Neste sábado saí com a Cauany Marcondes – voluntária salesiana – para fazer missão na região montanhosa de Nkondezi na Aldeia de Chiziro.

Saímos por volta da 7h da manhã com o carro velho que um missionário italiano deixou aqui no Zobué por motivo de obras na paróquia. Seguimos até a Casa Religiosa das Irmãs Mercedárias, 30 km de Zobué, para pegarmos uma irmã e seguir para aldeia. Ao chegar lá encontramos padre Ângelo, salesiano, atual administrador paroquial, que também estava rumo a outra aldeia naquela zona pastoral.

Ali nos alertaram que aquele carro do qual estávamos não chegaria conseguiria chegar a aldeia. Esta aldeia de Chiziro está localizada a uns 15 a 20 km – da boa estrada asfaltada que leva a Ângonia. Portanto, não tão distante como a outra que fomos na semana passada na aldeia de Mutche. Mas o percurso de 20 km até a aldeia é de terra com muitas erosões e grandes pedras a se superar. O padre Ângelo nos cedeu o seu carro, que é maior e em melhores condições, e ele ficou com o nosso “carango”, porque a comunidade da qual iria estava ao lado da estrada de asfalto.

Seguimos para Aldeia, conosco foi ainda uma freira mercedária e os animadores da comunidade. E realmente nos deparemos com a estrada muito ruim, fomos com muito cuidado, pois tivemos que passar por terreno de “Rally” com erosões e com pedras enormes do qual o carro tinha que escalar para seguir a estrada. Depois de mais ou menos uma hora de viagem chegamos a Comunidade Santa Maria Gorete. O povo como sempre é um espetáculo de acolhida, esperando hospitaleiramente para nos saudar com canto e danças de boas vindas.

Apresentamo-nos e saudamos a todos. Mas demoramos ainda um bom tempo para começar a Santa Missa, porque tínhamos Batismos de crianças e adultos e também Matrimônios, assim antes devíamos preencher os livros dos sacramentos. Enquanto isso a Cauany e a freira brincavam e animavam as muitas crianças.

 

Começamos a nossa Santa Missa. As crianças que seriam batizadas e os dois casais apostos em seus lugares. A austera capela feita de galhos e palhas repleta de fiéis e muita gente do lado de fora. Como sempre um grupo Coral que toca o mais profundo da alma, cantando com alma, com o coração. Incrível é que são todos simples camponeses que nunca tiveram aulas de canto nunca frequentaram os mais famosos conservatórios, mas cantam e louvam a Deus de coração. Realmente eles vivem essa frase de Santo Agostinho de que “quem canta reza duas vezes”.

A celebração muito simples, nada de Missa Afro, tudo conforme o Missal Romana, do Sinal da Cruz a benção final, com a aspectos culturais totalmente aprovado pela Conferência e pela Santa Sé. Assim, é claro que o padre esforçou-se para celebrar na língua chewa, louvado seja Deus pelo Concílio Vaticano II, que nos permitiu celebrar na língua nativa. A celebração seguiu por algumas horas com muita alegria junto com os batismos e matrimônios. Concluímos a Missa e ainda ficamos para o almoço – Xima e frango – antes de partimos de volta para casa.

Despedimos do povo e pegamos a mesma estrada ruim para chegar a casa das Irmãs Mercedárias, deixar a freira e os animadores e seguir eu e Cauany para nossa casa no Zobué.

Deixo aqui para vocês mais um pouquinho de nossa ação missionária aos fins de semana em Moçambique.

 

Forte abraço,

 

Até a próxima

 

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova /Moçambique

 

Continuação da partilha da missão em Mutche e Khokwe (parte 2)

Saímos de Mutche nas montanhas e fomos para uma região mais baixa, que lembra o sertão do nordeste do Brasil, para Aldeia de Khokwe. Ainda de moto, mas já a noite e sem enxergar muita coisa, pois o farol da moto era bem fraco, por vezes, alguns “animais não identificáveis” passavam pela estrada a frente da moto. Mas, depois de uma hora e trinta chegamos a Khokwe.

