A exortação a não temer, a não ter medo, está presente desde o início dos acontecimentos de Fátima.

Na primavera de 1916, na primeira aparição do Anjo aos pastorinhos, este diz-lhes: “Não temais! Sou o Anjo da Paz”. Na primeira aparição, em maio de 1917, Nossa Senhora começa por tranquilizá-los, dizendo: “Não tenhais medo”. Na aparição de junho, à pergunta de Lúcia se ficará sozinha, após a morte da Jacinta e do Francisco, este “não temer” vem traduzido numa exortação à esperança: “Não

desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.

Deus vem ao nosso encontro e está conosco

“Não tenhais medo” são palavras que soam hoje com enorme atualidade, desafiados como estamos por um mundo marcado, a vários níveis, por dificuldades e incertezas quanto ao futuro, por pequenos e grandes “medos” que atravessam o nosso quotidiano e os nossos projetos de vida, pessoais e

comunitários. Uma atualidade que se desperta também pela memória ainda viva de uma figura do nosso tempo, o Santo João Paulo II, que pronunciou palavras idênticas no início do seu ministério como Bispo de Roma, ao serviço da comunhão das Igrejas: “Não tenhais medo. Abri, melhor, escancarai as portas do vosso coração a Cristo!”.

Na realidade, esta exortação, este apelo a “não temer” só se entende a partir das raízes mais profundas da experiência cristã. Estamos, de fato, diante de um tópico com inúmeras ressonâncias bíblicas no percurso da história da salvação. Logo nos inícios do Antigo Testamento em relação a Abraão (Gn 15, 1), e com notória regularidade depois, a expressão “não temas” aparece como palavra de um Deus que se aproxima dos seres humanos, que os acompanha com a sua proteção e a sua ajuda na missão que lhes confia, que não os abandona nas múltiplas perturbações que envolvem o seu caminhar na história (cf. Is 41,13-20). Exprime-se assim a confiança fundamental que o crente é chamado a ter no Deus que toma a iniciativa de vir ao seu encontro, sinaliza-se o dom da salvação que Deus, na sua dedicação amorosa, quer oferecer aos seres humanos.

 

José Eduardo Borges de Pinho

 

papa-joao-paulo-II1. “O anúncio de Simeão aparece como um segundo anúncio a Maria, pois indica-lhe a concreta dimensão histórica na qual o Filho cumprirá a sua missão, isso é, na incompreensão e na dor”.

2. “O dogma da maternidade divina de Maria foi para o Concílio de Éfeso e é para a Igreja como um selo do dogma da Encarnação na qual o Verbo assume realmente a unidade da sua pessoa a natureza humana, sem anulá-la

3. “Maria é ‘cheia de graça’, porque a Encarnação do Verbo, a união hipostática do Filho de Deus com a natureza humana, realiza-se e cumpre-se precisamente Nela”

4. “O ir ao encontro das necessidades do homem significa, ao mesmo tempo, a sua introdução no raio de ação da missão messiânica e do poder salvador de Cristo.  Por conseguinte, sucede uma mediação:  Maria  põe-se entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, indigências e sofrimentos.  Põe-se “no meio”, ou seja faz-se mediadora, não como uma pessoa desconhecida, senão no seu papel de mãe, consciente de que como tal pode – melhor “tem o direito de” – fazer presente ao Filho, as necessidades dos homens”

5. “A Mãe de Cristo apresenta-se diante dos homens como porta-voz da vontade do Filho, indicadora daquelas exigências que devem cumprir-se para que possa ser manifestado o poder salvador do Messias”.

6. “Em Caná, graças  à intercessão de Maria e à obediência dos criados, Jesus começa a sua hora”.

7. “Em Caná, Maria aparece como a que crê em Jesus, e a sua fé provoca o primeiro “sinal” e contribui para o despertar da fé nos discípulos ”

8. “A missão maternal de Maria aos homens de nenhuma maneira escurece nem diminui esta única mediação de Cristo, pelo contrário, mostra a sua eficácia.  Esta função maternal brota, segundo o privilégio de Deus, da sobreabundância dos méritos de Cristo… Dela depende totalmente e da mesma sai toda a Sua virtude.”

9. “Esta nova maternidade de Maria, gerada pela fé, é fruto do ‘novo’ amor, que amadurecido Nela definitivamente junto à Cruz,  através da sua participação no amor redentor do Filho.”

