Fotos: Wallace Andrade CN

A vida tem sempre caminhos e pessoas surpreendentes! Ao dar os primeiros passos numa estrada desconhecida, geramos em nossos pensamentos expectativas que fazem o coração disparar. E na medida em que avançamos pelo trecho, surgem boas e nem tão boas surpresas. Toda rota tem buracos, pedras, espinhos e troncos que atravessam o percurso. E em cada obstáculo que aparece, não dá pra parar, sentar e chorar até morrer! Preciso buscar meios de tapar os buracos, arrancar as pedras, espanar os espinhos e arrastar os troncos. Afinal a viagem precisar continuar.

E na rotina dessa estrada tem sempre alguém que ajuda a empurrar o carro de sua vida. Tem sempre aquele que pega a pá contigo e tapa os buracos. E aquele que aparece e arranca os espinhos que te causa tanta dor? E o cara que agarra a pedra ao teu lado e te motiva a fazer força? Surpresa mesmo é quando você ouve a motosserra chegando e cortando em fatias o tronco de seu caminho. Essas pessoas já estão em sua estrada, como fragmentos importantes na trilha, como anjos que nos fazem entender que Deus tem muito carinho por nós!

O problema é quando nessa estrada tem os que abrem mais buracos, lançam mais espinhos, despejam mais pedras e derrubam muitas árvores para impedir que você prossiga em sua rota de harmonia e felicidade, de certeza e esperança! Para esses é melhor não dar crédito. É louvável não darmos títulos, pois podemos ser injustos com o Senhor. Afinal, a providência Divina, que rege todas as coisas, é cercada de mistérios e permissões do Criador.

As pessoas que dificultam nosso prosseguir, podem estar até nos atrapalhando e nos atrasando, mas não serão nunca capazes de nos fazer desistir, se em suas provocações, nos encontrar dispostos e acompanhados daquelas outras pessoas que já mostraram que estão ali para nos ajudar. Pessoas em quem podemos contar sempre.

E como ponto final desse texto, é sempre bom lembrar que nas estradas desse mundo, existirão sempre pessoas prontas pra nos dizer: FAÇA O QUE EU DIGO! Difícil é ver que nem sempre são capazes de nos dizer: FAÇA O QUE EU FAÇO! Afinal a vida é feita de testemunhos reais e verdadeiros. O resto são só palavras ao vento… e pérolas aos porcos!! E no tempo de Deus, elas vão passar em nossas vidas, como os buracos, as pedras, os espinhos e os troncos que já ficaram para trás em nossa viagem terrena, rumo ao céu!!

Deus abençoe!

Wallace Andrade 
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

Sete dias se passaram, desde que a primavera chegou. O vento frio e a chuva dão o tom da renovação das cores e flores. As montanhas ressecadas e queimadas já encontram forças para substituir o cinza, deixado pelo fogo, pelo verde que trás a esperança de que agora vamos mudar nossa consciência e cuidar melhor daquilo que ganhamos de presente do Criador.   Será que ainda teremos quantas oportunidades para ver a natureza reverter esse triste retrato que reúne na mesma moldura, o solo desgastado, a mata queimada, as nascentes agoniadas, e as aves sem alimento e morada?  Em meio a tudo isso existem pequenos refúgios, onde o mato cresce sem medo do fogo, as folhas secam e forram o chão sem pressa de ser varrida pelo vento e as aves se alimentam o ano todo com frutos de cada época. Um desses pequenos refúgios é o meu quintal, que já teve acerola e laranja. Agora tem abacate e manga.  O legal é que no meio do mato existem ervas e sementes a alimentar os “biquinhos de lata” e o abacate que nasce nas alturas e se quebra quando cai, alimenta as sabiás. Era nela que queria chegar, mas resolvi fazer um caminho longo no texto. E o foco precisa ser na sabiá-laranjeira, muito comum na América do Sul.  O peito pintado com cor de ferrugem ilumina a terra ainda seca do inverno que partiu. Mas o canto melodioso anuncia que com a estação das flores, também inicia o tempo de reprodução desse passarinho considerado símbolo do estado de São Paulo desde o ano em que eu nasci, em 1966.  A sabiá já foi inspiração de diversos poetas, por cantar sempre o amor e a primavera. Dizem que ela migrou da Europa para a América há 20 milhões de anos. Achei muito tempo pra caber na minha cabeça, mas acho melhor você ficar com o que a pesquisa revela.  Outra curiosidade é que o nome sabiá é derivado da língua tupi, que chamava a ave de haabi’á. E o mais impressionante é saber que a sabiá não frequenta a Bacia Amazônica. Talvez seja por isso que ela não está na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, que a classificou como espécie em condição pouco preocupante de extinção.  A sábia sabia tem 23 cm de comprimento, tem o bico reto de cor amarelo-oliva, as patas cinzas, o olho negro circundado finamente de amarelo e a penugem do dorso de um tom uniforme marrom-acinzentado. Ela gosta de viver nas florestas abertas, beiras de campos e áreas de lavoura e cidades, como meu pequeno quintal.  Desde que nesses lugares exista água por perto.   Gonçalves Dias na abertura de seu célebre poema Canção do Exílio, demonstrava uma saudade especial da sabiá. Talvez porque seu canto inconfundível seja uma sinfonia única que anuncia as surpresas que sempre chegam com a primavera.

