Os sinais do Pentecostes

Frei Raniero Cantalamessa
OFM Capuchinho

No início, Adão era uma estátua de barro, porém Deus soprou sobre ele um espírito de vida e ele se tornou um ser vivo. Muito tempo depois, o Espírito de Deus veio sobre Maria e nela apareceu uma nova vida, a vida do novo Adão; a vida deu um grande salto de qualidade! Mais tarde, o Espírito de Deus veio ao sepulcro de Cristo e o reanimou e fez Jesus retornar à vida.

Mais uma vez, o Espírito veio sobre os apóstolos, em Pentecostes, e encontrou um punhado de homens temerosos, medrosos, inertes como Adão quando era uma estátua de barro e, com suas línguas de fogo, o Espírito fez aparecer a Igreja, corpo vivo de Cristo. Nós, que somos a Igreja, somos corpo vivo de Cristo pelo Espírito Santo.

A cada Eucaristia, o Espírito Santo desce sobre o altar e transforma o pão e o vinho em corpo e sangue vivo de Cristo. E um dia, no fim do mundo, o Espírito virá e dará vida aos nossos corpos mortais e nos fará ressurgir para a vida eterna.

De Saulo a Paulo

Agora vou lhes contar sobre a vida nova que o Espírito Santo me deu.
Até 1975, eu era um frade capuchinho que ensinava História das Origens Cristãs na Universidade de Milão, na Itália. Um dia, comecei a escutar pessoas que falavam de uma nova forma de rezar. Uma senhora, de quem eu era diretor espiritual, voltando de um retiro disse-me: “Encontrei pessoas que rezam de um modo estranho: levantam as mãos, batem palmas, são muito alegres e dizem que entre eles milagres acontecem”. Então eu lhe disse: “Nunca mais irás a essa casa de retiros”.

Esses dos quais aquela senhora falava eram carismáticos. Comecei a observá-los e via que algo daquilo que acontecia entre esses irmãos era exatamente aquilo que lemos nas primeiras comunidades cristãs.

Eu não podia negar que havia algo daqueles primórdios da Igreja, contudo havia fenômenos que me perturbavam, como falar em línguas, abraçar-se, profetizar…

Certo dia, fui quase forçado a um encontro carismático. Lá fui tomado de uma intensa e nova alegria, que não sabia explicar. Sentia-me sacudido. E, confessando as pessoas, percebia nelas um arrependimento novo, profundo. Eu podia ver e até tocar a graça de Deus. Mas continuava como um observador.

Em 1977, ganhei uma passagem para ir aos Estados Unidos, assistir à grande assembléia carismática ecumênica. Dentro de mim, dizia: “Isto vem de Deus, mas não me agrada”. E as 40 mil pessoas presentes ali cantavam: “Jericó deve cair”. Os meus colegas italianos me diziam: “Escuta bem, porque Jericó és tu”. Eles tinham razão, e Jericó caiu.

Depois do encontro fomos a uma comunidade carismática em New Jersey, onde aceitei receber a efusão do Espírito Santo, mas ainda com certa resistência. Um dos sinais do Pentecostes é Deus falar através dos humildes. Quando as pessoas rezavam por mim, todas as palavras proféticas pronunciadas falavam de evangelização, de Paulo que com Barnabé inicia suas viagens apostólicas, e um irmão proclamou: “Tu provarás de uma alegria nova em proclamar minha Palavra”.

Um detalhe importante é que enquanto se reza para que alguém receba a efusão do Espírito, se diz: “Escolhe Jesus como Senhor da tua vida” e, enquanto me diziam estas palavras, levantei os olhos e vi o crucifixo que estava sobre o altar da capela. Era como se Ele me esperasse para me dizer algo muito importante: “Atenção! Raniero, cuidado! Este é o Jesus que tu escolhes como teu Senhor, o Crucificado. Não é um Jesus fácil, sentimental”. Nesse momento, entendi que a RCC não é um fenômeno superficial, mas algo que nos leva diretamente ao coração do Evangelho, à cruz de Cristo.

Comecei a ler o breviário experimentando algo novo. Vocês sabem que um dos frutos mais evidentes do Espírito é abrir a nossa inteligência para entender as Escrituras. Outro sinal da transformação que o Espírito operara em mim era o novo desejo de rezar.

Três meses depois voltei à Itália e os meus irmãos diziam: “Que milagre! Mandamos à América Saulo e nos mandaram de volta Paulo”.
Pouco tempo depois, enquanto rezava com um grupo de oração em Milão, surpreendi-me fazendo a oração: “Senhor, não permita que eu morra como um professor universitário aposentado!” E o Senhor levou a sério minha oração.