Que coisa linda a uns 500 metros da comunidade o povo já estava nos esperando no escuro, cantando e acolhendo com muita alegria a chegada do padre. Nós celebraríamos somente no domingo de manhã, mas chegamos para dormir na aldeia. Ali jantamos e convivemos com o povo já vindo de várias aldeias na região de Khokwe, alguns me disseram que caminharam mais de três horas. Pelas 21h foram todos dormir. Dormimos todos na terra mesmo em uma esteira. A capela ainda em construção aberta e sem teto, a nossa luz era a lua e a estrela. Nunca dormir tão bem em minha vida.

Acordamos bem cedo para preparativos finais dos Batismos, Matrimônio e Primeiras Comunhões. O povo se vestindo e se ajeitando com aquilo que tinha de melhor. As 8h da manhã começamos a celebração e terminamos ao meio-dia. Tudo muito lindo! Como sempre com muita alegria e bem celebrado pelo povo de Deus.

Depois da Missa confraternizamos com o povo com o almoço, dispensamos o povo no qual muitos caminhariam horas até suas palhotas e também nós pelas 13h da tarde seguimos viagem de retorno a Zobué.

Seguimos mais uma vez de motocicleta, como sempre três na moto, mas agora tinha ainda o ofertório da Missa e o galo que ganhei. No meio do caminho, a motoca não aguentou o tranco e depois de uma hora e meia de viagem avariou.

Por Providência caminhamos somente alguns minutos para encontrar uma aldeia. Ali o nosso animador foi pedir ajuda ao régulo – chefe da aldeia -, depois de alguns longos minutos de negociação, cedeu-nos a sua moto para levar-nos de volta ao rio Nkondezi, mais uma hora de moto dali.

Seguimos até o rio e pegamos a canoa para atravessá-lo de volta. Observação.: O Rio Nkondezi tem crocodilos e hipopótamos, mas graças a Deus não vimos nenhum rsrs…

Subimos até a casa do catequista de Samoa onde deixamos o carango. Pegamos o carro e seguimos de volta a nossa paróquia. Cheguei em casa por volta das 18 horas, estava cansadíssimo, mas muito muito feliz por ter levado Cristo ao povo de Deus. Nada paga a alegria da alma de poder viver e se realizar no Ministério confiado por Deus a mim.

 

“Leva-me aonde os homens necessitem tua Palavra // Necessitem de força de viver // Onde falta a esperança // Onde tudo seja triste simplesmente por não saber de ti.”

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe a todos,

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova em Moçambique

Uma pequena partilha da missão deste fim de semana – visita pastoral as Aldeias de Mutche e Khokwe em Moçambique.

Neste fim de semana fui conhecer e fazer missão em algumas de nossas comunidades mais distantes da paróquia a quase 100 km da nossa sede.

Sai de carro – um carango bem velho e emprestado – no sábado por volta das 5h30 da manhã e segui para pegar no meio do caminho o animador – Sr. Paulo Viagem – que me acompanharia pelas aldeias. Encontrei-o e seguimos viagem.

Chegamos à margem do Rio Nkondezi no povoado de Samoa por volta das 7h30 da manhã. Deixamos o carro na casa de um catequista da aldeia e atravessamos o rio de canoa.

E do outro lado esperaríamos a motocicleta que nos buscaria as 7h30, mas que só apareceu pelas 10h da manhã. Mas, coitado do jovem que veio da Comunidade de Mutche a duas horas e meia de distância.

Subimos os três na motoca e seguimos viagem. As estradas muito ruins, alguns lugares muita areia e outros lugares com muitas pedras soltas, atravessar riachos e um forte calor. Mas tudo vale pela missão…

Por volta de 12h30 – duas horas e meia de viagem – chegamos a Aldeia de Mutche, já numa parte de montanhas muito bonita e completamente isolada. O povo já estava a esperar. Recebeu-nos com muito canto, com muita alegria, com muito amor, só por isso já valeria todo sacrifício da viagem. Este povo estava a mais de um ano sem Missa, mas nunca deixaram de rezar e celebrar a Palavra aos Domingos.

