É preciso olhar os detalhes. Eles semeiam nossas vidas com pedrinhas que nos guiam. (Katherine Pancol)

Olhe em volta. O que vê? Independente de onde estiver, dificilmente esse lugar terá passado despercebido aos olhos de uma mulher. A sensibilidade feminina pode se traduzir de  muitas formas. Aparece no projeto arquitetônico de uma construção, em uma mesa posta, na arte da cozinha, no campo empresarial, na educação, na administração da casa e por fim, no arranjo de flores sobre a mesa. Os detalhes da feminilidade da mulher está no cheiro adocicado de um bolo de laranja assando no forno e na organização e funcionalidade de um espaço e até mesmo de uma empresa. E embora quase tudo o que ela faça, os homens também consigam fazer, aquilo que leva a assinatura de uma mulher é diferente, principalmente quando essa mulher é uma mulher conduzida por Deus. Talvez a mulher, traga consigo, o anúncio de um abraço, a intenção de um afago, a essência altruísta da maternidade, da provedora que cuida da cria, que afaga e acaricia seu companheiro, que organiza e gera vida por onde passa. Segundo Hernán Sábio, um escritor, os grandes corações se contentam com pequenos detalhes. Na vida das mulheres pequenos detalhes cotidianos são os que fazem a diferença, aqueles que permanecem invisíveis aos olhos mas que brilham com luz própria a medida que realizados com um simples toque de ternura. Um mínimo detalhe é capaz de nos levar ao mais alto sucesso ou ao fracasso mais angustiante, já que se encontra esfumaçado entre milhões de intenções. Um exemplo é Ester que diante de uma grande adversidade, instruída por Deus preparou um jantar, ou melhor dois jantares para o Rei Xerxes e o vilão Hamã. Diz a história que, no terceiro dia de jejum, Ester se vestiu com as suas roupas de rainha, foi e ficou esperando no pátio de dentro do palácio, em frente do salão nobre do rei. Ele estava lá dentro, sentado no trono, que ficava em frente da porta do pátio. E, quando ele viu a rainha Ester esperando lá fora no pátio, teve boa vontade para com ela e estendeu-lhe o seu cetro de ouro. Ester entrou, chegou perto dele e tocou na ponta do cetro.  E o rei perguntou, o que está acontecendo, rainha Ester? O que você deseja? Peça o que quiser, que eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. Ester respondeu, se for do seu agrado, eu gostaria de convidar o senhor e Hamã para o banquete que estou preparando hoje para o senhor. Aí o rei ordenou, digam a Hamã que venha depressa, para que nós aceitemos o convite de Ester. Assim o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado. Quando estavam bebendo vinho, o rei perguntou a Ester: Qual é o seu pedido? Peça o que quiser, que eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. Ester respondeu, se eu puder me valer da bondade do rei, e se for do seu agrado atender o meu pedido, gostaria de convidar o senhor e Hamã para outro banquete que eu vou preparar amanhã para os dois. Aí lhe direi o que eu quero. No dia seguinte, quando se realizava o banquete de Ester, com a presença do rei e de Hamã, Assuero (o rei) perguntou novamente: “Qual é a tua petição, rainha Ester? E qual o teu requerimento? Até metade do reino te será dado”.Ester ergueu-se para dar mais ênfase às suas palavras: “Dê-me minha vida como petição e a do meu povo como requerimento. Porque estamos vendidos, eu e meu povo, para sermos destruídos”. O rei também levantou-se indignado: “E onde está aquele cujo coração o instigou a assim fazer?” E disse Ester, apontando para Hamã: “O homem, o inimigo, o opressor é este”. Surpreendido e abalado por essa revelação contra o homem que ele mais prezava, Assuero retirou-se para o jardim. Então Hamã atirou-se aos pés de Esther, pedindo misericórdia. Ao reentrar, Assuero, deparando com Hamã ajoelhado diante de Ester, gritou-lhe colérico: “Porventura também queres forçar a rainha na minha própria casa? Guardas! Prendam este homem!”… Paremos um pouco para pensarmos nos detalhes, Ester mesmo sabendo de tudo que Hamã já tinha realizado e planejado, ela agiu com sabedoria, com mansidão, com classe, com educação, nos relatos em nenhum, momento fala que Ester se comportou com ira, arrogante, agressiva, mas relata o serviço em preparar um banquete estando tudo bem preparado  para receber o rei e o seu inimigo Hamã. É muito importante observar a postura de Ester diante dos fatos, o seu equilíbrio emocional.  O equilíbrio emocional é a capacidade da mente e do corpo em manter a estabilidade e a flexibilidade em meio a desafios e mudanças nos mais variados aspectos. Esse equilíbrio promove a saúde física e é um pré-requisito para o bem-estar e o crescimento profissional e pessoal de toda mulher. Sei que não é fácil alcançar o equilíbrio emocional, mas é algo que precisa ser trabalhado ao longo de toda a vida. Não é um talento nato. Por isso, é preciso força de vontade e perseverança para conseguir dominar a mente nas mais diversas situações. A vida de Ester foi forjando essa característica, essa virtude nela. O equilíbrio emocional permite também enxergar as situações com maior clareza e racionalidade. Ele nos tira da situação de espectadores e nos coloca como protagonistas do processo, do nosso processo. Em meio a tantos problemas que vivenciamos simultaneamente no dia a dia , como trabalho, filhos, cônjuge, entre tantas outras realidades, acabamos sufocadas pelas emoções ruins e não conseguimos, na maioria das vezes, visualizar a melhor solução para cada problema. Não deixe que pequenos ou grandes problemas tirem você do sério. Reserve alguns minutos para analisá-los de maneira racional, se