Walk by Faith

Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. (2 Coríntios 5:7)

Author: walkbyfaith (Page 1 of 2)

ESPERA: a paciência no universo feminino

É preciso que a paciência efetue a sua obra a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma. (Tg1,4).

Sou uma mulher imediatista, não espero que as coisas venham até mim, essa é uma frase muito comum de se escutar de uma mulher moderna. A cultura do imediatismo é o termo usado para se referir a uma tendência comportamental que ultrapassa fronteiras. Ela está em todo lugar, manifestando-se da mesma forma em diferentes culturas e países, o fato é que vivemos atualmente em um mundo globalizado, onde a internet e as mídias sociais ajudam a otimizar o nosso dia a dia, mas também potencializam o imediatismo inerente a todos nós. Recebemos a todo momento uma enxurrada de informações de inúmeras fontes e estamos sempre conectados, em smartphones, computadores ou tablets. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar neste tempo líquido, as pessoas infelizmente estão descartando umas às outras e isso é uma tristeza. Bauma ainda afirma que na modernidade líquida, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer momento, causando uma disposição ao isolamento social, onde um grande número de pessoas escolhe vivenciar uma rotina solitária e com isso o número de pessoas depressivas e ansiosas têm aumentado. A cultura do imediatismo mudou a forma como nos relacionamos com o tempo, que deixou de ser linear. O ser humano sempre quis tudo para agora. Isso fica claro no comportamento das crianças, que têm dificuldade de abrir mão de um desejo imediato em detrimento de algo maior e mais significativo no futuro. Antes éramos ensinados e obrigados a esperar porque tudo acontecia mais devagar. Com o advento da internet e das mídias sociais, tudo começou a se resolver rapidamente e ficamos mal-acostumadas. Neste mundo moderno a virtude da paciência não está em alta, mas ela é de fundamental importância para nós mulheres, pois a Paciência tudo alcança e segundo o apóstolo São Tiago ela nos leva à perfeição. Foi pela paciência que Abraão esperou o seu Isaac, 25 anos após a promessa de Deus. Foi pela paciência que Jó venceu as provações e agradou a Deus. O fato é que a paciência exige esforço pessoal e empenho para, antes de tudo, vencer a si mesmo. Podemos citar vários exemplos Bíblicos que vivenciaram a virtude da paciência, por exemplo a Virgem Maria , que diante das realidades que viveu. Ela aprendeu a enfrentar as adversidades do dia a dia com tranquilidade, e alimentava a sua esperança na fé em Deus, ou seja, tinha por base a paciência confiante n’Ele. A paciência do cristão não é vazia e nem significa imobilismo ou resignação mórbida. Nem perda de tempo. Não. É a certeza de que tudo está nas mãos Daquele que tudo pode. Aos poucos vamos entendendo que não há barreira espiritual que não caia pela força da paciência, a qual é fruto da fé, da humildade e do abandono da vida em Deus. Os santos relatam que há dois tipos de martírio: o da morte pela espada; e o da morte pela paciência. A paciência é uma forma de martírio que vence todo sofrimento. Na minha vida vejo que eu preciso muito crescer nesta realidade, sei que não é fácil e que diante deste contexto eu preciso ser paciente comigo mesma e entender as minhas limitações. Lembrando que o primeiro passo para superar os limites é compreendê-los e, então, traçar metas para se superá-los. Por isso, para muitas situações na minha vida eu precisei e preciso agir com muita calma. Assim também é na sua vida.

Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação (Ecle 7,8b-9).

O que não pudermos mudar em nós ou nos outros, deveremos aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Ninguém perde por esperar, pois até para agir precisamos esperar o tempo justo e temos um exemplo claro na vida da Rainha Ester.
A paciência é uma qualidade rara e valiosa. Embora a Rainha Ester estivesse aflita e ansiosa para falar com o Rei diante do drama que estava vivendo, ela foi paciente e esperou o momento certo. Podemos aprender muito com Ester, pois com certeza todas nós vemos coisas erradas que precisam ser corrigidas, ou passamos por situações injustas, adversas e complicadas, mas se quisermos convencer alguém em autoridade a resolver uma situação, precisamos imitar Ester e ser pacientes. Se esperarmos pacientemente o momento certo e falarmos com brandura, assim como Ester fez, até mesmo uma oposição tão dura quanto o fato de ter que revogar algo, as situações podem até terem um resultado diferente. Sei que a vida de um verdadeiro cristão não é fácil e que por muitas vezes, a vontade de Deus permite que as cruzes nos atinjam; onde precisamos curvar a cabeça com humildade e paciência. A realidade é que muitos de nós cristãos, estamos prontos para fazer a vontade de Deus no ―Tabor da transfiguração‖, mas poucos no ―Calvário da crucificação. No momento de calvário da vida da Rainha Ester, podemos imaginá-la orando silenciosamente a seu Deus antes de se dirigir ao Rei e falar: ―Se eu tiver achado favor aos teus olhos, ó rei, e se parecer bem ao rei, dê-se-me a minha própria alma ao meu pedido, e meu povo, à minha solicitação. Note que primeiramente em suas palavras ela mostrou que o respeitava como rei e como autoridade. Ester era muito diferente de Vasti, ex-esposa do rei, que o havia humilhado de propósito por um mero capricho ou vontade. Além disso, Ester não criticou o rei por ter sido tolo em confiar em Hamã. Em vez disso, ela implorou que ele a protegesse como mulher, como esposa, como rainha, como judia, ela implorou a proteção diante de algo que punha a vida dela e do seu povo em risco. Com certeza, esse pedido deixou o rei impressionado e comovido por tamanha humildade de sua rainha. Quem ousaria colocar sua rainha em perigo a mulher que ele escolheu para reinar ao seu lado? Como Ester também somos chamadas a entrar na escola da paciência, procurando suportar os acontecimentos da nossa vida com esperança e serenidade, sabendo em Deus esperar, rezar, escutar e agir na hora certa, no tempo oportuno, com muita humildade e guiadas pelo Espírito Santo, pois o nosso Deus é o Senhor de todas as coisas e agindo Ele em nossa vida, quem o impedirá? Por fim, não podemos esquecer que a virtude da paciência exige de nós a capacidade de saber esperar e de aguentar as contrariedades da vida. Ser paciente é também não agir no imediatismo, mas sim dar um passo após o outro, levantar-se e estar disposta a sempre recomeçar, seja em casa, com os filhos, no casamento, nas amizades, nos investimentos, nos empreendimentos, na vida; enfim com paciência e maturidade todas nós mulheres podemos sempre recomeçar.

Embelezamento parte fundamental no universo feminino

A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas. Pelo contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus. (1 Pedro 3,3-4)

A beleza da mulher deve avaliar-se não pelas proporções do corpo, mas pelo efeito que estas produzem. Toda mulher é linda e deve ser admirada pelo seu caráter. Uma linda mulher é aquela que ama, cuida dos outros, mas especialmente de si mesma. É comum muitas mulheres se descuidarem de si mesmas quando vive o seu encontro pessoal com Jesus, aquele primeiro amor, onde muitas vezes a mulher não cuida do seu visual e busca apenas o espiritual, como mulheres precisamos ter o equilíbrio nesta realidade. Não é o caso de usar vestidos retos, “sacos de batata”, que escondem a figura feminina, a nossa essência de mulher. De jeito nenhum. O belo é usar uma roupa que demonstre a feminilidade, mas que ao mesmo tempo não deixe tudo à mostra. No caso de vestidos largos é bom usar um cinto ou faixa, para que mostre a figura feminina e não fique parecendo uma camisola, uma roupa largada, desleixada. A mulher cristã não é convidada a ser desleixada, mas sim a se cuidar lembrando-se sempre que o seu corpo é templo do Espírito Santo. Toda mulher traz em si o desejo feminino de beleza, e a habilidade de tornar-se bela, e fazer o ambiente ao seu redor, atraentes tanto quanto ela é. Uma mulher pode honrar a Deus realçando a sua aparência pessoal e embelezando o ambiente ao seu redor. Não podemos esquecer, que Deus é o Criador da beleza e Ele tem prazer na beleza. Para constatar este fato só precisamos considerar a beleza com que Ele criou o mundo: seja uma flor graciosa, o mar, as árvores, o rio, as nuvens, o sol, o céu noturno majestoso, a lua em suas fases e as estrelas. Toda vez que nós paramos para contemplar uma destas cenas espetaculares na criação de Deus, somos obrigados a nos convencer de que Ele se encanta com a beleza. É claro que o “belo” atrai a nossa humanidade e que mulheres jovens, bonitas e bem cuidadas são mais desejáveis. Mas daí achar que tudo se restringe à beleza e que só ela pode garantir a felicidade é muita pobreza de espírito. Se fosse assim, todas essas belíssimas modelos que enfeitam as páginas das revistas e as passarelas seriam as pessoas mais felizes e realizadas do mundo. Mas sabemos que na realidade as coisas não funcionam bem assim. Alguns atrativos naturais compõem o embelezamento da mulher, seja a beleza, o temperamento, o grau de sociabilidade, a produção no vestuário, a maquiagem, a malhação, o comportamento, a auto-estima, a simpatia, a postura, a delicadeza, o intelectual, a boa educação, essas realidades fazem toda a diferença no embelezamento da mulher. É verdade que somos criadas à imagem de nosso Criador e que cada uma de nós tem essa tendência para tornar as coisas bonitas. Isso tem um grande significado, pois quando nós decoramos nossas casas, ou plantamos um lindo jardim, ou procuramos acrescentar alguma forma de beleza ao ambiente ao nosso redor, até mesmo quando nós gastamos tempo em embelezar nossa aparência pessoal, seja no salão, na academia, estamos, na verdade, imitando o nosso Criador que se encanta com o belo, aqui não estou falando de cuidados excessivos, mas sim de cuidados equilibrados e necessários para o cuidado do corpo e da alma. Para ser uma mulher feminina é preciso muito mais do que uma bela roupa, um rostinho bonito, e uma maquiagem delicada, pois a verdadeira delicadeza é fruto de sentimentos e sentidos santificados, que produzirão uma postura que demonstre a simplicidade, singeleza, naturalidade e moderação que Cristo deseja ver em nós, mulheres. O gosto de uma mulher pela beleza pode ser uma imitação do caráter de Deus, mas também pode ser corrompido pelas ideologias mundanas. Posso confessar que por muito tempo eu usei roupas inadequadas para uma boa Cristã, principalmente na minha adolescência e a desculpa que eu usava era que Deus conhecia o meu coração, as minhas motivações, intenções, por isso eu não precisava me importar com o que ninguém iria pensar de mim. Eu acreditava que o modo como eu me vestia e me comportava era apenas uma expressão da minha subjetividade, sendo assim, se eu estava me sentindo bem, feliz e realizada com o meu jeito de ser, mas faltava algo, um verdadeiro encontro pessoal com o Senhor. Hoje, reconheço o quanto estava enganada. Eu não conseguia perceber que não era possível ter motivações corretas e uma conduta errada ao mesmo tempo, por isso nós mulheres precisamos ficar bem atentas com as nossas vestimentas. O fato é que o processo de conversão exige a mortificação do nosso eu por completo, para que possamos viver não da maneira que nos faz sentir bem apenas, mas do modo que agrada o nosso Criador. Somente quando eu compreendi que o chamado da vivência do evangelho é essencialmente um convite a renúncia, a renunciar a si mesma, foi que passei a questionar minhas atitudes e procurar adequá-las à vontade de Deus. É assim que acontece conosco à medida que vivemos o nosso processo de conversão. O processo de santificação é lento, você não muda radicalmente de um dia para o outro, é uma luta constante entre os desejos de nosso eu e o agir do Espírito Santo em nossos corações, por isso tenha paciência com você mesma e com o seu processo. A Bíblia relata que Ester era uma jovem muito bonita e foi escolhida, juntamente com outras jovens virgens, para estar na presença do Rei, já que ele iria escolher dentre elas a sua rainha. Ester era uma escrava, órfã, que foi criada pelo primo Mardoqueu e ganhou destaque no palácio do Rei Assuero por sua beleza. Porém, antes de Ester estar na presença do rei, ela passou por um processo de embelezamento, que consistia em um ano de tratamento e cuidados especiais. Assim como Ester, nós, que somos filhos de Deus, também seremos introduzidos à presença do Senhor, portanto também precisamos passar por um ―tratamento de beleza‖, que é o processo de transformação, ou melhor de purificação. Não podemos nos apresentar de qualquer maneira, já que somos pecadores. Como já foi relatado, o tratamento de Ester teve duração de um ano. Nos primeiros seis meses, ela recebeu um tratamento de mirra. A mirra é uma planta medicinal cujo azeite era usado, na antiguidade, para ungir os cadáveres antes do sepultamento, por tanto, a mirra tipifica a morte. Nos outros seis meses, ela foi tratada com especiarias, perfumes e unguentos. Entre as especiarias mais conhecidas, estavam o aloés e a cássia. O aloés possui um sumo amargo e laxante. A cássia é uma flor bela e aromática, e seu fruto se dá em vagem. Ambos possuem propriedades medicinais. Aloés e Cássia representam a ressurreição. Em outras palavras, para podermos estar na presença do rei, precisamos passar pela morte e pela ressurreição. Aprendamos com Ester. Ela foi submissa ao tratamento que era necessário para seu encontrar na presença do Rei. O Senhor a abençoou e dentre tantas mulheres belas, ela foi a escolhida. Ela jamais exigiu nada para si mesma. Ela aprendeu a renunciar a si mesma e a aceitar o agir de Deus em sua vida. E você já aprendeu a aceitar o agir de Deus em sua vida?

