Em tempos de apavoramento e insegurança, provocados pelo coronavirus… um convite a refletir e aumentar nossa fé. A história da humanidade mostra que as pandemias vieram acompanhadas de medos e mortes… mas também foram embora e deixaram crescimento científico, humano e porque não espiritual. Deixo aqui uma reflexão que fiz depois de ler um pouco sobre a peste negra, no século XIV … Guy de Chauliac, era um famoso cirurgião e médico do papa Clemente VI, no auge da peste negra em 1348. Ele sobreviveu à peste e deixou um relato impressionante. Dizia: “A Peste Negra era tão contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra; o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade desaparecera por completo”. Algumas áreas, foram inexplicavelmente poupadas. Entre elas Milão e a Polônia. Terras de dois importantes santos da igreja. São João Paulo II e Santo Ambrósio. Aliás um dos ensinamentos de Santo Ambrósio é: “Da mesma forma que o temor do mundo é fraqueza, o temor de Deus é grande força.” E que não percamos a fé de que Deus tudo pode. Santa noite!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

A história que trago hoje é bem interessante. Diz de um galo “garnizé” que foi dado de presente ao meu filho. Imediatamente fui lançado ao final dos anos 70 quando tive a chance de aprender um pouco mais sobre esse bicho, que habitava meu quintal. Então me veio a certeza de que meu menino teria belas experiências com a ave. Até porque no pacote não veio só o galo, mas também a galinha. O casal rapidamente se adaptou ao meu quintal. Terra, milho, sombra e água fresca. E já no primeiro dia de reconhecimento do terreno, o malando já soltou um canto afinado. Uma sequência repetida várias vezes. Fiquei cheio de satisfação, porque já projetava algumas experiências que meu garoto iria fazer, por exemplo quando fosse comer um dos ovos, colhidos no quintal de casa. Ou quem sabe até ver a ninhada de pintinhos caminhando com a galinha pra lá e prá cá. Então veio a primeira noite e lá pelo fim da madrugada, por volta das 5h15min, acordei com o galo enchendo os pulmões e mandando ver no canto. E logo imaginei que esse bendito iria acabar incomodando mais do que agradando a família e os vizinhos. Mas insisti com a aventura e fiz até um galinheiro pro bonito ficar mais a vontade, e quem sabe até resolver acordar um pouco mais tarde. Ledo engano! Os dias foram passando e os cantos cada vez mais executados madrugada a dentro. Até que um dia ouvi o primeiro cacarejo antes das 4h da madrugada. Aí eu vi que o caldo iria engrossar de verdade. E no mesmo dia ouvi de um vizinho que a esposa estava muito incomodada. E até busquei entender um pouco mais essa loucura do galo de interromper o sono pra cantar a plenos pulmões. Descobri que alguns estudos revelam que o canto do galo antes do amanhecer é na verdade uma forma de demonstrar  às outras aves quem é que domina aquele território. Ou seja, o bichão tava se sentindo o dono do pedaço. Então fizemos uma reunião de família e com muito custo, meu filho aceitou devolver o galo para o sítio onde ele nasceu. Duro foi pegar o casal, que me deu mais olé que Garrincha frente aos marcadores. Então deixei a noite cair e fiz o resgate das duas aves. Mais duro ainda foi ver o meu menino chorar aos prantos, que não queria ficar sem o galo. Mas depois de uns dez minutos de choro, resolveu ir comigo ao sítio e se despedir daquela criação que durou menos de um mês e nem deu tempo de colher um ovo sequer do “casal”. E ainda ouvi piada do ex-dono, que voltou a ser dono, dizendo que eu devia era ter colocado os dois penosos na panela e feito um belo ensopado. Mas a grande moral de toda essa pequena confusão é a seguinte: Nosso direito só vai até onde o direito do outro, no caso os vizinhos, começa. Se faço uma opção de forma egoísta e sem pensar no próximo, corro o risco de transformar amigos em grandes inimigos e não fazer valer a máxima: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, encontrou um tesouro.” (Eclesiástico 6,14).

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova

 

Carpinteiro dos bons, num tempo em que as portas eram feitas no formão e sob medida, o jovem barbudo e cabeludo era a cópia fiel do talento do pai que lhe ensinou o ofício. Ele nem imaginava que um dia ao dizer bata e a porta se abrirá, seria mal interpretado por alguns que preferem abrir outros tipos de portas, em vez da porta do coração. Até porque só se abre a porta do coração para quem realmente se ama. Vale lembrar que coração só tem uma porta: a da frente. 

Mas hoje as grandes mansões têm portas largas e variadas. Não só de madeira, mas de metal, vidro e até plástico. Na década de 1970 toda grande casa tinha porta da frente, porta lateral e porta dos fundos. Lembro da dona Berenice, uma vovó de descendência portuguesa, que gerou 12 filhos e deles nasceram mais de 40 netos.

A matriarca, sempre muito respeitada e querida por todos da família e da vizinhança, tinha um costume tradicional daquela época. Só abria a porta da frente em datas de celebrações importantes. Natal e Páscoa eram as mais esperadas. Era a porta com a melhor e mais moderna maçaneta da casa. A criançada vivia esperando a oportunidade de passar por ela, só pra ter o gostinho de mexer na maçaneta e sentir o estalo suave que ela fazia.

E sempre que a porta da frente era aberta, a sala estava impecável, com tacos bem encerados e reluzentes. Numa parede um quadro oval e fotos em preto e branco de dona Berenice e o esposo Francisco. Em outro canto da sala a marca de fé e respeito às coisas que são do alto. Um quadro do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria, que impactava todos, tamanha serenidade e divindade que representava.

Em domingos de almoço em família, era a porta lateral que se abria. Ela dava acesso à chamada copa da casa, com uma mesa, várias cadeiras e muita conversa pra botar em dia, enquanto o som dos talheres fazia o arranjo de fundo. Ali também dona Berenice acompanhava as radionovelas, com histórias dramáticas que arrancavam suspiros e as vezes lágrimas, tamanha imaginação que aquelas ondas radiofônicas causavam. Era por aquela porta lateral também que os netos mais próximos entravam correndo pra trazer a carta da filha mais velha que morava na capital. E mais uma vez a mesa amparava as lágrimas da senhora com óculos de graus elevados. Só que agora os olhos embaçavam de saudade mesmo!

A porta dos fundos era usada todo dia. Era a porta mais larga da casa e a que sempre estava aberta o dia todo. Nela ficava o fogão a lenha que cozinhava o feijão de cada dia. O problema era a fumaça, que nem sempre seguia o caminho da chaminé e em vez disso infestava o espaço com cheiro insuportável. Outro problema era a sujeira insistente, que deixava o piso vermelhão, quase cinza de tanta poeira trazida pelos calçados de pessoas que só entravam pela porta dos fundos.

A porta dos fundos era lugar de acesso a todo tipo de gente. Entregadores mal-humorados, vizinhos interesseiros ou fofoqueiros e patos e frangos, que vez em quando resolviam carimbar o piso vermelho sextavado, com estrumes. Pela porta dos fundos também entrava o odor dos porcos, que ficavam no quintal da casa, lambuzados de lama e fezes geradas pela sobra de comida da casa e da vizinhança, também chamada de “lavagem”. Todo dia a lavagem depositada no cocho, ajudava a engordar o bicho. E no dia 24 de dezembro, o porco, já obeso de tanta porcaria, acordava todos com seu grito agonizante, gerado pelo punhal que atravessava seu “sovaco” e ia direto no coração, o transformando em ceia de Natal.

Mas quando as trevas de cada noite escura chegavam, a pequenina lâmpada incandescente, de 40 velas ajudava a encontrar o trinco da porta dos fundos, que era fechada. Afinal, nenhuma imundície dura pra sempre. E mais uma vez dona Berenice passava o rodo com pano úmido e água sanitária, pra eliminar todo o germe, mau cheiro e podridão, trazidos por quem andou lá fora e não soube tirar as sandálias dos pés para entrar no lar de sua cozinha e de seu coraçãozinho.

Afinal, nem todos tem capacidade de entender o amor de quem se dedica integralmente aos habitantes dessa casa comum e por isso estão encharcados no egoísmo e no sarcasmo da vida que os lambuza por fora e por dentro, sem que haja Berenice e água sanitária que os limpe e os façam lembrar da casa original, onde o amor nasceu e com ele o respeito e a dignidade.

Fotos: Wallace Andrade CN

A vida tem sempre caminhos e pessoas surpreendentes! Ao dar os primeiros passos numa estrada desconhecida, geramos em nossos pensamentos expectativas que fazem o coração disparar. E na medida em que avançamos pelo trecho, surgem boas e nem tão boas surpresas. Toda rota tem buracos, pedras, espinhos e troncos que atravessam o percurso. E em cada obstáculo que aparece, não dá pra parar, sentar e chorar até morrer! Preciso buscar meios de tapar os buracos, arrancar as pedras, espanar os espinhos e arrastar os troncos. Afinal a viagem precisar continuar.

E na rotina dessa estrada tem sempre alguém que ajuda a empurrar o carro de sua vida. Tem sempre aquele que pega a pá contigo e tapa os buracos. E aquele que aparece e arranca os espinhos que te causa tanta dor? E o cara que agarra a pedra ao teu lado e te motiva a fazer força? Surpresa mesmo é quando você ouve a motosserra chegando e cortando em fatias o tronco de seu caminho. Essas pessoas já estão em sua estrada, como fragmentos importantes na trilha, como anjos que nos fazem entender que Deus tem muito carinho por nós!

O problema é quando nessa estrada tem os que abrem mais buracos, lançam mais espinhos, despejam mais pedras e derrubam muitas árvores para impedir que você prossiga em sua rota de harmonia e felicidade, de certeza e esperança! Para esses é melhor não dar crédito. É louvável não darmos títulos, pois podemos ser injustos com o Senhor. Afinal, a providência Divina, que rege todas as coisas, é cercada de mistérios e permissões do Criador.

As pessoas que dificultam nosso prosseguir, podem estar até nos atrapalhando e nos atrasando, mas não serão nunca capazes de nos fazer desistir, se em suas provocações, nos encontrar dispostos e acompanhados daquelas outras pessoas que já mostraram que estão ali para nos ajudar. Pessoas em quem podemos contar sempre.

E como ponto final desse texto, é sempre bom lembrar que nas estradas desse mundo, existirão sempre pessoas prontas pra nos dizer: FAÇA O QUE EU DIGO! Difícil é ver que nem sempre são capazes de nos dizer: FAÇA O QUE EU FAÇO! Afinal a vida é feita de testemunhos reais e verdadeiros. O resto são só palavras ao vento… e pérolas aos porcos!! E no tempo de Deus, elas vão passar em nossas vidas, como os buracos, as pedras, os espinhos e os troncos que já ficaram para trás em nossa viagem terrena, rumo ao céu!!

Deus abençoe!

Wallace Andrade 
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

Num fim de tarde daqueles onde o outono começa a se despedir e o friozinho já anuncia a proximidade do inverno, chega a notícia da morte de um companheiro de infância e adolescência. Imediatamente fui lançado num “túnel do tempo”. Deixei o atual 2019 e parei no final dos anos 70. Tinha uns 14 anos e uma paixão desenfreada pelo futebol. E a maior diversão era o futebol de paralelepípedo, todo o fim de tarde. Dois tijolos de cada lado da rua marcavam o golzinho e quatro ou cinco moleques de cada lado naquela correria atrás da bola, com toques certeiros de pé em pé, até a gritaria na hora do gol. Tinha umas figuras escaladas diariamente e que nunca faltavam a uma partida. Blackout, Forró, Neguinho (que era branco), Dudu, Lourinho, Zueca, Mamão, Veinho, Benê e Chinoca. Nem mesmo quando a lâmpada da iluminação pública queimava, a bola não parava. Não tinha escuridão que interrompia o jogo. Só a exaustão de cada um depois de duas horas de correria. E naquela escalação certa de cada dia, um cara se destacava como zagueiro. Magro, alto, louro, de olho claro e uma classe pra dominar e lançar a bola, além de dar uma segurança pra todo time lá na frente. Degeval era o nome da fera da defesa nesse futebol de paralelepípedo. Mas todos o chamavam carinhosamente de “Babau”. Creio que esse apelido deve ter nascido lá nos seus primeiros anos de vida. Alguém deve ter chamado ele de vaval.. daí pra Babau .. foi um pulo. E o camarada, vez em quando, perdia o controle e dava bronca no time todo. Eu era o primeiro a ouvir, por causa da minha falta de resistência física. Cansava rápido e ouvia primeiro. Mas eram momentos muito importantes para todos nós. Degeval era um jovem que vez em quando estava sem emprego e batia uma bolinha com os adolescentes pra distrair as frustrações e atravessar aquele tempo de “vacas magras”. E assim fazendo memória desse tempo tão rico de minha adolescência, volto à tarde desse outono de 2019. E aqui faço questão de agradecer a Deus por esse amigo que já não via a algumas décadas, não lembrava mais de sua importante participação em minha história, e que ficará pra sempre guardado em minhas memórias, nas últimas partidas que disputamos juntos, e em meu coração. Peço também ao Senhor por sua alma, para que encontre descanso eterno. Afinal é sempre bom lembrar o que diz o profeta Daniel 12:2 “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” Sejamos atentos porque no futebol da vida, o apito final não tem hora certa pra soar. Por isso, seja no paralelepípedo, no gramado ou no quadrado da história, a partida pode terminar a qualquer momento e é preciso estar preparado, da melhor forma possível, para o fim desse jogo, para sermos lembrados das coisas boas que fizemos e principalmente pelas coisas ruins que resolvemos deixar de fazer ou não fazer!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
@wallace.andrade.cn