Hoje nós iniciamos um novo tempo de reflexão, especialmente para esse tempo tão propício, que são os quarenta dias de deserto, o tempo quaresmal. Nessa primeira formação gostaria introduzir o tema atrás das linhas inimigas. O que vem a ser isso? Pois bem, estamos  num tempo onde a maioria de nós gosta da frase clichê:- Está ótimo, ou Está tudo bem! Mesmo quando as coisas estão claramente destruídas, corroídas e necessita de que algo seja feito, mesmo assim nós fingimos que elas se resolverão por elas mesmas!

            Uma pena que não é dessa maneira que as coisas funcionam. Nesse tempo de reflexão sobre nossas vidas, a quaresma nos lembra de que todos nós estamos em uma batalha e que não será vencida a menos que nós nos prontifiquemos a enfrentar o inimigo que nos ataca e  nos atacará como fez com Nosso Senhor que foi atacado no meio do deserto e selvagem…Atrás das linhas Inimigas!

           

            Há alguns dias atrás me deparei com um problema no meu carro, que tem um dispositivo moderno que se chama Start Stop, quando o computador do carro entende que você está parado ele automaticamente desliga o motor e logo que você tira o pé do freio ele aciona o motor automaticamente. O problema é que nada é perfeito. Eu estacionei e tente desligar o carro e mostrava no painel que ele já estava ligado ,mas o motor não estava ligado. Depois de um certo tempo tudo voltou normalmente, inclusive os alertas do painel. O  que significa dizer que podem haver coisas que se auto solucionam. Mas a vida não é assim. Quantas pessoas assumem a vida com se tudo fosse ótimo. Não se incomoda com as coisas que não estão funcionamento de maneira correta.

            O oposto são pessoas que vivem a vida procurando problemas. Pense na profissão de policial. Tente passar um dia acompanhando um policial em uma patrulha. O dia inteiro ele vai jogando placas dos carros no computador de bordo, procurando problemas. Claro que essa é  a profissão dele. Mas isso não é a vida. Há de haver um equilíbrio nisso, ou seja, se incomodar quando certas coisas parecem bem mas não são. As batalhas acontecem o tempo todo e nós estamos no meio delas. A Palavra de Deus sempre nos alerta sobre estarmos em batalha. São Paulo vai dizer: -Vigiai e Orai! Armadura do Cristão, então para que servem as armaduras se não para as guerras?

            Seguir Jesus é estar em constante batalha, Batalha Espiritual. Muitos agora vão questionar e dizer: – Nós estamos vivendo um momento de muita paz, nada nos incomoda, não podemos estar em batalhas, como assim? Pois é, estando você consciente ou não do que está acontecendo, estamos em batalha.

            Nesse último Domingo Jesus é batizado  e a Palavra vai dizer que Ele foi levado pelo Espírito para o deserto, imediatamente, para ser tentado. Jesus então deixa sua zona de conforto e vai atrás de problemas, ou melhor, Ele vai confrontar o Inimigo, Ele vai à Batalha, numa Guerra que iria vencer na Cruz? Jesus não foi ao deserto, ao lado selvagem para descansar, ou para respirar ar puro, Ele foi duelar com o Inimigo. Ele foi até atrás das linhas inimigas por quarenta dias.

            Jesus está nos mostrando nesses dias onde é que nós vivemos. Nós vivemos atrás das linhas Inimigas. Quantos de nós hoje não estamos querendo saber disso, quanto estão dizendo, mas Senhor eu estou exausto, estou sem combustível, eu não poderia ficar nesses dias fora de combate? Outros diriam, Senhor está tudo bem, para que se importar, se as coisas se auto solucionam! Eu estou cansado, não aguento mais combater, só de pensar já estou sem ar.

            Nesse tempo, a resposta não é ficar para trás, achar uma zona de conforto e não combater. O que precisamos nesse tempo é de alguém que chegue para nós, com o filme TAKEN, e diga com calma: – Preste bem atenção no que vai acontecer a partir de agora. Eles vão  te levar, vão tentar te destruir, mas eu os vencerei. 

            Deixe-me esclarecer sobre tomar consciência. Quando nós sabemos o que está acontecendo, saberemos o que Acontecerá, e isso é muito importante para todos e para cada um de nós! A vida é um Navio de Batalha e não um Cruzeiro.

            O que irá acontecer é: Ele vai te isolar e te desorientar. Vai fazer você se sentir Sozinho e Desconhecido! Assim ele te dominará! Assim ele te tirará da batalha.  

            OUÇA A VOZ DE DEUS AGORA: O INIMIGO VAI TENTAR TE DEIXAR SOZINHO E DESCONHECIDO.

            A tentação tenta te deixar sozinho, pense nisso. Jesus disse que nós não deveríamos  ficar fingindo na Quaresma sobre nossos propósitos, que não deveríamos fazer cara de sofrimento, que tivéssemos essa experiência da expiação com o Senhor, mas Ele não falou para ficarmos sozinhos, pois quão é importante numa família cada um saber o que o outro está fazendo de propósito e poder ajudar. Estamos numa batalha e Juntos Somos fortes, sozinhos somos fracos. O isolamento nos enfraquece. Tente seguir com duas ou três pessoas do seu intimo para dividir um propósito firme.

            Na África existe algumas tribos que tem o costume de sair em três guerreiros e vão a um local que nenhum de nós iria dessa maneira. Eles vão com suas lanças, três a três na Savana, onde os leões estão caçando, eles vão caçar exatamente os que os leões querem, um antílope ou outro animal qualquer. Pois bem estando unidos em três, ombro a ombro,  e não se separando eles cumprem a missão, e nenhum leão os ataca, sabe por que? Por que o Leão só ataca um animal por vez? Eles são três. Juntos somos fortes, sozinhos somos fracos.