10. “Deste-nos a tua Mãe como sendo nossa, para que nos ensines a meditar e a adorar no coração.  Ela, recebendo a Palavra e colocando-a em prática, fez-se a mais perfeita Mãe.”

fonte: (noticiascatolicas.com.br)

fatimaA mensagem de Maria é uma mensagem de fé e de esperança para todos os homens e mulheres do nosso tempo, seja qual for o seu país. “ A minha mãe e os meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”. Maria é a mulher da escuta: vêmo-la a quando do encontro com o Anjo e revêmo-la em todas as cenas da sua vida, desde as bodas de Caná até à Cruz e até ao dia de Pentecostes quando se encontra no meio das Apóstolos para acolher o Espírito.Ela acompanhou seu Filho Jesus até à hora da paixão, da morte, da ressurreição, da Páscoa, a hora do amor que venceu a morte.

Em Fátima, Maria veio ter com o Franciso, a Jacinta e a Lúcia convidando-os a oferecerem orações e sacrifícios pelos pecadores, declarando-lhes que os faria penetrar na intimidade de Deus. Foi assim que uma luz os invadiu até ao mais profundo das suas almas ao ponto de se sentirem mergulhados em Deus como quando uma pessoa, segundo as suas próprias palavras, se vê num espelho.

Nos caminhos das nossas vidas, quantas vezes sombrios, Nossa Senhora é uma luz de esperança que nos ilumina e nos orienta no nosso caminhar. Pelo seu sim ao Anjo da Anunciação, pelo dom generoso de si própria, Maria abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história. Convida-nos a viver como ela numa esperança que nada pode perturbar, recusando dar ouvidos a todos aqueles que acreditam estarmos condenados à fatalidade das nossas vidas. Maria acompanha-nos com a sua presença materna nos acontecimentos pessoais, familiares e dos nossos povos.

D. Claude Schockert – Bispo de Belfort-Montbéliard 

MARIA_~2“Quando falta a profecia na Igreja, toma lugar o clericalismo”, disse o Papa Francisco na missa celebrada esta manhã na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Comentando as leituras do dia, o Santo Padre frisou que “o profeta é aquele que escuta as palavras de Deus, sabe ver o momento e projetar o futuro. Ele tem dentro de si estes três momentos: passado, presente e futuro”.

“O passado: o profeta é consciente da promessa e tem em seu coração a promessa de Deus. Ele vive, recorda e repete essa promessa. Depois olha o presente, olha o seu povo e sente a força do Espírito para dizer uma palavra que ajude o povo a se levantar, a continuar o caminho em direção ao futuro. O profeta é um homem de três tempos: promessa do passado, contemplação do presente e coragem para indicar o caminho rumo ao futuro. O Senhor sempre protegeu o seu povo, com os profetas, nos momentos difíceis, nos momentos em que o povo estava desencorajado ou destruído, quando não havia o Templo, quando Jerusalém estava sob o poder dos inimigos, quando o povo se perguntava: O Senhor nos prometeu isso! O que acontece agora”?

“Foi o que aconteceu no coração de Maria quando estava aos pés da Cruz”, prosseguiu Francisco. Nestes momentos, “é necessária a intervenção do profeta e nem sempre o profeta é recebido, muitas vezes é rejeitado. Jesus disse aos fariseus que seus pais tinham matado os profetas, porque eles diziam coisas que não eram agradáveis: diziam a verdade, recordavam a promessa! Quando no povo de Deus falta profecia, está faltando alguma coisa: falta a vida do Senhor. Quando não há profecia a força recai sobre a legalidade, toma lugar o legalismo”, frisou o pontífice.

“No Evangelho, os sacerdotes foram a até Jesus para pedir o passe da legalidade: Com que autoridade você faz estas coisas? Nós somos os donos do Templo. Não entendiam as profecias. Tinham se esquecido da promessa! Não sabiam ler os sinais dos tempos, eles não tinham olhos penetrantes, nem ouvidos da Palavra de Deus. Tinham somente a autoridade”, disse o Papa que acrescentou:

“Quando no Povo de Deus não há profecia o vazio causado é ocupado pelo clericalismo. É este clericalismo que pergunta a Jesus: Com que autoridade você faz estas coisas? Com que legitimidade? E assim, a memória da promessa e a esperança de ir em frente são reduzidas apenas ao presente: nem passado e nem futuro esperançoso. O presente é legítimo e se é legítimo vai em frente.”

