Eu sou fruto do Batismo no Espírito. No ano de 1996, tive minha experiência de efusão no Espírito em retiro na cidade de Vinhedo junto a Comunidade Jesus te Ama de Campinas. Ali minha vida mudou. Encontrei o meu tesouro e decidi-me deixar tudo para ser do Senhor. O meu sacerdócio, a minha missão é fruto do Espírito. Daquele dia em que o Céu tocou minha alma.

Assim, Anseio e rezo para que todo meu povo possa fazer esta mesma experiência com o Espírito Santo que mudou minha vida e despertou minha vocação ao sacerdócio.

Não nego minhas origens: Sou fruto da Renovação Carismática Católica.

 

Fraternalmente,

 

Forte abraço!

 

Até a próxima.

 

 

Momento de um profundo significado histórico para a Igreja de Moçambique e também para a história da pátria, pois depois de 43 anos voltou-se a celebrar-se uma Santa Missa na capela reabilitada do antigo Seminário São João de Brito de Zobué.

Passaram por este seminário os primeiros bispos moçambicanos, muitos padres, muitas figuras públicas de profunda importância para o país e até alguns presidentes da República foram seminaristas neste seminário. Assim, a importância do momento vivido em um lugar tão importante para Moçambique. 

Hoje o Antigo Seminário se encontra em ruínas consequências dos tempos de guerra colonial e do tempo de guerra civil. Logo após a independência do país, muitos prédios particulares e da Igreja foram nacionalizados. O Seminário foi transformado em centro de formação de professores. Mas apenas um ano após a independência começou uma guerra civil que deixou milhões de mortos. A região onde está o antigo seminário de Zóbuè foi uma zona de forte combate, aqueles que estavam no Seminário de Zóbuè – então centro de formação – tiveram que fugir.

Desde desta época o espaço ficou abandonado, sendo devolvido após o acordo de paz entre os dois partidos políticos que promoveram 16 anos de guerra. Depois de devolvido para Diocese pouca coisa se fez pelo espaço que se deteriorou mais ainda com o passar dos anos, ficando em uma completa ruína.

Mas com a chegada do nosso Bispo Dom Diamantino Antunes existe o esforço de resgatar o lugar, se não restaurar tudo, transformar e reabilitar o que for possível para transformar-se em memorial histórico para Igreja de Moçambique.

Assim, com o esforço da Diocese, fiéis católicos de Zóbuè e de benfeitores conseguiu-se limpar todo o terreno e reabilitar a capela. E neste domingo fizemos uma bonita festa para comunidade de Mwezi que volta depois de 43 anos a celebrar em sua capela.

Deus abençoe a todos.

 

Forte abraço!

 

Até a próxima!

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Canção Nova/Moçambique

Nas quartas-feiras fazemos um trabalho de visita para as famílias de nossa paróquia. Cada semana visitamos um núcleo paroquial. A Vila de Zobué, na verdade podemos dizer que é uma cidade que tem pelo menos 30 mil habitantes na área urbana. Um Núcleo Paroquial pode se comparar no Brasil as nossas pequenas comunidades eclesiais localizadas nos bairros das cidades.

Na sede urbana da Vila de Zobué temos cinco núcleos eclesiais – fora as 36 comunidades rurais. Os núcleos visitamos as quartas-feiras.

O Bispo pediu-nos que visitássemos todas as famílias católicas da paróquia de começo na parte urbana. Desta maneira, nós temos ido aos bairros, visitados e rezado pelas famílias, abençoamos as casas e incentivamos as famílias perseverar na fé, como também a catequese dos filhos.

Sempre saímos em procissão com os membros dos núcleos. A Cruz processional a frente, o povo cantando e o padre paramentado com os acólitos atrás. Só a procissão já é um lindo sinal de evangelização na Vila de Zobué, pois podemos saudar e abençoar as pessoas que encontramos pelo caminho, seja católico ou não.