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.”

Num tempo como hoje seria até mais fácil, Gonçalves Dias matar saudade do pássaro e seu canto, tamanha quantidade de vídeos e áudios existentes nos meios eletrônicos. Mas os verdadeiros admiradores precisam vislumbrar essa criatura a futucar a banda do abacate, ou os fiapos da manga. E acima de tudo, purificar os ouvidos com uma sinfonia completa. Afinal a sabiá é só um pequenino fragmento da grandiosidade do nosso Criador, que sempre se faz presente.

“Seu som ressoa e se espalha em toda terra!” (Sl, 18)

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

Wallace Andrade é missionário da comunidade católica Canção Nova, jornalista e autor dos livros “Mãe de Milagres – Nossa Senhora Aparecida” e “Mãe de Milagres – experiência e carinho de mãe vivenciadas nos santuários da Mãe Rainha”, publicados pela editora Canção Nova. 

Um dia desses uma amiga me contava o drama que estava vivendo, por causa da visita exótica na sacada de seu apartamento. Uma coruja estava tirando o sono dela e de todos de sua casa. Hoje caminhava eu perto de sua casa e constatei a morte da ave. Creio eu que o óbito do animal foi provocado por uma descarga elétrica, pois vi seu corpo estendido no chão, próximo a um poste de alta tensão. E ao dar a notícia a minha amiga, percebi que seus olhos brilharam e deu até pra sentir um suspiro de alívio. Daí nasceu a inspiração para escrever esse post.

Sabia que uma parte da população brasileira não tem nenhuma admiração ou simpatia pelas corujas? E muitas dessas pessoas estão contribuindo para o fim de muitas dessas aves, exterminadas de forma covarde e injusta. Até hoje não se comprovou nenhuma das histórias associadas a tal ave de rapina. Só não existe coruja em algumas ilhas isoladas e em pontos extremamente frios da Terra.

Sabia também que existem registros de corujas retratadas em pinturas rupestres na França de 15 a 20 mil anos? O animal é associado a prosperidade, sabedoria e filosofia. Em muitas vezes também a coruja foi vinculada ao misterioso, desconhecido, associando-as a sinais de azar, morte e infortúnio e a entidades amaldiçoadas, como bruxas, magos e demônios.

Sabia que na Europa, o folclóre é tanto que esse tipo de ave é visto como bruxas disfarçadas? Algumas pessoas, para espantar o mal que supostamente as corujas pudessem causar, eram amarradas em árvores, pelos pés, e assim abandonadas até morrer.

Sabia que na Escócia e na Irlanda, muita gente acreditava que se uma coruja pousasse em uma janela três vezes em noites seguidas era um aviso de morte? Isso sem falar que na Roma antiga, as mortes de Júlio César, Augusto, Aurélio e Agripa são associadas ao o pio de uma coruja. Até porque a lenda dizia que ouvir o pio da coruja era presságio de morte iminente.

Na verdade estamos sempre preparados e armados contra tudo e todos. Supertições e inseguranças são sinais claros de que nossa fé não tem um nível elevado como a de santos como São Bento, por exemplo.

Sabia que durante as refeições, num penhasco onde viveu em solidão e oração por 3 anos, São Bento era visitado por um corvo? A ave de plumagem negra se alimentava das migalhas que o santo comia e foi esse corvo que pegou um pão envenenado, que o santo tinha recebido, e o levou para longe.