permita adentrar em oração e pedir a Deus uma orientação de como agir diante de tantos desafios, frustrações e tantas outras realidades, busque o autoconhecimento às vezes até com ajuda de um psicólogo (a) você poderá vivenciar um lindo processo de autoconhecimento,  pergunte a si mesma: “Como posso resolver essa situação da melhor maneira?”, analise os fatos, não seja ansiosa, nem imediatista, busque o conselho de alguém instruída a nível humano, psicológico e espiritual. Mas saiba que é sempre será você a pessoa a saborear os frutos da sua escolha. Além do equilíbrio emocional, encontramos em Ester alguém que é intercessora  no capítulo 4 do livro de Ester conta que Ester jejuou por três dias, falou com o Rei e conquistou para seu povo o direito de se defender. No dia decretado por Hamã, os inimigos do povo judeu esperavam dominá-lo, mas graças ao direito de defesa que Ester conquistou, a história teve um final imprevisto.  Muitas vezes eu fico imaginando tudo que pode ter passado pela cabeça de Ester durante aquele um ano de tratamento que ela recebeu para poder entrar na presença do rei. Não deve ter sido fácil para ela ficar longe de sua família durante um ano, sem saber o que seria de seu futuro e se ela não fosse a escolhida pelo rei, seria apenas uma concubina do rei. Mas o mais bonito é que  Deus tinha um propósito, prepará-la para ser eleita a rainha de Assuero, pois só assim poderia interceder a favor do povo de Deus e salvá-lo. Assim é comigo e com você, Deus tem um propósito em nossas vidas, talvez seja você a pessoa convidada a interceder pela salvação do seu povo, da sua família, do seu esposo, dos seus filhos, enfim, já parou para pensar nessa possibilidade.  Muitas vezes passamos por momentos difíceis, sem entender muita coisa, sem saber o que está acontecendo e o porquê; as circunstâncias ficam sombrias e o futuro torna-se uma grande interrogação. Mas saiba que Deus sempre tem um propósito, não é que Deus queira que você passe por momentos de adversidades, mas saiba que se esses momentos forem bem vivenciados em oração, no sofrimento, no abraçar a cruz, eles podem forjar em você frutos de eternidade. Assim como Deus cuidou de Ester, Ele está cuidando de nós, só precisamos crer que Ele está no controle de tudo e que nos ama, pois é esse amor que gera em nós esperança, fé, confiança e uma paz que supera todo entendimento. Como Ester, eu e você, nós precisamos ser casa de oração onde o Espírito Santo habita, faz morada e conduz. O livro narra que Ester preparou o jantar para o Rei e Hamã, o que este detalhe nos quer dizer. Nos quer dizer que é na mesa que partilhamos vida, que laços são estreitados, onde por muitas vezes nós mulheres somos convidadas a colocarmos os nossos talentos a tona, seja na arte de cozinhar, de servir, de colocar a mesa  posta com aqueles detalhes que só nós sabemos fazer. Receber alguém em casa pode ser uma experiência única e tanto para o anfitrião quanto para o convidado. O cuidado e planejamento com o evento vai dizer muito sobre você. A ideia não é impressionar ninguém, mas garantir que todos se sintam à vontade, acolhidos e queridos, é nessa hora que quem sabe arrumar uma mesa faz toda a diferença. Começar pela cor sempre ajuda. Defina uma paleta harmônica de cores com predominância de 2 ou 3 tons para a mesa, desde detalhes das louças aos jogos americanos e flores, flores sempre alegram e encantam o ambiente. Em seguida, entenda o estilo que mais se adequa ao evento da sua casa, seja um momento familiar com seu esposo e seus filhos, alguma comemoração, um jantar temático, romântico… Enfim, estou estou falando de jantar pois foi o que Ester preparou, mas este contexto serve para todas refeições. Seja a protagonista da sua casa, exerça seu papel de mulher, mãe, esposa, ou seja, a administradora do seu lar. Algo triste neste mundo moderno é que cada vez mais as famílias estão distantes, as pessoas não estão mais se conhecendo, muitas vezes os pais não conhecem mais os seus filhos, o que eles vivem, os desafios que enfrentam e as lutas interiores que travam principalmente na adolescência. O fato é que comer em família é um hábito que nos aproxima e nos ensina muito sobre convivência, o respeito, o acolhimento, pois  é com a partilha olho no olho, que não deixamos a afetividade esfriar  e estreitamos os nossos laços. Refeições em família têm mesmo um pouco de tudo, pois combinam conversas triviais com assuntos importantes, intimidade com estranhamento, risadas e discussões, feijão, arroz, bife, batata frita com “você não sai daqui se não comer os legumes”. Hoje, quando podemos bloquear alguém nas redes sociais, publicações de pessoas com as quais não concordamos, o fazemos não é verdade,  mas os parentes acabam sendo a única esfera na qual precisamos conviver e aprendermos a lidar com as diferenças gerando respeito e acolhimento ao diferente que não quer dizer melhor ou pior, apenas diferente. O interessante é que a família nos tira da bolha e forja em nós virtudes como respeito, tolerância, acolhimento e o mais fecundo que é o amor. A Bíblia fala que o rei Xerxes amou Ester mais do que a todas outras. O que será que ela tinha de tão especial? Será que era a sua postura, a sua educação, a sua fé, o seu equilíbrio emocional,  a sua inteligência, a sua beleza ou até mesmo o seu Deus que cuidava de cada detalhe de sua vida? E você o que te faz ser uma mulher, particular, única e irresistível? Te convido agora a pegar a caneta e fazer uma autoavaliação das qualidades e virtudes que você já tem em si e aquelas em que você precisa crescer?

 

  Huanna Cruz – CN