Sempre encerramos a nossa visita com a Santa Missa na capela do núcleo. É continuamente uma experiência que dá um profundo sentido do que é ser “Igreja em Saída”.

Nesta quarta-feira fomos ao Núcleo Santa Cecília, bem próximo a parte urbana, mas já em uma área rural. Visitamos somente algumas casas, pois as distâncias eram enormes e em verdade passamos por três aldeias visitando as casas e abençoando o povo. Terminamos com a Missa que sempre é um sinal que Deus se manifesta na simplicidade. A generosidade e o carinho do povo nos constrangem.  

 

Forte abraço,

 

Até a próxima

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova /Moçambique

Missão em Lizinje, uma das nossas comunidades mais distantes e de mais difícil acesso da paróquia. Esta aldeia está localizada a 75 km da comunidade, porém 36 km segue por estradas extremamente difícil, acessíveis somente com carro grande com tração ou moto.

Eu, Cauany Marcondes, Sr. Sebastião, o jovem Domingos e o motorista Paulo saímos por volta da 6h30 da casa paroquial. Demoramos quase cinco horas e meia de viagem para chegar à comunidade de Santa Teresa de Lizinje.

Passamos por muitos riachos, trilhas de pedras soltas, muita areia, mas tudo valeu a pena, uma natureza exuberante e de um povo maravilhoso.

Depois de mais de cinco horas de estrada. Chegamos a comunidade de Lizinje, com uma calorosa recepção com canto e alegria.

A Cauany se encarregou de educar e cuidar das crianças – algumas crianças pegaram em um lápis pela primeira vez. Eu atendi as confissões. O Sr. Sebastião – animador paroquial – cuidou de preencher as fichas para os Batismos.

Depois começamos a celebração com muita alegria e disposição, apesar do forte calor desta época. Uma linda celebração para este povo que esperava o povo há um ano. Na celebração tivemos 06 batismos e Primeiras Comunhões. Concluímos a celebração, como sempre almoçamos na comunidade: arroz, um refogado de folha de abobora, xima e galinha – comida maravilhosa.

Tivemos que nos despedir do povo já pelas 15h30 para enfrentar o caminho ainda de dia. Mas escureceu cedo por causa das montanhas. Apesar da noite a viagem transcorreu bem e depois de quase 5h chegamos ao Zobué, muito felizes e realizados pela missão cumprida.

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova /Moçambique

Neste sábado saí com a Cauany Marcondes – voluntária salesiana – para fazer missão na região montanhosa de Nkondezi na Aldeia de Chiziro.

Saímos por volta da 7h da manhã com o carro velho que um missionário italiano deixou aqui no Zobué por motivo de obras na paróquia. Seguimos até a Casa Religiosa das Irmãs Mercedárias, 30 km de Zobué, para pegarmos uma irmã e seguir para aldeia. Ao chegar lá encontramos padre Ângelo, salesiano, atual administrador paroquial, que também estava rumo a outra aldeia naquela zona pastoral.

Ali nos alertaram que aquele carro do qual estávamos não chegaria conseguiria chegar a aldeia. Esta aldeia de Chiziro está localizada a uns 15 a 20 km – da boa estrada asfaltada que leva a Ângonia. Portanto, não tão distante como a outra que fomos na semana passada na aldeia de Mutche. Mas o percurso de 20 km até a aldeia é de terra com muitas erosões e grandes pedras a se superar. O padre Ângelo nos cedeu o seu carro, que é maior e em melhores condições, e ele ficou com o nosso “carango”, porque a comunidade da qual iria estava ao lado da estrada de asfalto.

Seguimos para Aldeia, conosco foi ainda uma freira mercedária e os animadores da comunidade. E realmente nos deparemos com a estrada muito ruim, fomos com muito cuidado, pois tivemos que passar por terreno de “Rally” com erosões e com pedras enormes do qual o carro tinha que escalar para seguir a estrada. Depois de mais ou menos uma hora de viagem chegamos a Comunidade Santa Maria Gorete. O povo como sempre é um espetáculo de acolhida, esperando hospitaleiramente para nos saudar com canto e danças de boas vindas.