            O leão (inimigo) quer que você ande sozinho, ele quer fazer você sozinho e te fazer ficar desorientado. No Evangelho do  último Domingo o INIMIGO ataca os talentos de Jesus e os nossos, nossa Identidade, pergunta: – Se você realmente é o Filho de Deus, então… Ele nos ataca sem dó, sem misericórdia, com o ódio em seus olhos, para ver a cada um nós no chão. Ele faz você se sentir desconhecido, que você não tem ninguém e que você não é ninguém.

            Eu convido a cada um de vocês que me seguem, tente nesses dias de Quaresma fazer um propósito seguro de participar da Santa Eucaristia todos os dias, se não o maior número possível de dias, e quando não foi possível gaste alguns minutos diante do Santíssimo, pois tenho certeza que suas munições serão recarregadas, sua armadura reparada, sua força restabelecida. Ao ouvir da boca do Senhor: – Foi por você, ou Eu te amo, ou Eu sou quem guerreia por ti, Eu venci o mundo, eu e você sairemos revestidos do que nos fortalece!

            Jesus venceu toda a Guerra, mas eu ainda estou em batalha. Por isso arrependa e creia no Evangelho! A força do Senhor nos reveste e sua Glória resplandece diante do nossos olhos! Deus nos conhece e nos chama pelo nosso nome, não somos desconhecidos, somos de DEUS! Nós não estamos sozinhos, pois Ele diz: – EU ESTOU COM VOCÊS ATÉ O FIM! NÃO TENHAIS MEDO, EU VENCI O MUNDO!

            Assim agora já tomamos consciência de que vivemos atrás das linhas inimigas, mas redimidos por Cristo, amados por Ele e fortalecidos pelos seus Sacramentos!

           

           

            Oremos: Abbá (Pai) Amado, hoje eu preciso tomar consciência de que para Deus eu sou conhecido e amado por Ele, como filho. Em todos os momentos eu tomo posse de estar unido aos meus irmãos para não me deixar ser isolado e desconhecido. Meus olhos estão voltados para ti de onde vem sempre o meu socorro. Obrigado Senhor por não me deixar sucumbir mesmo diante de tantas batalhas continuas, mas perseverarei até o fim!

Pai em tuas mãos entrego meu coração! Cura-me Senhor, Restaura-me Senhor!  Amém

 

 

 

 

Existem algumas coisas em nossas vidas ( nossas decisões, nossas feridas e nossas fraquezas) que nós desejamos e rezamos por uma solução. Deus nos chama, a mim e a você em nossas fraquezas, Ele não nos chama fora das nossas fraquezas e misérias, mas em meio a elas.

            Iniciando essa formação eu gostaria de partilhar com vocês um exemplo que servirá para demonstrar como o nosso chamado é fora do nosso merecimento. Como pode alguém que, mesmo  diante de uma história tão errada, com tantas quedas mesmo assim, ser um chamado. Na história do povo de Deus quantos foram assim: – Pedro, Paulo e tantos discípulos, mas um em especial eu gostaria de colocar um foco maior sobre ele. Seu nome: Mark Ji Tianxiang.

            Mark Ji Tianxiang não conseguia ficar sóbrio, mas durante 30 anos continuou tentando se aproximar de Deus e da Igreja. Ele não tinha sido viciado em ópio, ele era viciado em ópio e continuou sendo até a morte.

            Durante anos, Ji foi um cristão respeitável, criado em família cristã na China do século XIX. Mais ainda: era líder na comunidade cristã. Médico, atendia os pobres de graça. Até que…

Um dia, ele ficou violentamente doente do estômago e tratou a si próprio com ópio. Era algo perfeitamente razoável como tratamento médico, mas Ji acabou se viciando na droga. E era um vício considerado gravemente vergonhoso e escandaloso.

Por mais que o vício se agravasse, Ji continuava tentando combater o seu vício. Ele se confessava frequentemente, recusando-se a ser vencido pela aflição que o assaltava. Infelizmente, porém, o padre a quem ele recorria para se confessar, assim como quase todo o mundo naquela época, não entendia que aquele vício era uma doença. E, como Ji voltava a confessar vezes e mais vezes o mesmo pecado, o padre acabou achando que ele não tinha um propósito firme de emenda; que ele não tinha o desejo sincero de superar o vício.

Acontece que a confissão é inválida quando não há real arrependimento e real propósito de parar de pecar. E foi pensando nisso que, depois de alguns anos ouvindo sempre o mesmo pecado e não vendo nenhum progresso, o confessor de Ji lhe disse para não voltar mais ao confessionário até cumprir os requisitos para uma confissão válida.

Muita gente poderia ver nisto um motivo para abandonar a Igreja com raiva ou vergonha, mas Ji sabia que era amado pelo Pai e pela Igreja apesar das quedas que a doença lhe causava e apesar daquela decisão do confessor, baseada num julgamento que desconhecia a totalidade da situação. Ji sabia que o Senhor queria o seu coração. Ele não conseguia ficar sóbrio, mas continuava tentando ficar perto de Deus e da Igreja.

E tentou durante 30 anos. Durante 30 anos, ele não pôde receber os sacramentos. E, durante 30 anos, ele rezou pedindo a graça de morrer mártir. Sim: Ji pensava que o único jeito de se salvar era a coroa do martírio.

