O olhar de minha mãe

Olhar doce, tão singelo,

Penetrante e discreto.

Envolve-me a alma, o teu olhar

Olhos que me fazem descansar.

Olhar o teu olhar, e por ti, Mãe, me deixar guiar…

 

Teu olhar no meu olhar…

Semblante assim quero ter!

Quero me deixar olhar.

Pois gostas de zelar pelo que é teu.

Dou-te meu olhar, todo ele é teu.

Dou-te meu viver, todo o meu ser.

Cuidas de mim, como do Cristo

Mas, quero um olhar como o teu,

Pois sei que é o mesmo que destes ao Cristo.

Olhar pobre, despojado, que nada retém,

Que dá tudo, pois concentra em si toda a riqueza!


Teu olhar me cala, e ao mesmo tempo me faz falar.

Teu olhar me aquece, me protege.

É um olhar vivo, é materno.

É assim o olhar de minha Mãe:

Olhar que fala por si só,

Que exorta, corrige, e anima.

Olhar que encoraja, olhar que me ama!

 

Meu olhar já embaçado… pelas lágrimas a rolar,

Enquanto te vejo me olhar…

Olhar sofrido, olhar sincero.

Olhar pureza.

Olhar que me calou, no seu doce piscar.

Olhar que mata o mal em mim,

Olhar de mãe… de espera… olhar que vela.

Que vê além das nuvens que por vezes me cobrem,

Olhar que penetra minh’alma como espada sem fim…

E paralisa-me o pensar, de um jeito assim…

 

Que olhar é esse?

Vê o que não vejo e se adianta em meu auxílio.

Teu olhar me faz cantar…

Faz-me viver um novo canto…

No teu olhar me envolve

E me devolve a graça do respirar!

Continue… me olhe!

Preciso ser olhado, e o quero!

Ensina-me também, a olhar assim…

Olhando teu olhar de Mãe,

Sempre sobre mim…

 

Diác. Edmilson Dias

Comunidade Canção Nova

Saudades de minha mãe, mas Nossa Senhora me assumiu como filha…

Vivi muitas experiências com Nossa Senhora na Casa de Maria em Queluz, e até hoje essa casa é a minha favorita para fazer os retiros anuais. Mas quero partilhar uma experiência que me marcou muito no meu primeiro ano de comunidade em 1995, quando ingressei na Canção Nova.

Minha conversão se deu pelas mãos de Nossa Senhora, antes mesmo de conhecer a Deus, a Jesus. A primeira pessoa com que me relacionei de forma pessoal foi com Nossa Senhora. Foi Ela quem me apresentou Jesus e por Ele experimentei o  amor de Deus.

O dia em que ouvi a voz de Deus me chamando para ser missionária na Canção Nova, estava em uma Missa na Canção Nova e lembro-me que senti um impulso muito grande para servir a Deus. Porém eu me via impossibilitada pois era filha única, meu pai já havia falecido e minha mãe estava gravemente doente, e naquele dia estava hospitalizada. Chorei muito pois sabia que Deus estava me chamando para uma vocação mas não tinha coragem de deixar a minha mãe naquela situação. Foi aí que Deus interviu. Naquele mesmo dia enquanto estava na Missa na Canção Nova, Deus chamou minha mãe para a eternidade.

foi preciso que minha mãe fosse logo para eternidade para que assim eu pudesse estar "livre" para viver a minha vocação.

Quando voltei para casa minha mãe havia partido para o Céu. De imediato não entendi pois havia pedido a Deus a cura dela… mas agora compreendo os desígnios de Deus: foi preciso que minha mãe fosse logo para eternidade para que assim eu pudesse estar “livre” para viver a minha vocação. Naquele mesmo ano procurei a equipe vocacional e dei inicio o meu caminho de discernimento vocacional. Dois anos depois já estava ingressando na Canção Nova em Queluz. E lá fiz a mais linda experiência com Nossa Senhora.

Ao escrever a minha história pessoal constatei que a presença de Nossa Senhora na minha vida é uma presença real de mãe. E não tenho dúvidas de que foi ela quem me trouxe para a Canção Nova. Sempre ouvi o diácono Nelsinho Correa dizendo que Nossa Senhora caminha pela casa de Queluz, e eu confirmo, pois estando na Casa de Maria no ano de 1995 senti a presença de Nossa Senhora me gerando novamente, me formando, me educando para a Santidade.