Apresentamo-nos e saudamos a todos. Mas demoramos ainda um bom tempo para começar a Santa Missa, porque tínhamos Batismos de crianças e adultos e também Matrimônios, assim antes devíamos preencher os livros dos sacramentos. Enquanto isso a Cauany e a freira brincavam e animavam as muitas crianças.

 

Começamos a nossa Santa Missa. As crianças que seriam batizadas e os dois casais apostos em seus lugares. A austera capela feita de galhos e palhas repleta de fiéis e muita gente do lado de fora. Como sempre um grupo Coral que toca o mais profundo da alma, cantando com alma, com o coração. Incrível é que são todos simples camponeses que nunca tiveram aulas de canto nunca frequentaram os mais famosos conservatórios, mas cantam e louvam a Deus de coração. Realmente eles vivem essa frase de Santo Agostinho de que “quem canta reza duas vezes”.

A celebração muito simples, nada de Missa Afro, tudo conforme o Missal Romana, do Sinal da Cruz a benção final, com a aspectos culturais totalmente aprovado pela Conferência e pela Santa Sé. Assim, é claro que o padre esforçou-se para celebrar na língua chewa, louvado seja Deus pelo Concílio Vaticano II, que nos permitiu celebrar na língua nativa. A celebração seguiu por algumas horas com muita alegria junto com os batismos e matrimônios. Concluímos a Missa e ainda ficamos para o almoço – Xima e frango – antes de partimos de volta para casa.

Despedimos do povo e pegamos a mesma estrada ruim para chegar a casa das Irmãs Mercedárias, deixar a freira e os animadores e seguir eu e Cauany para nossa casa no Zobué.

Deixo aqui para vocês mais um pouquinho de nossa ação missionária aos fins de semana em Moçambique.

 

Forte abraço,

 

Até a próxima

 

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova /Moçambique

 

Continuação da partilha da missão em Mutche e Khokwe (parte 2)

Saímos de Mutche nas montanhas e fomos para uma região mais baixa, que lembra o sertão do nordeste do Brasil, para Aldeia de Khokwe. Ainda de moto, mas já a noite e sem enxergar muita coisa, pois o farol da moto era bem fraco, por vezes, alguns “animais não identificáveis” passavam pela estrada a frente da moto. Mas, depois de uma hora e trinta chegamos a Khokwe.

Que coisa linda a uns 500 metros da comunidade o povo já estava nos esperando no escuro, cantando e acolhendo com muita alegria a chegada do padre. Nós celebraríamos somente no domingo de manhã, mas chegamos para dormir na aldeia. Ali jantamos e convivemos com o povo já vindo de várias aldeias na região de Khokwe, alguns me disseram que caminharam mais de três horas. Pelas 21h foram todos dormir. Dormimos todos na terra mesmo em uma esteira. A capela ainda em construção aberta e sem teto, a nossa luz era a lua e a estrela. Nunca dormir tão bem em minha vida.

Acordamos bem cedo para preparativos finais dos Batismos, Matrimônio e Primeiras Comunhões. O povo se vestindo e se ajeitando com aquilo que tinha de melhor. As 8h da manhã começamos a celebração e terminamos ao meio-dia. Tudo muito lindo! Como sempre com muita alegria e bem celebrado pelo povo de Deus.

Depois da Missa confraternizamos com o povo com o almoço, dispensamos o povo no qual muitos caminhariam horas até suas palhotas e também nós pelas 13h da tarde seguimos viagem de retorno a Zobué.

Seguimos mais uma vez de motocicleta, como sempre três na moto, mas agora tinha ainda o ofertório da Missa e o galo que ganhei. No meio do caminho, a motoca não aguentou o tranco e depois de uma hora e meia de viagem avariou.