Critérios para ser uma princesa e uma rainha

É no seio familiar que a identidade da mulher e do homem recebe as primeiras programações culturais e formativas, pois é nela que se constroem diversos tipos de relações, de comportamentos e de condicionamentos culturais, sociais, religiosos e emocionais. A divisão dos papéis entre o casal para a educação dos filhos é de fundamental importância e reflete os valores e as crenças da instituição familiar. Em geral, a esposa cuida do funcionamento do lar enquanto o marido é impulsionado a tratar da obtenção dos recursos materiais e financeiros para a sua manutenção. É comum e natural que cada família tenha regras e valores próprios, quem sabe até passada por gerações. Segundo Giddens (2000), as famílias desenvolvem um currículo oculto de ensinamentos. De qualquer modo, é comum na pedagogia familiar do Ocidente que as meninas, ainda no berçário, ganhem brinquinhos e vestes cor-de-rosa e que recebam um pequeno laço de fita nos cabelos logo após o primeiro banho. Assim, daquele momento em diante, instala-se na vida daquela pequena mulher o início do aprendizado dos rituais e valores de beleza que deverão fazer parte de sua identidade feminina durante toda a sua vida, pois toda mulher é uma princesa. Somos seres especiais. E Deus nos criou com perfeição, embora nem sempre tenhamos consciência disso.Somente a nós mulheres foi dado o dom da maternidade. O dom de gestar a partir da união procriativa com o homem. Toda família tem na matriarca a administração do lar. A mãe é aquela que distribui mais amor, mais sabedoria e mais atenção a todos os membros da família, por meio de sua delicadeza e ternura. Não podemos esquecer que somos a leveza da casa, a essência da beleza e da ternura, existe um sábio ditado popular que diz, que por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher e isto é fato, pois no matrimônio o homem é sustentado pela mulher, como a mulher é sustentada pelo homem por meio do amor conjugal que vai além do sexo, embora ele faça parte da união intima e prociativa do casal. Um grande homem se faz também através de uma grande mulher, mulher que ama e cuida, mas que também é cuidada e amada. Que se dedica de coração e recebe também toda dedicação que merece. Todo grande homem sabe tratar muito bem a mulher, seja ela sua mãe, filha e até mesmo a esposa. O homem de Deus entendeu que a mulher é uma rosa delicada que deve ser tratada com carinho para assim poder exalar o mais belo perfume que é o amor. O homem de Deus sabe cuidar do jardim do amor para que a rosa continue sempre linda e fortalecida, a ponto de não ser derrubada por nenhum vento forte, tempestade ou até mesmo furacão. Precisamos olhar no espelho e admirar o ser maravilhoso que somos. Nos enxergarmos como princesas, olhar dentro dos próprios olhos e ver o encanto que flui da nossa alma, encanto este de quem sabe que é amada, querida e respeitada. Muitas de nós ainda tem que aprender que não são objetos, mas filhas do Rei que nos ama como princesas que de fato o somos e nos educa para sermos Rainhas, pois somos herdeiras do seu reino de eternidade e por isso o Senhor tem forjado em mim e em você certas virtudes que nos diferencia de tantas outras que ainda não reconheceram a sua realeza. É exatamente assim que se constroem princesas a partir das virtudes. As virtudes de uma mulher temente a Deus são como pérolas valiosas, é como uma concha, ela até é bonita, se cuida, preza por sua aparência, mas o seu verdadeiro valor está dentro dela. Existem muitas conchas no mundo, não é verdade, cada uma com o seu encanto, mas não podemos esquecer que são poucas as que trazem o valor precioso que é a pérola. A pérola que está dentro da concha é que vale infinitamente mais, sendo assim, não importa o tamanho, a beleza e a cor da concha, mas sim a sua essência e preciosidade que é a pérola. Mas o que é essa pérola e como produzi-la? Antes de responder a essa pergunta, preciso afirmar que estudos comprovam que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas. As pérolas das ostras são resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. Ou seja, as pérolas são produto da dor. Cientificamente é comprovado que na parte interna da concha há uma substância lustrosa chamada nácar e quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. O resultado você já sabe que uma linda pérola vai se formando. Por isso, uma ostra que não foi ferida jamais poderá produzir pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Nós seres humanos e principalmente mulheres, com toda a nossa sensibilidade, passamos pelo mesmo processo pelo qual a ostra passa. Ao sermos feridas por palavras, traições, decepções, sofrimentos, adversidades, doenças, enfim…, criamos uma mágoa, um rancor, insegurança, medo… Sentimentos que são ―objetos‖ estranhos dentro de nós, já que um ser humano em plena felicidade não pode ter esses ―grãos de areia‖ ferindo a sua alma. Diante dessas feridas, precisamos então proteger nosso corpo, nossa alma, recobrindo estes ―grãos‖ com várias camadas de AMOR, como a ostra o faz com seu nácar. Amor que vem da intimidade com o Senhor, do apoio familiar, de boas amizades… Costumo falar que Princesas da vida real, são mulheres fortes que ousam ser felizes. Independentemente do cenário ou até mesmo do roteiro, pois elas aprenderam a colocar a sua confiança em seu Pai que cuida de cada um dos detalhes de sua vida. Elas entenderam que o temor do Senhor dá à mulher uma nova estatura; que conhecer o Senhor a fortalece para prosseguir rumo a meta vertical que é a santidade; elas entenderam que a intimidade com o Senhor capacita a mulher a suportar a tribulação e forja nela virtudes, como a mansidão, que é brandura, suavidade. A tornando pacificadora. A longanimidade, que significa ―grandeza de ânimo‖, que é aquela paciência em relação a outras pessoas, não cobrando tão rapidamente seus erros, sendo paciente com o processo do outro. O perdão que é desculpar, absolver, esquecer, sendo assim, cancelar uma dívida, devolvendo ao outro a dignidade de filho de Deus dentro de si. A Humildade, que é reconhecer a nossa posição perante Deus. É importante ressaltar que um espírito humilde não exige os seus próprios direitos, mas reconhece que se somos alguma coisa é somente pela misericórdia e graça do Senhor. Falando de humildade temos um grande exemplo a seguir que é a Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus. Que por sua humildade esmagou a cabeça de toda a soberba e trouxe a nós o salvador. O único caminho para reconhecermos a princesa que vive escondida no castelo do nosso templo interior é reconhecermos filhas e filhas amadas de um Pai muito zeloso, que nos convida a sermos Heroínas que são sinceras consigo mesmas e com seus processos e verdade, que não precisam ter corpo perfeito e nem seguir a ditadura da moda, mas que se cuidam e vestem de modo decente, belo, singelo e encantador. Não se esqueça que a princesa que vive escondida no castelo do nosso templo interior, precisa ver a luz, pois ela nasceu para brilhar e refletir a beleza do seu criador.

Rute: uma aliança de fidelidade

Hoje em dia, as mulheres estão bem mais interessadas em carreiras profissionais e menos desejosas do

 papel no lar. Porém cada um desses papéis tem a sua importância. Atualmente é comum a mulher se perguntar, qual é o meu papel de mulher cristã na sociedade? Refletiremos essas realidades por meio do cenário da vida de Rute que realizou o papel da mulher no lar, na igreja pela fé e na sociedade. Rute como heroína nos convida a  olhar para dentro de cada  mulher que luta todos os dias pela manutenção de sua vida e daqueles que ama,  trabalhando incansave

lmente para isto e fazendo o que for necessário para  consegui-lo seja no serviço doméstico ou não. Rute traduz em sua vida o que é fidelidade, amor, submissão, força, valor e fé.

Nesta série “VIRTUOSAS RUTE” vou apresentar Rute como uma heroína da Antiguidade,  considerando seu contexto histórico,  sua aliança de fidelidade e obediência em amor à Noemi, ao seu povo e ao seu Deus. Rute é uma mulher coerente diante da opção de vida que ela fez e sofre todas as consequências desta fidelidade. Nela nós mulheres, solteiras, casadas, leigas, consagradas, religiosas, celibatárias, viúva

s, cristãs; somos convidadas a refletirmos a nossa coerência de vida diante das nossas escolhas e compromissos afirmados.

Em uma visão literária, podemos afirmar que Rute é uma típica mulher-heroína de seu tempo. Neste sentido, a segunda parte do livro estuda a obra  no universo literário e verifica que os heróis e as heroínas  são, de fato, modelos de homens e mulheres extremamente reais que saem em  busca de uma nova aventura cheia de desafios e tornam-se mais fortes à medida  que os vencem e, cheios de força e bondade, continuam a trilhar o seu caminho de santidade.

É verdade que muitas vezes nas literaturas buscamos heróis e heroínas que nos apresentem o  maravilhoso e o fantástico, sendo até seres superiores, mas na literatura cristã, encontramos pessoas simples que pelo processo de humanização e fidelidade a Deus, nos ensina a sermos pessoas melhores, verdadeiros construtores de uma aliança de fidelidade para com Deus e o seu reino.

A beleza da natureza de mulher de Rute, supera seu aspecto físico, pois ela ganhou o destaque na história do povo Israelita por meio das suas virtudes. Ela é uma mulher estrangeira no meio de um povo que  não é o seu. Povo que deveria desprezá-la, mas que a percebe como alguém cheia  de virtude.  Rute é tipicamente uma mulher pobre e viúva, que tem uma sogra, Noemi, que não tem de onde tirar seu  sustento, apesar desta ter um campo para vender. Campo que deixara quando foi  para Moab acompanhar o marido e os filhos em busca de pão. Rute diante da realidade em que ela e a sua sogra se encontravam, era incansável no trabalho, e seu trabalho foi obter para si e  para a sua  sogra o que conseguira respigar até o fim da colheita da cevada e do trigo  nos campos de Booz.

Cinco mulheres foram citadas na genealogia de Jesus (Mt 1:1-17): Tamar, Raabe, Rute, mulher de Urias (Bate-Seba) e Maria. Dentre elas, vamos adentrar na vida de Rute, que de pagã por sua conversão e fidelidade a Deus, fez parte da genealogia de Jesus, nosso salvador, a atitude de Rute deixar Moabe possibilitou sua participação na descendência de Jesus, mesmo que ela não tivesse consciência disso.

É interessante refletir onde o livro de Rute está inserido na bíblia, entre Juízes e 1 Samuel. O Livro de Juízes mostra uma situação de caos do povo que estava distante de Deus e o primeiro Livro de Samuel mostra o início de uma nova fase do povo, a era dos Reis. O Livro de Rute é a transição do caos para uma nova era! Dessa mesma forma, esse é o objetivo deste livro: retirar em especial você mulher do caos e da distância de Deus e levá-la para a vontade do Senhor em sua vida, por isso além de um estudo bíblico, analítico e semiótico do arquétipo feminino de Rute, vamos buscar nos conhecermos e reconhecermos como mulheres de Deus que tem sua importância para a sociedade.

Huanna Cruz – CN

 

A delicadeza dos detalhes no universo feminino

É preciso olhar os detalhes. Eles semeiam nossas vidas com pedrinhas que nos guiam. (Katherine Pancol)

Olhe em volta. O que vê? Independente de onde estiver, dificilmente esse lugar terá passado despercebido aos olhos de uma mulher. A sensibilidade feminina pode se traduzir de  muitas formas. Aparece no projeto arquitetônico de uma construção, em uma mesa posta, na arte da cozinha, no campo empresarial, na educação, na administração da casa e por fim, no arranjo de flores sobre a mesa. Os detalhes da feminilidade da mulher está no cheiro adocicado de um bolo de laranja assando no forno e na organização e funcionalidade de um espaço e até mesmo de uma empresa. E embora quase tudo o que ela faça, os homens também consigam fazer, aquilo que leva a assinatura de uma mulher é diferente, principalmente quando essa mulher é uma mulher conduzida por Deus. Talvez a mulher, traga consigo, o anúncio de um abraço, a intenção de um afago, a essência altruísta da maternidade, da provedora que cuida da cria, que afaga e acaricia seu companheiro, que organiza e gera vida por onde passa. Segundo Hernán Sábio, um escritor, os grandes corações se contentam com pequenos detalhes. Na vida das mulheres pequenos detalhes cotidianos são os que fazem a diferença, aqueles que permanecem invisíveis aos olhos mas que brilham com luz própria a medida que realizados com um simples toque de ternura. Um mínimo detalhe é capaz de nos levar ao mais alto sucesso ou ao fracasso mais angustiante, já que se encontra esfumaçado entre milhões de intenções. Um exemplo é Ester que diante de uma grande adversidade, instruída por Deus preparou um jantar, ou melhor dois jantares para o Rei Xerxes e o vilão Hamã. Diz a história que, no terceiro dia de jejum, Ester se vestiu com as suas roupas de rainha, foi e ficou esperando no pátio de dentro do palácio, em frente do salão nobre do rei. Ele estava lá dentro, sentado no trono, que ficava em frente da porta do pátio. E, quando ele viu a rainha Ester esperando lá fora no pátio, teve boa vontade para com ela e estendeu-lhe o seu cetro de ouro. Ester entrou, chegou perto dele e tocou na ponta do cetro.  E o rei perguntou, o que está acontecendo, rainha Ester? O que você deseja? Peça o que quiser, que eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. Ester respondeu, se for do seu agrado, eu gostaria de convidar o senhor e Hamã para o banquete que estou preparando hoje para o senhor. Aí o rei ordenou, digam a Hamã que venha depressa, para que nós aceitemos o convite de Ester. Assim o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado. Quando estavam bebendo vinho, o rei perguntou a Ester: Qual é o seu pedido? Peça o que quiser, que eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. Ester respondeu, se eu puder me valer da bondade do rei, e se for do seu agrado atender o meu pedido, gostaria de convidar o senhor e Hamã para outro banquete que eu vou preparar amanhã para os dois. Aí lhe direi o que eu quero. No dia seguinte, quando se realizava o banquete de Ester, com a presença do rei e de Hamã, Assuero (o rei) perguntou novamente: “Qual é a tua petição, rainha Ester? E qual o teu requerimento? Até metade do reino te será dado”.Ester ergueu-se para dar mais ênfase às suas palavras: “Dê-me minha vida como petição e a do meu povo como requerimento. Porque estamos vendidos, eu e meu povo, para sermos destruídos”. O rei também levantou-se indignado: “E onde está aquele cujo coração o instigou a assim fazer?” E disse Ester, apontando para Hamã: “O homem, o inimigo, o opressor é este”. Surpreendido e abalado por essa revelação contra o homem que ele mais prezava, Assuero retirou-se para o jardim. Então Hamã atirou-se aos pés de Esther, pedindo misericórdia. Ao reentrar, Assuero, deparando com Hamã ajoelhado diante de Ester, gritou-lhe colérico: “Porventura também queres forçar a rainha na minha própria casa? Guardas! Prendam este homem!”… Paremos um pouco para pensarmos nos detalhes, Ester mesmo sabendo de tudo que Hamã já tinha realizado e planejado, ela agiu com sabedoria, com mansidão, com classe, com educação, nos relatos em nenhum, momento fala que Ester se comportou com ira, arrogante, agressiva, mas relata o serviço em preparar um banquete estando tudo bem preparado  para receber o rei e o seu inimigo Hamã. É muito importante observar a postura de Ester diante dos fatos, o seu equilíbrio emocional.  O equilíbrio emocional é a capacidade da mente e do corpo em manter a estabilidade e a flexibilidade em meio a desafios e mudanças nos mais variados aspectos. Esse equilíbrio promove a saúde física e é um pré-requisito para o bem-estar e o crescimento profissional e pessoal de toda mulher. Sei que não é fácil alcançar o equilíbrio emocional, mas é algo que precisa ser trabalhado ao longo de toda a vida. Não é um talento nato. Por isso, é preciso força de vontade e perseverança para conseguir dominar a mente nas mais diversas situações. A vida de Ester foi forjando essa característica, essa virtude nela. O equilíbrio emocional permite também enxergar as situações com maior clareza e racionalidade. Ele nos tira da situação de espectadores e nos coloca como protagonistas do processo, do nosso processo. Em meio a tantos problemas que vivenciamos simultaneamente no dia a dia , como trabalho, filhos, cônjuge, entre tantas outras realidades, acabamos sufocadas pelas emoções ruins e não conseguimos, na maioria das vezes, visualizar a melhor solução para cada problema. Não deixe que pequenos ou grandes problemas tirem você do sério. Reserve alguns minutos para analisá-los de maneira racional, se permita adentrar em oração e pedir a Deus uma orientação de como agir diante de tantos desafios, frustrações e tantas outras realidades, busque o autoconhecimento às vezes até com ajuda de um psicólogo (a) você poderá vivenciar um lindo processo de autoconhecimento,  pergunte a si mesma: “Como posso resolver essa situação da melhor maneira?”, analise os fatos, não seja ansiosa, nem imediatista, busque o conselho de alguém instruída a nível humano, psicológico e espiritual. Mas saiba que é sempre será você a pessoa a saborear os frutos da sua escolha. Além do equilíbrio emocional, encontramos em Ester alguém que é intercessora  no capítulo 4 do livro de Ester conta que Ester jejuou por três dias, falou com o Rei e conquistou para seu povo o direito de se defender. No dia decretado por Hamã, os inimigos do povo judeu esperavam dominá-lo, mas graças ao direito de defesa que Ester conquistou, a história teve um final imprevisto.  Muitas vezes eu fico imaginando tudo que pode ter passado pela cabeça de Ester durante aquele um ano de tratamento que ela recebeu para poder entrar na presença do rei. Não deve ter sido fácil para ela ficar longe de sua família durante um ano, sem saber o que seria de seu futuro e se ela não fosse a escolhida pelo rei, seria apenas uma concubina do rei. Mas o mais bonito é que  Deus tinha um propósito, prepará-la para ser eleita a rainha de Assuero, pois só assim poderia interceder a favor do povo de Deus e salvá-lo. Assim é comigo e com você, Deus tem um propósito em nossas vidas, talvez seja você a pessoa convidada a interceder pela salvação do seu povo, da sua família, do seu esposo, dos seus filhos, enfim, já parou para pensar nessa possibilidade.  Muitas vezes passamos por momentos difíceis, sem entender muita coisa, sem saber o que está acontecendo e o porquê; as circunstâncias ficam sombrias e o futuro torna-se uma grande interrogação. Mas saiba que Deus sempre tem um propósito, não é que Deus queira que você passe por momentos de adversidades, mas saiba que se esses momentos forem bem vivenciados em oração, no sofrimento, no abraçar a cruz, eles podem forjar em você frutos de eternidade. Assim como Deus cuidou de Ester, Ele está cuidando de nós, só precisamos crer que Ele está no controle de tudo e que nos ama, pois é esse amor que gera em nós esperança, fé, confiança e uma paz que supera todo entendimento. Como Ester, eu e você, nós precisamos ser casa de oração onde o Espírito Santo habita, faz morada e conduz. O livro narra que Ester preparou o jantar para o Rei e Hamã, o que este detalhe nos quer dizer. Nos quer dizer que é na mesa que partilhamos vida, que laços são estreitados, onde por muitas vezes nós mulheres somos convidadas a colocarmos os nossos talentos a tona, seja na arte de cozinhar, de servir, de colocar a mesa  posta com aqueles detalhes que só nós sabemos fazer. Receber alguém em casa pode ser uma experiência única e tanto para o anfitrião quanto para o convidado. O cuidado e planejamento com o evento vai dizer muito sobre você. A ideia não é impressionar ninguém, mas garantir que todos se sintam à vontade, acolhidos e queridos, é nessa hora que quem sabe arrumar uma mesa faz toda a diferença. Começar pela cor sempre ajuda. Defina uma paleta harmônica de cores com predominância de 2 ou 3 tons para a mesa, desde detalhes das louças aos jogos americanos e flores, flores sempre alegram e encantam o ambiente. Em seguida, entenda o estilo que mais se adequa ao evento da sua casa, seja um momento familiar com seu esposo e seus filhos, alguma comemoração, um jantar temático, romântico… Enfim, estou estou falando de jantar pois foi o que Ester preparou, mas este contexto serve para todas refeições. Seja a protagonista da sua casa, exerça seu papel de mulher, mãe, esposa, ou seja, a administradora do seu lar. Algo triste neste mundo moderno é que cada vez mais as famílias estão distantes, as pessoas não estão mais se conhecendo, muitas vezes os pais não conhecem mais os seus filhos, o que eles vivem, os desafios que enfrentam e as lutas interiores que travam principalmente na adolescência. O fato é que comer em família é um hábito que nos aproxima e nos ensina muito sobre convivência, o respeito, o acolhimento, pois  é com a partilha olho no olho, que não deixamos a afetividade esfriar  e estreitamos os nossos laços. Refeições em família têm mesmo um pouco de tudo, pois combinam conversas triviais com assuntos importantes, intimidade com estranhamento, risadas e discussões, feijão, arroz, bife, batata frita com “você não sai daqui se não comer os legumes”. Hoje, quando podemos bloquear alguém nas redes sociais, publicações de pessoas com as quais não concordamos, o fazemos não é verdade,  mas os parentes acabam sendo a única esfera na qual precisamos conviver e aprendermos a lidar com as diferenças gerando respeito e acolhimento ao diferente que não quer dizer melhor ou pior, apenas diferente. O interessante é que a família nos tira da bolha e forja em nós virtudes como respeito, tolerância, acolhimento e o mais fecundo que é o amor. A Bíblia fala que o rei Xerxes amou Ester mais do que a todas outras. O que será que ela tinha de tão especial? Será que era a sua postura, a sua educação, a sua fé, o seu equilíbrio emocional,  a sua inteligência, a sua beleza ou até mesmo o seu Deus que cuidava de cada detalhe de sua vida? E você o que te faz ser uma mulher, particular, única e irresistível? Te convido agora a pegar a caneta e fazer uma autoavaliação das qualidades e virtudes que você já tem em si e aquelas em que você precisa crescer?