Algumas semanas depois, rezando na cela de meu convento, tive a moção interior de visualizar Jesus que retornava do batismo no Jordão e começava a pregar o Reino de Deus, e ao passar por mim Ele dizia: “Se queres me ajudar a proclamar o Reino de Deus, deixa tudo e vem!”
Compreendi que Ele queria dizer: “Deixa tua cátedra na Universidade, tua direção de Departamento e te tornes um pregador itinerante da Palavra de Deus, no estilo de São Francisco de Assis”. E ao final daquela oração o Espírito havia colocado em meu coração um “sim”.

Fui ao meu superior geral dizer-lhe que me sentia chamado pelo Senhor. Ele me pediu para esperar um ano. Depois de um ano, ele disse: “Sim, é vontade de Deus, vá”. Assim, tornei-me pregador.
Foi o Espírito Santo e a experiência carismática que fizeram deste velho professor universitário um pregador do Evangelho.

A Casa Pontifícia

Três meses depois, recebi um telefonema de Roma, do meu superior geral que me dizia que o Santo Padre, João Paulo II, havia me escolhido como pregador da Casa Pontifícia. O Papa, com tudo o que tem para fazer, cada sexta-feira de manhã, durante a Quaresma e o Advento, deixa tudo e vem escutar a pregação de um frade capuchinho. Quantos de nós vão escutar pregações como o Papa? Ele não falta nunca. Certa vez, estando em viagem pela América Central, faltou a duas pregações; na sexta-feira seguinte, foi ao meu encontro e pediu desculpas por ter faltado a duas pregações.

Foi-me dada a oportunidade de fazer ressoar ali, no centro da Igreja, o que o Espírito Santo está fazendo na Igreja. O Senhor escolheu esse pobre frade capuchinho para fazer chegar ao coração da Igreja aquilo que vivemos aqui, esta força, esta esperança, esta certeza de que o Espírito Santo realizou um novo Pentecostes na Igreja.

Um dia, entendi que era hora de falar ao Papa, aos Cardeais, aos Bispos sobre a efusão no Espírito. Entre outras coisas, eu disse: “Alguns dizem que tendo recebido o Espírito Santo na Ordenação, no Batismo, não temos necessidade desta oração pedindo a efusão no Espírito, mas Jesus não poderia responder: “Eu também não estava cheio do Espírito desde o nascimento de Maria, e mesmo assim fui ao Jordão para ser batizado por um leigo que se chamava João Batista?”

No final da pregação, eu tinha um certo temor e veio ao meu encontro um Cardeal que me disse: “Hoje, nesta sala, ouvimos falar o Espírito Santo”.
O Santo Padre também sabe de minha experiência, pois lhe contei pessoalmente. Mesmo assim, já faz mais de 20 anos, e ele não me mandou embora. E aquilo que vocês encontram nos meus livros, quase tudo foi escutado antes pelo Papa.

Quero lhes contar um último detalhe que nos faz conhecer a grande paciência do Santo Padre e o seu imenso amor pela palavra de Deus. Uma vez por ano devo fazer a pregação, na Basílica de São Pedro, com o Papa que preside a celebração. É porém a única vez que não é ele quem prega. Lida a narração da Paixão, é o pregador da Casa Pontifícia quem deve subir ao altar do Papa e pregar. Na primeira vez, os degraus me pareciam mais altos que o monte Evereste. Falando na Basílica, dei-me conta de que deveria falar muito lentamente, porque há uma grande ressonância. Mas, falando lentamente, o tempo passava e ultrapassou em cerca de dez minutos o tempo previsto. Vocês sabem que imediatamente após essa pregação, toda sexta-feira da Paixão, o Papa vai ao Coliseu fazer a via-sacra, e o secretário, naturalmente, estava muito nervoso e olhava o relógio de vez em quando. No dia seguinte, disse às freiras que depois daquela função, o Papa o chamou e, com muita gentileza, disse: “Quando um homem de Deus fala, nunca devemos olhar o relógio”.

Coragem, e ao trabalho!

No dia em que meu superior me permitiu iniciar essa vida nova, no ofício das leituras havia um texto do profeta Ageu: “Coragem, Josué, sumo sacerdote, coragem Zorobabel, coragem todo o povo deste país, e ao trabalho. Coragem porque eu estou convosco, diz o Senhor” (Ag 2,4).

Lida essa passagem, fui à Praça de São Pedro e, olhando para a janela do Papa, comecei a gritar: “Coragem João Paulo II, mesmo se sabemos que és o homem mais corajoso do mundo; coragem Cardeais e Bispos, e ao trabalho, porque eu estou convosco, diz o Senhor”. Isso era fácil, pois não tinha ninguém lá, mas três meses depois eu me encontrava diante do Santo Padre e dos Cardeais e Bispos, e proclamei novamente aquela palavra de Ageu.

Hoje, anuncio estas palavras também a vocês: coragem, povo de Deus, e ao trabalho, à evangelização, à renovação da Igreja, porque eu estou convosco, diz o Senhor!

