Vós, Senhor, escolhestes Israel entre todos os povos e os nossos pais entre os seus antepassados, para serem a vossa herança perpétua, e cumpristes tudo o que lhes tínheis prometido.
 Lembrai-Vos de nós, Senhor, e manifestai-Vos no dia da nossa tribulação. Fortalecei-me, Rei dos deuses e Senhor dos poderosos. 
Ponde em meus lábios palavras harmoniosas, quando estiver na presença do leão, e mudai o seu coração, para que deteste o nosso inimigo e o arruíne com todos os seus cúmplices. 
Livrai-nos com a vossa mão; vinde socorrer-me no meu abandono, porque não tenho ninguém senão Vós, Senhor. ‪(Livro de Ester ‪14,1.3-5.12-14)

 

Muitas vezes recorremos a Deus com palavras de súplica, porque assumimos que estamos impotentes perante os problemas da nossa vida e que só Deus pode intervir no que nos é impossível. Quantos leões nos cercam, prontos a derrubar-nos! A rainha Ester tinha todas as riquezas que o mundo pode dar, mas era infeliz porque não tinha “nada”, por isso recorreu a Deus e Ele ouviu o seu grito.

Agora quero te convidar a adentrar nos átrios da tua existência e se permitir escrever a tua oração ao Senhor, aquela que brota no mais profundo de tua alma. Já pegou a folha e a caneta?!

Huanna Cruz – CN

O Propósito de Deus na vida da Rainha Ester

De onde vem o propósito de vida de uma pessoa, vem do mero acaso, como se fosse sorte, ou vem de um chamado de Deus, assinando para cada um de nós, a nos guiar.  Ao pensar em cada um de nós, Deus nos deu uma missão; a de o glorificarmos com a nossa vida. Muito se fala da história de Hadassa, uma pequena judia que se tornou rainha no lugar de Vasti, ou melhor, Deus fez Ester rainha no lugar de Vasti, por causa da missão de salvar o povo judeu da aniquilação, ou seja, Deus providenciou o socorro para Israel, que estava condenada à morte. Tudo isso aconteceu, pelo fato que um homem chamado Hamã obteve destaque na corte de Assuero, ou seja, o rei  Assuero o nomeou primeiro-ministro, esta nomeação, fazia de Hamã seu principal conselheiro e o segundo homem mais poderoso do seu império. O rei até decretou, que quem visse Hamã, o alto funcionário real, deveria se curvar diante dele. Mas para Mardoqueu, essa lei era um dilema, pois ele sabia que devia obedecer ao rei, porém só quando isso não envolvesse desobedecer a Deus. O problema é que Hamã era agagita, isto é, ele era descendente de Agague, o rei amalequita executado pelo profeta Samuel. Os amalequitas eram tão maus que se declararam inimigos do povo de Deus, consequentemente, inimigos de Deus. Como povo, estes, eram condenados por Deus. Diante deste contexto, Mardoqueu se questionava, como é que um judeu fiel poderia se curvar diante de um amalequita, certamente, o mesmo nunca faria isso. E de fato, ele manteve sua crença e nunca o fez. Até hoje, homens e mulheres de fé têm arriscado a vida para cumprir o princípio, de se obedecer e ser fiel a Deus, mais que aos homens, podemos refletir tal realidade na vida dos cristãos que são mortos na Síria, por não se converterem ao islamismo, ou seja, ainda existem homens que preferem morrer ao trair a sua fé.  

Hamã vendo que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante dele, ele se encheu de furor, contudo deteve a ideia de seus propósitos de pôr as mãos só em Mardoqueu, como ele sabia a qual povo Mardoqueu pertencia, Hamã procurou destruir a todos os judeus, o povo de Mardoqueu, que havia em todo o reino de Assuero. Este fato, parece ser  evidentemente uma loucura,  o fato de Hamã querer destruir toda uma nação por causa de um homem que não se curvou diante dele, diante deste fato, somos convidados a termos uma percepção do sobrenatural deste fato, uma vez que o grande reino de Assuero, no qual Hamã era o segundo homem mais importante, se estendia da Índia até Etiópia, diante deste contexto, podemos entender que nenhum Judeu sobreviveria se Hamã cumprisse suas ameaças, e se isto acontecesse, como é que nasceria o Cristo, uma vez que Deus tinha prometido inicialmente à Abraão e a Davi, que de seu povo sairia o Cristo. Podemos concluir que o plano de Hamã não era apenas uma maldade humana, mas sim algo diábolico, fica muito claro que era o mal atuando por meio de Hamã, tentando anular a vinda do Cristo, para que assim a salvação não entrasse no mundo. Entendamos, que Hamã (Amã) é a caricatura do mal, pois planeja a aniquilação do povo judeu, e ainda manipula o rei a apoiá-lo em seus planos diabólicos.

