Nesta última quarta-feira também estive em missão em uma de nossas comunidades rurais. A Comunidade de Khome a 10 km da Vila de Zobué. Um lugar próximo da vila, mas de difícil acesso. Só podemos alcançar a aldeia com moto mediante uma trilha muito difícil tendo atravessar alguns riachos.

Chegamos depois mais de uma hora de trilha pesada, subidas e descidas, pedras, riachos, pontes improvisadas e etc.

Apesar de estar no meio da semana, a participação da comunidade foi bem significativa, visto ser todos camponeses que deixam por alguns momentos as suas roças (aqui chamado de machambas) para rezar na Igreja. Pois, a visita do padre sempre é um momento especial para a comunidade que passa meses sem recebê-lo.

Sempre uma maravilhosa recepção do povo. Eu preenchi a fichas para dos batizandos, rezamos um pouco com o povo antes da Missa e demos início a celebração. Como sempre um lindo coral de camponeses que não deixa nada a desejar aos corais vaticanos. Assim celebramos com muito alegria junto aquele povo. Alí celebraríamos com a comunidade que não recebia uma missa a muito tempo. Aproveitamos para celebrar os batizados das crianças.

Um detalhe daquela capela, comparando com as outras que temos de palha, é que ela está muito bem estruturada, mas seu piso ainda são grandes pedaços de pedras soltas. Nestas pedras o povo se ajoelhavam sem problemas. Uma linda manifestação de fé e reverência a Deus. Visto que muito de nós nem ajoelhamos para não sujar nossas calças. O povo nos dá o exemplo de como deve ser.

Tem gente ai Brasil a fora querendo almofadinha pra ajoelhar rsrs

Concluímos a celebração, almoçamos com o povo, despedimos do povo que estava muito feliz com a festa e seguimos trilha de volta a Vila de Zobué.

 

Aqui todo dia é dia de missão!

 

Forte abraço,

 

Até a próxima

 

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova /Moçambique

GUADALUPE

A Festa de Nossa Senhora de Guadalupe é muito especial para o povo da América Latina. A aparição da Virgem ao índio São Juan Diego e o sinal que ela deixou em seu manto é a expressão de amor universal de mãe que permanece com seus filhos.

Naquele tempo entre os anos 1500 e 1600, a América estava sendo colonizada pelos europeus. Neste contexto, Maria se manifesta como sinal de proteção daquele povo nativo. Assim, como ela visitou Isabel para lhe servir e ser auxílio oportuno; Maria visitou o povo de nosso continente como sinal de proteção e auxílio. E assim, também como João Batista vibrou no ventre de Isabel com a visita de Maria que trazia Jesus em seu ventre; também nós povo latino americano vibramos até hoje por esta visita da Mãe de Deus.

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Manto original na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe no México

O Concílio Vaticano II nos apresenta Maria como modelo da Igreja (Cf. LG 63). Assim como a Igreja é mãe para todos os povos; também Maria é Mãe de todos os povos do mundo, a aparição de Guadalupe nos manifesta esta verdade, mãe de todas as gentes.

Que pelo sinal de Guadalupe, Maria seja sempre proteção para o povo sofrido da América Latina.

Nossa Senhora de Guadalupe rogai por nós!

Ademir Costa 

Seminarista da Comunidade Canção Nova

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O Papa Francisco tem manifestado o desejo de uma Igreja missionária, que saia das sacristias e que detenha especial atenção àqueles que sobrevive nas “periferias” do mundo e da sociedade humana. Seu pensamento nos conduz a esta cultura do encontro.
Nos mês de julho tive a oportunidade, junto com os meus irmãos seminaristas, de ficar 11 dias em missão na cidade de Lorena. Missão como os primeiros discípulos de Jesus, batendo porta a porta, proclamando o Evangelho e rezando pelas famílias.
E que beleza foi o acolhimento do povo de Deus, inclusive de evangélicos e pessoas de outras denominações religiosas que abriram-nos as portas. Evangelização sem proselitismo, simplesmente anunciar Jesus Cristo e rezar pelas necessidades das pessoas.
Foi uma experiência inesquecível, fomos as periferias existenciais, visitamos asilos, hospitais…

Ao fim de onze dias, posso dizer que a experiência missionária foi um momento especial de alargar o meu ser missionário. Foi um tempo de enfrentar desafios e superar limitações; saber que em Deus posso ir além do cansaço físico; perceber que a missão não é possível sem a dimensão espiritual; a importância de não fazer proselitismo, e aprender a dialogar e rezar com o diferente; contemplar a beleza da Divina Providência que cuida de tudo e nos conduz para onde de Deus quer.