Amigos estamos coletando testemunhos com o livro Semeando Dons Colhendo Vocações. Se você teve sua  vida mudada, discernida a partir da leitura orante deste livro, mande-nos um email para joseaugustonasserdossantos@gmail.com ou para o nosso blog. Precisamos testemunhar as maravilhas que Deus faz conosco. A partir do seu contato iremos gravar uma entrevista com o seu testemunho e apresentar em breve na TV Canção Nova. OK? Aguardo contatos

Dr Nasser

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Washington D.C.
Estados Unidos da América

Era domingo da Misericórdia, ano 2007. Fazia muito frio e a todos se apressavam para a Missa Dominical para fugir da chuva e do frio. O Pároco à porta da Igreja de San Patrick recebia o seus paroquianos e com um sorriso calmo anunciava uma surpresa para o dia. A Missa foi iniciada com uma música suave mas tocante. Em inglês a palavra Senhor se diz LORD, e tem uma dimensão sonora muito profunda. E no salmo pedíamos, clamávamos Mercy ( misericórdia ). A surpresa viria então ao final das Leituras. O pároco se dirigiu ao altar e anunciou a presença do Padre John de Dallas. Uma grata surpresa quando ele inicia a sua homilia relatando um milagre acontecido pela intercessão de ninguém mais do que Padre Emiliano Tardif. Relatou com detalhes como fora aquela gestação tida como impossível pelos médicos. Vários aconselhamentos para que a senhora abortasse. A gravidez de alto risco transcorria como toda situação obstétrica gravíssima transcorre, com muitas internações, com palavras fortes de morte, de iminência de morte. Até que levaram a senhora à presença do Padre Emiliano Tardif. Ele orou e proclamou que Jesus estava carregando o seu filho no colo e que ela confiasse em Jesus e seguisse à risca as prescrições médicas desde que não atentasse contra a vida do bebê. Foram tantas as palavras de malformações fetais sobre esta senhora que muitas vezes quase não conseguia nem ouvir o que os médicos mais diziam, quase desfalecia a quaisquer iniciações de discursos abortivos…Mas, sua confiança ia aumentando à medida que o final da gravidez se aproximava…E ela deu a luz a um bebê acima do peso, saudável e deu o nome de Emiliano para homenagear este amado Sacerdote que deu a sua vida pelo mundo afora para anunciar as glórias de Jesus Vivo! Padre Emiliano Tardif está no processo de beatificação e certamente também para canonização…Isto aconteceu há alguns anos atrás apenas, já na era do Ultrason e da Ressonância Magnética.
 A Missa transcorreu com todos os presentes tocadíssimos com o testemunho. E cantamos um hino lindo sobre a Misericórdia. Poderíamos ter proclamado ao final “Se creres verás a glória de Deus” ( João 11-40).
 Ao terminar a celebração procurei o Padre John para um  aconselhamento. Eu estava em Washington D.C. a capital da maior potência do mundo dos homens, para um Congresso Médico. Desde que eu cheguei meu coração ardia para procurar Padre Robert De Grandis. Desde o início da minha caminhada Monsenhor Jonas profetizou que eu o teria como diretor espiritual. E desde então eu abracei todos os livros e publicações sobre o Ministério de Cura.    E eu estava lá, onde ele morava e estava recluso por motivo de doença desta forma com ordem superior para não se ausentar mais do seminário. Todos os que eu apresentei o endereço do Seminário me diziam que eu não deveria ir aquele lugar. Os taxistas, os concierges, enfim todos os amigos a serviço não de Deus. Pois o Padre me incentivou a ir naquele dia mesmo, e que o Senhor abriria meus caminhos. E ao final ele do nada me revelou ter dado uma entrevista para a Canção Nova há uma semana. Não são estas Cristocidências que nos dá um charme todo especial neste caminho com Jesus?
 