Tudo que sou hoje como mulher, como esposa, como mãe, como missionária devo a essa experiência de filha que vivi em Queluz no ano de 1995. Sinto muita saudade da minha mãe, mas assumi Nossa Senhora como minha mãe. Embora toda a Canção Nova seja a Casa de Maria, quando visito a casa de Maria em Queluz, me sinto voltando a casa da Mãe, ao lugar seguro onde posso tocar o céu aqui na Terra.

Ana Cristina e sua família

Ana Cristina Capucho de Souza (Tininha)
Missionária Canção Nova


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Abandono total de si a vontade de Deus

Certamente, a Casa de Maria é uma excelente escola de formação espiritual e humana, é um lugar de aprendizado, de formação de homens e mulheres novos para um mundo novo.

Nossa Senhora - Queluz - Casa de MariaO nosso pai fundador, Monsenhor Jonas Abib, assim como muitos santos e santas soube perceber a importância da Bem-Aventurada Virgem Maria no plano da salvação. Ela foi enriquecida de graça e dons em vista dos méritos de seu Filho Jesus Cristo para a nossa salvação.

Ao longo da história da salvação, Deus sempre contou com a participação dos anjos, dos patriarcas, das santas mulheres, dos profetas, reis para conduzir o seu povo. E na plenitude dos tempos, na Encarnação de seu Filho Jesus, quis servir-se de uma jovem chamada Maria, de onde foi gerado.

A minha experiência na Casa de Maria, se deu a partir de determinadas expressões que quase sempre ouvia dizer: “A Canção Nova é a Casa de Maria”, mas não imaginava que na casa, coração ou mesmo na vida da Bem- Aventurada Virgem Maria a vontade de Deus sempre acontece, pois a casa de Maria é a casa de Deus, é o lugar onde o Senhor pode manifestar o seu reinado, e, por conseguinte neste santuário é conhecido, amado e servido.

Outra expressão que ouvia era que “Maria é mãe e mestra” e que caminha comigo. Ora, se Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem se serviu de Maria em sua formação humana e espiritual e que muitas vezes caminhou guiado por sua dulcíssima Mãe, logo intui o que o nosso pai fundador nos transmitiu ao inserir tão grande auxílio em nossa vida.

Estas afirmações foram sendo aos poucos transformadas em conclusões à medida que passei a morar em Queluz. E com o passar do tempo a própria Virgem de Nazaré foi me moldando no carisma e me forjando nos princípios de vida, bem como no meu ser orante, fraterno e trabalhador.

De modo ainda mais particular, pude ver em Maria a discípula de Jesus, a serva sempre atenta a sua vontade, e com isso, entender melhor o que significava o sim de Maria, ou seja, o abandono total de si a Fabinho - padre Aluisio - Bill Jonatasvontade de Deus. Pude compreender a necessidade dela em nossa vida.

Sou grato a Deus por fazer parte deste carisma: ele é santo e tem o dom de nos santificar. O reconhecimento pontifício é uma das comprovações de Deus a respeito dessa realidade.

Por fim que a Virgem Maria possa sempre nos entusiasmar, amadurecer, e aumentar o nosso amor pelo carisma que recebemos. Maria é esta porta na qual Deus nos visitou e armou sua tenda entre nós. Ela tem me ajudado a “caminhar nas estradas de Jesus” e do carisma Canção Nova!

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Bill Jônatas
Seminarista e discípulo de Jesus Cristo
no carisma Canção Nova

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Frutos da Casa de Maria em minha vida…

Dia 20 de janeiro de 1998, às 15h30, eu entrava pelo portão daquela que seria a partir daquele momento a minha casa, o meu lar, a minha família. Eu estava ingressando no tempo de formação inicial da Comunidade Canção Nova. Lembro-me com muita alegria desse momento… naquele dia  eu começava a viver a experiência de “ser comunidade”.

Nossa SenhoraUm lugar simples, silencioso e repleto da presença da Virgem Maria. Ali, a cada dia, acontecia uma novidade e eu experimentava os cuidados de uma Mãe que muito me ama.

Eu poderia falar de inúmeras experiências vividas naqueles 6 meses que ali morei, mas partilho algo muito profundo e particular: eu tinha 24 anos, a 3ª filha de uma família simples. Tinha uma vida normal, estudava, trabalhava, era cheia de sonhos e vontades… assim eu cresci e entrei na adolescência.

Vivia a comparação com as outras meninas da minha idade e me sentia  feia, destacando minha magreza, meus cabelos feios e minhas sardas no rosto (na escola tinha vários apelidos como girafa, Olivia Palito…) e assim eu cheguei na Casa de Maria.

Eu era uma jovem que tinha medo de mim mesma, que me escondia dos outros, que tinha me tornado áspera, rude comigo e com os outros.

A presença tão real e verdadeira de Nossa Senhora me levou a entrar em um caminho profundo de cura interior. Pude olhar, com Ela, dentro de mim mesma e buscar as raízes dos acontecimentos, me deixando ser curada e assim ser  livre. Assumi que eu tinha necessidade de ser cuidada, formada e educada. Nesse caminho muitas vezes chorei, silenciei, redescobri o valor de cada gesto e de cada acontecimento da vida. Redescobrir a beleza de ser mulher, ser feminina, ser sensível, ser materna. Descobri que isso não era um sinal de fraqueza como eu pensava, eu tinha assumido que minha mãe, por ser uma mulher doce e amável, era uma mulher fraca. Eu pensava que a mulher forte era aquela que não precisava de ninguém, que tomava suas decisões, era independente.

Na Casa de Maria eu entrei segurada pelas mãos da Virgem nesse caminho novo. Tive a grande alegria de redescobrir a presença e a força da minha mãe que me gerou, cuidou de mim e me educou: dona Maria Aparecida da Silva. Nossa Senhora me fez ver o grande presente que Deus  me deu, a minha mãe que tanto amo.

Hoje meu relacionamento com ela é maravilhoso. Sou muito mais presente em sua vida, fruto da Casa de Maria na minha vida.
Posso dizer com muita sinceridade: sou uma nova mulher moldada pelas mãos de Nossa Senhora na Casa de Maria. Aquela que no silêncio e na simplicidade me ensinou a viver com profundidade, alegria e gratidão a Deus.

Não tenha medo de se deixar moldar pelas mãos de Maria. Ela te ama como Mãe e sabe o que é melhor para você em cada estação da sua vida!.Marelena Cardoso - missionária Canção Nova

Marelena Cardoso Ribeiro
Comunidade Canção Nova – Roma / Itália
blog.cancaonova.com/roma

O perdão requer sair de si, tomar uma decisão

Em 2008 ingressei no tempo de formação chamado na Canção Nova de “discipulado” na cidade de Queluz (SP).

Quando cheguei, senti Nossa Senhora me dizendo que eu seria gestada no Carisma Canção Nova. Esta gestação se daria nas podas e curas do próprio Deus, durante aquele ano.

Vou relatar um pouco da minha historia para você entender:

Nossa SenhoraSou de uma família de origem humilde. Meus pais tiveram dez filhos: seis homens e quatro mulheres. Com o falecimento do meu pai, minha mãe precisou cuidar de tudo, se sentindo muito sozinha na época. Por falta de conhecimento, ela entregou os filhos para serem criados por outras famílias. Com cinco anos de idade, fui morar com um casal, mas sentia muita saudade da minha mãe… Era uma dor na alma viver na distância e sem compreender qual o motivo, pois eu era muito pequena. Depois de um ano morando com esta família voltei para casa com minha mãe e alguns irmãos. Foi um recomeçar!

A distância só me afastou da minha mãe, interferindo no sentido do amor familiar. Foram três anos vividos com minha mãe passando por muitas dificuldades financeiras.

Aos nove anos fui morar com outra família. Novamente recomeçar! Lá, vivi várias situações conflitantes, mas foi onde Deus me resgatou, mostrando todo Seu amor por mim. Vejo minha história semelhante a de José do Egito, da Bíblia: numa situação ruim, Deus sempre tem o Seu plano de amor. Através desta família, em Vitória da Conquista (BA), conheci a Canção Nova e depois de uma longa história de acompanhamento vocacional, me identifiquei com a missão e ingressei na Comunidade.

Não vivi uma experiência com Nossa Senhora antes de morar na Canção Nova. Penso que inconscientemente eu relacionava a Virgem Maria com a difícil convivência com minha mãe. Na Casa de Maria é que fui pedindo para Nossa Senhora curar o meu coração de todo ressentimento e falta de perdão, pois eu pensava que já tinha perdoado minha mãe… No entanto, eu não tinha atitudes, não ligava para minha mãe, nem manifestava carinho, afeto. O perdão requer sair de si, tomar uma decisão.

Na nossa “capela  grande”,  da Casa de Maria em Queluz – SP,  há uma imagem de Nossa Senhora de Fátima [foto acima] e tantas vezes chorando, eu pedia à  Ela que curasse o meu coração… Num dia More »