Os pesquisadores do oceano condicionaram o êxito de seus trabalhos à medida da profundidade de seus mergulhos. É necessário, mesmo, ir mais fundo, para que se descubram os mistérios das águas do mar.
Tal critério também se aplica à nossa vida espiritual, para podermos atingir maior profundidade na descoberta de tantos tesouros escondidos do amor insondável de Deus. Em outras palavras, além da luz sobrenatural do Divino Espírito Santo, importa recorrermos, ainda, ao esforço de muita reflexão pessoal.
E aqui nos defrontamos com um grande desafio, pois o ambiente ao nosso redor é demasiadamente dispersivo, muito avesso a momentos de interiorização. Com efeito, a tão propalada poluição de nossos dias não afeta, apenas, o ar atmosférico, mas também a poluição sonora, com seus ruídos excessivos, quanto prejudica nossa capacidade de reflexão mental.E o pior: deixamo-nos, por vezes, ser levados por uma verdadeira preguiça intelectual, a nos privar da necessária atividade reflexiva.
Abrimos o caminho para a graça sobrenatural da fé, quando somos capazes de criar convicções pessoais, fruto do empenho de um nado mais profundo em nosso pensamento, na busca de conclusões racionais e preambulares do dom da fé.
O grande Santo Tomás de Aquino nos apresenta as chamadas 5 vias para se chegar ao conhecimento de Deus, mediante o recurso de nosso raciocínio. Por exemplo, quando se considera a origem de cada ser proveniente de outro ser, forçosamente se chega a admitir o ser supremo e necessário, origem de todos os seres.
Reflexões de tal natureza fundamentam nossas atitudes de fé, em nós despertando dócil receptividade à revelação divina. Evidentemente, se a virtude da fé é dom da Misericórdia, por outro lado a leitura refletida dos textos de sólido conteúdo religioso têm um papel indispensável para chegarmos, por graça de Deus, à vivência da fé, verdadeiramente edificada sobre a firmeza de uma rocha. Jamais poderíamos nos satisfazer com uma bagagem religiosa superficial, em dosagem, mesmo, infantil.
O apóstolo São Paulo nos fala da idade adulta, a nos fazer pensar, também, como adultos na fé: “ Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem ( adulto) eliminei o que é próprio de criança” ( 1Cor 13,11).
Mais uma vez a oportuna advertência: no campo da fé , com humildade e debaixo da luz do Céu, é preciso ir sempre mais fundo.Neste sentido, muito enriquecedor um estudo mais penetrante do texto básico e referencial para as pesquisas da fé: “Catecismo da Igreja Católica”.
Este o caminho seguro para se chegar à fé esclarecida, madura e adulta, fonte da autêntica alegria espiritual.
Dom Roberto Gomes Guimarães
Bispo Diocesano de Campos / RJ