 

  Huanna Cruz – CN

A sabedoria da mulher temente a Deus

 Enganosa é a graça e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. (Provérbios 31.30)

Na bíblia, temos exemplos de muitas mulheres que ao longo da história, foram tementes a Deus. Por exemplo, em 1 Samuel, 25 que relata Abigail, que foi a esposa de um homem rico e malvado chamado Nabal. Mas Abigail era sensata e humilde, além de ser muito bonita tanto física como espiritualmente. Narra a Sagrada Escritura que Abigail agindo com sabedoria e discernimento, evitou que uma tragédia acontecesse. Uma outra personagem que mostra a sabedoria de uma mulher temente a Deus é a jovem sulamita, que era uma linda jovem camponesa que foi personagem principal do livro bíblico O Cântico de Salomão. A Bíblia não revela o nome dela, dando assim a possibilidade de todas as mulheres se colocarem em seu lugar. Uma das características ou até mesmo virtude que traduz a jovem sulamita é a lealdade, ela  se manteve leal ao jovem pastor que ela amava. (Cântico de Salomão 2,16) Como era muito bonita, ela chamou a atenção do rico rei Salomão, que tentou conquistá-la. (Cântico de Salomão 7,6) É muito comum a beleza atrair a muitos, pois a alma humana deseja contemplar o que é belo.  

O interessante é que muitos a incentivaram escolher o rei Salomão mas,  ela se recusou a fazer isso, pois ela amava o humilde pastor e foi leal a ele. — Cântico de Salomão 3,5; 7,10; 8,6. Atualmente, em um mundo cheio de interesses como é difícil se deparar com mulheres que sejam leais a sua própria dignidade de mulher.  Uma outra personagem é Débora, que foi uma profetisa que o Deus de Israel, Jeová, usou para revelar qual era a vontade dele em assuntos relacionados ao Seu povo. Deus também a usou para resolver problemas que existiam entre os israelitas. — (Juízes 4:4, 5). Ela corajosamente apoiou o povo de Deus. Seguindo a orientação Dele, ela convocou Baraque para liderar o exército israelita numa guerra contra os cananeus. (Juízes 4:6, 7) Quando Baraque pediu que Débora fosse junto com ele para a batalha, ela teve coragem e aceitou prontamente. — (Juízes 4:8, 9). Depois de Deus dar a vitória aos israelitas, Débora compôs pelo menos parte do cântico que ela e Baraque cantaram sobre o que tinha acontecido. Nesse cântico, ela fala do que Jael, outra mulher corajosa, fez para ajudar a derrotar os cananeus. — (Juízes, capítulo 5). 

A partir da vida de Débora, aprendemos a sermos corajosas, pois ela estava disposta a se sacrificar pelos outros. Ela encorajou outros a obedecer a Deus. E, quando eles fizeram isso, ela os elogiou pelo que tinham feito. É isso o que Deus espera de nós mulheres.  Podemos ressaltar também Jael que era a esposa de Héber, um homem que não era israelita. Ela corajosamente ajudou o povo de Deus. Ela agiu com firmeza quando Sísera, chefe do exército cananeu, chegou ao acampamento dela. Sísera tinha perdido a batalha contra Israel e agora estava fugindo em busca de abrigo. Jael o convidou para se esconder e descansar na sua tenda. Daí, enquanto ele dormia, Jael o matou. — (Juízes 4:17-21). O que Jael fez cumpriu uma profecia que Débora havia falado: “Será nas mãos de uma mulher que Jeová entregará Sísera.” (Juízes 4:9) Por causa do que fez, Jael foi elogiada como “a mais abençoada das mulheres”. — (Juízes 5:24). Como Jael teve iniciativa e agiu com coragem. A sua experiência mostra que Deus pode converter/ redirecionar situações para que suas profecias se cumpram. Diante dessas reflexões, podemos afirmar, que a mulher é um dom de Deus para a humanidade e quanto mais assumirmos essa verdade, mais eficazes seremos em nossa vida e integridade de ser mulher. São muitas as tarefas que enfrentamos durante o dia: servir a igreja quanto religiosa, ser missionária, evangelizar, trabalhar, estudar, cuidar da casa, dos filhos,  do marido e assim por diante. Como realizar tudo isso sendo presença de Deus nesses meios, onde quer que estejamos? Para que isso aconteça, é essencial ter uma vida de oração para ouvir os direcionamentos do Senhor e responder essa pergunta. A intimidade com Ele concederá à mulher as virtudes necessárias para ser uma extensão do seu amor em tudo que ela for realizar como foram as mulheres citadas, que se destacaram na Bíblia entre tantas outras. 

A mulher de Deus não toma nenhuma atitude antes de adentrar em intimidade com Deus. A mulher de Deus, sempre pergunta ao Senhor, o que devo fazer? Qual atitude devo tomar? Como agir? Qual resposta devo dar? Como devo me arrumar? Como cuidar do meu corpo como templo de Deus? Como devo educar meus filhos? Como ser uma boa esposa?  Ester, agia  assim instruída por Deus, foi dessa forma, que após ter feito jejum de 3 dias e ter adentrado em intimidade com Deus, que ela foi à presença do rei para interceder pela vida do seu povo.  O rei por sua vez estendeu para ela o seu cetro (cajado ou bastão). Mas o segredo de Ester, é que usou toda a sabedoria que Deus lhe deu: Não abordou diretamente o problema; executou sua estratégia por etapa: convidou o rei para assistir a um banquete e até este ponto nenhuma revelação especial fora feita ao rei por parte de Ester. A mulher de Deus, precisa esperar o tempo certo de agir, ela precisa ter uma escuta afinada a voz do seu Senhor.  

Sucedeu, pois, que, ao terceiro dia, Ester se vestiu de suas vestes reais e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte do aposento do rei; e o rei estava assentado sobre o seu trono real, na casa real, defronte da porta do aposento.  E sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester, que estava no pátio, ela alcançou graça aos seus olhos; e o rei apontou para Ester com o cetro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou e tocou a ponta do cetro.  Então, o rei lhe disse: Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará.  E disse Ester: Se bem parecer ao rei, venha o rei e Hamã hoje ao banquete que tenho preparado para o rei.  Então, disse o rei: Fazei apressar a Hamã, que cumpra o mandado de Ester. Vindo, pois, o rei e Hamã ao banquete, que Ester tinha preparado,  disse o rei a Ester, no banquete do vinho: Qual é a tua petição? E se te dará. E qual é o teu requerimento? E se fará, ainda até metade do reino.  Então, respondeu Ester e disse: Minha petição e requerimento é:  se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição e outorgar-me o meu requerimento, venha o rei com Hamã ao banquete que lhes hei de preparar, e amanhã farei conforme o mandado do rei. (ESTER 5, 1 – 8)

Depois de ter sido recebida pelo rei, Ester encheu-se de coragem, considerando que, se uma da regra tinha sido quebrada, outras tantas também poderiam ser, com a ajuda de Deus. Convidou-o para um banquete e ele o aceitou. Ester estava aguardando o momento certo para apontar o conspirador e pedir a anulação do decreto. Será que Ester deveria contar tudo ao rei na frente de sua corte? Fazer isso poderia humilhá-lo e dar tempo para seu conselheiro Hamã questionar as acusações dela. Assim, o que Ester fez? Séculos antes, o sábio Rei Salomão escreveu sob inspiração.

Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir. Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar. Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar.(Ecl. 3:1, 7

Podemos imaginar o pai adotivo de Ester, o fiel Mordecai, ensinando à jovem esses princípios à medida que ela crescia. Com certeza, Ester sabia da importância de escolher com cuidado o “tempo para falar”. Ester disse: “Se parecer bem ao rei, venha o rei com Hamã hoje ao banquete que preparei para ele.” (Ester 5:4) O rei concordou e mandou avisar Hamã. Consegue perceber como Ester escolheu sabiamente as palavras? Ela preservou a dignidade de seu marido e criou uma oportunidade mais adequada para revelar suas preocupações. 

Naturalmente a mulher tem uma tendência de agir por impulso. Quando pensamos em tomada de decisão, precisamos ter em mente qual é o resultado que esperamos obter ao agir de uma ou outra maneira. No entanto, existem momentos em que somos regidas pelas emoções, agindo por impulso e não levando em consideração as consequências dos nossos atos. Agir sem pensar, é deixar a emoção falar mais alto, mais forte e de modo desgovernado. Quem vive realizando ações no famoso “piloto automático” está, muitas vezes, a mercê da repetição de padrão, até mesmo agora, quero te convidar a refletir sobre o ditado popular: toda ação tem uma reação. Esse ditado tem sua origem na terceira lei de Newton, conhecida como lei da ação e reação, afirma que, para toda força de ação que é aplicada a um corpo, surge uma força de reação em um corpo diferente. Essa força de reação tem a mesma intensidade da força de ação e atua na mesma direção, mas com sentido oposto. Na vida da mulher temente a Deus, não pode ser assim, ela precisa ser uma mulher sábia. Os hábitos ou maus hábitos não podem passar a dominar a nossa mente, nos deixando crenças negativas se tornarem realidade inúmeras vezes e ainda falar com orgulho, comigo é assim, toda ação tem uma reação. Quem age dessa maneira não tem liberdade para novos resultados. É como se estivesse preso numa bolha negativa de vivências. Normalmente, nosso agir por impulso se dá na tomada de decisão, mediante a realidade adversa, mas é nossa hora, nos momentos de adversidade que eu e você, precisamos adentrar em intimidade com o nosso Senhor e receber D’Ele a orientação de como devemos agir mediante as dores, tribulações, humilhações, tempestades, adversidades, traições, dificuldades entre tantas realidades que nós mulheres somos desafiadas a vivermos. A mulher de Deus não age por impulso, ela age a partir da instrução e intuição divina. Pois algo interessante é que o coração de uma mulher de Deus, sempre gera vida e que exerce uma grande influência por onde passa, direta ou indiretamente, a mulher tem essa capacidade de gerar vida onde outrora era morte, dor, adversidade, traição… O triste é quando a mulher por falta de uma experiência com Deus não usa essa capacidade de transcendência e acaba por falta de fecundidade de gerar vida, fica querendo controlá-la, controlar seus filhos, seu marido e as coisas que estão em sua volta. A mulher de Deus, ela tem aquele jogo de cintura para fecundar os ambientes e situações de deserto, isso não por sua força, mas pela graça de Deus.

Por meio da fé, a própria Sara recebeu poder para gerar filhos, ainda que estéril e avançada em idade, porque considerou fidedigno Aquele que lhe havia feito a promessa. ( Hb 11, 11)

 

Sara realmente deu à luz um filho prometido. Chamou Abraão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, Isaque. Pela fé, Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz uma criança, quando se achava fora da idade. Como na vida de Sara, aquilo é estéril em nossa vida pode se tornar fértil. Você acredita nisso?  Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis, basta apenas confiar. Vale a pena ser uma mulher temente a Deus. 

Huanna Cruz – CN

A intervenção de Deus na vida do povo Judeu

Deus usa um judeu para salvar o rei. Deus faz o ímpio honrar o justo. Assim, podemos perceber que Deus não precisa bradar para mostrar o seu agir. Ele apenas age, e agindo Ele quem impedirá? (Isaías 43.13)

Comecei este capítulo com a passagem de Isaías, para dizer que Deus faz o que Ele quer e a hora que Ele quer, agindo Deus, ninguém pode impedir, diante disso Ele usa de pessoas para os seus propósitos. Precisamos crer que Deus tem planos eternos para cada um de nós, e não nos desampara, nem desamparará. Ele promete e cumpri seus propósitos de levar a bom termo tudo o que Ele mesmo planejou. Ester foi feita rainha para aquele propósito, o de salvar o povo de Deus. Ela não estava ali para “ser feliz”, ou ser um exemplo que os mais simples podem também vencer na vida, ou mudar de posição social, ou tão pouco adquirir status . Não. Deus tinha um propósito especial para aquela jovem mulher judia, pobre e órfã, assim também, tem um propósito singular para a minha e a sua vida. 

Para poder realizar a intervenção, Ester precisou agir com fé, sabedoria e coragem. A jovem mulher judia teve que deixar de lado, o medo, a insegurança e teve que dar um passo na fé por amor a Deus e ao seu povo, arriscando assim a sua própria vida. Depois de súplicas, orações e jejum é chegado o dia de se apresentar ao Rei, sem ser chamada. A Lei real, era muito clara ao afirmar que uma pessoa não poderia entrar na presença do Rei sem ser solicitada a sua presença, chegando a ser decretado a morte da pessoa que entrasse na presença do rei sem ser convidada ao menos que o rei levantasse o cetro em favor daquela pessoa.

Podemos imaginar a cena, segundo o que está escrito na bíblia. Ester se aproximando pouco a pouco do trono, possivelmente com o coração muito acelerado, mãos geladas e corpo trêmulo, mas confiante no Senhor, tendo em vista que se vivemos é para a glória do Senhor e se morremos também é para a glória D’Ele. Naquele momento, podemos imaginar o silêncio que pairou sobre a grandiosa corte real do Palácio Persa em Susã, um silêncio tão profundo que Ester podia ouvir sua respiração e seu caminhar. A imponência da corte real, a beleza das colunas e o deslumbrante teto esculpido feito de cedros importados do distante Líbano, chamava a atenção, principalmente por olhar a soberania da realeza e a sua pequenez quanto serva de Deus. Com o coração firmado em Deus e consciente da missão, ela concentrou toda a sua atenção no rei, o homem que tinha a vida e a morte dela e do seu povo em suas mãos. Por um outro lado, enquanto Ester aproximava-se, o rei a observava atentamente e um misto de sentimentos penetrava o seu interior, tendo ele levantado os seus olhos e vendo-a num primeiro momento, diz a palavra, que ele pensou em matá-la, falando em bom tom ameaçador: “Quem ousou entrar na presença real sem ter sido convocado?”. Diante dessa frase, Ester estremeceu e desmaiou, neste momento o Deus dos judeus, o Senhor de toda a criação, mudou o contexto e o rei ao olhá-la com calma para Ester, seu coração se alegrou ao ver resplandecer tanta beleza de corpo e alma, a mansidão pairou no coração do rei que estendeu o  cetro de ouro que o tinha em mãos. Foi um gesto simples, mas significou a vida de Ester, pois indicava que o rei a tinha perdoado pela violação que ela havia acabado de cometer: entrar na presença do rei sem ter sido convocada.

 Ao chegar perto do trono, Ester estendeu a mão e tocou a ponta do cetro, cheia de gratidão e alívio, em seguida desmaiou novamente, o rei envolvido por tanta compaixão, lhe pergunta o que ela quer e mesmo que fosse a metade do seu reino ele o daria. Naquele momento, não é relatado no livro, mas aconteceu uma outra intervenção divina, o Senhor concedeu a Ester a graça da Sabedoria, pois aquele não era o momento de fazer o seu pedido e diante disso ela fala ao rei: Senhor, se for possível, do agrado do rei, peço-te que venhas hoje e Amã contigo, para o banquete que preparei, e diz a palavra, que imediatamente o rei determinou que Amã fosse chamado para que se cumprisse o desejo da rainha Ester. Esse detalhe de ser amigo do tempo se faz muito presente no livro de Ester. O fato é que Ester não deveria contar tudo ao rei na frente de sua corte, pois tal realidade poderia aparentar uma humilhação para rei, diante da sua corte e ainda dar tempo ao seu conselheiro Amã de questionar as acusações dela contra ele. A atitude de Ester, foi de uma mulher sábia e prudente, em resumo ela foi amiga do tempo, como somos todos nós convidados a sermos amigos do tempo e viver os conselhos de Eclesiásticos:  “Para tudo há um tempo determinado, . . . tempo para ficar quieto e tempo para falar.” (Ecl. 3, 1- 7). Ester foi uma mulher sábia que  sabia da importância de escolher com cuidado o “tempo para falar”, isso é prudência. E você, você se considera uma pessoa prudente? 

A Prudência nada mais é do que a característica de quem se comporta de maneira a evitar os perigos ou consequências ruins. É próprio  de quem é prudente, a precaução. Na pessoa prudente há sensatez;  a pessoa age com paciência; ponderação e muita calma. Quantas situações adversas poderiam ser resolvidas se de fato vivêssemos concretamente a virtude da prudência. Além da prudência, Ester escolheu muito bem as palavras ao falar com Rei, nos mostrando que devemos escolher muito bem as palavras para os nossos relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais, já em relação ao banquete, Ester esteve atenta a todos os detalhes. Como uma mulher prendada e bem educada, Ester preparou aquele banquete com todo o cuidado, certificando-se de que as preferências de seu marido fossem atendidas em todos os detalhes. O banquete agradou tanto ao rei Xerxes que se sentiu extremamente feliz e servido, chegando ao ponto de estar motivado e perguntar novamente a Ester, qual era o seu pedido. Mas como muita prudência e discernimento, ela sentiu que ainda não era o momento, sendo assim, ela convidou o rei e Amã para um segundo banquete, no dia seguinte. O fato é que ela não estava enrolando, mas em oração discernindo o melhor momento para intervir pela sua vida e pela vida do seu povo. O fato é que o povo de Ester estava sob ameaça de morte por causa do decreto real, escrito a mando de Amã. Com tanta coisa em jogo, Ester precisava escolher a hora certa para falar, fazer a sua súplica por sua vida e a vida do seu povo. Portanto, ela esperou, toda espera fecunda gera frutos de salvação, criando uma nova oportunidade para mostrar a seu marido o quanto o respeitava e apreciava. 

O interessante é que embora Ester estivesse aflita e ansiosa para falar, como toda e qualquer mulher estaria, ela foi paciente e esperou o momento certo. Quantas coisas poderiam ser mais simples, se eu e você esperássemos o momento certo para agir. A paciência é uma qualidade muito rara e valiosa, mas se você ainda não tem essa qualidade, peça ao Espírito Santo o dom da paciência, pois com paciência conseguimos vencer muitas batalhas, se você vive batalhas em sua vida familiar ou profissional, tenha paciência, peça a Deus a graça de ter palavras ajustadas, de agir com prudência e com paciência esperar o tempo de Deus, a hora em que cada coisa irá ocupar o seu devido lugar.    Podemos aprender muito com o exemplo de Ester, pois com certeza todos nós vemos coisas erradas que precisam ser corrigidas, mas posso te falar um segredo: existe um tempo para cada coisa. Se quisermos convencer alguém em autoridade a resolver um problema, precisamos imitar Ester e ser pacientes. Nas sagradas escrituras em (Provérbios – 25,15) diz: “Com muita paciência pode se convencer a autoridade, e a língua branda quebra até ossos.” Se esperarmos pacientemente o momento certo e falarmos com brandura, assim como Ester fez, podemos obter a vitória, que não é temporal (humana), mas atemporal (divina). A paciência de Ester, unida a ação e intervenção divina, preparou o caminho para uma impressionante sequência de eventos. Amã saiu do banquete todo animado, por acreditar que o rei e rainha tinham muita consideração por ele. Contudo, ao passar pelo portão do castelo, ele viu Mardoqueu, o judeu que continuava a se recusar a se inclinar a ele em respeito e homenagem por ele ser o segundo homem mais poderoso do reinado de Xerxes. Para uma melhor compreensão é importante ressaltar que Mardoque não fazia isso por desrespeito, mas sim por causa de sua consciência e crença, pois como um bom judeu, a sua adoração e inclinação era apenas para o seu Deus. A situação mexeu tanto com Amã que ele chegou em casa falando tudo para a sua esposa, que não era uma mulher sábia e nem de bom coração, que infelizmente o incentivou  a mandar construir uma enorme estaca com mais de 20 metros de altura e a pedir permissão ao rei para pendurar Mardoqueu nela. Amã ficou muito feliz com a ideia e imediatamente colocou o plano em ação. Nesse intervalo de tempo, o rei teve uma noite incomum, sem dúvida uma outra intervenção divina. 