Quando reina o legalismo, a Palavra de Deus não encontra espaço e o Povo de Deus que crê, chora no seu coração, porque não encontra o Senhor. Falta-lhe a profecia. Chora “como chorava Ana, mãe de Samuel, pedindo a fecundidade do povo, a fecundidade que vem da força de Deus, quando Ele nos desperta a memória de sua promessa e nos impulsiona para o futuro com esperança. Este é o profeta! Este é o homem dos olhos penetrantes e que ouve as palavras de Deus”:

“A nossa oração nesses dias em que nos preparamos para o Natal do Senhor deve ser: Senhor, que não faltem os profetas em seu povo! Todos nós batizados somos profetas. Senhor, que não nos esqueçamos de sua promessa! Que não nos cansemos de ir adiante! Que não nos fechemos nas legalidades que cerram as portas. Senhor, liberta o teu povo do espírito do clericalismo e ajude o teu povo com o espírito da profecia.” (Papa Francisco –  site da Rádio Vaticano )

Uma das graça aconteceu lá na casa de Isabel: não só ela, mas João Batista, o seu filho, ainda em seu ventre, ficou cheio do Espírito Santo. Na casa de Cornélio, não apenas ele, mas toda a sua família recebeu esse derramamento do Espírito

Maria quer visitar a sua casa, a sua família. Ela quer realizar a mesma transformação que ocorreu na casa de Zacarias e Isabel. Deus quer visitar sua casa por Maria e derramar aí, o Espírito Santo. Talvez, isso demore a acontecer! Mas, acredite, Deus quer que cada um de sua casa – pais, filhos, irmãos – fiquem cheio do Espírito Santo, como aconteceu na casa de Cornélio.

Imagine sua família, a casa em que mora, até mesmo os cômodos… Estenda a mão e peça que você seja um instrumento de Deus, através do qual essa graça possa acontecer.

Recorra ao auxílio de Nossa Senhora, pedindo:

“Visita, Maria, a minha casa, a minha família, trazendo Jesus e trazendo o Espírito Santo, como trouxeste à casa de Isabel. “

Que seja sua, agora, esta minha oração:

“Senhor: que aqueles que não acreditam, como Zacarias não acreditou nas palavras do anjo, que eles venham a acreditar, em Ti, Jesus. No Teu Evangelho. Na Tua promessa. Que acreditem na necessidade de conversão. Que tudo se transforme! Que os lábios deles se abram, como se abriram os lábios de Zacarias! Que proclamem o grande hino, anunciando o único Senhor, Jesus Cristo. Sim, que todos Te aceitem como único Senhor e Salvador. Muito obrigado, nosso Deus e nosso Senhor. Muito obrigado, Maria, por todas as transformações que vão acontecer em nossas casas, em nossas famílias. Por todas as curas. Pela mudança de mentalidade. Agradeço, porque quebras todas as amarras e destróis toda escravidão em nosso meio: tudo que nos prendia, nos amarrava, nos oprimia. Obrigado pelo derramamento do Espírito Santo. Por isso, proclamamos: “Bendito Aquele que vem em nome do Senhor! Bendita és tu entre as mulheres, porque bendito é também o fruto do teu ventre, Jesus! Obrigado, minha Mãe, porque vieste a mim e à minha casa – assim como na casa de Isabel e Zacarias – e trouxeste o Espírito Santo. Maria, nunca mais saias da minha casa, nem de minha vida. Obrigado porque vieste, porque vais permanecer e nunca mais sair! Amém!”

Pe. Jonas Abib

 

 Queridos irmãos e irmãs!

Nesta tarde estamos aqui diante de Maria. Rezamos sob sua orientação materna para que nos conduza a estar sempre mais unidos a seu Filho Jesus; trouxemos-lhe nossas alegrias e nossos sofrimentos, nossas esperanças e nossas dificuldades; invocamos-lhe com o belo título de “Salvação do Povo Romano”, pedindo por todos nós, por Roma, pelo mundo para que nos dê saúde. Sim, porque Maria nos dá saúde, é a nossa saúde.

Jesus Cristo, com sua Paixão, Morte e Ressurreição, nos conduz à salvação, nos dá a graça e a alegria de sermos filhos de Deus, de chamá-lo na verdade com o nome de Pai. Maria é mãe, e uma mãe se preocupa principalmente com a saúde de seus filhos, sabe cuidar dela sempre com grande e terno amor. Nossa Senhora guarda nossa saúde. O que isso quer dizer? Penso principalmente em três aspectos: ajuda-nos a crescer, a enfrentar a vida, a sermos livres.

