Outubro: mês de Nossa Senhora

OUTUBRO ROSA: FOI NOSSA SENHORA QUEM TUDO FEZ.

 

O câncer de mama chegou em minha vida oficialmente no dia 08 de dezembro de 2015. Dia da Imaculada Conceição.  Meu irmão pegou o resultado no laboratório em Campos dos Goytacazes-RJ e me ligou.  Não foi surpresa para nós, visto que os exames de ultrassonografia e ressonância já apontavam o nódulo maligno.

 

Alguns meses antes eu comecei a sentir um desconforto no braço esquerdo,  nas axilas, ao varrer a casa, mas como eu tenho artrose na coluna, atribuía a isso. Também meus exames anuais com o ginecologista que me acompanhava com um nódulo benigno estavam  em dia, inclusive a mamografia.

 

Graças a uma conversa com meu irmão, ele quis se certificar, marcando uma consulta com uma mastologista. Daí iniciei minha vivência com o câncer. Um carcinoma ductal invasivo foi o diagnóstico da primeira biópsia. Aquele nódulo do acompanhamento, era visivel nas imagens dos exames, como um nódulo maligno, segundo as duas mastologistas que me atenderam. Fiquei muito impactada ao saber disso, pois eu poderia ter buscado tratamento precocemente.

 

Ao sair do consultório, ví uma Igreja. Era a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Estava em obra, mas os operários me deixaram diante do sacrário.  Alí eu entreguei minha vida ao Senhor.

 

Chorei pelo que poderia ter sido evitado, chorei pela situação caótica da enfermidade do meu esposo, meu cansaço extremo, e o pedido era: Senhor, me dê a tua força, a fé e a esperança para passar por tudo que virá. Que não me falte alegria ao coração. Me dê a oportunidade do tratamento e ser curada segundo a tua vontade.

 

E assim aconteceu. Deus me atendeu.  Não me faltou fé, esperança,  força e alegria.

 

Foi necessário trocar de médica, e assim fui operada em Vitória. Meu pós operatório foi na casa da minha cunhada e passados alguns dias, acordei cantando uma música da Celina Borges, que eu não tenho costume de cantar, ‘Lava-me nos rios de Deus…’ e com a certeza que eu tinha que conseguir a água de Lourdes. Não me lembro de ter sonhado com isso, eu apenas acordei com essa inspiração.

 

A noite, fui ver TV, e me deparei com um canal que eu não conhecia, era a TV Evangelizar, onde estava acontecendo a novena a Nossa Senhora de Lourdes. Tudo fez sentido. Fiz toda a novena fazendo a mesma oração daquele dia na Igreja.

 

Um dia, fui dar uma volta de carro para distrair, e encontramos alguns amigos da nossa cidade,  foi uma alegria, e de repente , sem pensar, eu brinquei: alguém por acaso vai a França, preciso da água de Lourdes. Todos riram, e uma me disse: eu fui em Lourdes e ainda tenho guardado um vidrinho com a água, vou levar pra você quando chegar a Bom Jesus. Imaginem o impacto que foi pra mim. Uma confirmação! Que alegria!!!

 

Recebí a água um tempo depois, e ainda recebí outro vidrinho de um amigo, e passava na região da cirurgia após o banho.  Fui visitada por um casal  que haviam ido a Fátima naqueles dias, e se lembraram de mim,  e até constrangidos, pois não eram da minha convivência,  chegaram  com um vidrinho de água benta trazido de Fátima.

 

Mas não parou por aqui. Meu irmão sabendo da gravidade do meu diagnóstico, pois foi realizado um exame poucas horas antes da cirurgia,  para detectar linfonodos nas axilas, e foi um resultado ruim. Foi realizada a mastectomia com esvaziamento da axila. Ele queria muito que eu fosse consultar com um médico famoso em câncer de mama, em São Paulo.  Assim foi feito, peguei um vôo pela primeira vez, acompanhada da minha irmã,  e eu ainda no pós operatório.