A Bíblia diz que o rei perdeu o sono e, por isso, ordenou que os registros oficiais do império fossem lidos em voz alta. A leitura incluía um relatório sobre uma trama para o assassinar. Imediatamente, ele se lembrou do fato, seus sentimentos e lembranças foram atualizadas referente ao fato, os que queriam matá-lo foram capturados e executados. Mas nada tinha sido feito para honra, aquele que tivera denunciado o fato em favor da vida do rei. Por ironia do destino, o rei perguntou a Amã o que ele deveria fazer em favor de alguém que ele quisesse honrar, Amã por sua vez que tinha ido ao palácio para pedir a permissão de matar Mardoqueu, deu a ideia ao rei de uma homenagem cheia de pompa, a pessoa deveria vestir-se com vestes reais e o rei deveria designar um alto funcionário para acompanhá-lo num desfile por Susã no próprio cavalo do rei, aclamando-o diante de todos. Amã deu essa sugestão, pois pensava que ele seria essa pessoa que receberia toda a honra e pompa, mas o rei confia a Amã este serviço e revela que o homem que ele quer homenagear é Mardoqueu, o homem que Amã tanto deseja matar. Imagino, Amã falando e anunciando em toda Susã a seguinte frase: É assim que são tratados aqueles que o rei deseja exaltar e ainda imagino o mais profundo furor que devia estar em seu coração neste momento. 

 

A respeito do pedido de intervenção de Ester, a bíblia relata:

O rei e Amã foram, pois, ao banquete de Ester. No segundo dia, bebendo vinho, disse ainda o rei a Ester: “Qual é teu pedido, rainha Ester? Será atendido. Que é que desejas? Ainda que me peças metade do reino, te será concedido!”. A rainha respondeu: “Se achei graça a teus olhos, ó rei, e se ao rei lhe parecer bem, concede-me a vida – eis o meu pedido; salva meu povo – eis o meu desejo. Fomos votados eu e meu povo, ao extermínio, à morte, ao aniquilamento. Se tivéssemos sido vendidos como escravos eu me calaria, mas eis que agora o opressor não poderia compensar o prejuízo que causa ao mesmo rei”. “Quem é – replicou o rei –, e onde está quem maquina tal projeto em seu coração?” “O opressor, o inimigo – disse a rainha – é Amã – eis aí o infame!” Amã ficou aterrorizado diante do rei e da rainha. O rei, aceso em cólera, levantou-se e deixou o banquete, dirigindo-se ao jardim do palácio, ao passo que Amã permanecia ali, para implorar a Ester o perdão de sua vida, porque via bem que no espírito do rei estava decretada sua perda. Quando o rei voltou do jardim do palácio para a sala do banquete, viu Amã que se tinha deixado cair sobre o divã em que repousava Ester: “Como!” – exclamou. “Ei-lo que quer fazer violência à rainha em minha casa em meu palácio!” Mal tinha saído essa palavra da boca do rei, quando cobriram a face de Amã. Har­bona, um dos eunucos, disse ao rei: “A forca preparada por Amã para Mardoqueu, cuja denúncia em favor do rei tinha sido tão salutar, acha-se levantada na casa de Amã, altura de cinquenta côvados”. “Que o suspendam nela!” – exclamou o rei. E suspenderam Amã na forca que tinha preparado para Mardoqueu. Isso acalmou a cólera do rei.” (ESTER 7, 1 – 10)

Vimos que Ester foi paciente e esperou a hora de Deus para apresentar seu pedido ao rei. E que a maldade se derrota sozinha, foi assim que Amã sem perceber arquitetou a sua própria destruição. Não é de se admirar que a Bíblia nos incentiva a termos “uma atitude de espera”. Não tenha dúvidas, quando esperamos por Deus, por ação e intervenção, descobrimos que suas soluções para os nossos problemas são muito melhores do que qualquer solução que nós mesmos podemos encontrar ou planejar. 

Huanna Cruz – CN

Jejum e oração no Livro de Ester

 

“Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.” (Mateus 6:16-18)

 

Na vida de um cristão e no seu relacionamento com Deus, o jejum e a oração são duas práticas essenciais, essas práticas revela duas características que favorece o processo de santificação que é a intimidade com Deus e o auto-controle. 

Orar nada mais é do que conversar com Deus, entrar em intimidade com Deus. É impossível ter intimidade com uma pessoa se não passamos tempo falando com ela, se não a buscamos conhecer. Essa busca de intimidade com Deus, não interfere em nada naquilo que Deus é, Ele é e isso basta, Deus é imutável, a busca de intimidade com Deus, só favorece a própria pessoa, pois a medida que buscamos nos relacionarmos com Deus, nós crescemos na intimidade com Ele, mas se não separamos tempo todos os dias para falar com Deus, o nosso relacionamento com Ele vai esfriando. 

É igual ao fato em que  duas pessoas eram muito amigas, mas ao decorrer as pessoas não foram conversando, foram fazendo outras amizades e com o passar do tempo elas não se relacionavam mais e até mesmo não se conheciam mais e perderam a intimidade, quem sabe até o amor e a admiração que tinham um pelo outro. É assim também em nosso relacionamento com Deus, a diferença é que Deus nos ama e está sempre disposto a nos perdoar, restaurar e recomeçar, mas o nosso coração frágil e pecador, tem a tendência de não amar o amor e por isso muitas vezes, o amor que é o próprio Deus, não é amado.

O Ato de jejuar significa muito mais do que deixar de comer e ou beber durante um determinado período de tempo enquanto se busca a presença de Deus. O jejum na bíblia,  está associado a uma unção especial do poder de Deus na vida de quem jejua, diante de um propósito salvífico. É claro que o  jejum não muda Deus (porque Deus é imutável, sempre bom, fiel, justo e amoroso), mas muda quem jejua, trabalhando a fé o temor a Deus, a esperança e o autocontrole na vida de quem realiza essa prática de fé. No Livro de Ester na Bíblia Sagrada, encontramos o jejum de Ester, que foi um jejum de três dias que Ester e todos os judeus da cidade de Susã realizaram. Ela fez esse jejum para se preparar para entrar na presença do Rei e pedir a intervenção na vida dos judeus. 

Ester tinha ciência que ao entrar na presença do rei, sem ser convidada a faria correr risco de vida mas, se não fizesse nada, todo seu povo iria morrer e como Mardoqueu a faz relembrar que talvez Deus a tenha permitido viver essa experiência, justamente para esse propósito. Toda posição e situação que acontece em nossa vida, pode ser utilizada como ferramenta para um bem maior. O jejum de Ester foi um jejum muito radical, que só deve ser feito, no máximo, por três dias. Pois ficar mais tempo sem comer e nem beber é muito perigoso para a saúde. 

A situação de Ester era muito grave, e pedia medidas drásticas. Sendo judia, Ester  jejuava. Ela  acreditava que a partir do jejum Deus a ia instruir de como agir com sabedoria para a salvação do seu povo. O interessante é que quando Ester decidiu jejuar, ela convocou todos os judeus de sua cidade para se unirem a ela nesse propósito. Diante desse contexto, Ester, suas criadas, Mardoqueu e todos os judeus de Susã passaram três dias sem comer nem beber nada (Ester 4:15-17). 

A  situação em Ester se encontrava, era uma situação desesperadora! Mesmo que ela salvasse sua vida e o rei aceitasse seu pedido, os decretos com o selo real continuariam irrevogáveis; o próprio rei não poderia anulá-los. Quão pequena era a possibilidade de sucesso do seu sacrifício. No entanto, ela não tinha muita escolha. A Bíblia relata que Ester decidiu não abandonar seu povo nesse momento de aflição e que ia se sacrificar se preciso para tentar salvar o seu povo. Em Susã, Mardoqueu reuniu as crianças judias. Todos se vestiram com sacos e cinzas por sobre a cabeça e gritavam, rezavam dia e noite para que Deus tivesse compaixão de suas vidas. 

O jejum de Ester foi uma forma dela mostrar sua dependência total de Deus, como o reconhecimento de Deus era o único que de fato poderia salvar a sua vida e a vida do seu povo. Na Bíblia o jejum não aparece como um mandamento, mas é assumido como uma prática cristã, e este por sua vez, deve ser voltado para Deus, não para o reconhecimento próprio ou dos outros. Assim como fez Davi ao lutar com o Golias, Ester se apresentou iria se apresentar ao rei, interessante é que na história de Davi, que encontramos na Bíblia Sagrada no livro de Samuel, Golias era o guerreiro ideal, com todo o equipamento mais avançado da época. Já Davi, era um pastor de ovelhas. 

Segundo os escritos Davi era ruivo, de belos olhos, saudável e admirável aparência, porém sem porte de um guerreiro. Diante desse contexto, podemos afirmar que humanamente seria impossível para Davi vencer o Golias. E tinha mais, a Sagrada Escritura afirma, que Golias tinha quase três metros de altura, considerado um gigante em comparação aos outros. A sua armadura era muito pesada cobria quase todos os pontos fracos e ele estava armado com uma lança, um dardo e uma espada. Seu equipamento era feito de bronze, um metal muito bom para criar armas e que pouca gente sabia usar nessa altura, já Davi decidiu levar apenas seu cajado, cinco pedras lisas e sua atiradeira. Sem proteção nenhuma, Davi foi enfrentar o gigante. Na verdade a confiança de Davi não estava nas armaduras, em si ou nas pessoas, sua confiança estava em Deus e vamos ser bem sinceros… Agindo Deus, quem impedirá? 

Ester não tinha a garantia do bom êxito em relação a intervenção que pretendia fazer, mas ela tinha fé em Deus e amor pelo seu povo e isso foi o suficiente para ela se ofertar em favor do seu povo e o Senhor que não se deixa vencer em generosidade, acolheu a sua oferta, o seu sacrifício e a sua oração. O jejum de Ester foi uma forma de mostrar dependência total em Deus, o único que poderia salvar sua vida. E o seu jejum, o que tem sido? 

 

Oração de Ester

 

Meu Senhor, nosso único Rei, vinde socorrer-me, porque estou só e não tenho outro auxílio senão Vós 
e corre perigo a minha vida. Desde criança, ouvi dizer na minha tribo paterna que Vós, Senhor, escolhestes Israel entre todos os povos e os nossos pais entre os seus antepassados, para serem a vossa herança perpétua, e cumpristes tudo o que lhes tínheis prometido.
 Lembrai-Vos de nós, Senhor, e manifestai-Vos no dia da nossa tribulação. Fortalecei-me, Rei dos deuses e Senhor dos poderosos. 
Ponde em meus lábios palavras harmoniosas, quando estiver na presença do leão, e mudai o seu coração, para que deteste o nosso inimigo e o arruíne com todos os seus cúmplices. 
Livrai-nos com a vossa mão; vinde socorrer-me no meu abandono, porque não tenho ninguém senão Vós, Senhor. ‪(Livro de Ester ‪14,1.3-5.12-14)

 

Muitas vezes recorremos a Deus com palavras de súplica, porque assumimos que estamos impotentes perante os problemas da nossa vida e que só Deus pode intervir no que nos é impossível. Quantos leões nos cercam, prontos a derrubar-nos! A rainha Ester tinha todas as riquezas que o mundo pode dar, mas era infeliz porque não tinha “nada”, por isso recorreu a Deus e Ele ouviu o seu grito.