Por Providência caminhamos somente alguns minutos para encontrar uma aldeia. Ali o nosso animador foi pedir ajuda ao régulo – chefe da aldeia -, depois de alguns longos minutos de negociação, cedeu-nos a sua moto para levar-nos de volta ao rio Nkondezi, mais uma hora de moto dali.

Seguimos até o rio e pegamos a canoa para atravessá-lo de volta. Observação.: O Rio Nkondezi tem crocodilos e hipopótamos, mas graças a Deus não vimos nenhum rsrs…

Subimos até a casa do catequista de Samoa onde deixamos o carango. Pegamos o carro e seguimos de volta a nossa paróquia. Cheguei em casa por volta das 18 horas, estava cansadíssimo, mas muito muito feliz por ter levado Cristo ao povo de Deus. Nada paga a alegria da alma de poder viver e se realizar no Ministério confiado por Deus a mim.

 

“Leva-me aonde os homens necessitem tua Palavra // Necessitem de força de viver // Onde falta a esperança // Onde tudo seja triste simplesmente por não saber de ti.”

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe a todos,

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova em Moçambique

Uma pequena partilha da missão deste fim de semana – visita pastoral as Aldeias de Mutche e Khokwe em Moçambique.

Neste fim de semana fui conhecer e fazer missão em algumas de nossas comunidades mais distantes da paróquia a quase 100 km da nossa sede.

Sai de carro – um carango bem velho e emprestado – no sábado por volta das 5h30 da manhã e segui para pegar no meio do caminho o animador – Sr. Paulo Viagem – que me acompanharia pelas aldeias. Encontrei-o e seguimos viagem.

Chegamos à margem do Rio Nkondezi no povoado de Samoa por volta das 7h30 da manhã. Deixamos o carro na casa de um catequista da aldeia e atravessamos o rio de canoa.

E do outro lado esperaríamos a motocicleta que nos buscaria as 7h30, mas que só apareceu pelas 10h da manhã. Mas, coitado do jovem que veio da Comunidade de Mutche a duas horas e meia de distância.

Subimos os três na motoca e seguimos viagem. As estradas muito ruins, alguns lugares muita areia e outros lugares com muitas pedras soltas, atravessar riachos e um forte calor. Mas tudo vale pela missão…

Por volta de 12h30 – duas horas e meia de viagem – chegamos a Aldeia de Mutche, já numa parte de montanhas muito bonita e completamente isolada. O povo já estava a esperar. Recebeu-nos com muito canto, com muita alegria, com muito amor, só por isso já valeria todo sacrifício da viagem. Este povo estava a mais de um ano sem Missa, mas nunca deixaram de rezar e celebrar a Palavra aos Domingos.

Ali me apresentei aquele povo, pois não me conheciam – tudo traduzido pelo animador, pois só se fala chewa na aldeia. Depois preparamos o povo para receber o sacramento do Batismo. Tomamos “banho” – não tem banheiros, são pequenos cercados de palha -, almoçamos a Xima e celebramos com o povo em sua simples capela de palha, galhos e bambu. Experiência inesquecível.

 

Um detalhe interessante desta comunidade é que as crianças tem muito medo do homem branco. Eu já tinha tido a experiência em outros lugares daqui, mas nesta comunidade era fora do normal. Muitas delas talvez nunca tinha tido esse contato com o branco. Como também as pessoas daqui de Moçambique tem o costume de fazer medo às crianças falando que o mzungo – homem branco – vai levá-los embora para fazer mal.

Celebramos a Santa Missa com muita alegria até quase anoitecer. Como a chuva estava chegando pelas montanhas, despedimo-nos do nosso povo e tivemos que descer rapidamente para outra comunidade a uma hora e trinta de distância.

 

 

No próximo post continuamos a testemunhar nossa aventura missionária… Chegaremos a aldeia de Khokwe! 