Relata o livro:

Decreto de extermínio dos judeus – No duodécimo ano de Assuero, no primeiro mês, que é o mês de Nisã, sob os olhos de Amã, lançou-se o “Pur” (isto é, as sortes), por dia e por mês. A sorte caiu no décimo segundo mês, que é Adar. Amã disse ao rei assuero: “No meio dos povos, em todas as províncias de teu reino, está espalhado um povo à parte. Suas leis não se parecem com as de nenhum outro e as leis reais são para eles letra morta. Os interesses do rei não permitem deixá-lo tranquilo. Que se decrete, pois, sua morte, se bem parecer ao rei, e versarei aos seus funcionários, na conta do Tesouro Real, dez mil talentos de prata.” O rei tirou então o seu anel da mão e o deu a Amã, filho de Amadates, do país de Agag, perseguidor dos judeus, e lhe disse: “Conserva teu dinheiro. Quanto a este povo, é teu: faze dele o que quiseres!”  Dirigiu-se, pois, uma convocação aos escribas reais para o dia treze do primeiro mês, e escreveu-se tudo o que Amã ordenara aos sátrapas do rei, aos governadores de cada província e a língua de cada povo. O rescrito foi assinado em nome de Assuero e selado com seu anel. Através de correios, foram enviadas a todas as províncias do reino cartas mandando destruir, matar e exterminar todos os judeus, desde os adolescentes até os velhos, inclusive crianças e mulheres, num só dia, no dia treze do décimo segundo mês, que é Adar, e mandando confiscar os seus bens. (Ester 3, 7-13)

Confira o que estava escrito no decreto de extermínio, segundo a Bíblia de Jerusalém:

“ O grande Rei  Assuero, aos governadores das cento e vinte e sete províncias que vão da Índia à Etiópia, e aos chefes de distrito, seus subordinados: colocado na chefia de inúmeros povos e como senhor de toda a terra, eu me propus não me deixar embriagar pelo orgulho do poder e sempre torgar a meus subordinados o perfeito gozo de uma existência sem sobressaltos, e já que meu reino oferece os benefícios da civilização e a livre circulação entre suas fronteiras, nele instaurar o objeto do desejo universal, que é a paz. Ora, tendo ouvido meu conselho sobre os meios de atingir esse fim, um dos meus conselheiros, cuja sabedoria entre nós é eminente, dando provas de indefectível devotamento e inquebrantável fidelidade, e cujas prerrogativas vêm imediatamente após as nossas, Amã denunciou-nos, misturado a todos as tribos do mundo, um povo mal-intencionado, em oposição, por suas leis, a todas as nações, e constantemente desprezando as ordens reais, a ponto de ser um obstáculo ao governo que exercemos para a satisfação geral. Considerando, pois, que o referido povo, único em seu gênero, acha-se sob todos os aspectos em conflito com toda a humanidade; que dela difere por um regime de leis estranhas; que é hostil aos nossos interesses e que comete os piores delitos, chegando a ameaçar a estabilidade de nosso reino: por esses motivos, ordenamos que todas as pessoas que vos forem assinaladas nas cartas de Amã, preposto às tarefas de nossos interesses e para nós um segundo pai, sejam   radicalmente exterminadas, inclusive mulheres e crianças, pela espada de seus inimigos, sem piedade ou consideração alguma, no décimo quarto dia do décimo segundo mês, isto é, Adar, do presente ano, a fim de que , uma vez lançados esses opositores de hoje e de ontem no Hades num só dia, sejam asseguradas doravante ao Estado estabilidade e tranquilidade.” (Ester 3, 13 )

Ao lermos este decreto, nos deparamos com as más inclinações da natureza humana.O orgulho, a arrogância e o autoritarismo, que se apresentam de formas tão naturais em algumas pessoas, como más inclinações, aqui chegam ao ponto extremo, transformando-se em ódio a ponto de haver todo um trabalho arquitetado para atingir o objeto de seu ódio: matar o povo judeu, a raça eleita. Neste ponto, podemos nos questionarmos: “Por que os judeus são tão odiados no decorrer dos tempos chegando isso até o Nazismo na Segunda Guerra Mundial?” 

O fato é que este foi um decreto diábolicos, com objetivo de acabar com o projeto de Deus de salvar toda a humanidade, por meio do seu Filho Jesus. Este decreto que havia ordens reais de ser espalhado pelo reinado de Xerxes, espalhou confusão e o medo entre os judeus do  reino e burburinhos e ansiedade por parte de muitos, que discretamente também desejavam que o dia do extermínio chegasse e que os judeus finalmente fossem mortos! Muitos receberam aquele decreto com alegria e júbilo, já outros com medo e pavor. Para os judeus o sofrimento de ver que a cada dia que passava eles teoricamente teriam um dia a menos de vida, os deixavam desesperados.