Ali me apresentei aquele povo, pois não me conheciam – tudo traduzido pelo animador, pois só se fala chewa na aldeia. Depois preparamos o povo para receber o sacramento do Batismo. Tomamos “banho” – não tem banheiros, são pequenos cercados de palha -, almoçamos a Xima e celebramos com o povo em sua simples capela de palha, galhos e bambu. Experiência inesquecível.

 

Um detalhe interessante desta comunidade é que as crianças tem muito medo do homem branco. Eu já tinha tido a experiência em outros lugares daqui, mas nesta comunidade era fora do normal. Muitas delas talvez nunca tinha tido esse contato com o branco. Como também as pessoas daqui de Moçambique tem o costume de fazer medo às crianças falando que o mzungo – homem branco – vai levá-los embora para fazer mal.

Celebramos a Santa Missa com muita alegria até quase anoitecer. Como a chuva estava chegando pelas montanhas, despedimo-nos do nosso povo e tivemos que descer rapidamente para outra comunidade a uma hora e trinta de distância.

 

 

No próximo post continuamos a testemunhar nossa aventura missionária… Chegaremos a aldeia de Khokwe! 

 

Mais que cantar é viver a música: “Leva-me onde os homens necessitem tua Palavra. Necessitem de força de viver…”

 

Forte abraço

 

Deus vos abençoe

 

Padre Ademir Costa –

Missionário da Canção Nova/Moçambique

 

 

Aqui partilho mais um pouco do nosso campo de missão em Moçambique.

Estamos em uma região muito diferente da África, pois é uma zona montanhosa e muita fresca de Moçambique. Temos um enorme desafio missionário pelo vasto território paroquial, muitas pessoas ainda não evangelizada. As religiões tradicionais são muito fortes, o islamismo também cresce muito e o protestantismo já iguala ou supera em número os fiéis católicos.

Nesta paróquia, além da Sede paroquial com cinco núcleos eclesiais, temos mais 36 comunidades rurais, algumas a mais de 70 km de distância da Matriz e com acesso muito difícil, algumas tendo enfrentar de estradas rurais péssimas só transitáveis com Motocicletas, outras temos de atravessar rios com canoas e outras ainda somente acessíveis pelo país vizinho, o Malawi. Muitas destas comunidades recebiam apenas uma missa por ano.

 

Na Sede urbana, temos muito trabalho a fazer nas diversas pastorais e no atendimento sacramental do povo. Estamos visitando as famílias de nossa Vila. E ainda temos o desafio de animar e evangelizar uma juventude sem perspectiva de futuro, quebrar um ciclo de constituição familiar e maternidade precoce, muitas adolescentes de 12 a 15 anos já estamos comprometidas com casamentos precoce ligados a cultura do dote. Aqui existem muitas crianças carentes que necessitam de assistência humana e espiritual, sonhamos com uma escolinha paroquial. 

A Paróquia de Zobué é também santuário diocesano dedicado a Imaculada Conceição que recebe na peregrinação anual da diocese cerca de 5000 pessoas. Temos um longo trabalho a desenvolvimento espitirual e de infra-estrutura do Santuário.

Nas próximas postagens continuarei a apresentar um pouco da realidade de nossa paróquia e missão.

 

Até a Próxima!!!

 

Deus abençoe a todos

 

Padre Ademir Costa

Missionário Canção Nova/Moçambique

Em agosto do ano de 2017, o fundador da comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, fez-me uma proposta em viver experiência missionária em Moçambique no norte do país na Província de Tete. Aceitei o desafio e embarquei para África junto com o seminarista Lucas Paulino.

No ano de 2018, inserimo-nos na missão da Paróquia salesiana São João Batista na Vila de Moatize na diocese de Tete na qual conta com uma pequena rádio comunitária. Essa paróquia conta com trinta comunidades, algumas das aldeias atendidas estão a 100 km da Sede. Ali desenvolvemos nossos trabalhos juntos aos missionários salesianos. O seminarista Lucas Paulino voltou ao Brasil para seus estudos teológicos.

Já no ano de 2019 mudamos de paróquia, eu e o missionário Cristian Boher nos inserimos na missão da Paróquia Nossa Senhora da Conceição na Aldeia do Zobué na fronteira com o Malawi. Uma paróquia que estava quase há 40 anos sem padre residente, recebia uma ajuda pastoral dos salesianos que vinha da paróquia vizinha a 100 km daqui.