 

Mais que cantar é viver a música: “Leva-me onde os homens necessitem tua Palavra. Necessitem de força de viver…”

 

Forte abraço

 

Deus vos abençoe

 

Padre Ademir Costa –

Missionário da Canção Nova/Moçambique

 

 

Queridos amigos paz e bem,

Sou padre Ademir Costa, missionário da Comunidade Canção Nova. Comecei com este blog em 2011 ainda quando era seminarista e estava em meu ano de pastoral em São José dos Campos.

Mas nos últimos anos depois de minha ordenação diaconal e sacerdotal, pelos muitos serviços e compromissos, não consegui mais postar neste canal. Pretendo retomar e movimentar o Blog. Não prometo um diário, mas algo que mostre periodicamente nossa missão com o povo de Deus.

Hoje vivo missão na África em Moçambique, mostrarei para vocês um pouco da realidade do meu dia-a-dia como missionário em terras africanas, como também no possível comentarei outros assuntos ligados a missão, a cultura local e a Igreja.

Salve, salve…

Diário de um Consagrado – O Retorno!

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe a todos

 

Padre Ademir Costa – Missionário Canção Nova/Moçambique

 

Somos convocados a ser uma Igreja em saída e temos como Igreja na América Latina o desafio desta missão continental. Partilho com vocês sobre minha experiência missionária na Ilha do Marajó.

8

 

No meu período de descanso em janeiro, dediquei 14 dias para fazer uma experiência missionária na Ilha do Marajó. Pois sempre me senti tocado pelos apelos de Dom José Luís Azcona pedindo missionários para aquela região. Impulsionado pela minha ordenação diaconal senti que era o momento de fazer a experiência.

Fui acolhido pelos missionários e inserido na Missão Marajó da RCC. Lá não existem estradas, tudo é de barco… E sempre viajando de barco vivenciando a realidade do povo, ou seja, dormindo em redes, comendo suas típicas comidas, vivendo nos seus costumes e cultura local. Enfrentando as marés e tempestades nos grandes rios e baías, presenciando a rotina de vida de um povo simples e muito acolhedor, que vive regido pelas das águas dos grandes rios. Assim, mergulhei na realidade daquele povo.

Cruzei todo o Marajó. Foram 12 horas de Belém à cidade de Breves, onde fiquei três dias. E depois enfrentamos 16 horas de barco de Breves a Macapá, passamos rapidamente por Macapá, e seguimos de lancha por duas horas de Macapá para Afuá, onde permaneci por oito dias.

Fiquei com os missionários da Missão Marajó que fazem um lindo trabalho social nos lugares mais miseráveis de Breves e Afuá, tirando as crianças das ruas e da exploração sexual, educando-as e formando-as com o projeto Anjo da Guarda, no qual atendem mais 200 crianças e suas famílias em cada cidade com escola de artesanato, música, danças, aulas de padaria, reforço escolar, informática, biblioteca, brinquedoteca, dentistas e médicos – quando aparecem voluntários especialistas de outros lugares do Brasil. Também distribuem sopões para o povo que passa fome. Estes missionários, guiados pela Divina Providência, construíram também uma linda Igreja na área mais pobre de Breves, e ainda criaram uma central de tratamento de água para o povo, pois por incrível que pareça, falta água tratada para a população mais pobre. Na cidade de Afuá, construiu-se um lindo e grande espaço de acolhida e formação humana.

Um lindo trabalho de missionários que trabalham sozinhos – quando estive com eles eram apenas três em Breves e dois em Afuá – é perceptível o milagre que acontece através destes servos de Deus que trabalham no silêncio e com a graça de Deus que lhe envia alguns voluntários para fazer o trabalho acontecer.

Vivenciei também uma realidade de Igreja necessitada de missionários. Uma situação muito difícil no qual os poucos padres, além de cuidar de suas paróquias, tem que dar a assistência social e jurídica ao povo que está abandonado pelos poderes públicos. No qual enfrentam profundos desafios de pobrezas e exploração sexual de menores.

No Marajó, cada pároco, além de suas comunidades “urbanas”, possui ainda mais de cem comunidades ribeirinhas para dar assistência pastoral e sacramental. Algumas comunidades estão a seis horas de barco da cidade. Muitas destas comunidades têm a Missa apenas uma vez ao ano, quando o padre passa em visita pastoral. Por exemplo, o Pároco de Afuá, que não tem vigário, fica de dois a três meses nos rios com o barco paroquial para conseguir visitar todas as suas comunidades ribeirinhas. Enquanto isso, os leigos cuidam de toda realidade paroquial.

Visitamos algumas comunidades ribeirinhas, uma experiência inesquecível em tocar em uma realidade de fé genuína de um povo que recebe a Eucaristia poucas vezes ao ano. O seu alimento é a celebração da Palavra aos domingos. Fiquei estabelecido alguns dias em uma comunidade ribeirinha bem distante da cidade. Fui à casa de muitos ribeirinhos sempre com uma pequena canoa motorizada. “Eu que pensei ir evangelizar, fui evangelizado por aquela gente…”. Um povo acolhedor, simples, pobre, humilde e de uma fé muito viva. Eles moram a beira dos rios em casas de madeiras simplíssimas construídas em cima de palafitas, muitas se quer têm portas e janelas, sem energia elétrica. Vivem daquilo que o rio e a mata lhes concede – peixe, camarão, caças, frutas e açaí… Em nenhuma casa que passamos encontramos murmuração e tristeza, mesmo diante de sua pobreza, sofrimentos e enfermidades, demonstravam alegria e um coração agradecido a Deus “por tudo que tinham”. E não tinham quase nada… Meu Deus, que tapa na minha cara! Deus falou comigo através daquele povo…

Foram 14 dias de encontro pessoal com Jesus Cristo nas águas do Marajó. Deus me converteu, tirou-me do comodismo, lapidou minha pobreza, mexeu com meu ministério…  Ainda estou ruminado tudo o que vivi… Testemunho aqui que fiz uma das maiores experiências de minha vida. As palavras não conseguem descrever toda realidade da Igreja no Marajó. É preciso ir e ver para acreditar!

De minha parte eu só posso dizer que: “Eu vi o Senhor na Ilha de Marajó. Eu que pensei ir evangelizar fui evangelizado por aquela gente simples e pobre, mas cheia de Deus…”.

 Obs.: Com a graça de Deus retorno para lá depois de minha ordenação sacerdotal para celebrar minhas primeiras missas com este povo tão generoso e acolhedor.

 

Diácono Ademir Costa

Comunidade Canção Nova

IMG-20151221-WA0086

… que ele cresça, e eu diminua.”  (Jo 3, 30)

 

Estas palavras de João Batista no Evangelho de João marcaram minha vocação. A minha vocação é consequência da experiência de Batismo no Espírito Santo. Recordo-me que voltando daquela experiência de oração no ano de 1996, desejava deixar tudo e doar a vida para Deus pela evangelização como sacerdote.

Ainda naquele primeiro fervor, lembro-me que refletia sobre o serviço de Deus e a humildade, pensava em ser como “tapete” para os irmãos para que a Obra de Deus acontecesse nas suas vidas, e muitos pudessem fazer a mesma experiência que fiz. Neste tempo, rezei muitas vezes com esta passagem, … que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3, 30). Eu tinha uma enorme gana de servir ao Senhor. Desejava trabalhar para de Deus na Igreja, mas de maneira que somente Jesus aparecesse. Nunca usando do serviço de Deus para minha exaltação pessoal e autopromoção.

E foi o que aconteceu, durante três anos, meu serviço foi nos bastidores, tinha uma profunda vida de intimidade com Deus. No serviço da Igreja, ficava na Capela do Santíssimo, como um simples intercessor dos grupos de jovens e nas experiências de oração da paróquia. Ele crescia em minha vida e vocação e eu diminuía. Sabia que tudo provinha d’Ele em minha vida.