Saímos das “sacristias” e fomos ao encontro do povo de Deus. Um tempo inesquecível!

Forte abraço!

Ademir Costa

Seminarista Comunidade Canção Nova

 

 

Capela do meu Pentecostes

O meu Pentecostes aconteceu em 04 de julho de 1996, nesta capela na Casa de Retiro Siloé em Vinhedo com a Comunidade Jesus te Ama de Campinas.

Sempre fui católico, mas tinha retomado minha caminhada com a Igreja a um ano e meio. Deus vinha me catequizando na Renovação Carismática. Apesar de participar de uma Paróquia aberta a RCC, não tinha vivido a experiência de Batismo no Espírito. Depois de meu encontro pessoal, que havia acontecido meses antes, comecei a frequentar mais assiduamente o grupo de oração. Neste tempo recebi o convite de fazer este retiro em Vinhedo.

Fui para lá na sexta-feira. O Encontro já começou com uma pregação falando da pessoa do Espírito Santo, e logo depois um momento de Batismo no Espírito. Naquele momento me dirigi a um casal de idosos. Eles me perguntaram se já orava em línguas. Falei que não, mas queria muito isto. Eles simplesmente colocaram as mãos sobre mim e começaram a orar. Naquele instante, começou a “queimar” meu interior – um calor sobrenatural -, como que subia um fogo dentro de mim, comecei a orar em línguas. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível.

pentecostes

Naquele retiro Deus fez uma obra estupenda em mim. Tive uma experiência viva com Deus que tocou minha alma. Esta experiência mudou minha vida. Pois, saindo daquele tinha a firme convicção de entregar toda minha vida por esse Deus vivo que agiu em meu ser.

Hoje entrego toda minha vida pela evangelização na Canção Nova, consequência daquele Pentecostes que aconteceu na minha vida.

O meu Batismo no Espírito é âncora para minha vocação. Eu experimentei o Deus vivo. Aleluia.

Forte abraço!

Até a próxima,

Ademir Costa

Seminarista da Comunidade Canção Nova

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“A consciência laxa ou relaxada é a que levianamente julga não incorrer em pecado ou incorrer em falta leve quando na realidade comete falta grave.” (Dom Estevão Bettencourt)

Uma consciência Laxa é consequência de uma vida contaminada pelo relativismo e arrastada pelo secularismo. As pessoas que ainda não conheceram Jesus, estão na ignorância. Porém nós não estamos na ignorância. Nós conhecemos Jesus Cristo, tivemos um ”encontro pessoal” com Ele. Portanto, o laxismo que um católico praticante vive é consciente.

Isto é um grande perigo para nossa vida, pois estamos colocando em risco nossa salvação. Muitos deixaram sua fé ser minada pelo secularismo e pelo relativismo e agora vivem uma fé morna.

Podemos também viver um laxismo farisaico; enganar as pessoas colocando ”máscaras” naquilo que somos e vivemos, fingindo ser santo(a), mas em verdade é um(a) hipócrita. Esquece que nada escapa aos olhos de Deus. Uma fé morna de aparências que leva a pessoa para o inferno.

Sabemos que Deus é misericórdia. Mas a misericórdia só age em nossa vida, quando a deixamos agir. A pessoa laxa dirá: “no dia do julgamento: Senhor! Preguei, curei, libertei, cantei…” E o Senhor lhe responderá: Não te conheço, infiel!

Clamo ao Espírito Santo que me purifique de toda contaminação do relativismo e me conceda forças para não ser arrastado pelo secularismo do mundo vivendo com uma consciência laxa que leva para o inferno.

Senhor tende piedade e dai-me sua Graça!

Ademir Costa

 Seminarista da Comunidade Canção Nova

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A quaresma é um tempo oportuno para ter um profundo encontro com Deus. Por isso, o motivo de fazer silêncio e recolhimento interior.