Defrontamo-nos com muitos desafios, mas também como muitas riquezas de experiências missionárias e encontro com a cultura africana que contarei a vocês nas próximas postagens.

 

Até a próxima!

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe

 

Padre Ademir Costa / Missionário CN em Moçambique

 

Queridos amigos paz e bem,

Sou padre Ademir Costa, missionário da Comunidade Canção Nova. Comecei com este blog em 2011 ainda quando era seminarista e estava em meu ano de pastoral em São José dos Campos.

Mas nos últimos anos depois de minha ordenação diaconal e sacerdotal, pelos muitos serviços e compromissos, não consegui mais postar neste canal. Pretendo retomar e movimentar o Blog. Não prometo um diário, mas algo que mostre periodicamente nossa missão com o povo de Deus.

Hoje vivo missão na África em Moçambique, mostrarei para vocês um pouco da realidade do meu dia-a-dia como missionário em terras africanas, como também no possível comentarei outros assuntos ligados a missão, a cultura local e a Igreja.

Salve, salve…

Diário de um Consagrado – O Retorno!

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe a todos

 

Padre Ademir Costa – Missionário Canção Nova/Moçambique

 

Somos convocados a ser uma Igreja em saída e temos como Igreja na América Latina o desafio desta missão continental. Partilho com vocês sobre minha experiência missionária na Ilha do Marajó.

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No meu período de descanso em janeiro, dediquei 14 dias para fazer uma experiência missionária na Ilha do Marajó. Pois sempre me senti tocado pelos apelos de Dom José Luís Azcona pedindo missionários para aquela região. Impulsionado pela minha ordenação diaconal senti que era o momento de fazer a experiência.

Fui acolhido pelos missionários e inserido na Missão Marajó da RCC. Lá não existem estradas, tudo é de barco… E sempre viajando de barco vivenciando a realidade do povo, ou seja, dormindo em redes, comendo suas típicas comidas, vivendo nos seus costumes e cultura local. Enfrentando as marés e tempestades nos grandes rios e baías, presenciando a rotina de vida de um povo simples e muito acolhedor, que vive regido pelas das águas dos grandes rios. Assim, mergulhei na realidade daquele povo.

Cruzei todo o Marajó. Foram 12 horas de Belém à cidade de Breves, onde fiquei três dias. E depois enfrentamos 16 horas de barco de Breves a Macapá, passamos rapidamente por Macapá, e seguimos de lancha por duas horas de Macapá para Afuá, onde permaneci por oito dias.

Fiquei com os missionários da Missão Marajó que fazem um lindo trabalho social nos lugares mais miseráveis de Breves e Afuá, tirando as crianças das ruas e da exploração sexual, educando-as e formando-as com o projeto Anjo da Guarda, no qual atendem mais 200 crianças e suas famílias em cada cidade com escola de artesanato, música, danças, aulas de padaria, reforço escolar, informática, biblioteca, brinquedoteca, dentistas e médicos – quando aparecem voluntários especialistas de outros lugares do Brasil. Também distribuem sopões para o povo que passa fome. Estes missionários, guiados pela Divina Providência, construíram também uma linda Igreja na área mais pobre de Breves, e ainda criaram uma central de tratamento de água para o povo, pois por incrível que pareça, falta água tratada para a população mais pobre. Na cidade de Afuá, construiu-se um lindo e grande espaço de acolhida e formação humana.

Um lindo trabalho de missionários que trabalham sozinhos – quando estive com eles eram apenas três em Breves e dois em Afuá – é perceptível o milagre que acontece através destes servos de Deus que trabalham no silêncio e com a graça de Deus que lhe envia alguns voluntários para fazer o trabalho acontecer.

Vivenciei também uma realidade de Igreja necessitada de missionários. Uma situação muito difícil no qual os poucos padres, além de cuidar de suas paróquias, tem que dar a assistência social e jurídica ao povo que está abandonado pelos poderes públicos. No qual enfrentam profundos desafios de pobrezas e exploração sexual de menores.