Neste tempo, o fogo vocacional permaneceu vivo. Porém, a voz de Deus pedia para esperar passar a empolgação inicial para dar passos. Depois de três anos, resolvi dar passos concretos no meu chamado. Conheci a Canção Nova neste período inicial de caminhada, encantei-me pela obra, pela espiritualidade e forma de vida missionária, e ainda como a possibilidade de ser padre dentro da comunidade.

No ano 2000, fui chamado para fazer os encontros vocacionais. Mas, recebi já no segundo encontro uma resposta negativa para minha vocação na comunidade. Tive um sentimento de recusa de Deus. Tive um sentimento de inutilidade vocacional. “Briguei” com Deus, mas permaneci fiel… Porém, ainda continuou viva uma brasa vocação a fumegar em meu coração. Ela permaneceu viva pela graça de Deus por 4 anos. Neste tempo, continuei servindo a Deus em minha paróquia. Foi um longo tempo de deserto interior.

No ano de 2004, Deus me tirou deste deserto e devolveu-me a esperança vocacional. Consegui, por graça divina, retomar o caminho vocacional com a Canção Nova. Sempre trazendo para a minha vocação as palavras de João Batista: “… que ele cresça e eu diminua”.  Depois de dois anos de vocacional, com muitas provações, ingressei na comunidade em 2007.

Entrando na comunidade Canção Nova esta passagem sempre me acompanhou, foi como uma bússola para minha vocação. Quando o orgulho humano tentava se sobressair em mim, as correções de Deus vinham forte sobre minha vocação, sempre acompanhada por esta passagem do Evangelho de João.

Por isso, escolhi como lema do meu diaconato esta passagem: …que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3,30). Alguns comentaristas bíblicos falam que com estas palavras João Batista desaparece dos Evangelhos. Rezo a Deus e peço a graça de que isto também aconteça comigo, que eu desapareça e somente Jesus apareça por meu ministério. Amém!

 

Diácono Ademir Costa 

PhotoGrid_1401214486164

O Papa Paulo VI foi o primeiro Papa depois de muitos séculos a ir em peregrinação para Terra Santa. Um viagem de oração e encontro fraterno com o Patriarca Ortodoxo Atenagoras e com o povo judeu. A partir de então, os papas seguintes seguiram o mesmo caminho. Isto é um lindo sinal, pois mostra a continuidade existente na sucessão papal.

Um outro grande sinal, é a oração dos papas junto aos muros da lamentações. O muro das lamentações foi a única parte que restou do Templo. É portanto, o maior símbolo existente do judaísmo. Os Papas rezaram e deixaram estes bilhetes de intenções junto ao muro como este sinal de oração na busca da unidade pelo Diálogo interreligioso. O muro tem também um grande significado para nós, pois as origens do cristianismo deu-se no judaísmo com Nosso Senhor Jesus Cristo que foi judeu.

Como católicos precisamos ter esta consciência da hermenêutica da continuidade tanto ensinada por Bento XVI e na qual alguns ainda insistem em não compreender.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa

FRANCESCO_001

A um ano atrás subia a fumaça branca da Capela Sistina: “Habemus Papam!”.

Em meios a tantas especulações de quem seria o novo papa, veio uma grande surpresa: Giorgio Mario Bergoglio! Com o nome de Francisco!

Mas quem era este Cardeal? Poucos sabiam que era um argentino. Um cardeal até então pouco conhecido no mundo.

Mas quando apareceu na bancada da Basílica de São Pedro, já se viu a grande simplicidade de se apresentar com uma veste muito simples. E ainda, a suas palavras simples e pessoal, como a humildade de pedir oração ao povo de Deus. Já conquistou nossos corações.