  1– Uma mãe ajuda os filhos a crescer e quer que cresçam bem; por isso os educa a não ceder à preguiça – que provêm também de um certo bem estar – , a não se acomodar em uma vida que se satisfaz só com coisas. A mãe cuida dos filhos para que cresçam sempre mais, cresçam fortes, capazes de assumirem responsabilidades, de se comprometerem com a vida, de terem grandes ideais. O Evangelho de São Lucas diz que, na família de Nazaré, Jesus “crescia e se fortificava, pleno de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele” (Lc 2,40). Nossa Senhora faz isso conosco, nos ajuda a crescer humanamente e na fé, para sermos fortes e não cedermos à tentação de sermos homens e cristãos superficiais, mas em viver com responsabilidade, a tender sempre para o alto.

 2 – Uma mãe pensa na saúde dos filhos, educando-os também para enfrentar as dificuldades da vida. Não se educa, não se cuida da saúde evitando os problemas, como se a vida fosse uma autoestrada sem obstáculos. A Mãe ajuda os filhos a olhar com realismo os problemas da vida e a não se perderem neles, mas em enfrentá-los com coragem, a não serem fracos, e a saberem superá-los, em um sadio equilíbrio que uma mãe “sente” entre os âmbitos de segurança e as zonas de risco. E isto uma mãe sabe fazê-lo! Ela não leva o filho sempre em uma estrada segura, porque deste modo um filho não poderá crescer, mas ela também não o deixa só em uma estrada cheia de riscos, porque é perigoso. Uma mãe sabe equilibrar as coisas. Uma vida sem desafios não existe, e um rapaz ou uma moça que não sabe enfrentá-los, colocando-se no jogo, será um rapaz e uma moça sem espinha dorsal! Recordemos a parábola do Bom Samaritano: Jesus não propõe o comportamento do sacerdote e do levita, que evitam socorrer aquele que estava ferido por causa dos ladrões, mas o samaritano que vê a situação daquele homem e a enfrenta de maneira concreta, mesmo com riscos.

Maria viveu muitos momentos não fáceis em sua vida, desde o nascimento de Jesus, quando “para eles não havia lugar na hospedaria” (Lc 2,7), até ao Calvário (cf. Jo 19,25). E como uma boa mãe ela nos está próxima, para que não percamos jamais a coragem diante das adversidades da vida, diante da nossa fraqueza, diante de nossos pecados: ela nos dá força, nos indica o caminho de seu Filho. Jesus na cruz diz a Maria, indicando João: “Mulher, eis o teu filho!”, e a João: “Eis tua mãe!” (cf. Jo 19,26-27). Naquele discípulo, todos nós estamos representados: o Senhor nos confia nas mãos cheias de amor e de ternura da Mãe, para que sintamos seu apoio para enfrentar e vencer as dificuldades de nosso caminho humano e cristão; não ter medo das dificuldades, enfrentá-las com o auxílio da mamãe.

3 – Um último aspecto: uma boa mãe não só acompanha os filhos no crescimento, não evitando os problemas, os desafios da vida: uma boa mãe ajuda também a tomar decisões definitivas com liberdade. Isso não é fácil, mas uma mãe sabe fazê-lo. Mas o que significa liberdade? Não é certo fazer tudo o que se quer, deixar-se dominar pelas paixões, passar de uma experiência a outra sem discernimento, seguir as modas do tempo; liberdade não significa jogar tudo que não agrada pela janela. Não, isso não é liberdade! A liberdade nos é dada para que saibamos fazer boas escolhas na vida! Maria como boa mãe nos educa para ser, como Ela, capazes de fazer escolhas definitivas; escolhas definitivas neste momento na qual reina a filosofia do provisório. É tão difícil empenhar-se na vida definitivamente. E ela nos ajuda a fazer escolhas definitivas, com aquela plena liberdade com a qual respondeu “sim” ao plano de Deus sobre sua vida (cf. Lc 1,38). 

Queridos irmãos e irmãs, como é difícil, em nosso tempo, tomar decisões definitivas! O provisório nos seduz. Somos vítimas de uma tendência que nos empurra ao provisório… como se desejássemos permanecer adolescentes. É um pouco o fascínio de permanecer adolescentes, e isso por toda a vida! Não tenhamos medo dos compromissos definitivos, dos compromissos que envolvem e interessam toda vida! Deste modo nossa vida será fecunda! E isso é liberdade: ter a coragem de tomar estas decisões com grandeza.