No Marajó, cada pároco, além de suas comunidades “urbanas”, possui ainda mais de cem comunidades ribeirinhas para dar assistência pastoral e sacramental. Algumas comunidades estão a seis horas de barco da cidade. Muitas destas comunidades têm a Missa apenas uma vez ao ano, quando o padre passa em visita pastoral. Por exemplo, o Pároco de Afuá, que não tem vigário, fica de dois a três meses nos rios com o barco paroquial para conseguir visitar todas as suas comunidades ribeirinhas. Enquanto isso, os leigos cuidam de toda realidade paroquial.

Visitamos algumas comunidades ribeirinhas, uma experiência inesquecível em tocar em uma realidade de fé genuína de um povo que recebe a Eucaristia poucas vezes ao ano. O seu alimento é a celebração da Palavra aos domingos. Fiquei estabelecido alguns dias em uma comunidade ribeirinha bem distante da cidade. Fui à casa de muitos ribeirinhos sempre com uma pequena canoa motorizada. “Eu que pensei ir evangelizar, fui evangelizado por aquela gente…”. Um povo acolhedor, simples, pobre, humilde e de uma fé muito viva. Eles moram a beira dos rios em casas de madeiras simplíssimas construídas em cima de palafitas, muitas se quer têm portas e janelas, sem energia elétrica. Vivem daquilo que o rio e a mata lhes concede – peixe, camarão, caças, frutas e açaí… Em nenhuma casa que passamos encontramos murmuração e tristeza, mesmo diante de sua pobreza, sofrimentos e enfermidades, demonstravam alegria e um coração agradecido a Deus “por tudo que tinham”. E não tinham quase nada… Meu Deus, que tapa na minha cara! Deus falou comigo através daquele povo…

Foram 14 dias de encontro pessoal com Jesus Cristo nas águas do Marajó. Deus me converteu, tirou-me do comodismo, lapidou minha pobreza, mexeu com meu ministério…  Ainda estou ruminado tudo o que vivi… Testemunho aqui que fiz uma das maiores experiências de minha vida. As palavras não conseguem descrever toda realidade da Igreja no Marajó. É preciso ir e ver para acreditar!

De minha parte eu só posso dizer que: “Eu vi o Senhor na Ilha de Marajó. Eu que pensei ir evangelizar fui evangelizado por aquela gente simples e pobre, mas cheia de Deus…”.

 Obs.: Com a graça de Deus retorno para lá depois de minha ordenação sacerdotal para celebrar minhas primeiras missas com este povo tão generoso e acolhedor.

 

Diácono Ademir Costa

Comunidade Canção Nova

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O Papa Francisco tem manifestado o desejo de uma Igreja missionária, que saia das sacristias e que detenha especial atenção àqueles que sobrevive nas “periferias” do mundo e da sociedade humana. Seu pensamento nos conduz a esta cultura do encontro.
Nos mês de julho tive a oportunidade, junto com os meus irmãos seminaristas, de ficar 11 dias em missão na cidade de Lorena. Missão como os primeiros discípulos de Jesus, batendo porta a porta, proclamando o Evangelho e rezando pelas famílias.
E que beleza foi o acolhimento do povo de Deus, inclusive de evangélicos e pessoas de outras denominações religiosas que abriram-nos as portas. Evangelização sem proselitismo, simplesmente anunciar Jesus Cristo e rezar pelas necessidades das pessoas.
Foi uma experiência inesquecível, fomos as periferias existenciais, visitamos asilos, hospitais…

Ao fim de onze dias, posso dizer que a experiência missionária foi um momento especial de alargar o meu ser missionário. Foi um tempo de enfrentar desafios e superar limitações; saber que em Deus posso ir além do cansaço físico; perceber que a missão não é possível sem a dimensão espiritual; a importância de não fazer proselitismo, e aprender a dialogar e rezar com o diferente; contemplar a beleza da Divina Providência que cuida de tudo e nos conduz para onde de Deus quer.

Saímos das “sacristias” e fomos ao encontro do povo de Deus. Um tempo inesquecível!

Forte abraço!

Ademir Costa

Seminarista Comunidade Canção Nova

 

 

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Meus irmãos, a JMJ não acabou! Vocês lembram da frase que o Papa falou na homilia da Missa de Envio?