Agora quero te convidar a adentrar nos átrios da tua existência e se permitir escrever a tua oração ao Senhor, aquela que brota no mais profundo de tua alma. Já pegou a folha e a caneta?!

Huanna Cruz – CN

O Propósito de Deus na vida da Rainha Ester

De onde vem o propósito de vida de uma pessoa, vem do mero acaso, como se fosse sorte, ou vem de um chamado de Deus, assinando para cada um de nós, a nos guiar.  Ao pensar em cada um de nós, Deus nos deu uma missão; a de o glorificarmos com a nossa vida. Muito se fala da história de Hadassa, uma pequena judia que se tornou rainha no lugar de Vasti, ou melhor, Deus fez Ester rainha no lugar de Vasti, por causa da missão de salvar o povo judeu da aniquilação, ou seja, Deus providenciou o socorro para Israel, que estava condenada à morte. Tudo isso aconteceu, pelo fato que um homem chamado Hamã obteve destaque na corte de Assuero, ou seja, o rei  Assuero o nomeou primeiro-ministro, esta nomeação, fazia de Hamã seu principal conselheiro e o segundo homem mais poderoso do seu império. O rei até decretou, que quem visse Hamã, o alto funcionário real, deveria se curvar diante dele. Mas para Mardoqueu, essa lei era um dilema, pois ele sabia que devia obedecer ao rei, porém só quando isso não envolvesse desobedecer a Deus. O problema é que Hamã era agagita, isto é, ele era descendente de Agague, o rei amalequita executado pelo profeta Samuel. Os amalequitas eram tão maus que se declararam inimigos do povo de Deus, consequentemente, inimigos de Deus. Como povo, estes, eram condenados por Deus. Diante deste contexto, Mardoqueu se questionava, como é que um judeu fiel poderia se curvar diante de um amalequita, certamente, o mesmo nunca faria isso. E de fato, ele manteve sua crença e nunca o fez. Até hoje, homens e mulheres de fé têm arriscado a vida para cumprir o princípio, de se obedecer e ser fiel a Deus, mais que aos homens, podemos refletir tal realidade na vida dos cristãos que são mortos na Síria, por não se converterem ao islamismo, ou seja, ainda existem homens que preferem morrer ao trair a sua fé.  

Hamã vendo que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante dele, ele se encheu de furor, contudo deteve a ideia de seus propósitos de pôr as mãos só em Mardoqueu, como ele sabia a qual povo Mardoqueu pertencia, Hamã procurou destruir a todos os judeus, o povo de Mardoqueu, que havia em todo o reino de Assuero. Este fato, parece ser  evidentemente uma loucura,  o fato de Hamã querer destruir toda uma nação por causa de um homem que não se curvou diante dele, diante deste fato, somos convidados a termos uma percepção do sobrenatural deste fato, uma vez que o grande reino de Assuero, no qual Hamã era o segundo homem mais importante, se estendia da Índia até Etiópia, diante deste contexto, podemos entender que nenhum Judeu sobreviveria se Hamã cumprisse suas ameaças, e se isto acontecesse, como é que nasceria o Cristo, uma vez que Deus tinha prometido inicialmente à Abraão e a Davi, que de seu povo sairia o Cristo. Podemos concluir que o plano de Hamã não era apenas uma maldade humana, mas sim algo diábolico, fica muito claro que era o mal atuando por meio de Hamã, tentando anular a vinda do Cristo, para que assim a salvação não entrasse no mundo. Entendamos, que Hamã (Amã) é a caricatura do mal, pois planeja a aniquilação do povo judeu, e ainda manipula o rei a apoiá-lo em seus planos diabólicos.

Relata o livro:

Decreto de extermínio dos judeus – No duodécimo ano de Assuero, no primeiro mês, que é o mês de Nisã, sob os olhos de Amã, lançou-se o “Pur” (isto é, as sortes), por dia e por mês. A sorte caiu no décimo segundo mês, que é Adar. Amã disse ao rei assuero: “No meio dos povos, em todas as províncias de teu reino, está espalhado um povo à parte. Suas leis não se parecem com as de nenhum outro e as leis reais são para eles letra morta. Os interesses do rei não permitem deixá-lo tranquilo. Que se decrete, pois, sua morte, se bem parecer ao rei, e versarei aos seus funcionários, na conta do Tesouro Real, dez mil talentos de prata.” O rei tirou então o seu anel da mão e o deu a Amã, filho de Amadates, do país de Agag, perseguidor dos judeus, e lhe disse: “Conserva teu dinheiro. Quanto a este povo, é teu: faze dele o que quiseres!”  Dirigiu-se, pois, uma convocação aos escribas reais para o dia treze do primeiro mês, e escreveu-se tudo o que Amã ordenara aos sátrapas do rei, aos governadores de cada província e a língua de cada povo. O rescrito foi assinado em nome de Assuero e selado com seu anel. Através de correios, foram enviadas a todas as províncias do reino cartas mandando destruir, matar e exterminar todos os judeus, desde os adolescentes até os velhos, inclusive crianças e mulheres, num só dia, no dia treze do décimo segundo mês, que é Adar, e mandando confiscar os seus bens. (Ester 3, 7-13)

Confira o que estava escrito no decreto de extermínio, segundo a Bíblia de Jerusalém:

“ O grande Rei  Assuero, aos governadores das cento e vinte e sete províncias que vão da Índia à Etiópia, e aos chefes de distrito, seus subordinados: colocado na chefia de inúmeros povos e como senhor de toda a terra, eu me propus não me deixar embriagar pelo orgulho do poder e sempre torgar a meus subordinados o perfeito gozo de uma existência sem sobressaltos, e já que meu reino oferece os benefícios da civilização e a livre circulação entre suas fronteiras, nele instaurar o objeto do desejo universal, que é a paz. Ora, tendo ouvido meu conselho sobre os meios de atingir esse fim, um dos meus conselheiros, cuja sabedoria entre nós é eminente, dando provas de indefectível devotamento e inquebrantável fidelidade, e cujas prerrogativas vêm imediatamente após as nossas, Amã denunciou-nos, misturado a todos as tribos do mundo, um povo mal-intencionado, em oposição, por suas leis, a todas as nações, e constantemente desprezando as ordens reais, a ponto de ser um obstáculo ao governo que exercemos para a satisfação geral. Considerando, pois, que o referido povo, único em seu gênero, acha-se sob todos os aspectos em conflito com toda a humanidade; que dela difere por um regime de leis estranhas; que é hostil aos nossos interesses e que comete os piores delitos, chegando a ameaçar a estabilidade de nosso reino: por esses motivos, ordenamos que todas as pessoas que vos forem assinaladas nas cartas de Amã, preposto às tarefas de nossos interesses e para nós um segundo pai, sejam   radicalmente exterminadas, inclusive mulheres e crianças, pela espada de seus inimigos, sem piedade ou consideração alguma, no décimo quarto dia do décimo segundo mês, isto é, Adar, do presente ano, a fim de que , uma vez lançados esses opositores de hoje e de ontem no Hades num só dia, sejam asseguradas doravante ao Estado estabilidade e tranquilidade.” (Ester 3, 13 )

Ao lermos este decreto, nos deparamos com as más inclinações da natureza humana.O orgulho, a arrogância e o autoritarismo, que se apresentam de formas tão naturais em algumas pessoas, como más inclinações, aqui chegam ao ponto extremo, transformando-se em ódio a ponto de haver todo um trabalho arquitetado para atingir o objeto de seu ódio: matar o povo judeu, a raça eleita. Neste ponto, podemos nos questionarmos: “Por que os judeus são tão odiados no decorrer dos tempos chegando isso até o Nazismo na Segunda Guerra Mundial?” 

O fato é que este foi um decreto diábolicos, com objetivo de acabar com o projeto de Deus de salvar toda a humanidade, por meio do seu Filho Jesus. Este decreto que havia ordens reais de ser espalhado pelo reinado de Xerxes, espalhou confusão e o medo entre os judeus do  reino e burburinhos e ansiedade por parte de muitos, que discretamente também desejavam que o dia do extermínio chegasse e que os judeus finalmente fossem mortos! Muitos receberam aquele decreto com alegria e júbilo, já outros com medo e pavor. Para os judeus o sofrimento de ver que a cada dia que passava eles teoricamente teriam um dia a menos de vida, os deixavam desesperados.

Ainda hoje, muitos planos são rigorosamente feitos e detalhados no inferno para que todos possamos morrer os cristãos possam morrer se não no corpo, na alma… E em meio a tudo isso decretos de morte com a data marcada são emitidos nos tribunais infernais contra os servos do Senhor, seja a ruína do teu matrimônio, da vida do teu filho(a), teus pais, parentes, amigos ou até mesmo a tua. Não podemos perder de vista que a nossa luta é contra as forças malignas e não contra o próximo que pode estar sendo influenciado pela maldade em sua natureza ou pelo próprio maligno. O adversário marcou o dia em que ele gostaria de nos matar e até já preparou o plano e cuidadosamente posicionou as pessoas que serão utilizadas para que isso ocorra, mas eu tenho um segredo para te falar, que já fora dito por São Miguel Arcanjo em lutas passadas tão atuais: Quem como Deus?

Diante de uma guerra, algo precisa ser feito. É necessária uma intervenção direta na fonte, que era o rei Xerxes, por meio de Deus que é o todo Poderoso, o Onisciente e o Soberano.

Huanna Cruz – CN

A providência de Deus na vida da Rainha Ester

O Livro de Ester é um dos mais belos relatos da Bíblia, onde o cenário nos coloca fora da Palestina, mais precisamente em Susã (situada a 320 quilômetros a leste de Babilônia, Susã era capital da antiga Elão, Susiana), capital dos Aquemênidas, local onde reina Assuero, nome hebraico de Xerxes rei dos medos e dos persas (486-465 a.C.). Não se sabe ao certo quem escreveu o Livro de Ester, algumas provas intrínsecas possibilitam fazer algumas inferências a respeito do autor e a data da composição. Diante dos escritos, fica claro que o autor era judeu, tanto pelo realce que confere à origem de uma festa judaica, quanto pelo nacionalismo judaico que permeia a história. O conhecimento que o autor tem dos costumes persas, os antecedentes históricos da cidade de Susã, a ausência de referência à terra de Judá, ou a Jerusalém, fazem crer que ele residia na cidade persa. A data mais recuada possível para o livro seria 460 a.C.. O interessante é que o autor do Livro de Ester faz hábil uso de tensões narrativas criadas pelas inversões ou pelos fortes contrastes de destino e de expectativa, gerando a constante presença das peripécias. 