 

Saí de lá com a afirmação do médico que eu tinha chance de cura, que o tratamento que ele me passaria, poderia ser feito com um amigo dele na minha região,   e não  em Muriaé ou Itaperuna (que era o que pensávamos), e  com a consulta marcada com o amigo dele para dali a 2 dias em Campos dos Goytacazes-RJ e tudo combinado sobre o tratamento por telefone na minha presença.

 

Dois dias depois eu entrava na Clínica Santa Maria para ser atendida pelo Dr Frederico Paes. Nossa Senhora me esperava. Em seu consultório tem uma imagem dela, no corredor um oratório que não imaginava encontrar. Cada quimioterapia era uma oração de entrega e outra de agradecimento.

 

Aqui estou, após 5 anos desde a mastectomia em 22/01/16, até quando Ele me permitir viver.

 

Como retribuir por todo bem que Ele e Nossa Senhora fizeram em meu favor?

 

Bendito seja Deus!

 

Para você que leu até aqui, eu peço a Deus que te dê força para passar por toda dificuldade, que  nunca te falte fé, esperança e alegria no coração. Que a vontade de Deus seja realizada em sua vida. Amém!

 

Carla Regina Chierici Pereira Pedrosa

Bom Jesus do Norte-ES

 

O SANTO ROSÁRIO E POR QUE ELE É
NECESSÁRIO.

Neste mês de outubro, dedicado especialmente à bem-aventurada Virgem Maria sob o título de Rainha do Santíssimo Rosário, é com gratidão que renovamos nosso compromisso de rezar essa admirável oração, tão amada por um sem número de santos, tão louvada pelos Papas, tão enriquecida de indulgências, tão simples e reconfortante, e tão eficaz no combate contra os poderes do mal, sejam os visíveis sejam os invisíveis.

 

Muitos santos atestam: o Rosário é a oração privada mais frutuosa e agradável que podemos oferecer a Deus — e essa é uma verdade
permanente para todos os cristãos, seja qual for o estado de vida em que se encontrem.

 

Mas qual é, nas palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort, “o segredo do
Rosário”? É a humildade e a confiança de espírito com que nos colocamos diante da toda santa Mãe de Deus, suplicando a proteção desta que é, dentre todas as criaturas, a mais agradável a Jesus Cristo e a que maior poder de
intercessão possui junto dEle.

 

Como nas bodas de Caná, Ele escuta as orações dela. Como aos pés da Cruz, Ele confia a ela o seu “discípulo amado”, e ela a ele. Nós todos, se quisermos ser verdadeiros discípulos do Mestre Jesus, devemos ser também filhos e herdeiros de Maria, e sondar o coração de sua oração predileta é penetrar as profundezas de sua preciosa alma, contemplando a glória de Deus que aí vai refletida como num espelho.

 

O Rosário possui três características que fazem dele um instrumento particularmente adequado aos cristãos que militam no mundo: ele é vocal, repetitivo e meditativo.

1. Como oração vocal, ele dá continuidade a uma nobre tradição, que vai desde o cântico de Moisés e os salmos de Davi até os ditados dos Macabeus e o cântico de Simeão no Templo.

 

Cristo, Nosso Senhor, manda que entremos em nossos quartos e rezemos com fervor a Deus, oferecendo-nos como modelo a humildade do publicano que, de cabeça baixa e batendo no peito, diz: “Tende piedade de mim, que sou um
pecador” (cf. Mt 6, 6; Lc 18, 13).

 

Em outra ocasião Ele nos dá o exemplo da viúva insistente que, em sua angústia, não cessa jamais de incomodar o juiz clamando por justiça (cf. Lc 18, 2–5). O filho pródigo da parábola cai aos pés de seu pai e confessa a sua culpa; o homem cego na estrada para
Jericó grita continuamente: “Filho de Davi, tem piedade de mim” (cf. Lc 15,
21; Lc 18, 38).

Com exemplos como esses e centenas de outros em mãos, deveria ser evidente que a oração vocal não é medíocre ou insignificante, como têm defendido “especialistas” equivocados — protestantes e católicos liberais, principalmente.

 

Bem ao contrário disso, a oração vocal é um meio tradicional, altamente favorável e eficaz para cultivar a presença de Deus e voltar-se para Ele com  confiança e esperança. Trata-se de um meio de santificar a linguagem e o
coração, “porque a boca fala do que lhe transborda do coração” (Mt 12, 34).