Começava o pontificado do Papa Francisco, que surpreendeu o mundo trazendo uma dimensão mais pastoral e humana para Igreja. Com certeza o Espírito suscita um papa para necessidade de cada tempo. Foi o mesmo grito de Deus de 800 anos atrás: “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja”.

Este papa que fala muitas coisas que não ficam somente na mente, mas vai ao coração, como quando diz da Cultura do Encontro, de lutar contra a cultura do descartável, de ir contra a corrente, de ser um pastor com o cheiro das ovelhas.

Este Papa nos incomoda! Sou sincero com todos vocês em dizer que o pontificado do Papa Francisco tem sido um grito em minha alma de seminarista, um tempo de conversão para mim. Não posso ficar no comodismo, tenho que sair de mim para ir ao outro.

O Papa Bento XVI disse de sua alegria sobre o pontificado do Papa Francisco: “Estou muito contente com a minha renúncia, porque Deus preparou, depois de mim, um fenômeno”.

 

Realmente o Papa Francisco é um fenômeno, por sua humildade e simplicidade. Neste dia em seu twitter pediu apenas uma coisa: “rezai por mim!”

 

Façamos isto! Rezemos por nosso Santo Padre!

 

 

Forte abraço!

 

 

Até a próxima,

 

 

Ademir Costa

 

Meus irmãos, não podemos dispensar o auxílio e a companhia dos santos . Alguns “poucos” não aceitam esta companhia, até mesmo nos julgando “idolatras”. Bom, isto é problemas deles. Porque eu confio e peço o auxílio e a intercessão dos santos, algo que nos é ensinado pela Tradição da Igreja a milênios.

Digo isto porque alguns católicos estão perdendo sua devoção pelos santos, talvez influenciados por doutrinas “não católicas”.  Irmãos, nossa Igreja tem mais de dois mil anos, não começou por “falsos profetismos humano”, quem começou nossa Igreja foi Jesus Cristo. Ela nos ensina a importância da Comunhão dos Santos.

A intercessão dos santos. «Os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade […]. Eles não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo […]. A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna» (CIC n. 956)

Sou peregrino, passo por muitas  lutas e dificuldades na caminhada nesta vida terrena. Os santos são amigos que me ajudam a caminhar nos passos do Senhor. Eles intercedem por mim junto a Deus.

Creio na Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na Ressurreição da Carne, na Vida Eterna. Amém…

Todos os Santos do Céu rogai por nós!

Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...

Algumas pessoas deixam a Igreja, por frustações com padres, pastorais, movimentos, pessoas e etc. Não podemos negar que as pessoas falham, pecam, caem, frusta-nos. Mas devemos ter no coração que a Igreja é santa, porém composta por homens fracos e pecadores. Você e eu somos pecadores.

Podemos até nos afastar das pessoas que nos machucam, mas nunca nos separar da Igreja do Senhor.  Devemos permanecer inabaláveis a nossa fé, não estamos na Igreja atrás pessoas, mas de Deus.

Quem fundou nossa Igreja não foi homens, foi o próprio Jesus Cristo.

Se você está distante, confira este vídeo:

No meio do rebanho do Senhor existem lobos disfarçados de ovelhas. Aqui aparece a importância do papel do Pastor. Por maior que seja o rebanho, o pastor deve tratar de maneira individual as suas ovelhas, de maneira a arrancar do meio do rebanho, estes lobos malditos que estão disfarçados para roubar as ovelhas.

Aquele que tem o papel de pastorear o rebanho da Igreja é o Bispo. Com o seu cajado – o báculo – tem o papel de cuidar o povo de Deus, e tirar do meio da Igreja aqueles que tentam o contaminar a mente das pessoas com ideologias e modas mundanas, tentam usurpar a fé de seus filhos.

Devemos rezar muito por nossos bispos, porque o rebanho é muito grande, poucos são os operários para lhe prestar auxílio neste difícil trabalho de pastorear o rebanho do Senhor por um caminho seguro.