Ainda hoje, muitos planos são rigorosamente feitos e detalhados no inferno para que todos possamos morrer os cristãos possam morrer se não no corpo, na alma… E em meio a tudo isso decretos de morte com a data marcada são emitidos nos tribunais infernais contra os servos do Senhor, seja a ruína do teu matrimônio, da vida do teu filho(a), teus pais, parentes, amigos ou até mesmo a tua. Não podemos perder de vista que a nossa luta é contra as forças malignas e não contra o próximo que pode estar sendo influenciado pela maldade em sua natureza ou pelo próprio maligno. O adversário marcou o dia em que ele gostaria de nos matar e até já preparou o plano e cuidadosamente posicionou as pessoas que serão utilizadas para que isso ocorra, mas eu tenho um segredo para te falar, que já fora dito por São Miguel Arcanjo em lutas passadas tão atuais: Quem como Deus?

Diante de uma guerra, algo precisa ser feito. É necessária uma intervenção direta na fonte, que era o rei Xerxes, por meio de Deus que é o todo Poderoso, o Onisciente e o Soberano.

Huanna Cruz – CN

A providência de Deus na vida da Rainha Ester

O Livro de Ester é um dos mais belos relatos da Bíblia, onde o cenário nos coloca fora da Palestina, mais precisamente em Susã (situada a 320 quilômetros a leste de Babilônia, Susã era capital da antiga Elão, Susiana), capital dos Aquemênidas, local onde reina Assuero, nome hebraico de Xerxes rei dos medos e dos persas (486-465 a.C.). Não se sabe ao certo quem escreveu o Livro de Ester, algumas provas intrínsecas possibilitam fazer algumas inferências a respeito do autor e a data da composição. Diante dos escritos, fica claro que o autor era judeu, tanto pelo realce que confere à origem de uma festa judaica, quanto pelo nacionalismo judaico que permeia a história. O conhecimento que o autor tem dos costumes persas, os antecedentes históricos da cidade de Susã, a ausência de referência à terra de Judá, ou a Jerusalém, fazem crer que ele residia na cidade persa. A data mais recuada possível para o livro seria 460 a.C.. O interessante é que o autor do Livro de Ester faz hábil uso de tensões narrativas criadas pelas inversões ou pelos fortes contrastes de destino e de expectativa, gerando a constante presença das peripécias. 

Grelot (1975) relata que certamente o Livro de Ester é romanceado, apesar de seu contexto histórico. Suas finalidades seriam mostrar a libertação providencial de Israel e justificar a adoção pelos judeus da festa de Purim (ou das Sortes), fixada aos 14 de Adar. 

Diante de algumas leituras e pesquisas, podemos afirmar que, a Divina Providência, ou simplesmente Providência, é um termo teológico que se refere ao poder supremo,  ou intervenção de Deus sobre eventos na vida de pessoas por toda a história, ou seja, é a influência de Deus na vida do seu povo, onde Ele mesmo, decide o que irá acontecer no futuro, sendo assim, nada acontece sem que Deus permita. 

Ao falarmos a respeito da Divina Providência, é importante conhecermos a distinção que São Tomás de Aquino faz a respeito: 

“Duas coisas cabem à providência: a razão da ordem dos seres a quem ela provê, a um fim; e a execução dessa ordem, a que se chama governo. — Quanto à primeira, Deus, que tem no seu intelecto a razão de todos os seres, mesmo dos mínimos, a todos provê imediatamente. E pré-estabelecendo certas causas a certos efeitos, deu-lhes a virtude de os produzir. Logo, é necessário nele preexista a razão da ordem desses efeitos. — Quanto à segunda, a providência, que governa os inferiores pelos superiores, emprega certos seres médios; não por defeito do seu poder, mas pela abundância da sua bondade, que comunica a dignidade de causa, mesmo às criaturas.” (Suma Teológica, I, q. 22, a. 3)

O Catecismo da igreja católica no parágrafo 314, diz:

Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado (158) definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra. (Catecismo da Igreja Católica, 314)

Ainda no catecismo a respeito da divina Providência, no parágrafo 321, relata que a mesma, consiste nas disposições pelas quais Deus conduz, com sabedoria e amor, todas as criaturas, para o seu último fim.