Testemunho de Cura da Afetividade e E.R 

Para me despedir do Senhor fui ao Sacrário agradecer o que tinha acontecido. Mal eu comecei a rezar e Jesus me disse ore por esta senhora que está ao seu lado.
– Jesus, que conversa é esta?
– Nasser, ore ela deseja há anos isto.
– Senhor, eu estou em D.C. e não no Rio, nunca orei por ninguém em outra língua.
– Eu te ensinei inglês, confie em mim…Sou eu que falarei em Ti ( Jer 1).
– Está bem Jesus, me dê um sinal! E mal em acabei de falar e ela se virou para mim e então eu ousei:
– Posso orar em  você?
– Claro. Respondeu prontamente.
 Eu fui orando e logo Jesus me mostrava uma ferida muito profunda. Perguntei:
– Qual é a sua maior dor?
 Em lágrimas foi me dizendo:
– Eu sou muito amada pelo meu marido e pelo meus filhos mas não consigo amá-los. Não consigo, é maior do que eu.
 Jesus me disse:-  Pergunte sobre o que aconteceu aos seus 5 anos… E foi esta a pergunta que eu a fiz!
 Ela aos prantos me dizia: –  Como você soube de tudo isso?
 Eu insisti: – Eu já sei, mas diga você mesma com suas próprias palavras, coloque a mão de Jesus nesta sua ferida e peça com fé, Filho de Davi olha para mim, vivo atormentada por este dardo inflamado há 35 anos…Diga, diga.
 As lágrimas tomavam sua face, o  seu casaco e o seu apoiador de braços. Nós chorávamos juntos, pois era muito forte este momento.
 Tomando um profundo impulso disse: – Eu fui molestada aos 5 anos pelo meu pai e nunca contei para ninguém! Achei que o tempo iria curar, mas a cada ano esta dor parecia que aumentava cada vez mais!
 Segurei suas costas na minha mão e disse: – Repete comigo e ela foi seguindo a oração de perdão ao seu pai e pedindo Jesus que a curasse. Ao final da oração em línguas Jesus estava segurando ela com vestido de noiva e entregando ao seu marido.  
 Fiquei aos pés do Senhor um tempo me recuperando. Então E.R. que é seu nome me perguntou: – Você é um anjo?
–  Respondi: – Não, Ele é Jesus! Jesus, o Nome acima de todo Nome! ( Gal 2-20). Eu somente um dia fui doce, quando experimentei a sua Misericórdia, que celebramos no dia de Hoje.
– Como posso te pagar?
– A mim? Quem é digno do seu tesouro é Jesus, Ele que  deu a vida  por você e por mim! De graça recebemos, de graça daremos. Ou melhor, reze uma Ave Maria para este Ministério no qual eu sou prisioneiro ( Ef 6-20).Amém? Confesse com seu pároco e seja muito feliz. Tempo depois fiquei sabendo que E.R. não só tinha ressuscitado como estava incansavelmente levando auxílio aos que mais necessitam!

Encontro de Fé e Amor

 Quando damos algo tão especial, que é o nosso tempo para Jesus, Ele que é Amor nos recompensa com tantas graças. Logo que eu saí da Igreja consegui um táxi que me levasse até o Seminário San Josephite, onde é a ordem do Padre De Grandis, fica ao lado da Universidade Católica de Washington. Ao chegar no Seminário com chuva e muito frio. O taxista me disse que não poderia vir me buscar e que não sabia como eu iria embora. Dei um sorriso e agradeci e ouvi no meu coração:- Quem tem Jesus tem tudo!
 Toquei a campainha e houve uma demora normal em atender pelo tamanho do local e ser domingo. Um seminarista me atendeu. Quando eu disse quem eu era e de onde vinha ele respondeu:
– Ele já estava esperando por você! Surpresa? Quem está no sintonia do Espírito Santo não se surpreende com isto.Louva e agradece a Deus imediatamente.
 De repente eu ouvia passos na direção da sala de atendimento e o Padre De Grandis aparece, como se nenhuma doença o tivesse atingido. Seu abraço de pai me acolheu dentro do seu coração. Ficamos em jejum partilhando todas as coisas por 6 horas. Ficamos no tempo de graça e não do tempo do mundo. Saboreamos cada segundo daquele encontro em Deus. Quantas profecias Padre DeGrandis fez em mim que já se cumpriram e outras em fase de serem cumpridas. Rezei por ele e ele por mim. Jesus nos abraçou, nos uniu e nos abençoou. Ao final, chamamos várias vezes táxis e não apareceu nenhum. Rezamos e fomos para a estrada com um guarda chuva para dois.  Pedimos  que Jesus  mandasse seus anjos. E não foi? Apareceu um senhor, do nada com um táxi todo cheio das coisas de Deus. Quer maior sinal que este? O táxi partiu e o Padre ficou para trás naquele dia frio e chuvoso! Desde então nos correspondemos freqüentemente! Mas a maioria das coisas que eu relato a ele, ele já sabia. Pois o Espírito Santo é único e revelador  e revela aos nossos corações o que acontece com os que amamos.
Amém!

Se você se sentiu tocado por este testemunho faça seu comentário, diga com palavras de todo o tipo o que foi e onde foi que você foi tocado. Sua mensagem é muito importante para muitos com E.R. que guardaram feridas por 35 anos sem conhecer Aquele que tira o Pecado de mundo! Mande mesmo sua mensagem e tenha certeza do sigilo se você não desejar não publicarei ficará só na nossa partilha, mas quando damos o testemunho é ele que vai abrindo o mar vermelho de tantos corações presos em tantos Egitos por aí! Vamos amados, nas Ondas Impetuosas do Espírito Santos, é claro andando sobre as águas!