Quantas vezes em nossa vida nós olhamos para nós mesmos e dizemos: – Não era assim que eu imaginava estar hoje! Eu nunca pensei que era esta a história da minha vida. São nossas feridas. Sobre isso vamos discutir AGORA. Todo este tempo de Quaresma nos leva a buscar o Senhor para sermos preenchidos pelo Amor de Deus que dá nome no que sentimos e ordena os nossos sentimentos.
Todas estas histórias sobre nossas feridas, nos remete ao livro do Gênesis! Quando nós voltamos a pensar que não confiamos mais em Deus.
Ferida contra a Confiança! Todos nós pensamos e passamos por isso. Nosso problema não é ser mal, mas sermos feridos. Quantos de nós vivemos esta ilusão de que para sermos amados precisamos ser bonitos, simpáticos, inteligentes, corajosos, cheios de sucesso…Mas se não somos assim, não seremos amados pois seremos Rejeitados, Indesejados.
A Islândia eliminou Síndrome de Down no país, que é uma ilha, pois é dever abortar todos. Nos EUA 90% dos descobertos intra-útero são mortos, pois é assim que agem os planejadores familiares. No Reino Unido 95% são abortados. Pois se não são bonitos, são eliminados, isso é Eugenismo.
Por outro lado um estudo de Harvard mostra que quase todos os Down são felizes. Mas não é assim que o mundo de hoje os vê. O mundo do perfeito, do corpo ideal, de gente que esconde suas feridas não tem tempo para observar os excluídos, pois seu eu os excluo me eximo de ter de amá-los. Pois os que aparecem com defeitos visíveis são indesejáveis. Pois ninguém quer saber sobre você, ninguém quer se envolver contigo. Relacionar com pessoas com deficiências e defeitos significa comprometimento. A que ponto o mundo está chegando. O mundo dos que escondem suas feridas, pois todos temos. E não somos capazes de esconder para sempre estas feridas. E Jesus Cristo hoje se aproxima de você e diz: – Olhe para si, aponte todas as suas feridas, eu quero te curar e te livrar do mundo das aparências, do mundo do se é belo é bom.
Vergonha e culpa são muito diferentes. Vergonha é altamente correlacionada com distúrbios alimentares, depressão, baixa estima, ansiedade, suicídio, pois revela o que somos. Quão pobres nós somos. Culpa pelo contrário é algo externo a nós. Vergonha é assim, como eu sou e me paralisa. Não há escapatória para a vergonha. Culpa é poderosa, pois quando assumimos, ganhamos poder. Vergonha significas que não temos mais poder. Podemos ser manipulados por outros , quando a vergonha nos domina. A culpa nos dá força ao assumirmos para galgar passos mais altos.
Jesus e a Samaritana é o encontro do Evangelho João 4. Encontro de Jesus com alguém que vem ao meio dia ao poço, para pegar água, pois somente os marginais viriam esta hora que ninguém vem. Jesus ignora que ela é samaritana, marginalizada e ainda dá nome a vergonha dela: Chame seu esposo!. Ele conhece os corações. Ele olha dentro dela e diz você teve vários esposos agora está com alguém que não é seu. Quantas feridas esta mulher tinha, quanta Vergonha! Vivia já a falsidade que muitos vivem hoje. Quantas mulheres e homens fingem um relacionamento com suas feridas, dizendo em muitos relacionamentos e dizendo agora achei o meu ou minha cara metade. Mas na verdade os dois estão usando um ou outro. Usam inclusive fisicamente, usando seu corpo. A cultura do ser útil, atualmente e quando não é mais útil descarta.
Jesus se aproxima e entra dentro da vergonha da Samaritana e revela a ela que ela é DESEJADA e AMADA, não por homem mas pelo AMOR ETERNO. Só o amor de um Deus Amor é capaz de curar nossas vergonhas e nos libertar de nossos momentos de esconderijo humano.
A historia de Santa Margarida de Castela, revela uma mulher deformada desde o nascimento, rejeitada pela sua família Real, criada com os empregados. Deformada, corcunda, sindrômica e ainda cega. Mas ela era guiada pela mão de Deus, que a fazia inteligente, brilhante, doce e amável. Dos seis anos até 15 anos morou dentro de uma Igreja, para se isolar de todos, mas não de Deus. O Padre a educava dia a após dia. Margarida sabia que era Indesejada. Mas Margarida ouviu que Deus a tinha criado e a desejou desde o ventre materno. Ela ouviu que o coração dela pertencia a Deus e que Deus queria que ela o amasse de todo coração, e que não importa o quanto sua família a rejeitasse, Deus a amava. Pois o sentido da vida dela era o AMOR. Mesmo depois que sua família tirou esta menina das mãos do Padre e a abandonou nas ruas de uma cidade distante, e lá ela pode ser Margarida, com palavras de ciência aos sofridos e obras de caridade. Ela se tornou Santa Margarida de Castela, que todos naquela região amavam.
Nossa vergonha nos faz escondermos. Nossa vergonha nos faz nos esconder de todos com medo de que se souberem da nossa vergonha não irão mais nos amar. Assim é em várias regiões da África onde as meninas são tomadas em sua adolescência e são levadas para a selva, por semanas abusadas. Mas suas tribos, quando elas retornam fazem uma enorme roda e as amam. Festejam porque elas estão de volta, vivas. Mesmo que elas não queiram suas vergonhas expostas já estão expostas e mesmo assim todos as amam.
Assim é a porta do Confessionário. Neste local a vergonha é morta e enterrada. Nesta Quaresma procure um Confessionário. Abra seu coração. Deixe o Perdão do Senhor retirar de todo o seu interior suas feridas abertas com suas dores, e recomece com o Senhor a nova página da sua vida. Deus conhece seu coração, e mesmo sabendo de todas as suas feridas e vergonhas Ele não para de te amar e me amar. Por que somos DESEJADOS por Quem nos Criou!
A paz do Senhor, o Shalom esteja em todos os corações! Para sermos luz para este mundo tenebroso, que atenta dia e noite contra a vida!

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