Setembro: mês das Surpresas de Deus

 

 

A MISSÃO DO ANJO DA GUARDA EM NOSSA VIDA

 

Todos nós temos um anjo da guarda que nos apoia, nos defende, nos acompanha diariamente e facilita nossa caminhada em direção ao céu. Mas essa jornada às vezes é repleta de provações durante as quais é possível que nos sintamos abandonados por ele. Será que esse é o caso ou é apenas uma impressão? E podemos culpar nosso anjo da guarda pelas provações que vivemos?

 

Tudo o que toca nossa vida interessa ao nosso anjo da guarda, sendo a alma espiritual e seu destino eterno a sua prioridade. É por isso que o anjo da guarda, especialista em adoração, nos ajuda especialmente nos momentos em que estamos em oração.

 

Ele ainda se interessa por nossa saúde mental e física, cuida de nossa existência até os mínimos detalhes da vida cotidiana. Ele é uma inspiração para que cumpramos nossos deveres, ou mesmo para encontrar a vaga de estacionamento de que precisamos!

 

“Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei. Está de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque meu nome está nele.”

 

“Mas, se lhe obedeceres pontualmente, se fizeres tudo o que eu te disser, serei o inimigo dos teus inimigos, e o adversário dos teus adversários. Porque meu anjo marchará adiante de ti e te conduzirá entre os amorreus, os hiteus, os ferezeus, os cananeus, os heveus e os jebuseus, que exterminarei” (Ex 23, 20-23).

 

A principal missão do anjo da guarda é, portanto, levar-nos ao “porto seguro”, para encontrar o Deus vivo. Ele é o “ministro da preocupação divina por todas e todos” (Bento XVI), tanto espiritual quanto materialmente.

 

Como, então, podemos conciliar essa compreensão do papel do anjo da guarda com os problemas e até as tragédias da vida?

 

Vemos, por exemplo, um anjo que livra os apóstolos da prisão (Atos 5, 19); a mesma coisa acontece com Pedro (Atos 12, 7-11). No entanto, esses anjos não impedirão o seu martírio, no tempo de Deus.

 

O anjo da guarda não evita as provações que nos ajudam a crescer espiritualmente.

 

O anjo vê e almeja acima de tudo a nossa finalidade, nossa vocação última, nossa santidade. Nesse sentido, nossos anjos da guarda participam ativamente do combate espiritual “contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos que estão nas regiões celestes” (Ef 6, 12).

 

No entanto, o Santo Padre Pio foi abandonado por seu anjo da guarda no momento de uma terrível luta contra o Maligno: “Eu o repreendi severamente por ter sido obrigado a esperar tanto tempo, quando não parei de pedir ajuda. Para puni-lo, eu não queria mais olhá-lo na cara, queria fugir dele… Mas ele quase se juntou a mim em lágrimas. Ele me agarrou até que eu olhei para cima, olhei no rosto dele e ele estava com muita raiva”.

 

E o anjo explicou ao Padre Pio que ele recebeu instruções do Senhor para fazê-lo, tranquilizando-o: “Estou sempre perto de você, meu caro pequeno, sempre o envolvo com carinho”.

 

À luz desse propósito – a vida eterna – é preciso observar os aborrecimentos e os testes crucificantes da existência. Para esse fim, o anjo às vezes pode agir fortemente.

 

Nosso anjo, portanto, não vai nos salvar de certas provações que nos levam ao crescimento espiritual. No entanto, ele orará por nós e nos acompanhará no centro de cada combate.

 

Pensemos em Santo Inácio de Loyola, que teve sua perna quebrada no cerco de Pamplona ou, em São João da Cruz, lançado por Dandara Carmona nos calabouços. Pode-se indignar que seus anjos não tenham impedido esse sofrimento.

 

No entanto, foi através desses eventos que as vidas de ambos foram viradas de cabeça para baixo. “Em sua sabedoria”, diz Santo Agostinho, “Deus prefere tirar o bem do mal, em vez de não permitir o mal”.

 

Fonte: https://pt.aleteia.org/cp1/2020/06/15/como-pedir-protecao-para-o-anjo-da-guarda/

 

Por que dedicar o mês de setembro à Bíblia?

 

Este mês foi escolhido, porque o grande São Jerônimo, que traduziu a Bíblia do hebraico e grego para o latim, tem sua memória litúrgica celebrada no dia 30 de setembro. Ele foi secretário do grande Papa São Dâmaso (366-384), que o incumbiu dessa grande obra chamada “Vulgata”, por ser usada em toda a parte.

 

São Jerônimo levou cerca de trinta e cinco anos fazendo essa tradução nas grutas de Belém, vivendo a oração e a penitência ao lado da gruta onde Jesus nasceu. O santo disse que “desconhecer as Escrituras é desconhecer o próprio Cristo”. Ele nos deixou um legado de grande amor às Sagradas Escrituras. E possuía grande cultura literária e bíblica, sabia grego, latim e hebraico.

 

A Sagrada Escritura é alimento para a nossa alma e fonte de vida. Jesus conhecia profundamente a Bíblia. Mais do que isso: Ele a amava e se guiava por suas palavras. Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto, quando o demônio investiu contra o Senhor, Ele o rebateu com as palavras da Escritura. Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).

A Bíblia não é um livro de ciência, mas sim de fé.

 

Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus lhe respondeu: “Não provocareis o Senhor vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando satanás tentou fazer com que Cristo o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-lhe-ás o teu culto e só jurarás pelo seu nome” (Dt 6,13). O demônio foi vencido e se afastou, porque não tem poder diante da Palavra de Deus.

 

Não é sem razão que São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).

A Bíblia e o contexto brasileiro

 

A importância do mês da Bíblia é que o povo brasileiro a conheça melhor e seja motivado a estudá-la com mais profundidade, uma vez que não é fácil compreendê-la, especialmente o Antigo Testamento. A Bíblia não é um livro de ciência, mas sim de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, culturais, econômicos entre outros.

 

Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c), disse São Paulo.

 

Portanto, para ler a Bíblia de maneira adequada, exige-se, antes de tudo, o pré-requisito da fé e da inspiração do Espírito Santo na mente, sem o que a interpretação da Escritura pode ser comprometida. Mas é preciso também estudá-la, fazer um curso bíblico.

 

A Carta aos Hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

 

Para que a Palavra de Deus seja eficaz em nossa vida, precisamos, pela fé, acreditar nela e colocá-la em prática objetivamente. Em outras palavras, precisamos obedecer-lhe, pois, ao fazer isso, estaremos obedecendo ao próprio Senhor.

 

Mas nem sempre a Bíblia é fácil de ser interpretada pelas razões já expostas. É por isso que Jesus confiou a interpretação dela à Igreja Católica, que o faz por meio do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa) e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou e continua a fazê-lo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16, 12-13).

A Sagrada Tradição

 

A alma da Igreja é o Espírito Santo dado em Pentecostes, por isso a Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isso: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).

 

Embora seja feita de homens, santos e também pecadores, a Igreja Católica tem a garantia de não errar na interpretação dos assuntos da fé. Entretanto, ela não despreza a ciência; muito pelo contrário, valoriza-a tremendamente para iluminar a fé e entender a revelação.

 

O Vaticano possui a “Pontifícia Academia de Ciências”. Em Jerusalém, está a Escola Bíblica, que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia sejam interpretados corretamente. É a fé caminhando junto com a ciência. Tudo isso para que possamos dizer como o salmista, no Salmo 118:

 

“Vossos preceitos são minhas delícias.
Meus conselheiros são as vossas leis.” (v. 24)
“O único consolo em minha aflição
É que vossa palavra me dá vida.” (v. 50)
“Quão saborosas são para mim vossas palavras,
mais doces que o mel à minha boca.” (v. 103)
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho.” (v. 105)
“Encontro minha alegria na vossa palavra,
Como a de quem encontra um imenso tesouro.” (v.162)

Prof. Felipe Aquino

 

 

SETEMBRO AMARELO

 

O mês de setembro teve início com uma proposta de conscientização trazida por alguns órgãos de promoção da saúde com o tema prevenção do suicídio.

 

Como identificar alguém que tenha ideação suicida? É possível ajudar de algum jeito?

Os sinais

Existem pessoas que verbalizam suas dores e dão dicas de que pensam no suicídio, dizendo frases como: “preferia estar morta”, “não deveria ter nascido”, “o mundo seria um lugar melhor sem mim” ou até aquelas frases mais inocentes como “queria sumir” e “desejo dormir e não acordar mais”. Esses são alguns sinais de que o indivíduo não está bem e precisa de ajuda.

 

O mais indicado seria um acompanhamento psicoterapêutico e, se necessário, um psiquiatra, que vai avaliar a necessidade de medicamento. Aos poucos, a população começa a se conscientizar de que os cuidados com a saúde psíquica são tão importantes e necessários quanto os cuidados com a saúde física. Assim, um medicamento para alguns casos pode ser extremamente eficaz no combate às doenças como depressão, que pode levar ao suicídio.

 

Existem também aquelas que não costumam expor o que sentem. Nesses casos, a observação dos comportamentos será mais valiosa que as frases ditas. Quando alguém apresenta mudanças comportamentais que persistem por muitos dias, o sinal de alerta pode ser acionado, ou seja, se alguém que costuma ser falante, risonho e sociável, passa a ficar mais retraído, isolado e triste, certamente algum tipo de ajuda está precisando.

Setembro Amarelo

 

Na campanha do Setembro Amarelo, existe uma chamada que diz: “falar é a melhor solução”. Então, esteja disposto a dialogar com alguém que parece não enxergar um sentido na vida. O outro apresenta alguma resistência ao diálogo, procure formas de acessar o seu coração. Por mais desafiador que pareça, lembre-se, nessas horas, que nenhum ser humano é inalcançável.

Por algum ou vários motivos, pode acontecer de alguém desenvolver mecanismos de defesa para se proteger de algumas dores, podendo ficar extremamente calado ou agressivo em certos momentos. Se o diálogo parecer impossível num primeiro momento, use a sua criatividade e o seu conhecimento sobre essa pessoa que você ama; inove, surpreenda e descubra diferentes formas de mostrar que você a ama e está ao lado dela nesse momento difícil.

Demonstre afeto

 

Gestos podem traduzir algumas palavras significativas. Fazer uma comida especial, comprar uma lembrança ou até escrever bilhetes podem ajudar a derreter a geleira que se estabeleceu no coração do outro. Ouse. Arrisque-se nas tentativas de alcançar alguém que precisa de ajuda.

 

É importante também avaliar a profundidade da situação, ou seja, se a pessoa está passando por um sofrimento pontual, alguma tristeza ou frustração, não vá logo achando que ela está pensando em suicídio. As tristezas são tão importantes quanto as alegrias, e podem trazer ensinamentos preciosos, que nem todo sorriso traz.

 

Então, se são lágrimas que se apresentam nessa hora para o seu amigo, chore junto com ele e, quando possível, ajude-o a enxergar novas perspectivas a partir desse sofrimento. Muitos ignoram ou rejeitam as incríveis possibilidades de crescimento que moram numa dor. Não seja dessas pessoas.

Procure ajuda

 

Como cada ser humano é único e cada caso se apresenta de forma muito particular, é importante compreender o que o familiar, o amigo, o parceiro ou até o colega de trabalho está vivenciando nesse momento, como é sua visão de mundo e qual a melhor forma de ajudá-lo. Assim, se encontrar uma oportunidade, pergunte abertamente: o que você gostaria que eu fizesse para ajudá-lo nesse momento?

 

Lembre-se, antes de qualquer coisa, que você está se propondo a entrar no território precioso e sagrado do outro, portanto, haja com respeito, cautela e evite julgamentos. Muitos podem achar que “dando um chacoalhão”, a pessoa irá melhorar. Não é bem assim.

 

Pensar em tirar a própria vida é algo sério, uma alternativa que muitos escolhem por estarem em desespero, sem perspectivas de vida. Portanto, recubra-se de amor, compaixão e uma dose extra de compreensão para colocar-se ao lado de alguém que precisa da sua ajuda.

Milena Carbonari

Psicóloga

www.formacaocancaonova.com