Minha missão é onde Deus me colocar

“Peço a Deus que eu deixe um rastro de Santidade”

Eu sempre fui uma jovem que tive sede de Deus, porém, mesmo participando de um grupo de jovens, o mesmo grupo do qual o Peixoto participava, sentia-me perdida e oprimida, porque não encontrava nos irmãos a resposta que eu buscava. Sentia-me vazia, confusa, triste, tímida, mas, mesmo assim, continuava buscando a Deus. 

Meu encontro com Deus não aconteceu de repente, mas devagar. Minha primeira experiência com Deus aconteceu através de Nossa Senhora, pois, por causa da minha carência materna, pedi a ela que fosse a minha mãe, e ela me acolheu, levando-me até Jesus através do grupo da Legião de Maria. Assim fui conhecendo o amor de Jesus por mim e sentindo o enorme desejo de me entregar a Ele. 

Quando aconteceu o catecumenato e começaram a escolher os jovens, eu logo me ofereci, pois estava de férias do trabalho e da escola. O primeiro encontro aconteceu durante toda a semana e lá eu conheci o Pe. Jonas e a Luzia. 

Como eu sentia um grande desejo de me entregar a Deus, vi na Canção Nova esta oportunidade, pois me encantei com o trabalho que o padre Jonas fazia com os jovens, o que despertou em mim o desejo de fazer parte dele.  Então, nesta busca de conhecer a Deus e saber o que Ele queria de mim, comecei a fazer um acampamento vocacional em uma congregação religiosa de Aparecida/SP. E foi assim que percebi uma revolução dentro de mim. Aquela Heloisa tímida, que se sentia perseguida, até mesmo dentro de casa, agora se sentia diferente. 

Arquivo pessoal: Eloisa Peixoto

Sinto que estou dentro da vontade de Deus

Em 1979 comecei o segundo ano de Comunidade. Nos primeiros meses, eu passei por um processo de cura interior e de quebrantamento, pois eu estava muito desestruturada por dentro. Eu sentia Deus quebrando as minhas estruturas, curando o meu interior, pois, como eu disse anteriormente, mesmo com uma família de onze irmãos, não havia diálogo em minha casa e eu sentia uma enorme carência materna. 

Na Comunidade, eu comecei a florir e fui me convencendo do que Deus queria para mim. Hoje eu posso dizer que me sinto realizada como pessoa, como cristã. Eu encontrei o meu lugar na Igreja e na Comunidade. Sinto-me madura, equilibrada e que estou dentro da vontade de Deus. 

No começo, diante de todo aquele fervor, eu queria ir para a África, Amazonas, Bahia, porém, ao conversar com o Frei de Guará, ele me disse que eu deveria ser missionária onde Deus me colocasse. 

Quando eu vim para a Comunidade, queria fazer tudo, mas fui vendo minhas limitações, e Deus foi despertando em mim o Ministério da Intercessão, porque não sou de falar muito, mas gosto muito de ouvir. Então, desde o início, fui percebendo em mim a intercessão e o testemunho de vida. 

Hoje sou referência em minha família. Quando precisam de uma oração ou uma palavra, logo me procuram. Nem todos da família participam da Igreja, mas já percebo por parte deles, uma aproximação maior com Deus, e vejo que eles percebem em mim uma pessoa diferente.  Este é um caminho lento, mas tenho confiança em Deus de que um dia todos eles irão reconhecer Jesus como o Senhor das suas vidas. 

Peço a Deus que eu deixe um rastro de Santidade, e espero que um dia Ele me conceda esse pedido, pois essa é a herança que eu quero deixar para a minha família: Jesus Cristo como o Senhor da nossa vida. 

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Deus nos dá a missão

No começo da Comunidade, acolhemos jovens com vários problemas, vícios, prostituição, mas fomos rezando e perguntando a Deus o que Ele queria, e Ele foi nos mostrando que o foco não era esse.  Então, certo dia, quando estávamos na missa da capela da nossa casa em Queluz/SP, perguntamos para Deus o que Ele queria da Comunidade. Foi quando Dom Cipriano trouxe um gravador de rolo, colocou no altar e disse que Deus estava mandando entregar aquele presente. E foi ali que tudo começou. 

Padre Jonas começou a fazer programas de rádio, e aquele gravador era usado para gravá-los. Ali Deus foi abrindo missão da Canção Nova e logo depois veio a compra da Rádio. Lembro-me da primeira programação: todos nós estávamos reunidos no refeitório da nossa casa em Queluz/SP para preparando-a. 

Também me lembro do meu primeiro remanejamento, que foi de Queluz para Cachoeira Paulista, para colocar a Rádio para funcionar. Nessa época, eu estava noiva do Peixoto e não fui remanejada junto com ele.  No primeiro momento, fiquei chateada, mas depois percebi que era Deus querendo curar meu coração do apego, da carência. Foi um tempo doloroso para mim, mas aprendi que Deus queria me formar, e vem formando até hoje. 

A Canção Nova é a voz de Deus chamando o povo e preparando-o para a segunda vinda do Senhor. Eu sinto que a Canção Nova é a voz que chama, cuida e pastoreia esse povo. O povo não vem a toa, mas é Deus quem o traz. 

 

Eloisa Peixoto

(Testemunho retirado do livro “Canção Nova um testemunho vivo e vivido”, organizado por Luzia Santiago)

Daniel Reche por Pixabay