O silenciar os barulhos exteriores ajuda-nos a ouvir o Senhor que habita em nossa alma. As penitências, Abstinências e jejuns nos ajudam a mergulham nesta dimensão espiritual da quaresma. Isto cria um ambiente propício para este encontro pessoal.

Neste tempo, eu procuro silenciar minha alma exteriormente e interiormente. Um exemplo é que procuro fazer uma “penitência digital”, limitando o uso das Redes Sociais. Faço como penitência, mas também como uma maneira de silenciar meu coração mediante algo que gosto muito, para assim dispor de mais tempo para estar com o Senhor.

Este encontro pessoal nos impulsiona a uma conversão interior que nos conduz a caridade. Uma quaresma bem vivida transforma-se me atos de misericórdia. Tira-nos do comodismo para ir ao encontro de Jesus Cristo que está nos mais necessitados.

Por fim, precisamos aprender que a esmola, o jejum e a oração não nos levam para tristeza, mas para alegria interior do encontro pessoal com Cristo. Por isso, não devemos viver a quaresma na tristeza, mas em um silêncio fecundo da alma que conduz a verdadeira alegria do encontro com Cristo nosso Senhor do qual temos o ápice na Semana Santa – Paixão, Morte e Ressurreição.

“Quaresma não é tempo de tristeza, mas é tempo de encontro com Deus!”

Um forte abraço a todos e uma Quaresma fecunda!

@ademircn

Seminarista da Comunidade Canção Nova

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Meus irmãos e amigos paz e bem!

Penso que entre nós católicos existe uma unanimidade: Nossa Senhora é nossa mãe!

Por isso, como fazemos com nossa mãe terrena, façamos com nossa mãe do Céu. Peçamos sempre sua ajuda e socorro em todas as nossas lutas e dificuldades do dia-a-dia.

Devemos se fazer criança e pedir o colo da mãe para que recebamos consolo e alí possamos descansar um pouquinho diante de tantas lutas e sofrimentos que vivemos em nossa vida.

“Nossa Senhora está sempre ao nosso lado, sobretudo quando o peso da vida se faz sentir com todos os seus problemas.” (Papa Francisco, Twitter 24/02/2014)

Ela nunca toma o lugar de Deus, mas sempre nos leva para Deus; nos conduz para junto de seu Filho no qual recebemos a força para continuar com alegria nossa peregrinação terrena.

Desculpem meus irmãos evangélicos, mas quanto a Nossa Senhora não existe diálogo. Falem o que quiser, Ela é a Mãe de Deus e nossa. Ou melhor: pode até falar mal de mim, mas não fale de minha Mãe!

Meus amigos, coloquemo-nos sempre no colo de Nossa Senhora, coloquemos os pesos desta vida que faz-nos, por vezes, em pensar em desistir de tudo. Ela sempre está e estará ao nosso lado para nos levar a Jesus Cristo.

Em minhas lutas, eu sempre chamo pela Mãe!

Forte abraço,

Até a próxima!

@ademircn

 

Linguona

A palavras do Papa Francisco são tão simples e mansas, mas sou sincero em dizer: “quebram as minhas pernas!”. Cada vez que o ouço ou leio os seus textos, vejo o quanto preciso de conversão. A última foi ontem na reflexão antes da oração dos Ângelus, quando falou do mal que a fofoca faz:

“…as fofocas podem matar, porque matam a fama das pessoas! É tão bruto fofocar! No começo pode parecer uma coisa agradável, até divertida, como chupar uma bala. Mas no fim enche o coração de amargura e envenena também nós.”

Como isto é verdade! Falo por mim! Parece que muitas vezes minha língua “coça” para falar mal dos irmãos. Como isto me faz mal! Como preciso de conversão!

Penso que mais que lamentar-me, preciso ter uma atitude prática de conversão: Vigiar e cortar as fofocas de minha vida! Ver os irmãos a partir do seu positivo; e não a partir do negativo, das suas fraquezas e pecados.

“Digo-vos a verdade, estou convencido de que se cada um de nós fizesse o propósito de evitar as fofocas, no fim se tornaria santo!”

Papa Francisco: Eu quero ser santo! Vou lutar para tirar este “veneno” de minha vida. Por isso peço a ajuda do Espírito Santo para vencer este mal da fofoca.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa

Seminarista Comunidade Canção Nova

aguia

Meus amigos, pedia ao Senhor uma direção para uma renovação espiritual para este ano. E encontrei a beleza da história da Águia que exponho abaixo.

“A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta.O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil! Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer… ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja próximo a um paredão.Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno.Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas.Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, “renascida”, sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.”

Todos nós em algum momento de nossa vida precisamos passar por essa dolorosa renovação e retomada. Quebrar o bico do secularismo que impregnou nossa vida com coisas que não pertencem ao Reino. Arrancar as unhas do Relativismo que faz-nos diminuir as verdades divinas para viver vivermos as nossas mentiras como fossem verdades. Arrancar as velhas penas do laxismo que nos faz viver uma fé de aparência, uma vida dúbia e mundana.

Precisamos todos passar por uma renovação dolorosa de vida para ser como águia, para erguer vôo como águia, buscando as coisas do Alto.

Eu quero ser Águia renovada para dar muitos frutos para Igreja de Cristo!

Forte abraço,

Até a próxima!

@ademircn

O-Espírito-e-a-Igreja

“O nosso tempo, com uma humanidade em movimento e insatisfeita, exige um renovado impulso na atividade missionária da Igreja. Os horizontes e as possibilidades da missão alargam-se, e é-nos pedida, a nós cristãos, a coragem apostólica, apoiada sobre a confiança no Espírito. Ele é o protagonista da missão!” (João Paulo II, Redemptoris Missio, 30)

Neste processo de Nova Evangelização não podemos perder a noção que o Espírito Santo é o verdadeiro protagonista no anuncio de Jesus Cristo. O Espírito que guia a Igreja nos alerta pelos papas: “É urgente preparar evangelizadores competentes e santos; é necessário que não enfraqueça o fervor nos apóstolos, especialmente para a missão ‘ad gentes’.” (Papa João Paulo, Mensagem Dia Mundial Das Missões 2003)

Este fervor dos Apóstolos precisa ser renovado para nossa missão, fervor que não provêm de nossas virtudes e capacidades humanas. Esta ousadia sempre é provinda do Espírito Santo. Vejamos a pessoa de Paulo, como foi instrumento eficaz para evangelização, como Deus potencializou as suas virtudes e capacidades humanas pela graça do Espírito. Tudo isso para percebermos que aquele que nos guia na nossa missão cotidiana é o Espírito Santo.

Mas é necessário sair dos comodismos e escutar a voz do Espírito, pois somos os missionários da Igreja contemporânea, sejamos íntimos d’Ele na missão da Igreja. “A Igreja deve hoje enfrentar outros desafios, lançando-se para novas fronteiras, quer na primeira missão ad gentes, quer na nova evangelização dos povos que já receberam o anúncio de Cristo: A todos os cristãos, às Igrejas particulares e à Igreja universal, pede-se a mesma coragem que moveu os missionários do passado, a mesma disponibilidade para escutar a voz do Espírito.” (João Paulo II, Redemptoris Missio, 30)

Precisamos clamar a Efusão do Espírito Santo para anunciar o Evangelho com a mesma coragem que moveu e move os missionários até os confins do mundo. Assim seja!

 

Forte abraço,

 

Até a próxima!

 

Ademir Costa

Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.” (Lc. 9,28-29)

A manifestação da glória da Deus era reservada a poucos escolhidos, como é constatado em todo Antigo Testamento. Na pessoa dos três discípulos na transfiguração, Jesus Cristo abriu-nos acesso para todos subirmos esta montanha e ter este encontro com a glória de Deus no cume de nossa oração.

Na Transfiguração, Jesus não é um “novo Moisés ou Elias”, mas revela-se como a própria Glória do Pai que Moisés e Elias contemplaram no passado e agora todos temos acesso na sua pessoa. Nesta passagem, o evangelista São Lucas quis nos deixar esta verdade do Cristo orante e transfigurado que nos abre acesso ao Céu na intimidade de nossa vida de oração.

Não podemos deixar de subir esta montanha, que é nossa vida de oração, e contemplar a Glória de Deus. Glória esta que por excelência se revela na Santa Missa pela Sagrada Eucaristia, na qual contemplamos essa face transfigurada de Jesus Cristo.

Preciso todos os dias subir a “montanha” por minha vida de oração e contemplar a face transfigurada de Jesus Cristo.

Forte abraço,

Até a próxima!


Ademir Costa

Fazendo o estudo do profeta Ezequiel um versículo me chamou muita atenção:

“Filho do Homem, alimenta teu ventre e sacia tuas entranhas com este rolo que te dou…” (Ez. 3,3)

Penso que a missão do homem de Deus deve se espelhar na missão do profeta Ezequiel. Pois, devemos nos “alimentar” da Palavra de Deus ao ponto de estar repleto. Ser cheio da Palavra até transbordar como profecia esta verdade do nosso interior. O estar repleto da Palavra não significa somente conhecê-la intelectualmente, mas principalmente vive-la.

O meu testemunho revelará se a minha vida está cheia da Palavra de Deus, do Verbo Encarnado, ou se trago somente letras, palavras e literaturas na consciência. A Palavra precisa se encarnar em minha vida. Preciso ser um homem repleto da Palavra de Deus como foi Ezequiel para anunciar a verdade nas realidades de nosso tempo.

Que seguindo o exemplo do profeta Ezequiel, eu possa me alimentar e saciar-me da Palavra de Deus, de modo que ela transborde pelo meu testemunho de vida.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa

Na Igreja, a religiosidade popular é um alimento fecundo para nossa fé. Neste fim de semana vimos duas grandes manifestações de fé popular no Brasil: A festa de Nossa Senhora Aparecida e o Círio de Nazaré em Belém.

O culto aos santos, com as diversas religiosidades e devoções populares é muito salutar para a fé da Igreja. Hoje é algo quase indispensável e inseparável da espiritualidade do povo e das comunidades eclesiais. Por isso, não podemos ferir estas manifestações religiosas culturais de nosso povo.

Mas tem de se purificar as atitudes, que por vezes, levam a uma compreensão errada do culto aos santos, conduzindo a sincretismos, superstições, uma atribuição de “poderes mágicos” aos santos entre outras práticas.

Precisamos buscar uma justa medida nesta conscientização para corrigir erros e abusos mediante uma boa catequese. Pois, não se pode deixar o fiel viver erroneamente suas práticas religiosas. Mas também não podemos ser agressivos a fé do povo e a sua relação com a Igreja pelo culto dos santos.

É preciso bom senso, devemos conscientizar o nosso povo sem esvaziar ou ferir a sua religiosidade. Porque a piedade popular alimenta nossa fé.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa

Hoje a Igreja celebra Santa Teresa D’Ávila, que viveu no século XVI (1500 D.C), foi responsável pela Reforma na Ordem das Carmelitas. Esta santa fez uma verdadeira revolução espiritual na sua época, deixou várias obras como o “Caminho da Perfeição”, “A Vida”. Mas uma obra que marcou muito minha vida foi o “Castelo Interior ou Moradas” que conta a dimensão de nossa vida interior e o processo de crescimento que devemos seguir em nossa caminhada espiritual como filhos de Deus.

O livro Castelo ou Moradas Interiores leva-nos olhar para o nosso interior como um castelo do qual vamos entrando cômodo por cômodo. Ao todo são sete moradas até chegar no centro deste “castelo” onde habita o Senhor Todo Poderoso.

Este é um processo lento nos quais nos defrontaremos com um longo e intenso caminho de ascese, nas quais existirão muitas lutas, tentações, quedas, vitórias e etc. A Santa levou toda a vida para alcançar a Sétima Morada de sua alma.

Este livro marcou minha espiritualidade. Hoje o tenho como um guia da alma, com ele faço um Raio X do meu interior. Vejo como estou, em que passo está minha alma, se tenho evoluído ou regredido no meu caminho com Deus.

É um processo de espiritualidade interior que não se separa da vida exterior, pois tudo o que vivemos em nossa alma transborda para nossa vida terrena, não tem como separar corpo e alma. O nosso amadurecimento espiritual implicará no nosso processo de amadurecimento humano.

Desta maneira, Santa Teresa é uma intercessora que me ajuda a dar passos a entrar “morada por morada” com muita luta para um dia chegar ao encontro supremo como o Deus que habita minha alma.

Sei que estou muito longe da “sétima morada” onde está o Trono de Deus em minha alma. Mas quero crescer em minha espiritualidade, e ser um grande homem de Deus na minha espiritualidade pela intercessão desta grande santa e doutora da Igreja.

Santa Teresa D’Ávila rogai por nós!

Forte abraço,

@ademircn

Depois de fazer esta linda experiência de alcançar o cume e contemplar Deus na beleza da criação, é preciso descer da montanha. O meu lugar é o Céu, mas ainda habito este mundo terreno.

Não podíamos descer muito tarde para não anoitecer. Foram mais três horas e meia de descida. A história que “para baixo todo santo ajuda”, não tem nada de verdade em uma descida de uma montanha de mais de 2400 metros.

Saímos do Pico às 13h00. A descida exigiu muito esforço físico, muito cuidado para não escorregar e cair nas pedras. Exigiu muito dos braços, das costas, das pernas e principalmente dos joelhos. Resumindo: “Já estávamos cansados da subida, imagine como estávamos na descida”.

Chegamos a base às 16h30. Missão cumprida, sonho realizado, muitas histórias para partilhar, muitas lições que levarei para minha vida espiritual das quais algumas partilho aqui:

  • É preciso seguir as sinalizações, nunca sair da trilha: Em todo o caminho existem referências chamadas “totens” que conduz a pessoa ao cume por um caminho seguro. Por isso, é importante nunca sair da trilha. Sempre existirá a tentação da auto-suficiência humana de seguir o próprio caminho: “Vimos pessoas subindo pelo caminho errado, não seguindo os “totens”, provavelmente estes não chegaram ao cume”. A lição: Eu preciso ter referências e nunca sair da trilha que a Igreja vem traçando a dois mil anos, caminho seguro que me levará ao Cume.
  • Saber onde pisar para não contundir-se. Sempre em nossa vida devemos saber onde estamos pisamos para cair nos erros da vida que nos machucam e pode fazer-nos desistir da caminhada.
  • Caminho lindo, mas difícil: A escalada – subida e descida – é linda e extasiante, mas não é fácil. É um longo caminho, cheio de pedras, barreiras, muitas escaladas, alguns escorregões e quedas. Assim é minha caminhada humana e espiritual rumo ao Céu. Sempre cheio de obstáculos, lutas, escorregões e quedas. Mas um constante erguer-se e seguir em frente.
  • Ascese: Exigiu-se muito esforço físico, foi necessário ter um bom condicionamento físico para aguentar as subidas e descidas. Assim, também acontece com minha espiritualidade, necessito de muita “ascese espiritual” para manter-se firme na caminhada, pois terei altos e baixos na minha humanidade e espiritualidade. Será preciso esforço humano e espiritual para alcançar o Alto. Por isso, treinar e exercitar-se humanamente e espiritualmente para aguentar os “trancos” da vida.
  • Não se alcança o cume sozinho, será preciso a ajuda de um guia (diretor espiritual), a ajuda dos irmãos (vida fraterna), e principalmente da graça de Deus.
  • Se alimentar e se hidratar bem para não passar mal na escalada. A subida exige muito fisicamente e consome muita energia. Por isso, foi importante sempre estar tomando água e comendo algum alimento leve. Mas sem exageros. Assim, também devemos sempre alimentar e hidratar a nossa alma com os Sacramentos e com nossa vida de oração. Sem isso é impossível alcançar o Cume da espiritualidade – o Reino de Deus.
  • O necessário descanso: precisamos parar algumas vezes na subida e na descida para descansar o corpo. Em nossa vida sempre serão necessárias paradas para descanso e retiros – necessidade fisiológica, humana e espiritual. Serão necessárias paradas – dia de descanso, férias, retiros – para com o corpo e alma são alcancemos a meta, a salvação.
  • É preciso descer da montanha: Assim como Moisés, Elias, São Francisco de Assis, nosso Senhor Jesus. Precisamos descer da montanha para manifestar aquilo que Deus falou ao meu coração. Devo, todos os dias, subir a montanha da minha intimidade com Deus. Mas descer para testemunhar e descrever a vivência daquilo que vivi no cume: “Eu vi o Senhor.”

Concluo a partilha desta maravilhosa experiência de vida, agradecendo aos amigos que tiveram comigo neste momento especial: Sargento Nilton, Edilberto, Gilmar, Joaquim, Cícero, Diego, Daniel e Paulo Martins.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa CN