Ele me escolheu! E eu disse 'sim'

“Tua Palavra disse-me: “Segue-me”; e eu somente respondi”

Jovem, fui descobrindo que Deus me chamava a servi-Lo e, em meu coração, ressoavam as palavras: “Senhor, sou só uma criança”. Pequena demais, como poderia eu anunciar o nome de Alguém tão grande? Ele calou todas as vozes que confundiam o meu interior com a Sua voz: “Antes que no seio fosse formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado e te havia designado profeta das nações… Não digas: ‘Sou apenas uma criança’: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que eu te ordenar. Não deverás temê-los porque estarei contigo para livrar-te” (Jr 1,5.7).

No secreto do meu quarto, Deus falava comigo, por meio do profeta Jeremias, que proclamou a Sua Palavra. Sua Palavra viva e eficaz. Sua Palavra que tudo fez e, agora, se fazia em mim. Sua Palavra me alcançou revelando que os planos d’Ele eram maiores e melhores do que os meus (Ref. Is 55,8). Sua Palavra me fez entender que eu não devia temer, pois Aquele que chama, nos acompanha em nossa resposta, permanece conosco e sustenta os passos daqueles que Ele escolheu para segui-Lo.

Não foi a voz de outros, foi a voz de Deus que ouvi falando diretamente a mim e penetrando em meu coração, com tamanha força que eu não pude permanecer na surdez (Ref. Hb 4,12). Ele me chamou; e eu precisava dar a minha resposta.

Ele que me conhecia mais que eu mesma, quis me chamar com todas as minhas limitações. Ele que me formou e não desistiu de mim, pois o Senhor não deixa a sua obra inacabada (Ref. Sl 137).

Foto: Arquivo/CN


.:Somos escolhidos

.:Tudo pelo Tudo 

A resposta concreta

Segui, dei meus passos. Assumi ministérios na Igreja, na universidade, fui servindo-O, mas a profecia de Jeremias ainda não havia se concretizado totalmente em minha vida. Deus disse que eu iria “a todos aqueles aos quais me enviasse”, e eu não devia colocar limites à missão que Ele me confiou. Ele é Deus. E me fez enxergar que, dentro de mim, mesmo já sendo d’Ele, havia uma falta, que somente através de uma entrega total e radical eu seria preenchida.

Fiz o caminho vocacional da Canção Nova, fui descobrindo a ressonância que existia entre o Carisma e os anseios que o próprio Deus semeou em mim. E, a cada passo, o Senhor ia vencendo. Vencia meus temores e tremores, vencia minhas incertezas e questionamentos. Ele me vencia.

Ingressei na comunidade! E agora? Somente flores? De forma alguma! Jesus nos oferece a Cruz, para que, através dela, passando pelas dores, unamos os nossos sofrimentos aos sofrimentos do Crucificado, para que, com Ele, também ressuscitemos (Ref. Rm 6,8) Mas eu questionei! E ,diante d’Aquele que me chamou, tornei a buscar resposta.

Diante de um pequeno Sacrário, na Chácara Santa Cruz, eu dizia: ‘Senhor, e se tudo isso for loucura, se esse chamado for somente coisa da minha cabeça?’ Ele me disse: “Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a luz das nações” (Is 42,6). O Senhor se utilizava, mais uma vez, da profecia que falava sobre O Grande Servo, para me dizer que eu também fui chamada a ser face do Cristo.

A força da Palavra na vocação

A Sua Palavra me disse que eu havia sido criada por amor de Deus, tendo em vista uma missão que Ele sonhou e designou para mim. Quão grande é a força da Palavra que Ele proclama? Quem poderia vencê-Lo? Quem haveria de resistir ao Seu plano de amor? Como resistir a doce voz de um Pai amoroso que insiste, persiste, cerca de zelo e carinho, que chama com o principal e maior objetivo de sermos mais d’Ele!

Ele me chamou, e eu arrisquei em respondê-Lo. A Voz que, um dia, me disse: “Segue-me”, hoje, diz: “Continue me seguindo”.