O Papa Francisco disse: Ide, sem medo, para servir!

Qual foi a minha e sua resposta a este envio? Será que tenho ido as periferias? Tenho promovido à cultura do encontro? Tenho sido Discípulo Missionário?

Eu tive a oportunidade de estar em missão em Nova Iguaçu no Rio de Janeiro junto a jovens que desenvolvem um Projeto chamado Juventude Viva na Paróquia São Pedro e São Paulo. Projeto este consequência da JMJ2013, que leva uma belíssima dimensão de oração e ação. Jovens que ouviram o apelo do Papa e não ficaram de braços cruzados, mas tiveram a coragem e a iniciativa de serem Discípulos Missionários.

Com isto, vejo que evangelizar, anunciar o Evangelho é muito que mais palavras. É atitude e vida! É sair do comodismo, e ir ao encontro dos mais pobres e necessitados, ir aos hospitais, aos orfanatos, aos doentes, às prisões, ir às periferias existenciais…

Meus irmãos e irmãs sejam criativos na missão. Não é preciso ir para África ou para China para ser missionário. Sejam missionários na sua paróquia. Sejam discípulos missionários no seu bairro, na sua rua, com o seu vizinho, com o colega de trabalho, escola ou faculdade…

Uma coisa é certa: não podemos permanecer fechados nas Igrejas. É preciso sair das Igrejas para levar o Evangelho a todos os povos. Quantas pastorais nas paróquias precisam de jovens. Basta perguntar para os padres. Jovem vá além!

Não podemos ficar presos dentro dos grupos de orações e de jovens. Estes grupos precisam sair em direção de tantos necessitados. Saíamos do comodismo!

O livro Isaías revela este servo escolhido, que sou eu e você:  “ Tu és meu servo Israel, em que serei glorificado […] (cf. Is.49,1) Eu farei de ti luz das nações, para que minha salvação chegue aos confins de toda a terra.”(cf. Is.49,6b)

Ide, sem medo, para servir!

Forte abraço!

@Ademircn

Comunidade Canção Nova

O-Espírito-e-a-Igreja

“O nosso tempo, com uma humanidade em movimento e insatisfeita, exige um renovado impulso na atividade missionária da Igreja. Os horizontes e as possibilidades da missão alargam-se, e é-nos pedida, a nós cristãos, a coragem apostólica, apoiada sobre a confiança no Espírito. Ele é o protagonista da missão!” (João Paulo II, Redemptoris Missio, 30)

Neste processo de Nova Evangelização não podemos perder a noção que o Espírito Santo é o verdadeiro protagonista no anuncio de Jesus Cristo. O Espírito que guia a Igreja nos alerta pelos papas: “É urgente preparar evangelizadores competentes e santos; é necessário que não enfraqueça o fervor nos apóstolos, especialmente para a missão ‘ad gentes’.” (Papa João Paulo, Mensagem Dia Mundial Das Missões 2003)

Este fervor dos Apóstolos precisa ser renovado para nossa missão, fervor que não provêm de nossas virtudes e capacidades humanas. Esta ousadia sempre é provinda do Espírito Santo. Vejamos a pessoa de Paulo, como foi instrumento eficaz para evangelização, como Deus potencializou as suas virtudes e capacidades humanas pela graça do Espírito. Tudo isso para percebermos que aquele que nos guia na nossa missão cotidiana é o Espírito Santo.

Mas é necessário sair dos comodismos e escutar a voz do Espírito, pois somos os missionários da Igreja contemporânea, sejamos íntimos d’Ele na missão da Igreja. “A Igreja deve hoje enfrentar outros desafios, lançando-se para novas fronteiras, quer na primeira missão ad gentes, quer na nova evangelização dos povos que já receberam o anúncio de Cristo: A todos os cristãos, às Igrejas particulares e à Igreja universal, pede-se a mesma coragem que moveu os missionários do passado, a mesma disponibilidade para escutar a voz do Espírito.” (João Paulo II, Redemptoris Missio, 30)

Precisamos clamar a Efusão do Espírito Santo para anunciar o Evangelho com a mesma coragem que moveu e move os missionários até os confins do mundo. Assim seja!

 

Forte abraço,

 

Até a próxima!

 

Ademir Costa

Meus amigos uma das coisas que me fez deixar tudo – pai, mãe, irmão, irmã, amigos, emprego, namorada e etc – para dar a vida pela causa do Evangelho na Canção Nova, foi o anseio de minha alma pela vida missionária.

E neste fim de semana fiz uma experiência maravilhosa missionária com os grupo do Jovens Sarados de Lavras. Um avivamento no carisma missionário que impulsiona minha vocação, um encontro pessoal com Cristo pelo carinho e acolhimento dos irmãos desta missão.

É impressionante como Deus cuida de tudo! Antes de sair para esta missão com meu irmão de comunidade – Ricardo Rodolfo – fiquei pensando o que eu faria nesta missão, pois não tinha nenhuma pregação para mim, faria somente companhia para o meu irmão. Mas parei para rezar, e Deus falava em meu coração: Vá e seja presença àqueles jovens! Tenho algo especial para você!

Fui dócil a voz de Deus e acolhi tudo em meu coração. Fomos para Lavras em Minas Gerais. Chegando lá, conheci o Padre Antonio que faz um lindo trabalho com uma Fazenda de Recuperação de dependentes químicos. No sábado, ele pregaria no encontro e ainda teria várias missas para celebrar, pediu-me para fazer a homilia da Missa deste dia. Prontamente aceitei!

No sábado fiz a homilia para o padre, foi muito bom. O interessante que depois percebi que foi a primeira homilia da minha vida. No meu coração de seminarista isto tem um valor sem medidas. Pois quero consumir minha vida no Altar da Palavra e no Altar da Eucaristia. Simplesmente maravilhoso e profético! E ainda no domingo tive a graça de reavivar o meu ser carismático conduzindo um momento de oração para os jovens do retiro. Foram coisas muito simples que inflamou o meu ser seminarista, missionário e carismático.

E para concluir posso dizer que tive um profundo encontro com Jesus Cristo na pessoa de cada servo daquela Missão do Jovens Sarados de Lavras. O carinho, a humildade, simplicidade, amor, o zelo desses irmãos marcaram profundamente meu coração. Vivi profundamente a graça desta “Cultura do Encontro” ensinada pelo Papa Francisco. Fui ao Encontro dos irmãos e foi eu que recebi tantas graças.

É difícil colocar no papel os tantos sentimentos de minha alma. Agradeço a Deus por me levar a tocar nas essências de minha vocação.

Obrigado Jovens Sarados de Lavras por terem sido instrumento do amor e da Providência Divina em minha vida.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa

“Senhor, sois meu farol; é o Senhor quem dissipa as minhas trevas.” (II Samuel 22,29)

O farol tem a função de conduzir os navios por um caminho seguro. Eu preciso ser farol neste mundo de trevas a guiar aqueles que estão perdidos no mar do mundo em meios as tempestades desta da vida.

“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.”(Mt.5,14-15)

O povo de Deus grita por luz para sair das trevas que os engolem. Precisamos ser faróis para dissipar as trevas do mundo. Porém, somente serei farol neste mundo, quando minha vida for um Evangelho vivo.

A Canção Nova é uma comunidade fundada por Deus para o Fim dos Tempos.

Aqui somos formados para viver esta expectativa escatológica. No início de nossa caminhada na comunidade, passamos por um período de um ano de intensa de formação, chamado Discipulado.

Neste tempo somos formados em período integral na nossa vida de oração, na vida fraterna e no trabalho santificado.

Trabalhamos em tudo o que é necessário na casa de formação, desde tocar, cantar, pregar o evangelho, mas também a rastelar a grama, capinar horta, varrer os pátios, limpar banheiros, lavar louças – muita louça, cuidar do chiqueiro etc… Em todos estas coisas fomos sendo moldados no carisma, ganhamos têmpera para enfrentar  missão que não é fácil.

Somos formados espiritualmente, carismaticamente, humanamente, de maneira que sejamos capaz de evangelizar este mundo que caminha para o caos.

Somos formados para ser fermentos na massa. Ser operários eficazes da undécima hora, destes últimos tempos que vivemos.

Somos uma Comunidade criada por Deus para o Fim dos tempos…