Quando nós olhamos para trás, ou seja em retrospectiva, nós podemos ver de forma mais clara e aprender com nosso passado. Contudo, temos a tentação de Editar a história que nós contamos a nós mesmos. Nós podemos editar como contamos a história , mas não devemos Editar a maneira como lembramos dela. O Inimigo da memória é a Edição.

Scott Fraser é um dos maiores experts em analisar cenas de crimes e ele em vários artigos sobre como podemos ser enganados por nossa memória quando o assunto é cena do crime. Mas isso não para aí, sua estatística é assombrosa em seu projeto Inocência, onde ele conseguiu provar que em 280 pessoas condenadas que as mesmas eram inocentes e que o houve foi o que chamamos de erro de olhos testemunhais. Sim, estas pessoas foram presas, foram julgadas  e foram condenadas por crimes que jamais cometeram. Como nossa memória pode nos trair desta maneira? Estas testemunhas juraram sobre a Bíblia dizendo que elas viram com seus próprios olhos que aquela pessoa cometeu tal crime.  Scott diz como nossa memória pode ser fraca, ou imprecisa ou falsa. Ele chama  de Memória Reconstrutiva.  Você pode viver tendo a certeza de que você  viu algo que nunca aconteceu, criado por sua própria memória. Este nome em Psiquiatria se chama Confabulação.

Muitos de nós já ouvimos  um fenômeno mental chamado de Efeito Mandela. Esta idéia veio de uma  pessoa chamada Fiona Broom que descrevia e jurava que Nelson Mandela havia morrido nos anos 80, que havia lido sobre isso, ouvido no rádio e TV, ao passo que o mesmo estava preso e vivo, e somente iria morrer sete anos atrás.

Este Efeito também ocorre conosco com certos livros de infância, certos anúncios de TV quando éramos jovens e juramos que o que estava escrito era tal coisa e hoje quando checamos vemos que estávamos errados, mas não somos nós apenas, muitos pensam do mesmo modo. Como facilmente nossa memória nos trai.

Nós iniciamos na última semana a série Retrospectiva e como é difícil para cada um de nós prever o futuro. Nossa visão é muito boa mas não alcançamos o que vem. Pense novamente que o que temos de recente se chama Retrospetiva 2020 que foi péssima.  Olhamos este último ano e fazemos a seguinte  pergunta, o que nós sabíamos há um ano comparado com o que sabemos hoje? Voltar ao inicio de fevereiro de 2020. Pense então cuidadosamente após saber tudo isso sobre memória, sobre confabulação, temos que nos perguntar: – O QUE NÓS SABEMOS AGORA? Eu realmente me lembro de tudo? Eu não tenho a acurácia para os detalhes. Eu me lembro de muita coisa mas não de tudo.    Memória seletiva e Efeito Mandela me faz entender que nós precisamos ter consciência da maneira que nós contamos a história. Precisamos saber o modo como contamos a outra pessoa algo que ocorreu e que achamos relevante contar.

Quando nós começamos a editar muito na história que estamos contando podemos cair em algo que não ocorreu. Um pouco diferente de mentira, que temos consciência de que não é verdade. A Edição vamos colocando coisas na história e vai ficando a nossa história e não o que ocorreu.

Edição todos nós  fazemos. Quando você é um bom contador de história você precisa ser um bom editor. A história contada por você tem um sabor especial.

Edição é importante na história como o Profeta Jonas fez, como Pedro fazia e meu pai, que era um bom contador de história, costumava fazer. A edição é o Inimigo do modo como devemos realmente lembrar da história. Porque existem coisas nas nossas vidas que nós não queremos nos lembrar, não é mesmo?

A hipermnésia, também conhecida como síndrome da memória autobiográfica altamente superior, é um síndrome rara, sendo que as pessoas portadoras já nascem com ela, e não se esquecem de quase nada ao longo da sua vida, inclusive detalhes, como nomes, datas, paisagens e rostos. Somente 10 pessoas no mundo tem esta habilidade. Isso é sensacional  para as coisas boas, mas para as não boas, deve ser muito doloroso viver assim.

Imagine uma pessoa assim se lembrando o tempo todo com detalhes de 2020, sua retrospectiva é 2020.

Muitas vezes nós temos que nos confrontar com nossas retrospectivas e algumas coisas não legais que fizemos e magoamos alguém. A noite no nosso quarto refletimos sobre isso e muitas vezes vivenciamos. Precisamos passar por todo este processo de lidar com nossas lembranças, nossas misérias e nossas retomadas.

Eu não posso me dar ao luxo de esquecer a retrospectiva 2020. Pois é parte de minha história toda. Eu não pode me dar o luxo de pensar que não existiu.

Olhe para trás 2020, retrospectiva. O que você não pode dar o luxo de esquecer? O que você precisa se lembrar  e o que você não pode dispensar? Pode ser algo bom, por exemplo, você descobriu que é muito mais resiliente do que você pensava ser. Você descobriu que você é muito mais corajoso frente ao medo, do que você pensava ser.  Você é mais  fiel do que pensava ser. Você é muito mais uma pessoa de Fé do que jamais pensou ser.

Há muita solidão deste último ano, muito luto, muita dor que você enfrentou. Diante de tanta dor, ou você reagiu e se reergueu em termos de sua fé, ou você se entregou aos estragos depressivos e entediantes de tudo o que foi 2020.  Imagine alguém que por conta das medidas de 2020, teve que adiar algo tão sagrado quanto o Matrimônio. Eu te convido a se colocar no lugar desta pessoa neste momento. Eu jamais me esqueceria disso.

Muitos casais prosseguiram e com todas as precauções se casaram e esta celebração se deu de uma forma muito mais profunda e espiritual do que se tivesse sido com toda pompa e circunstância. Isso faz toda a diferença, o olhar da alma e não do corpo para as coisas que são Sagradas, que neste momento se elevam ao seu devido lugar.

Retrospectiva de 2020, eu não posso me dar luxo de descartar a força que me moveu durante todo este tempo e me move até o presente momento. Pois 2020 foi batalha do começo ao fim. Nós somos chamados assim a nos lembrarmos de TODA A HISTÓRIA e não somente pedaços , 2020 não permite edições pois foi vivido em cada momento.

Precisamos contar toda esta história a nós mesmos e ao Criador.