Em minha adolescência ganhei um livro de Romilda Mendes Cerqueira, membro consagrada da Comunidade Canção Nova. Peguei o livro e no mesmo dia comecei a realizar a leitura deste livro, cujo título é; “Considerai como crescem os Lírios! A Providência Divina de Padre Jonas Abib”. Este livro me ensinou a confrontar o sistema mundano e o sistema de Deus, que forma o ser humano para buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça na certeza, que tudo o mais será acrescentado na vida daqueles que colocam Deus em primeiro lugar, pois Deus cuida do seu povo, foi assim no antigo testamento e continua a ser assim no tempo presente. A única coisa que precisamos fazer para saborearmos esta Divina providência é confiarmos em Deus e não nas riquezas e ideologias deste mundo, pois tudo passará e apenas o essencial que muitas vezes é invisível aos olhos humanos, permanecerá. Com isto não estou dizendo que você não precisará trabalhar e ter o teu sustento, mas estou dizendo que não seja o teu sustento, o teu trabalho a ocuparem o lugar do SENHOR em tua vida. 

A palavra chave do livro de Ester é a Providência, pois os capítulos deste livro, têm muito a nos ensinar, a respeito da confiança e fidelidade a Deus, que cuida e intervém em favor de seu povo.  Ester uma simples jovem judia, se tornou rainha, pela providência divina, para salvar o seu povo, do decreto real. Este livro nos mostra que nada é coincidência, mas sim providência. A história de Ester é um misto de tragédia, romance, ação, drama e fé, talvez seja por isso, que esta obra é tão apreciada por diversas gerações e culturas, o mais interessante é que segundo a tradição judaíca, segundo os detalhes e comprovações históricas, esta obra, certamente tem um fundamento histórico e real, que marcou e ainda marca, o povo judeu. 

A providência de Deus se entrelaça no livro de Ester da seguinte forma; o rei Assuero ou Xerxes, planejou uma invasão a Grécia. Para comemorar o seu projeto de invasão a Grécia, o rei dá uma festa de sete dias, de magnitude ímpar, para celebrar seus planos e sua magnitude. No último dia da festa, onde os convidados e o próprio já encontrara embriagado, ele decide chamar sua esposa, cujo nome era Vasti, para mostrar a todos a sua formosura, sendo a mesma considerada o bem mais precioso do reino. Ela, porém se recusa a ir, e por influência dos ministros reais, a ira de Assuero se ascende, e ele decide depor sua esposa do status de rainha. Diante desta realidade, assim que a rainha Vasti foi destituída, pois os ministros e a sociedade daquela época, daquela cultura local, acreditavam que a atitude dela era imperdoável, e seguindo o seu exemplo, as outras mulheres  daquele reinado, desobedeceriam os seus maridos e seria uma vergonha para aquela sociedade, porque segundo a esta cultura, cada homem deve ser o senhor na sua casa. Foram então postos os mandatos reais, em todas as províncias, convocando as moças do reino para que o rei escolhesse a substituta de Vasti. Sucedeu, pois, que, divulgando-se o mandado do rei e a sua lei, os guardas reais, ajuntaram muitas moças na fortaleza de Susã, ou seja o harém real, debaixo da mão de Hegai, guarda das mulheres.  Ester, foi raptada e levada, juntamente com várias moças “jovens virgens”, ao Palácio real, especificamente para o harém real, com o objetivo de dedicar sua vida inteiramente a servir, divertir e agradar ao rei. Essas jovens, só podiam ir até a presença do rei quando fossem chamadas por nome, e se ele não se agradasse com elas, ele poderia esquecê-las e faze-lhes suas prisioneiras dentro do harém. É importante ressaltar  que antes das moças serem apresentadas ao rei, para terem sua primeira noite com o rei, elas recebiam durante um ano um tratamento de purificação (beleza), nos primeiros seis meses, elas recebiam um tratamento de mirra, que é uma planta medicinal cujo azeite era usado, na antiguidade, para ungir os cadáveres antes do sepultamento, sendo assim, a mirra tipifica a morte. Nos outros seis meses, elas eram tratadas com especiarias, perfumes e unguentos. Entre as especiarias mais conhecidas, estavam o aloés e a cássia. O aloés possui um sumo amargo e laxante. Já a cássia é uma flor bela e aromática, cujo fruto se dá em vagem. Ambos possuem propriedades medicinais. Aloés e Cássia representam a ressurreição. Esta purificação que Ester recebeu, representa a igreja, a noiva que passa pela morte, para assim poder ressuscitar para a eternidade.

Em um primeiro momento, quase não conseguimos enxergar a providência de Deus, pois Ester fora raptada e levada ao harém do rei, juntamente com outras lindas jovens, até então nada garantia que Ester seria a escolhida para ser a rainha no lugar de Vasti. E se não ela fosse a escolhida para ser rainha, lhe caberia apenas, o papel de concubina real, ou seja, ela seria uma das amantes do rei, lhe servindo apenas como uma escrava sexual, para os momentos em que o rei desejasse desfrutar da sua presença. Como Deus é o grande mestre em inverter nas situações, ou melhor, transformar uma tragédia, em uma benção. O livro de Ester alimenta a nossa fé, pois Deus tira Vasti da sua posição de rainha e dá a Ester este lugar, com um para que, bem maior que se pode imaginar; a salvação do povo judeu. Deus fez Assuero amar Ester, mais do que a qualquer outra que ele tinha amado, mesmo sem saber sua origem, ele a amou e lhe impôs o diadema real sobre a cabeça e a escolheu para rainha no lugar de Vasti. Depois desse acontecimento, o rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, a todos os altos oficiais e aos seus servos, dando também um dia de descanso a toda província, distribuindo presentes  com uma liberalidade real. Ester como rainha ocupava um lugar de honra e destaque, e tinha mais liberdade e autoridade do que qualquer outra mulher no harém. Mas, mesmo assim, ela tinha poucos direitos, estes eram restritos, ainda mais por causa da rebeldia da deposta rainha Vasti. A grande palavra nesse livro é providência, pois fica claro que Deus colocou Ester em uma posição, em que essa fosse um canal de ajuda ao Seu povo, pois Deus nunca desamparou e nem desamparará o Seu povo, Ele é fiel.  Assim, podemos perceber que Deus não precisa bradar para mostrar o seu agir. Ele apenas age no ordinário de nossas vidas, e como está escrito na Bíblia Sagrada, no livro de Isaías, eu também me questiono ao olhar a história e o percurso vivenciado pelo povo de Deus: agindo Deus quem impedirá? (Isaías 43.13). 

Deus  age nos nossos dias, da mesma forma que Ele agia no Antigo Testamento. Ele é o Deus da providência, que converte o mal em bem, que tem seus propósitos insondáveis, que nos recompensa de acordo com os nossos atos e de acordo com o tempo Dele, Ele é um Deus rico em misericórdia, aqui na Canção Nova em Cachoeira Paulista em especial, tocamos na graça que é ter o Santuário do Pai das Misericódias, o Pai misericordioso  que cuidou do seu povo judeu, é o mesmo que cuida de cada um de nós e de cada uma das particularidades  que vivemos, cabe a nós apenas obedecê-lo, ouvir Seus mandamentos e praticá-los. Pois o Deus que vê o escondido, sabe a reta intenção do teu coração, Ele te conhece e sabe o que vai te fazer bem, o convite que faço é simples, permita Deus ser Deus em tua vida e tudo mais virá por acréscimo no tempo de Deus e muitas vezes não no teu, mas não se preocupe, na hora certa o Senhor dará uma ordem a tempestade e a mesma ficará em silêncio e aquilo que outrora se encontrava em agitação será apenas calmaria. O Senhor é capaz de levar luz onde outrora era treva, paz onde outrora era guerra e esperança onde outrora era desespero. Por isso, não se deixe desanimar pois a tua vida está nas mãos Daquele que te ama e que é capaz de inverter, transformando aquilo que parecia ser um grande mal, em um grande bem.

 

Huanna Cruz – CN

 

Referência:

ALTER, Robert. A Arte da Narrativa Bíblica. Trad. Vera Maria Pereira. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 

AUERBACH, Erich. Mimesis: A representação da realidade na literatura ocidental. Trad. Suzi Frankl Sperber. São Paulo: Perspectiva, 2004.

BABUTS, Nicolae (Ed.). Mircea Eliade: Myth, religion, and history. New Brunswick, NJ: Transaction, 2014. 

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Ed. Zahar, 2001.

BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Ed. Zahar, 2004.

BALDWIN, 

Joyce G.. Ester: introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.

BEAL, Timothy K. The Book of Hiding: Gender, ethnicity, annihilation, and Esther. New York: Routledge, 1997. 

BÍBLIA. A. T. 

A. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada. Barueri: SBB, 1993. 

Ester. In: Bíblia. Português. A Bíblia de Jerusalém. Trad. Domingos Zamagna. São Paulo: Paulus, 1973. p. 768-784.

BÍBLIA SAGRAD

______. A. T. Gênesis. In: Bíblia. Português. A Bíblia de Jerusalém. Trad. Domingos Zamagna. São Paulo: Paulus, 1973. p. 31-105.

DAY, Linda M. Esther. Abingdon Old Testament Commentaries. Nashville, TN: Abingdon Press, 2005. 

GRELOT, P.. Introdução à Bíblia. São Paulo: Edições Paulinas, 1975.

 

Ser a heroína ou a vítima da nossa própria história

Ser a heroína ou a vítima da nossa própria história, depende de nossa atitude diante das dificuldades, que encontramos ao longo da nossa jornada, aqui na terra. Ainda que nos custe muito, devemos sempre pensar em nós mesmas, como pessoas que contém fragilidades e preciosidades, que podem estar ocultas, mas eis o tempo de desvendar e trazer para fora tudo o que faz parte da nossa essência de mulher, a fim de transcendemos, a nossa própria natureza.

Te convido a adentrar na história daquela que poderia ser uma grande vítima da sua própria história, mas diante de tantos fatos e desafios, a mesma se tornou uma grande heroína para o povo judeu.

Esta heroína é uma jovem judia, cujo nome é  Ester (Hadassa), que tem sua origem na  tribo de benjamin, cujos pais morreram no tempo do exílio babilônico, e que diante deste fato, a mesma foi criada por um primo chamado Mordecai (Mardoqueu). Ambos estavam entre os judeus que habitavam na fortaleza de Susã, no reinado de Assuero (Xerxes), rei dos medos e dos persas (486 – 465 a.C.). 

  Xerxes, que reinou desde a Índia até a Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias, no terceiro ano do seu reinado, o mesmo deu um banquete para mostrar assim a riqueza e glória do seu reino, segundo A Bíblia de Jerusalém, o banquete durou por cento e oitenta dias ao todo. Passando estes dias, o rei deu um banquete desta vez a todo o povo que se encontrava em Susã e não somente a seus oficiais e servos, como tinha sido o banquete anterior.  Nesta ocasião, a rainha Vasti também organizou um banquete para as mulheres, no palácio real, onde o rei Assuero costumava residir. No sétimo dia do banquete o rei Xerxes se encontrava ébrio e deu ordem aos sete eunucos, que o serviam, para que introduzisse a rainha Vasti diante de sua presença, trazendo ela sobre a cabeça o diadema real. Era a intenção do rei exibir diante de todos a beleza de sua rainha.

Na obra:

 

A rainha Vasti, porém, recusou-se a vir segundo a ordem do rei, transmitida pelos eunucos. O rei se enfureceu muito e sua ira se inflamou. Então o rei consultou os sábios especialistas na ciência das leis, pois toda questão real devia ser tratada diante de todos os especialistas na lei e no direito. Os que estavam junto dele eram Carsena, Setar, Admata, Társis, Mares, Marsana, Mamucã, sete oficiais persas e medos que viam pessoalmente o rei e se assentavam nos primeiros lugares do reino. “Segundo a lei”, disse ele, “que se deve fazer à rainha Vasti por não haver ela cumprido a ordem do rei Assuero transmitida pelos eunucos?” Respondeu Mamucã diante do rei e dos oficiais: “Não foi somente contra o rei que a rainha Vasti agiu mal, mas também contra todos os príncipes e contra todos os povos que vivem em todas as províncias do rei Assuero. Pois a conduta da rainha chegará ao conhecimento de todas as mulheres, que olharão seus maridos com desprezo, dizendo: ‘O rei Assuero ordenou que se trouxesse a rainha Vasti à sua presença e ela não veio!Hoje mesmo as mulheres dos príncipes da Pérsia e da Média dirão a todos os oficiais do rei o que ouviram falar sobre a conduta da rainha; então haverá muito desprezo e ira. Se bem parecer ao rei, promulgue, de sua parte, uma ordem real, que será inscrita nas leis da Pérsia e da Média e não será revogada: que Vasti não venha mais à presença do rei Assuero; e o rei confira sua qualidade de rainha à outra melhor que ela. E a sentença que o rei promulgar será ouvida em todo o seu reino, que é vasto. Então todas as mulheres honrarão os seus maridos, tanto os grandes quanto os pequenos.”  (BÍBLIA, ESTER, 1, 12-19)

Diante desta situação, o rei mandou embora sua primeira esposa, a rainha Vasti. A partir deste fato, ele buscava uma nova esposa para se tornar rainha. Nesse intuito organizaram uma competição onde mulheres jovens e bonitas, de todo o reino foram levadas ao palácio, para receberem o devido tratamento de purificação, antes de entrar na presença do rei.   No meio dessas mulheres se encontrava a jovem Hadassah, que se apresentou como Ester por ser um nome Babilônico, podemos imaginar os diversos  sentimentos, que habitavam o interior da jovem Ester, pois a mesma, fora raptada do seu lar  por meio de intimidação ou violência, para ser usada sexualmente pelo rei, tendo a possibilidade do rei a escolher ou não para ser a sua rainha, se a mesma não fora escolhida para ser sua esposa, seria tratada apenas  como uma das suas concubinas que era uma espécie de esposa secundária ou uma escrava sexual. 

Segue no livro que 

 

Cada moça devia apresentar-se por seu turno ao rei Assuero no fim do prazo fixado pelo estatuto das mulheres, isto é, doze meses. Assim se cumpriram os tempos da preparação: Durante seis meses as moças usavam óleo de mirra, e nos outros seis meses, bálsamo e ungüentos empregados para os cuidados da beleza feminina. Quando a jovem se apresentava ao rei, recebia tudo o que pedisse para levar consigo do harém ao palácio real. Ia para lá à tarde e, na manhã seguinte, passava a outro harém, confiado a Sasagaz, eunuco real, guarda das concubinas. Ela não mais retornava ao rei, salvo se o rei a desejasse e a chamasse pelo nome. Mas Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a adotara como filha, quando chegou a sua vez de ir ao rei, nada pediu além do que lhe fora indicado pelo eunuco real Egeu, guarda das mulheres. Pois Ester alcançara graça diante de todos os que a viram. Ela foi conduzida ao rei Assuero, ao palácio real, no décimo mês, que é Tebet, no sétimo ano de seu reinado, e o rei a preferiu a todas as outras mulheres; diante dele alcançou favor e graça mais do que qualquer outra moça. Ele lhe impôs o diadema real sobre a cabeça e a escolheu para rainha no lugar de Vasti. (BÍBLIA, ESTER, 2, 8-17)

 

Contudo, ela não revelou a ninguém que era judia, conforme a ordem dada por Mardoqueu. Sendo assim, nem mesmo o Rei sabia qual era a nacionalidade de Ester. Depois de tais acontecimentos, o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, e o exaltou, dando-o seu assento acima de todos os príncipes que estavam com ele. Todos tinham que se inclinar diante de Hamã, porém Mardoqueu não se inclinou, nem se prostou diante de Hamã, este se encheu de furor, pois em seu coração já havia uma fúria contra os judeus, o povo do qual Mardoqueu fazia parte. A razão pela qual Mardoqueu não prestou homenagem a Hamã é porque ele era agagita, ou seja, ele veio do reino de Agag, um rei dos Amalequitas, que no passado tinha lutado contra Israel quando estes estavam a caminho da terra prometida, os amalequitas eram conhecidos por inimigos de Deus, do povo de Deus.

Hamã decidiu destruir todos os judeus, ele estabeleceu uma data para isto, tendo em vista a permissão do rei, ele estabeleceu o décimo terceiro dia do décimo segundo mês. Após Hamã afirmar ao rei que os judeus não cumpriam as leis que o rei estabeleceu, o mesmo obteve a aprovação do rei para concretizar os seus planos contra os judeus. A ordem de destruição dos judeus foi escrita sob o olhar do próprio Hamã, que, logo em seguida, foi enviada a todas as províncias do Rei, causando tristeza e lamentações entre todos os judeus. 

Ester, que ainda não sabia nada a respeito do decreto contra os judeus, ficou muito triste ao saber que seu tutor Mardoqueu estava amargurado, e ao ir em busca de informações a respeito, a mesma teve conhecimento dos fatos, diante deste contexto, Mardoqueu pedi-lhe para ir ao rei e rogar por seu povo. 

Ester envia um mensageiro a Mardoqueu e pede-lhe para ajuntar todos os judeus que habitavam em Susã e jejuar por ela durante três dias, pois a mesma junto com suas servas iria fazer o mesmo e no terceiro dia ela iria ao encontro do rei, mesmo sem ser chamada e correndo risco de vida, para rogar-lhe pela vida de seu povo. 

No terceiro dia Ester finalmente foi ter com o Rei. A mesma poderia ter sido morta ao ir lá sem ser convidada, exceto se o rei estendesse seu cetro de ouro para ela, e aconteceu que o rei vendo que Ester se encontrava no pátio, ele estendeu o cetro de ouro que tinha em sua mão, e Ester, que tinha alcançado graça aos olhos do rei, tocou a ponta do cetro. Na ocasião Ester convidou o rei e Hamã para irem a um banquete que ela havia preparado. Neste banquete ela convidou-os para outro banquete no dia seguinte.

Certa noite fugira o sono do rei, então este mandou trazer o livro de registro das crônicas, as quais se leram diante do rei.  Em um destes escritos estava registrado que Mardoqueu tinha denunciado Bigtã e Teres, dois dos eunucos do rei, da guarda da porta, que tinham procurado lançar a mão contra Xerxes. Ao escutar o relato, o rei perguntou qual teria sido a honra dada a este homem que salvara a sua vida, os servos revelaram que nenhuma. Na manhã seguinte, quando Hamã ia pedir ao rei a cabeça de Mardoqueu, acontece-lhe uma surpresa desagradável, o rei pergunta-lhe o que deve ser feito a um homem que o rei deseja honrar, Hamã dá a sua sugestão pensando que tal homem, que o rei deseja agradar, era ele próprio, mas ao descobrir que ele seria o encarregado real a cuidar desta honra e que a pessoa honrada seria o Mardoqueu, pessoa a qual ele planejara enforcar, sua ira aumentara, porém obedeceu piamente a ordem do rei. Nesta mesma tarde, Hamã foi ao banquete da rainha Ester, junto com o rei, durante o banquete Ester revelou a sua nacionalidade ao rei e fala-lhe que Hamã planejou destruir a sua nação, ao ouvir isto, o rei ficou furioso, ele manda matar Hamã e descobre a existência de uma forca, a qual teria sido projetada para enforcar o judeu Mardoqueu, então o rei ordena que Hamã seja enforcado em sua própria forca de cinqüenta côvados de altura.  Os papéis de Mardoqueu e Hamã foram reversos. 

O décimo terceiro dia do décimo segundo mês tinha sido definido como o dia da total destruição dos judeus, após estes fatos, o rei não apenas cancelou essa ordem, mas também inverteu a situação, concedendo aos judeus que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, matando e aniquilando todas as forças que viessem contra eles. 

Depois deste acontecimento o dia 13 de Adar foi lembrado como o dia em que os judeus puderam lutar pelas suas vidas. No dia 14 de Adar foi fixada a festa de Purim (ou das Sortes). 

 Este livro tem como objetivo, ajudar a você mulher a se reconciliar com a sua natureza, buscando o autoconhecimento, para que você, possa se reconciliar com a sua própria identidade, e assim,  assumir a sua natureza de mulher, mas também te levar a uma experiência da palavra de Deus em visão literária, social e formativa. Somos convidadas diante desta obra, a deixarmos de sermos vítimas e assumirmos a nossa identidade de heroínas, por meio da nossa oração e da divina providência que está regendo todas as coisas em nossa vida.

Huanna Cruz – CN

Referência:

BÍBLIA. A. T.

A. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada. Barueri: SBB, 1993.

Ester. In: Bíblia. Português. A Bíblia de Jerusalém. Trad. Domingos Zamagna. São Paulo: Paulus, 1973. p. 768-784.

BÍBLIA SAGRAD

______. A. T. Gênesis. In: Bíblia. Português. A Bíblia de Jerusalém. Trad. Domingos Zamagna. São Paulo: Paulus, 1973. p. 31-105.

DAY, Linda M. Esther. Abingdon Old Testament Commentaries. Nashville, TN: Abingdon Press, 2005.

GRELOT, P.. Introdução à Bíblia. São Paulo: Edições Paulinas, 1975.

Quem sou?

 Primeiramente, meu nome é Huanna Mykaella da Cruz Silva, sou alguém que busca caminhar pela fé e por isso surgiu a inspiração para este blog “Walk by Faith”, pois mesmo quando a minha visão é e estar turva diante das adversidades da vida é a FÉ que me dar forças para caminhar. Sou leiga dedicada a Igreja como consagrada a Deus na Comunidade Canção Nova a mais ou menos 13 anos, ingressei na Comunidade Canção Nova no ano de 2009 e posso falar que escolhi a melhor parte, que é servir ao Senhor na minha juventude de corpo e de alma.  A nível profissional e atuação missionária atualmente sou graduada em Letras com habilitação em Português, Inglês e Literatura no Centro Universitário Teresa DÁvila (UNIFATEA), fui bolsista do Programa de Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID). Desenvolvi pesquisas e projetos científicos na área de Inglês, tais como, metodologias de ensino de língua inglesa entre outros. Participei de seminários e congressos nas áreas de educação, literatura e tecnologia. Cursei italiano na escola de línguas Dante Alighiere em Roma. Ao falar de experiência profissional atuei nas áreas de Educação, Comunicação especificamente Jornalismo e atualmente na Rádio Canção Nova.

Sou uma eterna aprendiz nesta grande escola que é a vida e que o professor é o próprio Deus.

Huanna Cruz

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Olá! Vamos caminhar pela fé?

Bem vindo ao Walk by Faith.  Esse Blog surgiu do desejo de te convidar a junto comigo CAMINHAR PELA FÉ e conhecer mais sobre a fé Católica, a palavra de Deus e porque não a refletir mais sobre a vida e as escolhas que temos feito perante os desafios do tempo presente. Walk by Faith é um convite para você sair da comodidade da sua vida e dar passos firmes na fé com os olhos fixos no Cristo que te diz: Vem e segui-me! Você aceita o desafio? Neste Blog, você encontrará uma série cujo título é VIRTUOSAS onde você vai conhecer mais sobre as virtudes e o arquétipo feminino  das mulheres da bíblia, vamos ter poesias, reflexões, assuntos da atualidade, análise literária, crônicas, contos e o que mais o Senhor inspirar….  É isso. Seja bem vindo(a) e vamos juntos caminhar pela fé!

Huanna Cruz

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