 

2. A repetitividade do Rosário, por sua vez, longe de constituir um impedimento
para a concentração ou um costume medieval fora de moda, está ligada a dois importantes aspectos da oração: a natureza da mente humana e o modo adequado de se acercar ao Todo-poderoso.

Ao voltarmos repetidamente aos mesmos temas elevados, nós estamos nos adequando ao nosso modo imperfeito de conhecer as coisas (que exige, de nossa parte, que fixemos muitas vezes olhares amorosos em objetos determinados e familiares, a fim de os conhecermos mais perfeitamente) e também aprendendo como nos apresentarmos diante de Deus com súplicas
incansáveis, humildes, simples, básicas e naturais. Nós vamos aprendendo novas lições a partir de coisas familiares à medida que crescemos no amor a Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima.

 

Ao trazermos sempre as mesmas palavras nos lábios, nós vamos transformando nossos hábitos de pensamento e de linguagem. Ao nos demorarmos sobre os mesmos mistérios, nós vamos nos tornando crianças que nunca se cansam de ouvir uma bela história, ou amantes que nunca se cansam de demonstrar sinais de afeição mútua. Até mesmo os serafins diante do trono de Deus cantam eternamente um hino de louvor a Ele: “Santo, santo, santo é o Senhor,
Deus dos exércitos; o céu e a terra estão cheios de sua glória” (Is 6, 3; Ap 4, 8).

 

3. Esse método simples e propositalmente repetitivo de oração, que nos faz pronunciar várias vezes a Oração do Senhor, a Saudação Angélica (que é a Ave-Maria) e a doxologia menor (que é o “Glória ao Pai”), encoraja ainda a meditação sobre os mistérios da nossa fé. Mas não como uma análise exaustiva, uma representação pitoresca ou uma imersão no ambiente deles, com o desejo de absorver-lhes a realidade. Nas palavras de João Paulo II:
O Santo Rosário é um memorial contínuo da Redenção, em seus acontecimentos mais importantes: a Encarnação do Verbo, sua Paixão e Morte por nós, a Páscoa que Ele inaugurou e que será completada eternamente no céu… De fato, quando consideramos os elementos contemplativos do Rosário, isto é, os mistérios em torno dos quais a oração vocal se desdobra, nós somos capazes de compreender melhor por que essa coroa de saudações angélicas foi denominada “o Saltério da Virgem”.

 

Assim como os Salmos lembravam o povo de Israel das maravilhas do Êxodo e da salvação operada por Deus, chamando-o constantemente de volta à
fidelidade para com a aliança feita no Sinai, assim também o Rosário recorda continuamente o povo da Nova Aliança dos prodígios de misericórdia que Deus realizou pela humanidade em Cristo Jesus, chamando-o de volta à fidelidade para com as promessas feitas no Batismo. Nós somos seu povo e Ele é
nosso Deus (L’Osservatore Romano, 11 out. 1983).

Padre Paulo Ricardo

https://padrepauloricardo.org/blog/o-santo-rosario-e-por-que-ele-e-necessario

O GRANDE MÊS DAS MISSÕES

 

“Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20).

 

É missão de todo batizado ser evangelizador. Ser cristão é ser imitador de Cristo, colaborador Dele na implantação do Reino de Deus no mundo.

 

O Papa João Paulo II disse um dia que “vai participar do Reino de Deus quem ajudar a construí-lo Batismo aqui na terra”. Não é cristão de verdade quem não fala de Cristo e da Igreja. O nos faz “membros do Corpo de Cristo”, a Igreja; assim, participantes de Sua Missão de salvar o mundo, levando-o para Deus, por meio da vivência dos ensinamentos de Jesus, e tendo uma vida íntima com Ele.

 

Jesus está vivo e ressuscitado no meio de nós e cada batizado deve ser sua “testemunha” como foram os primeiros Apóstolos. “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, na Samaria… até os confins do mundo”. “Ide!… Pregai o Evangelho a toda criatura”. Esta é a nossa missão. Tanto os intelectuais cristãos quanto os analfabetos podem ser missionários, cada um do seu jeito e no seu lugar. Um velhinha que reza com devoção está construindo o Reino de Deus, como o grande pregador que viaja o mundo.