Em 1900, quando a Rebelião dos Boxers estourou na China contra estrangeiros e cristãos, Ji viu a sua chance. Ele foi preso junto com dezenas de outros cristãos, incluindo um filho, seis netos e duas noras. Muitos daqueles presos estavam provavelmente enojados com a presença daquele homem que não conseguia passar um dia sem se drogar. “Com certeza ele vai ser o primeiro a negar o Senhor”, talvez pensassem.

Só que não. Ji nunca tinha conseguido vencer o seu vício, mas, no final da vida, viu-se inundado pela graça extraordinária da perseverança final. Nenhuma ameaça poderia abalá-lo. Nenhuma tortura o faria pigarrear. Ele estava determinado a seguir o Senhor, a seguir aquele Jesus que nunca o tinha abandonado.

Quando Ji e sua família foram arrastados para a prisão onde aguardariam a execução, seu neto olhou para ele apavorado.

– Vovô, para onde nós estamos indo?

Ji respondeu:

– Nós estamos indo para casa.

Nenhuma resposta poderia ter sido mais verdadeira, bela e repleta de esperança e fé.

Ji implorou aos seus captores que o matassem por último, de modo que ninguém da sua família tivesse que morrer sozinho. Ele ficou ao lado de todos os nove quando cada um foi decapitado.

No final, ele encarou a própria morte cantando as Ladainhas da Santíssima Virgem Maria. E, embora tenha tido que ficar longe dos sacramentos durante nada menos que três décadas, São Marcos Ji Tianxiang é um santo canonizado.

Ele é um dos mais belos testemunhos da graça de Deus que age constantemente em nós, das formas mais escondidas e impensáveis; da capacidade de Deus de tornar grandes santos os mais improváveis ​d​entre nós, pecadores; da graça derramada abundantemente sobre aqueles que permanecem fiéis inclusive quando pareceria que a própria Igreja lhes negou acolhimento.

                  Nós estamos nessa série de formação  chamada : DESQUALIFICADO. Não confundamos Inapto com Desqualificado. Inapto, significa que você não nasceu para isso, ou seja, que não leva nenhum jeito para tal tarefa ou missão. Desqualificado como já repetimos nas últimas duas semanas, significa que suas decisões e suas escolhas te desqualificaram para determinada missão, e o mais comum é pensar que o seu passado te desqualifica. Quantas vezes nós temos essa sensação de não podemos dar conta daquilo que Deus nos pede?

            São Paulo diz em sua Carta aos Coríntios Capitulo 15, que ele não tem menor qualificação para ser um Apóstolo, pois ele perseguiu e matou cristãos. Suas decisões  o desqualificaram, mas a Decisão de Deus o tornou grande. Mas a Graça de Deus o fez quem ele era. Ele segue dizendo que sua fraqueza se tornou força em Cristo vivo e Ressuscitado, pois o tornou capaz. Em São Paulo nós  não temos histórias de que ele caiu depois do seu chamado, inclusive a Palavra de Deus diz que ele era um judeu irrepreensível.

            Deus nunca desiste de nós, quando nos colocamos à disposição de sua Graça.

            Há muitas histórias de santos e grandes católicos que tiveram passado, com misérias, lembramos de Santo Agostinho, Inácio de Loyola, Maria Madalena, e tantos outros. Mas os que encontraram Jesus e continuaram caindo em suas  misérias? Sim, um deles é Pedro. Pedro em todas as Escrituras é o cara que do início já diz a Jesus- Aparta de mim Senhor, porque sou um pecador! Jesus o levanta. Depois em Cesaréia de Filipe Jesus pergunta: – Quem o povo diz que ele é? Pedro responde ungido pelo Espirito Santo: Tu és o Filho de Deus, e Jesus o eleva Simão para Kefas ( Pedra) e sobre ele edifica a Igreja. Agora Pedro se torna o Primeiro Ministro do Rei Jesus. E logo em seguida Jesus diz o que vai acontecer com ele, será entregue, morto e ressuscitará no terceiro dia, e Pedro diz : -Não! Isso não pode acontecer contigo, e Jesus o chama do pior nome que Jesus vai proferir em toda a sua vida humana, Jesus o chama : Aparta  de mim,  Satanás! Pedro tenta dar uma dentro e sempre dá vários foras. Imagine você e eu na pele de Pedro. Jesus na última Ceia, diz que Pedro iria  o trair por três vezes! O  Primeiro Ministro(Pedro) vai trair o Rei três vezes! Imagine de novo, por dentro de Pedro, sempre tenta ajudar, tenta amenizar e toma essas advertências. Depois seguindo Pedro agora no Getsemani!  Pedro usa da espada,  Pedro pega a espada e corta a orelha do soldado, e Jesus diz: –  Ponha essa orelha de volta Pedro. Quão confuso Pedro fica. Imagina agora Pedro negando Jesus três vezes. Imagine como Pedro ficaria após a sua negação, no momento em que o galo canta ! E depois da Morte de Jesus, mesmo ele vendo-o posteriormente Ressuscitado, como seu coração ainda estava em chagas, ferido. Na noite em que Pedro e os seus vão pescar e na Beira do Lago avista Jesus, que ele se joga nas águas e chega até os pés de Jesus, faz a tríplice Confissão: – Jesus pergunta, Pedro tu me amas mais do que os outros?  Pedro certamente em lágrimas deve ter deixado sair de seu interior machucado e dilacerado: – Jesus, eu te disse quem eu era, eu te disse quão miserável e pecador eu era desde o inicio, e o Senhor ainda assim me quer? Jesus respondeu:- Pedro, apascenta as minhas ovelhas,  eu te chamei na sua fraqueza, na sua miséria e não fora delas. Pedro eu posso te fazer Santo sem te fazer Perfeito.

            Esse é o grande engano que todos nós sempre acabamos caindo. Deus não nos quer perfeito e sim Santos. Jesus nos faz completos e não nós sozinhos nos tornamos. Deus faz de um ordinário alguém extraordinário. Todos nós queremos  que os nossos vícios, feridas sejam  curadas e libertas, mas não é assim, Deus quer através de tudo isso nos fazer Santos!

            Voltamos a Mark Ji Tianxiang, que mesmo rezando todo dia clamando a Deus para ser liberto do vicio do ópio, até o fim continuou com esse vicio e com essa adição. Imagine toda a sua família nesse martírio, e seu olhar de limpo, seu olhar de liberto, seu olhar de lúcido, longe do vicio, depois de tanto tempo fora de si mesmo  a proclamar essa frase tão poderosa: Vamos para Casa! Toda a força que não tinha nesses trinta anos, agora fortalecia sua família. Sabia que somente o martírio iria levar sua alma direto para o céu, o homem que não podia mais  se confessar porque permanecia no pecado sem forças para sair e portanto fora da Eucaristia física, mas Deus guardava a Santificação nesse caminho tão estranho.

            No meio de suas fraquezas Deus pode te fazer Santo. No meio de sua desqualificação Deus pode te fazer grande. Ao invés de pedirmos para nos livrar das coisas que tanto em nós nos incomodamos, deveríamos pedir a Deus para nos preencher com sua Graça e nos fazer Santos em meio aos nossos vícios e misérias, porque sem a Sua Graça oh Pai, nada podemos fazer, sem a sua Graça somos apenas frutos das nossas fraquezas e decisões ruins, sem a sua Graça não alcançaremos o Céu!

                        Oremos: Abbá (Pai) Amado, faz-me Santo Senhor. Dê me a Graça de entender o que pode ser mudado em mim, e assim clamar a sua ação em mim, mas no que eu posso mudar e crescer que a Sua Graça me levante como levantou tantos Santos, mesmo diante de tantas misérias pois para Deus nada é impossível. Deus me ama como eu sou!

Pai em tuas mãos entrego meu coração! Cura-me Senhor, Restaura-me Senhor!  Amém

 

 

                  EM CRISTO, seu passado poderia não ser aquilo que impediria você de fazer parte do Reino de Deus…Na verdade seria o que  tem preparado você!

                  Quando falamos sobre desqualificação me chama mais  à atenção são os atletas de natação. Esses atletas se preparam a vida toda para esse grande dia. NO momento da largada, por um descuido caem na água antes dos outros e imediatamente são desqualificados. São eliminados antes mesmo de terem tentado. Não tiveram a chance de tentar.

            Quantas vezes nós fazemos isso com nossa própria vida. Muitos domingos vamos à Missa, ouvimos do Sacerdote falando sobre o grande plano de Deus para nossas vidas, e o primeiro pensamento que vem na nossa cabeça é:  – Eu não tenho chance, eu não sou qualificado, ou melhor , eu sou desqualificado. Quando o assunto é vida em Deus, a primeira palavra que vem na nossa mente e no nosso coração é: –  Eu sou desqualificado por que meu passado me condena. Isso é muito comum.

            Porque tudo isso é muito comum, ou seja, eu me sentir desqualificado, por meu passado me condenar. Por que eu não me sinto com chance para desenvolver nada, tanto na Igreja quanto na minha vida?  Vamos discutir um pouco sobre isso nessa série que se inicia hoje. DESQUALIFICADO!

            Começamos com Neemias que era um dos profetas do Exilio na BABILONIA. NEEMIAS Capitulo 8. O povo havia perdido o Templo, o local de adoração a Deus, como também o local para as coisas Sagradas. O povo estava sem rumo, sem chão, sem saber até quem eles eram. Nesse Capítulo o Profeta levanta seu povo com Palavras para que pudessem saber que não eram Desqualificados. Esdras e Neemias são os mensageiros para levar e elevar o  seu povo.

            Esdras era descendente de Aarão, Sumo sacerdote. Ele como Sacerdote, nunca havia feito um Sacrifício! O Sacrifício era o mais importante quando se é Sacerdote. Ele passou a vida toda sem nunca ter vindo a Jerusalém. Imagine alguém que nasceu para ser um Sacerdote e nunca o fez porque nunca houve para ele a presença do Templo . O Templo havia sido destruído. E o Templo era o único local do Sacrifício.

            Ao invés de exercerem o papel que Deus os havia ungido, serviam ao Rei da Babilônia, longe das coisas sagradas de Israel. Esdras era o estudioso e vivia com seu povo na escravidão. Dedicava sua vida a Torah, ler, meditar e ensinar. O Rei chama Esdras e o presenteia com a noticia de voltar a Jerusalém, para elevar o Templo.

            Esdras passa sete dias ensinando e ensinando dia e noite seu povo, em frente as 40 mil pessoas. Pense agora alguém que poderia se sentir desqualificado pelo seu passado de escravidão, mas seu passado o preparou para sua grande Missão de reconstrução. Assim, quando Esdras e Neemias foram para a Terra Santa,  chegaram à Jerusalém e viram tudo em ruínas. Ao voltar para o Rei Neemias pediram para que o Rei desse a  chance de elevar a cidade, a cidade de Deus, Jerusalém. Neemias volta para reconstruir, e ao invés de ter o apoio do povo, tem oposição, pessoas querendo matá-lo.

            Deus preparou esse dois homens para a grande missão de reconstruir a cidade de Deus. Imagina se eles tivessem olhado suas vidas e pensado que o passado os desqualificassem. O veneno desse momento é a comparação. Quando eu me comparo com outras pessoas eu me diminuo, e porque eles não conseguiram, talvez eu os ache mais inteligentes, mais brilhantes, mais capazes, mais sagazes do que eu! Então, eu me desqualifico.

            Esdras era o cara da Palavra e do  Sacerdócio, e Neemias o cara preparado com o Rei para ser um grande empreendedor. Esdras jejuou e orou a Deus, e ele não solicitou guarda armada na sua jornada pois, pensou que se  tivesse pedido não estaria confiando na proteção do Deus ou do Guarda de Israel. Neemias pelo contrário, pediu guarda pois confiava em Deus mas também na sua astúcia.

            As diferenças são na verdade armas poderosas quando usadas em harmonia. Diversidade é uma grande coisa se usada por um bem maior. Diversidade que não é unida por algo maior, é apenas uma parte de um todo com fim em si mesmo, um pedaço do corpo e não o corpo em si.

            O Espirito comum que muda o mundo . Isso que mostra que não podemos vencer sozinhos. Deus nos prepara para uma grande obra. Penso sempre quando esse assunto vem em meu coração penso na Obra de Madre Teresa de Calcutá. Penso como sua dedicação a Caridade pode e ainda hoje pode tocar os corações de pessoas de todas as áreas do mundo e fazê-las servir a Cristo na figura do Miserável.

            Outra obra que todos nós não cansamos de anunciar são as Novas Comunidades, tantos Carismas servindo ao grande Corpo Místico que é a Santa Igreja. Quantos jovens nos últimos cinquenta anos deixaram tudo e foram seguir Jesus. A Canção Nova, obra nascida no coração de um Sacerdote, nosso Amado Padre Jonas Abib, e que hoje se tornou algo muito grande no Brasil e em outros países.

            Por fim, vem a história de um padre Americano, que conta essa grande história. Um dia esse Padre tinha uma audiência com o Papa João II. No caminho para a Audiência, passou por um grupo de irmãos de rua que habitam as ruas de Roma. Mas no meio daqueles homens viu alguém que lhe pareceu familiar. Ao seu aproximar, viu que era um Sacerdote que havia estudado com ele no Seminário. Um Sacerdote entre os homens de Rua, condenado pelo seu passado e afastado de todos. Como o tempo era curto, o Sacerdote ouviu essa história do homem que agora mendigava, mas que ainda tinha as mãos ungidas para consagrar o Corpo e o Sangue Precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo, e seguiu seu caminho até a Sala de Audiências. Ao encontrar com o Santo Padre, viu que o Papa João Paulo II os observava e em poucos minutos perguntou: – O que está acontecendo com você meu filho? Sem jeito,  o Sacerdote pediu desculpas e contou o que havia presenciado. Então ouviu do Papa; – Amanhã traga esse Padre aqui as 15hs, eu estarei esperando vocês dois em audiência privada.

            Bem, no outro dia, o Padre Americano trouxe seu amigo padre (mendigo)  para a audiência e ao chegar ouviu do Santo Padre que o esperasse do lado  de fora. Tomando o padre (mendigo) pela mão o levou para sua Capela privada. Ao final, os dois vieram para fora. O rosto do Santo Padre reluzia de alegria e o do Padre mais ainda. NO caminho de volta, foi contando, sentiu uma vontade enorme de se confessar e  que tudo o que tinha em seu coração foi confessado e sendo aconselhado pelo Santo Padre que ao final da Confissão e absolvição pediu para se Confessar com o Padre(mendigo) também. Antes de se despedir  disse: – Eu te envio para que como Jesus  que se fez como cada um de nós, que você seja meu enviado para evangelizar as ruas de Roma, levando os Sacramentos a todos os que Jesus te colocar. Seu passado passou a ser a força que o guiaria para a Grande obra de Deus. Porque para Deus você sempre será um grande Sacerdote do Senhor. Seu passado não te desqualifica!

            Deus nesse momento está te preparando para um grande trabalho. Você não é desqualificado, você está sendo preparado.

                       

                           Oremos: Abbá (Pai) Amado, Muitas vezes nós nos sentimos despreparados e Desqualificados. Somos assim porque somos tentados dia e noite pelo tentador para nos compararmos aos outros. Ao invés de fitarmos no Senhor, de colocarmos nossa total e contínua confiança no Senhor que confia em nós para Seu plano. Senhor retire de mim toda a espécie de confiança nos homens e coloque-a em suas mãos, pois por ela eu posso ser modelado como o barro nas mãos do oleiro e atingir em plenitude os planos que o Senhor tem para a minha vida! Amém!

Pai em tuas mãos entrego meu coração! Cura-me Senhor, Restaura-me Senhor!  Amém

                  FULTON Sheen em sua reflexão natalina se refere ao Natal comentando sobre a passagem de Maria  cobrindo   seu filho Jesus com os lençóis e faz referência   ao momento da Sua morte. E também,  por que o Evangelista Lucas vai descrever que, após seu nascimento, Maria o coloca numa manjedoura? Porquê manjedoura é um local de alimentar um ser vivo. Jesus desce do céu para alimentar toda a criação. Para alimentar a cada um de nós, o Pão vivo que desceu do céu! Ele se dá em alimento. Aqui está o Grande PORQUÊ!

                  Ciência é muito importante pois nos leva a questionar o Universo inteiro, e como ele funciona. A pouca fé nos afasta de Deus a muita nos aproxima ( Pasteur). Muitos grandes cientistas ao longo dos séculos eram católicos, muitos inclusive religiosos como padres ou monges.

                  Ciência e Fé não devem se contradizer pois são complementares. Ciência pergunta Como  e O quê, a Fé pergunta O Porquê e Quem!

                  Há duas formas de olhar o Universo, a primeira é olhar como se Deus não existisse e a outra como se Deus existisse.

                  Do ponto de vista de Deus não existir, nada do que você fizer faz diferença pois não existirá o porquê, vida sem significado. É como se tudo fosse um acidente.

                  Se Deus existe eu não deveria fazer o que eu quero apenas, porque tudo que eu faço tem consequências. Tudo que você fizer importará.

                  Do ponto de vista ateísta você pode vencer ou perder. Do ponto de vista do que crê, você pode perder para ganhar. O PORQUÊ do que  crê está acima de tudo, e há uma vida eterna onde não haverá mais choro ou ranger de dentes.

                  Simon Sinek escreveu um livro eu já citei aqui, chamado de Comece com um grande porquê! Ele menciona a Apple, dizendo que nós compramos produtos Apple baseados não em como ou o quê, mas porquê. Porque há inúmeras qualidades nos produtos que fazem deles os ícones perante o mundo moderno. Apple começou dizendo que eles poderiam mudar o mundo com uma tecnologia diferente , usando produtos de altíssima qualidade. O porquê da Apple define o quê da tecnologia.

                  Voltando a esse dia tão maravilhoso o porquê desse Dia nos remete ao LOGOS. Logos traz SIGNIFICADO. Dentro desse LOGOS todos nós somos importantes. Nenhuma outra Religião no mundo traz a prova ou ao conhecimento de que com a vinda do Messias VOCÊ se tornou importante para DEUS!

                  Diga comigo: EU SOU IMPORTANTE PARA DEUS!!!

                  O que eu tenho que atrai Deus para você e para mim? NADA. São Paulo na sua Carta aos Romanos 5, diz que Jesus deu sua vida por nós, por todos os desvalidos, os improváveis, os perdidos, os derrotados. Alguém poderia talvez dar a vida por um justo, mas Ele não fez objeções ao Seu Amor, foi por todos. Neste Natal nós ouvimos São João nos dizer que no principio o Verbo era a Palavra e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus. O Logos se fez carne  e habitou entre nós. Aqui está o porquê e o QUEM! Aqui está o sentido da vida de todos nós!

                  Infelizmente mesmo sabendo de tudo isso ainda continuamos vivendo a vida como um ateu prático, ou seja, numa vida que parece sem sentido, parece que a mensagem de São João acima não faz diferença na vida, a vida parece um  acidente.  Fazendo coisas e não demonstrando que sabemos o Porquê de tudo isso aqui.

                  Isso me remete a Viktor Frankl , em seu livro , O Sentido da Vida, escrito a partir da sua experiência no campo de concentração de Auschwitz. Qual era a diferença entre os que caíam e os que se mantinham em pé? Ele concluiu que o ser humano pode sobreviver a qualquer O quê, se tiver um grande PORQUÊ! Um momento emblemático do seu livro, ele narra  os que não suportavam e sucumbiam e os que iam sóbrios a caminho da câmara de gás cantando Shema Israel ou rezando o Pai Nosso!

                  O PORQUÊ se fez carne e viveu entre nós. O significado da nossa vida andou entre nós. Viveu como um de nós. Viu tudo o que os seus passam aqui, e sofreu todo tipo de maldade desse mundo e tomou tudo sobre seus ombros para nossa Redenção. Aqui está o grande Porquê, a nossa Salvação! Tudo o que Ele fez entre nós, tudo sem exceção : PARA FAZER A VONTADE DO PAI!

                  E fazer a Vontade do Pai, é amar sem medida! Deus nos escolhe um por um pois Ele nos ama, individualmente, para cada um de uma maneira particular  de nos amar. Aqui está o Grande Porquê!

                  Feliz Natal de um Deus que apesar de todas as nossas quedas, Ele com Amor sabe nos erguer e nos apontar para o significado da nossa existência, amar a Ele acima de tudo e a todos como a nós mesmos!

                 

                 

                   

                 

                          

                                   

        

                  Oremos: Abbá (Pai) Amado, diante do Presépio eu só posso te contemplar de alma aberta e te agradecer por ter vindo habitar no meio de nós. Com São Francisco eu quero derramar as minhas lágrimas por admirar o Senhor no mais pobres dos pobres lugares do mundo. Eu quero acolher em meus braços e te aquecer. Eu mal posso esperar para com o Senhor vir fazer a Tua vontade em mim. Renova-me como seu nascimento em todo o meu interior que necessita de restauração e de redenção. Como Santo Agostinho, dá-me o que me pedes e pedes o que quiseres!

Pai em tuas mãos entrego meu coração! Cura-me Senhor, Restaura-me Senhor!  Amém

 

Uma reflexão natalina magistral da filósofa judia que se converteu a Cristo, morreu mártir em Auschwitz e foi canonizada pela Igreja

No recolhimento da abadia beneditina de Beuron, em 1932, três anos antes de entrar no Carmelo, Edith Stein escreveu uma riquíssima meditação teológica sobre o Natal. O texto, pronunciado numa conferência da Associação de Acadêmicos Católicos de Ludwigshafen, na Renânia-Palatinado, Alemanha, foi publicado pela primeira vez em 1950, em Colônia.

 

Filósofa, judia, ateia, convertida, religiosa e mártir, essa mulher especial começa a meditação não com uma citação erudita, como quem se esforçasse por captar as atenções, e sim com uma reflexão que surpreende pela simplicidade; pela simplicidade de quem tem o olhar inclusivo da fenomenologia. Edith Stein destaca que o fascínio do Natal atinge a todos, mesmo os que pertencem a outras religiões e os não crentes, para quem a antiga história do Menino de Belém não diz nada.

Nas semanas anteriores ao dia de Natal, “uma cálida corrente de amor inunda toda a terra“, porque “todos preparam a festa e tentam irradiar um raio de alegria“. É sempre apreciável o gesto de procurar e dar alegria, de preparar e de preparar-se para uma festa: são gestos estruturalmente humanos. Para o cristão, porém, especialmente para os cristãos católicos, a estrela que leva até a manjedoura é diferente. O coração de quem vive com a Igreja, desde o repicar do Rorate Coeli até os cantos do Advento, começa a bater em uníssono com a sagrada liturgia que emoldura um momento único: o tempo de uma espera que é também ardente nostalgia. Uma espera-nostalgia que cresce durante o Advento e encontra satisfação somente quando os sinos da Missa do Galo anunciam que “o Verbo se fez carne“. Com este anúncio, vemo-nos sempre diante do fascínio do Menino na manjedoura, que estende as mãos e parece já dizer, sorrindo, o que mais tarde os seus lábios de Mestre repetirão até o último suspiro na cruz: “Segue-Me“.

 

Atenção: a Luz da estrela e o encanto do Menino na manjedoura duram um piscar de olhos. “À luz descida do céu, opõe-se, ainda mais escura, a noite do pecado“. Diante do Menino, ao mesmo tempo, os espíritos se dividem em “contra” e “a favor”. Diante do “Segue-Me“, quem não é por Ele é contra Ele. Não por acaso, no dia depois do Natal, enquanto ainda ecoam os sons festivos dos sinos da noite e das festivas liturgias natalinas, a Igreja se desveste do branco de festa e se reveste do vermelho do sangue, e, no quarto dia, já usa o roxo do luto para recordar o primeiro mártir, Estêvão, e as crianças inocentes que foram mortas por Herodes. O que isto significa? Onde foi parar o encanto do Menino na manjedoura? Onde está o bem-aventurado silêncio da noite santa?

 

O que preciso mudar para ser mais feliz?

 

 

Gestos de amor e carinho que quebraram o protocolo da família real britânica

 

 

Como encontrar ajuda e esperança para depressão durante as festas de fim de ano

 

 

O santo que adorava meditar sobre o Natal

 

 

O dia em que Padre Pio segurou o Menino Jesus nos braçoO mistério da noite de Natal, escreve Edith Stein, carrega uma verdade grave e séria que o encanto da manjedoura não deve encobrir aos nossos olhos: “O mistério da encarnação e o mistério do mal estão intimamente unidos“.A alegria do Menino e das figuras luminosas que se ajoelham em torno da manjedoura, das crianças inocentes, dos pastores esperançosos, dos reis humildes, dos mártires, dos discípulos, dos homens de boa vontade que seguem o chamado do Senhor, essa alegria, enfim, caminha de mãos dadas com a constatação de que nem todos os homens são de boa vontade; de que a paz não alcança “os filhos das trevas“; de que, para esses, o Príncipe da Paz “traz a espada“; de que, para esses, Ele é a “pedra de tropeço” que os derruba. Aquele Menino divide e separa, porque, enquanto o contemplamos, Ele nos impõe uma escolha: “Segue-Me“. Ele a impõe a nós também, hoje, e nos coloca diante da decisão entre a luz e a escuridão. As mãos do Menino “dão e exigem ao mesmo tempo“.

Se colocarmos as nossas mãos nas do Menino Deus e respondermos sim ao seu “Segue-Me“, o que recebemos?

“Oh, maravilhoso intercâmbio! O Criador da humanidade nos dá, assumindo um corpo, a sua divindade!“. Aqui reside a grandeza do mistério da Encarnação: quem escolhe a luz, quem fica do lado do Menino, “abre caminho para que a sua vida divina se derrame sobre nós” e traz “de forma invisível o Reino de Deus dentro de si“. O Natal é o começo da aventura de deixar a graça “permear de vida divina toda a vida humana“. Por que Deus se fez homem? Deus se tornou um filho do homem para que os homens se tornem filhos de Deus. Escreve Edith Stein: “Um de nós tinha rasgado o vínculo da filiação divina; um de nós tinha que reatá-lo e pagar pelo pecado. Mas nenhum descendente da antiga progênie, doente e bastarda, tinha condições de fazê-lo. Era preciso enxertar-lhe um ramo novo, saudável e nobre“. Estas palavras de Edith Stein evocam, por analogia óbvia, uma passagem do “Cur Deus Homo” (CDH), de Santo Anselmo, que contém a mesma lógica da redenção: “A restauração da natureza humana não teria acontecido se o homem não tivesse pagado a Deus o que lhe devia pelo pecado. Mas a dívida era tão grande que a satisfação, de obrigação apenas do homem, mas possível somente a Deus, precisava ser dada por um homem-Deus” (CDH 2,6).

Edith Stein tinha aprendido, na escola dos professores do Carmelo, Teresa de Ávila e João da Cruz em particular, que a graça se desenvolve em nós como uma semente que nos transforma, deixando-nos participar da própria vida de Deus. Por esta razão, a meditação seguinte insiste nos sinais fundamentais de uma vida humana unida a Deus.

O primeiro sinal da filiação divina é “ser um só com Deus“. O Menino desceu ao mundo para ser um “corpo misterioso” conosco: “Ele é a nossa cabeça, nós os Seus membros“. Não existimos mais “um ao lado do outro, como pessoas isoladas, autônomas, e sim, todos juntos, como uma só coisa com Cristo“. O segundo sinal da filiação divina é “ser um só em Deus“: “Se, no corpo místico, Cristo é o corpo e nós os membros, então somos membros uns dos outros e, todos juntos, somos um só em Deus“. A medida do nosso amor a Deus é o nosso amor para com o próximo, “seja parente ou não, seja-nos simpático ou não, seja moralmente digno da nossa ajuda ou não; quem ama com o amor de Cristo, ama a humanidade por Deus e não por si“. O terceiro sinal da filiação divina é a disponibilidade para aceitar qualquer coisa da mão de Deus: o “faça-se a Tua vontade!“, em toda a sua extensão, deve ser o critério da vida cristã. Ele deve permear a jornada da manhã até a noite, o curso do ano e de toda a vida. “Deve ser a única preocupação do cristão. Todas as outras o Senhor as toma para Si“.

À luz e ao calor da Noite Santa, quando mal começamos a nos confiar ao Menino, apertamos confiantes a Sua mão e vemos com clareza o que devemos fazer ou não fazer. Mas a situação não ficará assim para sempre. Quem vê o encanto do Menino na Noite Santa não pode fingir que não percebe que o caminho que parte de Belém conduz ao Gólgota, vai da manjedoura até a cruz. “Quem pertence a Cristo deve viver toda a vida d’Ele“. A noite de Natal e a noite da cruz são uma única noite. Chegará o tempo do sofrimento e da morte para cada homem. Quando ele vier, a confiança em Deus permanecerá firme? Estaremos dispostos a aceitar qualquer coisa da Sua mão? Seremos ainda capazes de dizer “faça-se a Tua vontade“, mesmo na “noite escura“, quando a luz divina já não brilhar e a voz do Senhor silenciar?

Os mistérios do cristianismo são um todo indivisível. Quem se aprofunda em um, acaba por tocar os outros todos, escreve Edith Stein. Sobre o luminoso esplendor da manjedoura paira a sombra da cruz. A luz da Noite Santa se apaga na escuridão da Sexta-Feira Santa, mas volta a brilhar mais forte na manhã da Ressurreição. O Filho encarnado de Deus, através da cruz e da paixão, chega até a glória da ressurreição. É assim que cada homem deve sofrer e morrer. Se for um membro vivo do Corpo de Cristo, porém, o seu sofrimento e a sua morte se tornarão, graças à divindade da Cabeça do corpo, redentores: “Cada um de nós, toda a humanidade, chegará, com o Filho do homem, através do sofrimento e da morte, até a mesma glória“. E o Salvador, sabendo que somos homens em luta diária com as nossas fraquezas, vem em nosso auxílio com aqueles que Edith Stein chamava de “meios de salvação“: “estar todos os dias em relação com Deus” através da escuta da Palavra, da oração litúrgica e interior, da vida sacramental. Mas é principalmente para o “Salvador eucarístico” que precisamos abrir espaço, para podermos transformar a nossa vida na d’Ele. Assim como o corpo terreno precisa do pão de cada dia, assim também a vida divina aspira em nós a ser alimentada continuamente: “Em quem realmente faz d’Ele o seu pão de cada dia, cumpre-se diariamente o mistério do Natal, a encarnação do Verbo“. E esta é, sem dúvida, a maneira mais segura de manter ininterrupta a união com Deus e de enraizar-se todos os dias e cada vez mais firmemente no corpo místico de Cristo.

Edith Stein escreveu vinte páginas de meditação sobre o Natal, densíssimas, para lembrar que os mistérios do cristianismo são um todo indivisível, porque todos são mistérios portadores de salvação. Encarnação, cruz e ressurreição são inseparáveis. Só porque verdadeiramente o Filho, que é Deus, “se fez carne” é que Ele poderia morrer e ressuscitar, arrebatando-nos da morte e nos abrindo um futuro em que esta “carne”, a nossa existência terrena, entrará na eternidade do Reino de Deus. Celebramos o Natal como um convite a nos deixar transformar por Aquele que entrou em nossa carne, que se uniu a nós e nos uniu a Si, para permear de vida divina toda a vida humana.

Que o mistério da noite de Natal nos lembre que algo extraordinário acontece mediante a encarnação: a carne se torna o instrumento da salvação.

“Verbum caro factum est“: o Verbo Se fez carne, escreve João Evangelista, e um autor cristão do século III, Tertuliano, afirma: “Caro salutis est cardo“, a carne é o eixo da salvação.

“Se a alma se torna totalmente de Deus, é a carne que o torna possível! A carne é batizada para que a alma seja purificada; a carne é ungida para que a alma seja consagrada; a carne é marcada pela cruz para que a alma fique incólume; a carne é coberta pela imposição das mãos para que a alma seja iluminada pelo Espírito; a carne se nutre do Corpo e do Sangue de Cristo para que a alma se sacie de Deus. Elas não serão, pois, separadas no dia da recompensa, porque estiveram unidas durante as obras” (De carnis resurrectione, 8,3: PL 2,806).