Toda a existência de Maria é um hino à vida, um hino de amor à vida: gerou Jesus na carne e acompanhou o nascimento da Igreja sobre o Calvário e no Cenáculo. A “Salvação do Povo Romano” (Salus Populi Romani) é a mãe que nos dá a saúde no crescimento, nos dá a saúde para enfrentar e superar os problemas, nos dá a saúde ao tornar-nos livres para as escolhas definitivas; a mãe que nos ensina a ser fecundos, e ser abertos à vida e ser sempre fecundos de bem, de alegria, de esperança, a não perder jamais a esperança, a doar vida aos outros, vida física e espiritual.

Isto te pedimos nesta tarde, Ó Maria, Salvação do Povo Romano, para o povo de Roma, para todos nós: dá-nos a salvação que somente tu podes nos doar, para sermos sempre sinais e instrumentos de vida. Amém.

 

 A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como à Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.

Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que ele é Deus (Jô. 20,28; cf. 05,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. mt. 01,22-23).

Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a expressão Theotokos, “Mãe de Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.

Na mitologia pagã, acontecia com freqüência que alguma deusa fosse apresentada como Mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por Mãe a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do título “Theotokos”, “Mãe de Deus”, para a Mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que este título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d’Aquele que desde sempre era o Verbo Eterno de Deus.

No século IV, o termo Theotokos é já de uso freqüente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais freqüente, a esse termo, já entrado no patrimônio de fé da Igreja.

Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título “Mãe de Deus”. Ele de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes n’Ele.

O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.

As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título.

A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.

A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é Mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.

Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua fé a divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.

Na Theotokos a Igreja, por um lado reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho – “se a Mãe fosse fictícia seria fictícia também a carne… fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu filho. A expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama, também, a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se Àquela que, sendo Mãe de Deus, pôde obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Extraído do livro A virgem Maria
João Paulo II

Imagina se todos nós católicos, tomássemos a iniciativa de virar cada ano em adoração, proclamando o senhorio de Jesus em nossas vidas!? Tenho certeza que a humanidade seria envolvida de uma graça especial e sobrenatural.

A devoção eucarística assegura a substância transformada daquele pão eucarístico guardado no ouro do «Taber-náculo» ou «Sacrário». Perto, vê-se a luz do óleo. Incenso e genuflexões acompanham a bênção solene com a Hóstia da «Custódia», – tudo isso é para os olhos, os ouvidos, para o olfacto e para a inteligência. São as antigas formas de veneração ao Imperador bizantino mas, aqui, não se tributam a um imperador ou a um homem, mas a um pedaço de Pão Consagrado. O «Santíssimo» era outrora o Taber-náculo, o lugar mais interior do templo judaico, onde Deus morava na palavra do Torah.

Depois da Reforma, o Concílio de Trento veio reafirmar que, em cada Hóstia consagrada, se encontra «verdadeira e substancialmente» o Corpo e o Sangue de Jesus.

Isto ultrapassa todo o conhecimento humano – e fascinou muitos, desde Tomás de Aquino aos Pastorinhos de Fátima. Foi a perseverança radical de fé no Pão Consagrado, que salvou a Igreja Católica de se transformar, durante os séculos, numa simples visão ideológica.

Para os católicos, a mesa eucarística não é somente a distribuição de pão, mas, neste pão, Deus está presente. Para eles é Deus num pedaço quebrável e transitório de pão.

Embora incrível para os não-católicos, este pão é, desde o tempo dos apóstolos, o coração da Igreja Católica – mesmo havendo católicos que dificilmente aceitem esta verdade. Realidades ontológicas nunca dependerão de maiorias mutáveis. E assim ficará como o último escândalo na história das religiões: «Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue.»

Inacreditável para os que não pertencem à Igreja Católica e encontram escândalo naquilo que os católicos acreditam na Celebração Eucarística!

 Oração

Ó Hóstia Salutar
Que abres a porta do céu,
Contra guerras inimigas
Dais fortaleza e auxílio.
Ao Senhor uno e trino
Glória perpétua.
A vida sem fim
Nos dê Ele na pátria.
Amém.

 9º Dia

Inicio: Sinal da Cruz

Evangelho Jo 1, 1-18

Oração com Evangelho do dia

Senhor és a minha luz, e as trevas não conseguiram dominá-la.
Senhor és a Palavra e a Palavra se fez carne e habitou entre nós. És o nosso Salvador! Nesse dia em que fazemos memória ao teu nascimento te suplico Senhor, salva os meus, os retire das trevas, da escravidão, toma o teu lugar em seus corações, só Tu pode gerar vida plena. Atendei nos Senhor Deus, Vinde salvar nos.

Jesus, Maria e José. Minha família vossa é. Amém

Final: Rezar 1 Credo, 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e 1 Gloria ao Pai (em honra a Sagrada Família)