 

Só Jesus Cristo pode salvar o homem e o mundo; só Ele pode dar sentido a este mundo. Ele é “a Luz que ilumina o mundo”; por isso Santo Agostinho dizia que “os cristãos são a alma do mundo”; isto é, sem eles o mundo não tem vida! Está morto.

 

Jesus disse que o cristão deve ser “o sal da terra e a luz do mundo”. O sal deve salgar, dar sabor e conservar o alimento. Todos os produtos industrializados e vendidos nos supermercados carregam certa porção de sódio (sal) para a sua conservação. Se o cristão não “salgar” este mundo, o ambiente em que vive, com o “Sal de Cristo”, ou seja, sua Palavra, seu ensinamento, sua Verdade que liberta, o mundo perecerá.

 

Nós leigos, especialmente que vivemos nos labirintos mais escondidos do mundo, temos a missão de levar a Luz e o Sal de Cristo nesses ambientes muitas vezes “azedos” e “escuros” onde ainda domina o “príncipe deste mundo”, como disse Jesus.

 

O batizado tem de ler “luz do mundo”; mesmo se esta luz muitas vezes ofusca as retinas daqueles que estão acostumados a viver nas trevas, e isto gere perseguições, calúnias, difamações… A marca do Cristo, e também do cristão, é a Cruz, entretanto, ela é libertadora! Sem a Luz de Cristo este mundo é treva densa, mergulhado no pecado do orgulho, da vaidade, da vanglória, do exibicionismo, das paixões da carne cada vez mais desregradas, da prostituição, do homossexualidade, dos abortos, adultérios, dos vícios da bebida, do álcool, do fumo, da corrupção financeira, dos desvarios das ideologias “libertadoras”, do crime, do assalto, do roubo… Sem o Sal de Cristo o mundo fede nas trevas.

 

“Vós sois a luz do mundo; vós sois o sal da terra!” Que honra e que glória para cada um de nós batizados poder ser “cristóforo”, “portador de Cristo” e de sua luz para o mundo. Que honra ser testemunha de Cristo, ser arauto de Deus; ser, como disse São Francisco de Assis, “a trombeta do imperador”.

 

Onde o autêntico cristão chega, ali deve se acender de imediato a luz de Cristo, a luz da justiça, da paz, do amor e da bondade; a luz que traz nos seus raios a cura e a salvação.

 

O Papa João Paulo II disse certa vez que “sem Jesus Cristo o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”. Sem Cristo o homem perde a sua identidade; não sabe mais quem ele é; não sabe o que faz neste mundo e não sabe o sentido de nada: da vida, da morte, da dor e da eternidade. Sem Cristo o homem é um “coitado”.

 

O Papa Bento XVI pediu que sejamos “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para o mundo”. Não somente discípulos, mas também missionários; por isso cada cristão deve estar envolvido em um trabalho missionário, engajado em um Movimento, em sintonia com a pastoral da diocese.

 

Seja um cristão de verdade, seja evangelizador. Ninguém está dispensado disso. Inclusive ajudando com recursos a quem evangeliza. O Papa Paulo VI disse um dia que “quem ajuda na evangelização tem os mesmos méritos do evangelizador”. São Paulo nos lembra: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16). O Apóstolo lembra que isso não é um “título de glória” para ele, mas uma missão, uma obrigação.

 

Quando o profeta Jeremias foi enviado por Deus para pregar sua palavra, ficou com medo e disse: “Ah! Senhor JAVÉ, eu nem sei falar, pois que sou apenas uma criança. Replicou porém o Senhor: Não digas: Sou apenas uma criança: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que eu te ordenar. Não deverás temê-los porque estarei contigo para livrar-te. E o Senhor, estendendo em seguida a sua mão, tocou-me na boca.

 

E assim me falou: Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios” (cf. Jr 1,1-10).

 

Essa palavra é para cada um de nós. E devemos nos lembrar que quando falamos de Jesus, Ele vai conosco: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Sem medo!

 

 

Prof. Felipe Aquino