Grelot (1975) relata que certamente o Livro de Ester é romanceado, apesar de seu contexto histórico. Suas finalidades seriam mostrar a libertação providencial de Israel e justificar a adoção pelos judeus da festa de Purim (ou das Sortes), fixada aos 14 de Adar. 

Diante de algumas leituras e pesquisas, podemos afirmar que, a Divina Providência, ou simplesmente Providência, é um termo teológico que se refere ao poder supremo,  ou intervenção de Deus sobre eventos na vida de pessoas por toda a história, ou seja, é a influência de Deus na vida do seu povo, onde Ele mesmo, decide o que irá acontecer no futuro, sendo assim, nada acontece sem que Deus permita. 

Ao falarmos a respeito da Divina Providência, é importante conhecermos a distinção que São Tomás de Aquino faz a respeito: 

“Duas coisas cabem à providência: a razão da ordem dos seres a quem ela provê, a um fim; e a execução dessa ordem, a que se chama governo. — Quanto à primeira, Deus, que tem no seu intelecto a razão de todos os seres, mesmo dos mínimos, a todos provê imediatamente. E pré-estabelecendo certas causas a certos efeitos, deu-lhes a virtude de os produzir. Logo, é necessário nele preexista a razão da ordem desses efeitos. — Quanto à segunda, a providência, que governa os inferiores pelos superiores, emprega certos seres médios; não por defeito do seu poder, mas pela abundância da sua bondade, que comunica a dignidade de causa, mesmo às criaturas.” (Suma Teológica, I, q. 22, a. 3)

O Catecismo da igreja católica no parágrafo 314, diz:

Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado (158) definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra. (Catecismo da Igreja Católica, 314)

Ainda no catecismo a respeito da divina Providência, no parágrafo 321, relata que a mesma, consiste nas disposições pelas quais Deus conduz, com sabedoria e amor, todas as criaturas, para o seu último fim.

Em minha adolescência ganhei um livro de Romilda Mendes Cerqueira, membro consagrada da Comunidade Canção Nova. Peguei o livro e no mesmo dia comecei a realizar a leitura deste livro, cujo título é; “Considerai como crescem os Lírios! A Providência Divina de Padre Jonas Abib”. Este livro me ensinou a confrontar o sistema mundano e o sistema de Deus, que forma o ser humano para buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça na certeza, que tudo o mais será acrescentado na vida daqueles que colocam Deus em primeiro lugar, pois Deus cuida do seu povo, foi assim no antigo testamento e continua a ser assim no tempo presente. A única coisa que precisamos fazer para saborearmos esta Divina providência é confiarmos em Deus e não nas riquezas e ideologias deste mundo, pois tudo passará e apenas o essencial que muitas vezes é invisível aos olhos humanos, permanecerá. Com isto não estou dizendo que você não precisará trabalhar e ter o teu sustento, mas estou dizendo que não seja o teu sustento, o teu trabalho a ocuparem o lugar do SENHOR em tua vida. 

A palavra chave do livro de Ester é a Providência, pois os capítulos deste livro, têm muito a nos ensinar, a respeito da confiança e fidelidade a Deus, que cuida e intervém em favor de seu povo.  Ester uma simples jovem judia, se tornou rainha, pela providência divina, para salvar o seu povo, do decreto real. Este livro nos mostra que nada é coincidência, mas sim providência. A história de Ester é um misto de tragédia, romance, ação, drama e fé, talvez seja por isso, que esta obra é tão apreciada por diversas gerações e culturas, o mais interessante é que segundo a tradição judaíca, segundo os detalhes e comprovações históricas, esta obra, certamente tem um fundamento histórico e real, que marcou e ainda marca, o povo judeu. 

A providência de Deus se entrelaça no livro de Ester da seguinte forma; o rei Assuero ou Xerxes, planejou uma invasão a Grécia. Para comemorar o seu projeto de invasão a Grécia, o rei dá uma festa de sete dias, de magnitude ímpar, para celebrar seus planos e sua magnitude. No último dia da festa, onde os convidados e o próprio já encontrara embriagado, ele decide chamar sua esposa, cujo nome era Vasti, para mostrar a todos a sua formosura, sendo a mesma considerada o bem mais precioso do reino. Ela, porém se recusa a ir, e por influência dos ministros reais, a ira de Assuero se ascende, e ele decide depor sua esposa do status de rainha. Diante desta realidade, assim que a rainha Vasti foi destituída, pois os ministros e a sociedade daquela época, daquela cultura local, acreditavam que a atitude dela era imperdoável, e seguindo o seu exemplo, as outras mulheres  daquele reinado, desobedeceriam os seus maridos e seria uma vergonha para aquela sociedade, porque segundo a esta cultura, cada homem deve ser o senhor na sua casa. Foram então postos os mandatos reais, em todas as províncias, convocando as moças do reino para que o rei escolhesse a substituta de Vasti. Sucedeu, pois, que, divulgando-se o mandado do rei e a sua lei, os guardas reais, ajuntaram muitas moças na fortaleza de Susã, ou seja o harém real, debaixo da mão de Hegai, guarda das mulheres.  Ester, foi raptada e levada, juntamente com várias moças “jovens virgens”, ao Palácio real, especificamente para o harém real, com o objetivo de dedicar sua vida inteiramente a servir, divertir e agradar ao rei. Essas jovens, só podiam ir até a presença do rei quando fossem chamadas por nome, e se ele não se agradasse com elas, ele poderia esquecê-las e faze-lhes suas prisioneiras dentro do harém. É importante ressaltar  que antes das moças serem apresentadas ao rei, para terem sua primeira noite com o rei, elas recebiam durante um ano um tratamento de purificação (beleza), nos primeiros seis meses, elas recebiam um tratamento de mirra, que é uma planta medicinal cujo azeite era usado, na antiguidade, para ungir os cadáveres antes do sepultamento, sendo assim, a mirra tipifica a morte. Nos outros seis meses, elas eram tratadas com especiarias, perfumes e unguentos. Entre as especiarias mais conhecidas, estavam o aloés e a cássia. O aloés possui um sumo amargo e laxante. Já a cássia é uma flor bela e aromática, cujo fruto se dá em vagem. Ambos possuem propriedades medicinais. Aloés e Cássia representam a ressurreição. Esta purificação que Ester recebeu, representa a igreja, a noiva que passa pela morte, para assim poder ressuscitar para a eternidade.

Em um primeiro momento, quase não conseguimos enxergar a providência de Deus, pois Ester fora raptada e levada ao harém do rei, juntamente com outras lindas jovens, até então nada garantia que Ester seria a escolhida para ser a rainha no lugar de Vasti. E se não ela fosse a escolhida para ser rainha, lhe caberia apenas, o papel de concubina real, ou seja, ela seria uma das amantes do rei, lhe servindo apenas como uma escrava sexual, para os momentos em que o rei desejasse desfrutar da sua presença. Como Deus é o grande mestre em inverter nas situações, ou melhor, transformar uma tragédia, em uma benção. O livro de Ester alimenta a nossa fé, pois Deus tira Vasti da sua posição de rainha e dá a Ester este lugar, com um para que, bem maior que se pode imaginar; a salvação do povo judeu. Deus fez Assuero amar Ester, mais do que a qualquer outra que ele tinha amado, mesmo sem saber sua origem, ele a amou e lhe impôs o diadema real sobre a cabeça e a escolheu para rainha no lugar de Vasti. Depois desse acontecimento, o rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, a todos os altos oficiais e aos seus servos, dando também um dia de descanso a toda província, distribuindo presentes  com uma liberalidade real. Ester como rainha ocupava um lugar de honra e destaque, e tinha mais liberdade e autoridade do que qualquer outra mulher no harém. Mas, mesmo assim, ela tinha poucos direitos, estes eram restritos, ainda mais por causa da rebeldia da deposta rainha Vasti. A grande palavra nesse livro é providência, pois fica claro que Deus colocou Ester em uma posição, em que essa fosse um canal de ajuda ao Seu povo, pois Deus nunca desamparou e nem desamparará o Seu povo, Ele é fiel.  Assim, podemos perceber que Deus não precisa bradar para mostrar o seu agir. Ele apenas age no ordinário de nossas vidas, e como está escrito na Bíblia Sagrada, no livro de Isaías, eu também me questiono ao olhar a história e o percurso vivenciado pelo povo de Deus: agindo Deus quem impedirá? (Isaías 43.13). 

Deus  age nos nossos dias, da mesma forma que Ele agia no Antigo Testamento. Ele é o Deus da providência, que converte o mal em bem, que tem seus propósitos insondáveis, que nos recompensa de acordo com os nossos atos e de acordo com o tempo Dele, Ele é um Deus rico em misericórdia, aqui na Canção Nova em Cachoeira Paulista em especial, tocamos na graça que é ter o Santuário do Pai das Misericódias, o Pai misericordioso  que cuidou do seu povo judeu, é o mesmo que cuida de cada um de nós e de cada uma das particularidades  que vivemos, cabe a nós apenas obedecê-lo, ouvir Seus mandamentos e praticá-los. Pois o Deus que vê o escondido, sabe a reta intenção do teu coração, Ele te conhece e sabe o que vai te fazer bem, o convite que faço é simples, permita Deus ser Deus em tua vida e tudo mais virá por acréscimo no tempo de Deus e muitas vezes não no teu, mas não se preocupe, na hora certa o Senhor dará uma ordem a tempestade e a mesma ficará em silêncio e aquilo que outrora se encontrava em agitação será apenas calmaria. O Senhor é capaz de levar luz onde outrora era treva, paz onde outrora era guerra e esperança onde outrora era desespero. Por isso, não se deixe desanimar pois a tua vida está nas mãos Daquele que te ama e que é capaz de inverter, transformando aquilo que parecia ser um grande mal, em um grande bem.

 

Huanna Cruz – CN

 

Referência:

ALTER, Robert. A Arte da Narrativa Bíblica. Trad. Vera Maria Pereira. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 

AUERBACH, Erich. Mimesis: A representação da realidade na literatura ocidental. Trad. Suzi Frankl Sperber. São Paulo: Perspectiva, 2004.

BABUTS, Nicolae (Ed.). Mircea Eliade: Myth, religion, and history. New Brunswick, NJ: Transaction, 2014. 

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Ed. Zahar, 2001.

BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Ed. Zahar, 2004.

BALDWIN, 

Joyce G.. Ester: introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.

BEAL, Timothy K. The Book of Hiding: Gender, ethnicity, annihilation, and Esther. New York: Routledge, 1997. 

BÍBLIA. A. T. 

A. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada. Barueri: SBB, 1993. 

Ester. In: Bíblia. Português. A Bíblia de Jerusalém. Trad. Domingos Zamagna. São Paulo: Paulus, 1973. p. 768-784.

BÍBLIA SAGRAD

______. A. T. Gênesis. In: Bíblia. Português. A Bíblia de Jerusalém. Trad. Domingos Zamagna. São Paulo: Paulus, 1973. p. 31-105.

DAY, Linda M. Esther. Abingdon Old Testament Commentaries. Nashville, TN: Abingdon Press, 2005. 

GRELOT, P.. Introdução à Bíblia. São Paulo: Edições Paulinas, 1975.

 

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén