O SENHOR QUE ANDA SOBRE ÁS AGUAS, QUE ACALMA O MAR MAS QUE NOS RESGATA DE NOSSAS FRAQUEZAS…

 

O que é ter coragem na vida. São muitas coisas sendo a primeira delas, levantar de manhã principalmente quando está frio, há que se ter muita coragem. Quando estamos falando de fé, coragem é uma ferramenta que não pode ficar fora de nossas mãos. Estamos diante de águas tempestuosas e temos de ter coragem. Nas escrituras, água e tempestade significam os perigos. São sinais de morte aliado às ondas gigantes. Mas a vida é assim, imprevisível. Não há como controlar a vida. Ficar achando que passamos por esta vida sem enfrentar estes desafios é ilusão. Nós somos apenas uma gota, um coágulo. Água é o sinal de Caos, sinal de morte, sinal de perigo. De repente vem Jesus e anda sobre as águas. Somente Deus poderia fazer isso, além de andar sobre as águas ainda acalma o mar quando é do seu desígnio. E assim, Jesus nos mostra que Ele tem o poder sobre as coisas que nos mata. Todos os apóstolos estão no escuro, no meio da tempestade, tremendo de medo, faltando toda a coragem.

Jesus nos ensina em João 6, que neste mundo teremos muitas tempestades, muitos desafios, muitas batalhas, mas Ele estará conosco em todas as batalhas. NO meio da tempestade Jesus nos ensina a ter coragem. Muito de nós estamos sempre falando para Jesus que acalme nossa tempestade e no minuto seguinte nos afastamos Dele. Nós ficamos pedindo e ao invés de nos comprometer e permanecer com Ele o tempo todo.

Pedro se precipita e pergunta, Jesus me faça andar assim até o Senhor. Isso foi imprevisível. Jesus disse: Vem Pedro.  Jesus mostra em toda sua vida publica que ao curar os enfermos, libertar os possessos, ressuscitar os mortos, multiplicar os pães, Ele tem poder sobre tudo, que para nós significa impossibilidade.

Jesus vem, e fica no meio da tempestade, no escuro, sobre as ondas. Os apóstolos vêem algo a amais. Jesus diz: Tenha coragem. Porque Eu estou aqui. Nada ainda tinha se acalmado, Jesus diz tenha Coragem porque Eu estou aqui contigo. Eu posso andar sobre as aguas eu tenho poder sobre o Caos.

Voltando a Pedro que tinha muitas coisas a dizer mas ele diz : Jesus faça eu ir até o Senhor! E Jesus diz: VEM! Pedro começa andar sobre as águas, mas sua coragem passa a confiar nele mesmo e daí afunda.

Acho que todos nós passamos por isso. Pois se tivermos Jesus em toda a nossa respiração, não afundaríamos. Você e eu hoje estamos passando por problemas gravíssimos,  e para tal não basta requerer apenas Coragem, mas requerer JESUS. Quem  acreditar Nele, João 14, fará coisas que Ele fez e  ainda  fará coisas ainda maiores.

Então em tudo, nas nossas ações, nas nossas orações, na nossa vida, precisamos ter sempre coragem em uma mão e Jesus na outra para que possamos superar todas as nossas tempestades. E como Pedro, devemos clamar Senhor me salve. Jesus o faz na hora, imediatamente ao chamado. Jesus traz Pedro de volta ao barco, mas Jesus acalmou o mar, os ventos e a tempestade. Pedro aprendeu o que é ser salvo por Jesus em suas fraquezas, o que é ser resgatado do Pecado, o que é ser salvo pelo Salvador.

Vim para a Confissão após ter pecado, demanda Coragem e  demanda ter Jesus. Por isso Santo é o pecador que não desiste nunca!

Vida de Cristão é assim, tome Coragem e Tome Jesus, a vitória é certa. O meu Senhor que acalma o Mar.

 

Neste final da Quaresma, mais precisamente hoje,  domingo de Ramos, o Evangelho de Mateus nos narra a Paixão, como o Professor Mark Kaylor nos dizia,  os evangelhos longas introduções do que acontecerá nesta semana, ao que acontecerá em sua paixão, morte e ressurreição do Cordeiro de Deus. Jesus se oferece como o maior de todos os sacrifícios a Deus Pai pela Salvação de toda Humanidade, somente por Amor, por Você!

Esta narrativa de Mateus nos leva ao país distante do Pecado. Disfunção humana que nos leva a nos separar de Deus , nos separar do Amor. Jesus é o amigo dos pecadores. Ele não veio para os saudáveis mas para os doentes. Ele senta com os desprezados, como os marginais, com os excluídos e com os mínimos. Jesus vai dentro do pecado para trazer a Luz divina lá. Jesus entra dentro do pecado com a obediência e a fidelidade a Deus, para libertar os prisioneiros do pecado, Esta fidelidade absorve o poder do pecado e o dissolve. Como nós respondemos ao pecado, pecando de novo. Traição atrai traição, violência gera violência, mentira gera mentira pois pecado gera pecado. Então Jesus, chega, Amor de Deus, drena o pecado para ele mesmo e pelo seu amor, sua obediência e fidelidade nos liberta.

Então o que vemos neste Domingo de Ramos, pela narrativa de São Mateus é a Sinfonia do Pecado. Todas as formas de disfunção humana estão narradas neste Evangelho, esta Cacofonia do Pecado está narrada aqui, neste país distante.

Mateus inicia com a Traição de Judas. Judas trai seu mestre, seu mentor, seu divino amigo. Dante na Divina Comedia, vê a traição como o mais profundo do inferno. Trai seu amigo, dá as costas ao seu amigo. Depois da Santa Ceia, Jesus leva seus amigos ao Gestsemâni. Jesus transpira sangue, assumindo todos os pecados  do mundo. Nesta noite, é a noite mais dolorosa do Senhor. Jesus está batalhando pela humanidade, mas  os discípulos estão dormindo. Carl Barth relata que neste momento há uma intensa Preguiça Espiritual dos discípulos. Eles não estão nem aí. Ninguém se importa com o sofrimento do Senhor. No Apocalipse o Senhor diz: Aos mornos, e ou vomitarei. Indiferença.

No Jardim chega Judas e os guardas armados. Eles vem buscar o príncipe da Paz. Ele ensinava que devíamos dar a outra face, amar os inimigos. Quem vem buscar Jesus? Os poderes do mundo jogando o mesmo jogo. Desde toda a história da humanidade, egípcios,  gregos, babilônios, romanos, persas, bárbaros, napoleão,   nazistas, estado islâmico,  como os poderes do mundo respondem até hoje, da mesma maneira, com violência. Eles vem para prender Jesus. Um dos discípulos de Jesus corta a orelha de um dos guardas, que tamanho exemplo, pois quando usamos a violência é porque cortamos a comunicação, ninguém ouve ninguém. Olhemos hoje, e até hoje, mesmo na Terra Santa. Irmão contra irmão.

No final desta cena, o que vemos aqui? Todos os discípulos fogem, se escondem, Espirito de Covardia. Quando eu sei o que tenho que fazer e não faço, não tenho coragem para fazer, eu sou covarde. Quando os bons não reagem ao mal, aí está a Covardia . Eles fogem. O mal deve ser resistido quando aparece. A sinfonia do pecado vai se tornando cada vez mais intensa. Quando Jesus chega ao Sinédrio. O que temos aqui, Mentira, falso testemunho, aos que deviam cuidar tão bem a cerca de verdade. Todos fazem a mesma coisa. Jesus, a verdade,  está cercado por mentirosos. Neste mesmo momento, Pedro é exposto e por três vezes nega. Pedro quer se manter no meio de todos para não ser reconhecido. A diferença entre Pedro e Judas, é o arrependimento, pelo desespero de Judas ele se mata, porque muitas vezes estamos tão profundos nas trevas que achamos que Deus não pode nos perdoar. Morto pela sua própria culpa, mesmo que Deus não quer que nenhum de nós se perca. Nós é que nos negamos a Deus. A pior face do pecado é a autodestruição.

Em frente de Pilatos, vemos a grande disfunção humana. Ele vê que Jesus é inocente, pela pressão da multidão, pelo temor em perder seu poder…Então ele Abusa do Poder.

Qual é a boa noticia nisso tudo, neste país distante onde habitam: Traição, violência, covardia, abandono, fuga, indiferença, mentira, falso testemunho, falta de perdão, autodestruição, suicídio, terror, preguiça espiritual, abuso de poder. Deus quer ir até este pais distante da dominação do pecado e colocar a sua luz, e Sua Luz é Cristo Jesus.

Que nossa Semana Santa comece e termine na mais profunda meditação desses dias, em que o Senhor dos Senhores, o Rei dos Reis, será destituído de toda a sua divindade, e humanamente será flagelado por tudo que é fruto do pecado deste mundo. Ele será torturado e mutilado, como um servo sofredor, passará por tudo isso sempre subindo para Jerusalém e para o Calvário, será Crucificado, ainda mais humilhado, Morto e apesar de tudo isso Ele Ressuscitará conforme todas as escrituras apontaram, Ele vencerá a morte, Ele vencerá o pecado e nos dará a Vida, e Vida em plenitude ( João 10-10).

Maranathá!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

monte gargano

 

Vivemos num tempo onde as pessoas confundem Alegria com outra coisa que parece a mesma coisa, mas é diametralmente oposta, Euforia. Euforia é algo que vem de fora. Por mais que tentemos repor a Alegria por Euforia vamos nos deparar com algo que jamais será capaz de nos preencher. Alegria vem de dentro. Neste país quantas pessoas que dizem católicas estão tristes nos dias de hoje, e nossa Fé é tudo sobre Alegria, daí vem o termo Beato, quer dizer Alegre, que deveria ser o mesmo que dizer: -Você é alegre então deveria estar explicito que você é Católico. Alegre o mundo com a sua Alegria, e Jesus nos prometeu, que a Minha Alegria seja vossa para que a vossa seja completa (João 15:11). E também: No mundo terei muitas tribulações, mas Eu venci o mundo! (João 16:33).

As pessoas hoje tentam o tempo focar no que é negativo quando alguém te pergunta como vai a vida? Há pessoas que se escondem atrás destes aspectos negativos e também as máscaras de estarem sempre alegres! Pois muitas vezes uma pessoa se esconde atrás de uma falsa alegria para não ser excluída de um grupo social. Tem medo de que se não estiver alegre em todos os  momentos, as pessoas irão embora e a deixarão para trás.

Não se pode viver sem sofrimento, sem dor, sem perda, sem agonia, sem tudo aquilo que se chama Alegria frágil. Mas em tudo isso podemos escolher pela Alegria. Quando nestes momentos tão difíceis podemos deixar as pessoas nos amar mais. Muitas pessoas nestes momentos tentam se afastar de todos. Isso é um erro.

Universidade de Berkeley Califórnia, fez um estudo que conclui sobre a alegria frágil. Porque muitos americanos acham que devem se mostrar que estar sentido feliz sempre, mas na verdade é carregada de euforia e não uma amostra natural de alegria, pois é auto focada, as pessoas se perguntam o tempo todo, eu sou feliz? Mas euforia, de novo, quer dizer de fora para dentro e não de dentro para fora. Desta forma conclui que os Americanos precisam aprender a ser alegres.  Alegria cristã é diferente.  Assim nós católicos somos chamados a sermos realmente alegres. A sensação firme de que somos amados e temos claro que o vivemos aqui hoje faz parte de um caminho, e que chegaremos a algum lugar onde tudo isso não existirá mais. Somente o que o ser humano tem sede para continuar perseverante é ter certeza de que é amado. Ser aceito incondicionalmente. Somente Deus pode dar esta aceitação incondicional, por isso o fruto desta certeza é a Alegria. Alegria é fruto do Espirito Santo. Quando o Evangelho do ultimo domingo nos diz sobre São João Batista dizendo: Converta-se e dê bons frutos de conversão. Quais são os frutos da conversão!? Alegria. Alegria. Alegria. A Alegria vem da Fé! (Papa Bento XVI). O homem só pode aceitar a si mesmo quando ele aceita que é amado por outro. A  existência humana é frágil.  Na Nossa vida quando é exposta aos que deveriam nos amar e não fizeram, se vê como esta existência é frágil.

Conversão significa que eu tiro o sentido do meu viver  em algo que está me destruindo e eu me direciono em outra direção que me trará vida. Como neste tempo é importante repetir novamente: Seja feita a Vossa Vontade. A alegria virá instantaneamente. Claro que alguém de fora da fé pode te desafiar questionando:   – Se   eu for a confissão vou me sentir melhor! Então se pode responder: – Não sei se vai se sentir melhor, mas com certeza vai ser uma pessoa melhor.

Todos os sentimentos negativos podem tocar a sua alegria, mas não podem destruí-la. Lembre-se no dia em que Jesus nasce em Belém, que Alegria para toda a criação, mas não foi sem grande ameaça.  O  Rei daquela área queria matar o bebê! Com toda esta tristeza, ameaça, violência, deixou de ser NOITE FELIZ? Não. Pois a fé consegue ver a mão de Deus conduzindo tudo, o que é o oposto a Alegria frágil. O que é o oposto, a esta Alegria frágil se chama Antifrágil. Muito mais do que resiliente, do que robusto, do que resistente. Antifrágil, seria como uma vacina que faz com que o nosso corpo se torne Antifrágil a uma doença, por vezes mortal. Pois a vida neste mundo é um Navio de Batalha, Antifrágil e não um Cruzeiro. Por isso nós católicos temos que assumir em nós pela força do Espirito Santo, uma Alegria Antifrágil. Deste modo somos enviados ao mundo para uma grande provação, tristeza, sofrimento, perdas, dores, decepções, mas nada disso pode tirar nossa Alegria Antifrágil. Como chegar lá? Em todas as circunstancias proclame: – Seja feita a Vossa Vontade. Pois proclamemos que somos amados incondicionalmente. Em tudo seja louvado o Santo Nome do Senhor. Por mais que as batalhas na nossa vida estejam tão sangrentas, quase sem enxergar um palmo na frente do nosso rosto…, Mas a palavra é sempre esta: Seja feita a Vossa Vontade.

Para se chegar em tudo como atletas do Céu ou da terra, precisamos Amar o Processo que nos faz atletas da terra e do céu, perserverança, resiliência, treinos contínuos, metas, projetos e execuções. Da terra são os Gold Medals, medalhas de ouro, do Céu se chamam Santos. Pois são capazes de trazer a Alegria Antifrágil ao mundo.

QUE A ALEGRIA DO SENHOR SEJA A VOSSA FORÇA (NEEMIAS 8:10)

 

Salve Maria!

No mês de setembro completei meu primeiro ano de conversão. Se eu era ateia, protestante ou budista? Definitivamente não, talvez fosse o tipo mais difícil de converter: eu era católica. Fiz uma experiência muito forte do amor de Deus. Quero contar o que me aconteceu e especialmente destacar o papel do Padre Paulo Ricardo em tudo isso.

Em 2012, fui morar no Rio de Janeiro: o emprego dos sonhos, lá teria a minha casa, muitos ideais na cabeça, coração batendo forte e desejoso de aventuras e novas histórias… Quando lá cheguei foi tudo BEM diferente. O dono do escritório começou a rivalizar pesado comigo e me demitiu exatamente um mês depois, sem conseguir apontar meio motivo razoável. Ao mesmo tempo meu namoradinho carioca, lindo, inteligente, que tocava violão erudito pra mim em noites de lua cheia com vista para o Pão de Açúcar também resolveu me chutar.

De alegrias tropicais minha vida passou a um inferno dos mais dantescos. Fui para casa, comprei os acessórios, enchi a despensa, posicionei as plantas… Aquela cena que se ensaia mil vezes desde a infância, mas eu pensava que teria um gosto diferente, que estaria em segurança, tudo daria certo e eu seria feliz. Mas o gosto era TÃO AMARGO… Não se parecia em nada com a doçura que essas ideias românticas de felicidade prometem.

Então, o vazio tomou conta de mim de forma avassaladora.

Meu coração ardia de vontade de me confessar. Procurei o pároco da linda Igreja de São José, o Revmo. Padre André, sacerdote jovem que tinha acabado de voltar dos estudos em Roma. Sentei-me no banco, nem o conhecia, e comecei a contar meus pecados de estimação. Só que dessa vez, irritada por tantas coisas impalatáveis e que eu já não entendia, disse ao Padre num surto de sinceridade que eu não me arrependia porque “eu não concordava”. O Padre calmamente me disse: “Minha filha, então eu não posso te absolver. Sem o arrependimento sincero e o compromisso de não buscar mais esses caminhos de nada vale a confissão. Quer um conselho? Pare de sofrer. Saia da Igreja já que ela não te satisfaz, mas não selecione apenas as partes que te agradam e ainda diga que é católica. Não existe isso de não concordar e fazer o que se quer, seja honesta e saia. Outra opção é você buscar a respostas de suas dúvidas no Catecismo e obedecer ao Papa. Desta forma você vai ser de fato uma católica. Como está você não o é“. Eu fiquei atônita. NUNCA tinha ouvido UM Padre sequer dizer aquilo. Ele disse mais outras coisas específicas pra cada pecado que eu havia cometido e especialmente para aqueles dos quais que eu não me arrependia.

Foi TÃO CLARO que não teve jeito de eu defender minhas ideias, era óbvio que eu havia construído um muro de retórica pra me defender e legitimar minhas más escolhas e vícios.Até aquele ponto havia vivido como a maioria, de um jeito muito simplista: se eu extinguisse a culpa, o erro não seria meu. De um jeito que eu não sei explicar eu disse ao Padre que eu me arrependia. E eu disse isso com toda a minha alma e entendimento. Recebi ali uma cura incrível que jamais vou conseguir explicar. Passei a amar o Papa com TODAS AS MINHAS FORÇAS e fiquei muito curiosa em relação ao Catecismo e aos Evangelhos, parecia que havia passado muito tempo exilada, sentia saudade da Vida porque estando tão distante de Deus eu tinha me afastado de mim mesma e esquartejado corpo, alma e espírito em pequenas e indecifráveis partes que não faziam sentido por elas mesmas ou em conjunto. Eu tinha desenvolvido um soberbo exoesqueleto de pretensa “razão” e por ele me sustentava. Meu corpo físico e místico estava em frangalhos dentro daquela dura casca de superficialidade.

Depois disso voltei aos Sacramentos, às Missas Dominicais, à Adoração… Mas, quase não conseguia levantar da cama, fiquei doente e sem forças por muitas semanas. Eu só me levantava pra comprar comida às vezes e pra ir até a Igreja. Levantar um braço doía muito. Eu não quis contar pra minha família ou amigos o que tinha acontecido. Sentia uma mistura de choque, medo, raiva, tristeza, indignação, revolta, pânico, culpa, vergonha…

Tive anorexia. Anemia. Problemas estomacais. Infecções alimentares. Dores fortes no corpo todo. Depois de uns dois meses consegui sair de casa pra fazer esportes. E adquiri o hábito de caminhar na Lagoa rezando o Rosário. As pessoas olhavam curiosas achando engraçado uma moça com visual moderninho de roupa de ginástica caminhando com o Terço nas mãos. Eu queria lembrar as pessoas de que sempre há tempo para o Rosário. Não existe desculpa.

Então passei a participar do dia-a-dia da Igreja e fiz novos amigos, já que os primeiros, do escritório, jamais me ligaram nem pra saber se eu estava viva ou precisando de alguma coisa. E o tal namoradinho ainda fez questão de me esfregar outra garota na cara o mais que pôde. De que tinha valido tanta lua cheia, violão e romance? Nem respeito por mim ele conseguia ter! Naquela solidão radical eu fiquei pensando no que eu tinha por valores, quanto tempo eu gastava dando satisfações às outras pessoas, por que eu superestimava ser a “fofa, querida, gracinha” na boca dos outros e de que isso me valia no final das contas… Qual era o sentido da minha vida, afinal? Meu dinheiro estava no limite. Às vezes eu tinha de racionar pão. Tudo estava muito estranho… Tudo em que eu acreditava tinha se transformado em fumaça. Nenhuma das minhas velhas teorias poderia explicar ou me socorrer naquela nova situação.

Mas eu fiquei doente por mais muito tempo, sempre alternando “estiagens” e vontade de fazer as coisas. Nessas minhas temporadas na cama eu buscava coisas pra ver, pra me encorajar… Já que eu não queria conversar com as pessoas e ter de explicar o que nem eu mesma compreendia. Foi numa dessas, naqueles vídeos relacionados que eu achei o Padre Paulo Ricardo. Vi um vídeo, gostei, mesmo que ele me parecesse “duro demais” e até mesmo fanático. Mas existia algo diferente naquele Padre: ele tinha AUTORIDADE. Digo isso não somente pelo incrível domínio teórico e por citar as fontes e documentos oficiais com precisão, mas era outro tipo de autoridade, aquilo só poderia ter sido dado pelo próprio Deus. Eu entendi isso com a alma, mais que apenas com a razão, por isso ele me convenceu. Em pouco tempo via playlists inteiras e aquela musiquinha inicial já me aquecia o coração. Sou muito grata a Deus também por ter enviado o Padre Paulo para ajudar a mim e a muitos como eu. Nós só amamos verdadeiramente aquilo que conhecemos, então este Padre tem o carisma de alimentar nossa fé através do conhecimento. Muita gente se prende apenas ao plano teórico e continua a ser um descrente com muitas informações. Discutem, se posicionam, mas não amam ou vivem aquilo de que falam. É importante usar o conhecimento como uma poderosa ferramenta vivificadora da fé. Às vezes é preciso ver uma foto para entendermos uma determinada situação, o Padre Paulo nos revela através de “imagens teóricas” aquilo que vemos com pouca definição. Hoje rezo com mais fé porque entendo que isso tem real importância e valor, mesmo com meus limites. Também sinto mais paz e segurança porque esse conhecimento otimizou meu tempo de oração: entendo o que devo temer e o que não, isso muda muito o foco.

Passei cinco meses sem trabalho, e finalmente voltei pra minha casa. Vivi um tipo de retiro espiritual onde eu menos poderia imaginar… Voltei outra, menos ruidosa, mais obediente, estudiosa, centrada, de olho nas necessidades alheias e sobretudo FELIZ! Eu entendi que o Amor é a origem da própria vida, ou seja, é a alma do próprio Deus. O amor humano é sua imagem e semelhança. Felicidade é uma escolha definitiva pelo Amor. E a alegria é a consequência de tudo isso!

Hoje eu consigo trabalhar melhor que antes, viver minha vida e sonhos com a certeza de que Deus sonha e realiza tudo comigo. Ajudo e amparo muitas pessoas com essas coisas que aprendi estudando, sofrendo e rezando. Aprendi o valor da penitência, intercessão, fé e, sobretudo, da obediência.

Pra ser livre é preciso ter regras. Se não as tem você é escravo dos seus sentidos e ignorância. A santa obediência ensina muito aos que buscam a humildade e a ela se submetem. Vejo que muitos dos meus amigos inteligentíssimos não compreendem a Deus porque seus ricos vasos estão sempre cheios, e dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Deus espera que nos esvaziemos de nós mesmos pra poder entrar. Ele não nos invadiria nem para nos salvar. Este é o verdadeiro sentido da liberdade que Ele nos deu.

Uma profunda fé em Deus coloca TUDO em justa perspectiva. Depois que o centro se alinha as coisas tomam seus devidos lugares e proporções.