E as supertições associadas ao preconceito têm feito muitos recusarem ou se negarem aos dons que Deus nos concede. A ação de admirar a beleza de uma ave como a coruja, o colorido de sua plumagem, entender sua natureza e hábitos, não pode ser impedida pelo simples fato de algumas informações que chegam aos nossos ouvidos e impedem de escutar o pio único do animal. Temos medo de morrer ao ouví-lo, mas não temos medo de perder a sensibilidade para tudo que Deus criou, desde as aves e a natureza, aos dons de cura interior.

Seguimos nessa rota de colisão, abraçando tantos entulhos que os aparelhos eletrônicos vão nos fornecendo e trocamos os sons sinfônicos das matas pelos ruídos “bate-estaca” de trilhas que aceleram o pensamento, ensurdecem nossos ouvidos e cegam nossos olhos para a amplitude desse mundo criado por Deus e que tantos insistem em limitá-lo às janelas de pequenas polegadas ou supertelas da sala de estar.

“O jardim nos diz que a realidade em que Deus colocou o ser humano não é uma floresta selvagem, mas lugar que protege, alimenta e sustenta; e o homem deve reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como dom do Criador, sinal de Sua vontade salvífica, dom a cultivar e proteger, de fazer crescer e desenvolver no respeito, na harmonia, seguindo os ritmos e a lógica, segundo o desígnio de Deus (cf. Gn 2,8-15)”.

Deus Abençoe! 

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

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Num fim de tarde daqueles onde o outono começa a se despedir e o friozinho já anuncia a proximidade do inverno, chega a notícia da morte de um companheiro de infância e adolescência. Imediatamente fui lançado num “túnel do tempo”. Deixei o atual 2019 e parei no final dos anos 70. Tinha uns 14 anos e uma paixão desenfreada pelo futebol. E a maior diversão era o futebol de paralelepípedo, todo o fim de tarde. Dois tijolos de cada lado da rua marcavam o golzinho e quatro ou cinco moleques de cada lado naquela correria atrás da bola, com toques certeiros de pé em pé, até a gritaria na hora do gol. Tinha umas figuras escaladas diariamente e que nunca faltavam a uma partida. Blackout, Forró, Neguinho (que era branco), Dudu, Lourinho, Zueca, Mamão, Veinho, Benê e Chinoca. Nem mesmo quando a lâmpada da iluminação pública queimava, a bola não parava. Não tinha escuridão que interrompia o jogo. Só a exaustão de cada um depois de duas horas de correria. E naquela escalação certa de cada dia, um cara se destacava como zagueiro. Magro, alto, louro, de olho claro e uma classe pra dominar e lançar a bola, além de dar uma segurança pra todo time lá na frente. Degeval era o nome da fera da defesa nesse futebol de paralelepípedo. Mas todos o chamavam carinhosamente de “Babau”. Creio que esse apelido deve ter nascido lá nos seus primeiros anos de vida. Alguém deve ter chamado ele de vaval.. daí pra Babau .. foi um pulo. E o camarada, vez em quando, perdia o controle e dava bronca no time todo. Eu era o primeiro a ouvir, por causa da minha falta de resistência física. Cansava rápido e ouvia primeiro. Mas eram momentos muito importantes para todos nós. Degeval era um jovem que vez em quando estava sem emprego e batia uma bolinha com os adolescentes pra distrair as frustrações e atravessar aquele tempo de “vacas magras”. E assim fazendo memória desse tempo tão rico de minha adolescência, volto à tarde desse outono de 2019. E aqui faço questão de agradecer a Deus por esse amigo que já não via a algumas décadas, não lembrava mais de sua importante participação em minha história, e que ficará pra sempre guardado em minhas memórias, nas últimas partidas que disputamos juntos, e em meu coração. Peço também ao Senhor por sua alma, para que encontre descanso eterno. Afinal é sempre bom lembrar o que diz o profeta Daniel 12:2 “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” Sejamos atentos porque no futebol da vida, o apito final não tem hora certa pra soar. Por isso, seja no paralelepípedo, no gramado ou no quadrado da história, a partida pode terminar a qualquer momento e é preciso estar preparado, da melhor forma possível, para o fim desse jogo, para sermos lembrados das coisas boas que fizemos e principalmente pelas coisas ruins que resolvemos deixar de fazer ou não fazer!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
@wallace.andrade.cn     

A vida sempre oferece muita coisa! E sempre somos tentados ao apego, ao comodismo, a zona de conforto. E se realmente nos entregamos a essa vida sem grandes desafios e sem grandes descobertas, corremos o risco de entrarmos numa avenida chamada rotina. E a rotina que falo não é uma rotina sadia, repleta de realizações na vida profissional, emoções na vida familiar e horário marcado e bem planejado do cotidiano. A rotina que me refiro aqui é aquela que força o cidadão a fugir das novidades que cada dia reserva. Me recordo o dia em que entrei numa rua de minha cidade natal, que havia mudado o sentido. Fiquei impressionado como ela era diferente de tudo que estava acostumado a ver nos quase 10 anos que andei de carro no sentido inverso. Bastou a secretaria de Trânsito mudar a mão da bendita para que todos os motoristas tivessem uma nova visão, um novo ângulo das casas e prédios que faziam parte daquele reduto por tantas décadas. Entrei nessa “viela” pra explicar a alegria que tenho sentido ao descobrir um novo sentido para minha missão como jornalista, missionário e homem que busca a santidade. Por 25 anos trabalhei com telejornalismo. E justamente no ano em que completei 25 anos de estrada, fui convidado a escrever um livro com base numa série de reportagens que fiz para o jornal Canção Nova Notícias ( @cnnoticias ) , na TV Canção Nova. Ao terminar aquele trabalho editorial, fiquei muito mexido, porque além de fazer uma linda experiência com Nossa Senhora Aparecida, também fui conduzido a uma nova “veia” profissional, que estava ali, guardadinha esperando uma oportunidade para ser usada. O livro Mãe de Milagres – Nossa Senhora Aparecida, foi um presente do céu. Não tenho dúvidas que muito daquelas 160 páginas foram escritas pela força do Espírito Santo, com o auxílio da Virgem Maria. E quando achei que a “poeira” estava se assentando e retomando minha “rotina” na redação do CNN, eis que surge uma nova provocação da Mãe de Milagres. E com a coragem de quem acredita em Nossa Senhora e na ação do Espírito Santo, pedi sinais e confirmações de que o segundo livro dedicado a Maria, não fosse algo de minha humanidade, mas sim da vontade de Deus e de Nossa Senhora. Foram várias confirmações e uma delas com uma das Irmãs de Maria, do Movimento Apostólico de Schoensttat. Irmã M. Nilza veio pessoalmente a redação, parabenizar-me pelo livro, justamente no dia em que pedia a Nossa Senhora para mostrar-me que o segundo material era também vontade Dela e de Deus. E ao olhar para a irmã na redação, não tive mais dúvidas. Começava ali meu segundo trabalho editorial, com todo o auxílio e apoio da Editora Canção Nova. E justamente no dia em que a Igreja celebra a Assunção de Nossa Senhora, o livro Mãe de Milagres – Experiências de carinho e amor de 

mãe vivenciadas nos santuários da Mãe Rainha, ficou pronto. O conteúdo narra a beleza de um sacerdote que enfrentou muitas adversidades e que encontrou suporte em Nossa Senhora, para vencer. E é um mergulho, digamos que raso, tamanha grandiosidade do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Mas refrescante e confirmador de que para ser santo é preciso fazer de sua rotina uma novidade a cada dia. Como Pe. Joseph Kentenich fez num campo de Concentração Nazista, na Segunda Guerra Mundial. Ali ele evangelizou e ajudou muitos a permanecerem firmes. Esse conteúdo, como o primeiro, nasceu nos bastidores das notícias veiculadas no Canção Nova Notícias. Algumas madrugadas a frente do computador e experiências muito concretas nos Santuários da Mãe Rainha em algumas cidades do Brasil e o resultado é essa obra, que considero um segundo presente de Nossa Senhora pra mim, que escrevi e para você que ao ler, vai ter a chance de tocar em grandes milagres na vida daqueles que estão nas páginas desse material, assim como na sua vida, que jamais será a mesma, depois dessa leitura. Que Nossa Senhora Mãe e Rainha seja presença materna em toda a sua estadia nesse mundo. 

 

Deus abençoe!
Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova