O progresso espiritual está na mortificação da imaginação pela vida da razão.

imaginacao-a-servico-do-espirito

Hoje partilho uma reflexão sobre a imaginação e como podemos renascer a partir do alto. Com ponto de partida utilizarei a frase: “Vós deveis nascer do alto”, narrada no evangelho de João 3,7b-15 no diálogo entre Jesus e Nicodemos. Como nós também podemos nascer do alto? O que é a imaginação? Como uma pessoa pode manter pura a sua conduta?

Vivendo de acordo com a palavra de Deus. Foi assim com Nicodemos e pode ser assim também conosco. A vida interior é um constante nascer do Espírito que nos transforma. Pois, uma mudança eficaz na nossa mentalidade somente o Espirito Santo é capaz de realizar. A imaginação daqueles que buscam um crescimento espiritual que precisa ser conduzida por uma “razão reta”, para não corrermos o risco de tornar a nossa inteligência – que é um dom divino – a “louca da casa”, como descreveu Santa Tereza de Jesus.

Se a imaginação não for conduzida por uma razão reta, ela poderá nos afastar de Deus.

Compreender o imaginário é um tema amplo e não é o objetivo central desta nossa conversa. Mas, em linhas gerais, considero aqui a imaginação (imagem+ação) como conjunto de símbolos para fomentar o pensamento. Quando nossa imaginação não é convertida, ela pode nos levar ao pecado. É preciso ordená-la. A imaginação traz à tona aquilo que está no coração. É nela que tecemos os julgamentos sobre Deus, sobre os irmãos, sobre nós mesmos.

“É ela que perturba a tua vida de oração, que te faz temer a mortificação; é ela que introduz na tua alma a tentação da carne e da soberba, que falseia o teu conhecimento de Deus e te priva do sentido sobrenatural; é ela que te embala no sonho daquilo que não é prioridade ou te mergulha no apatia da tibieza; é ela que extingue o fogo da caridade ou acende o da desconfiança e da discórdia”, relatou Salvatore Canals, no livro “Reflexões Espirituais” e completou: “Doida, como um cavalo fogoso; inquieta, como uma borboleta. Se não a dominas e orientas, nunca serás alma interior e sobrenatural. Se não a dominas, nunca poderás fruir daquela calma serena que é tão necessária para servir a Deus. Se não a refreias, nunca alcançarás aquele realismo que é uma exigência da vida de santidade. Calma, realismo, serenidade, objetividade: virtudes que nascem onde termina a tirania da imaginação; virtudes que crescem e se fortificam no esforço ascético por dominar e controlar a fantasia. Dizia-te que é grande a tirania da imaginação. Tão grande que chega a alterar as idéias, a falsear as situações da vida, a deformar as pessoas.”

Mas, como podemos mortificar a imaginação?

Podemos mortificar a imaginação através da meditação! Para entender melhor o que é e como meditar, recorri ao Catecismo da Igreja Católica, que nos ajuda a definir melhor essa prática: “A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do assunto meditado, confrontado com a realidade de nossa vida.” (p.2723) “A meditação mobiliza o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Essa mobilização é necessária para aprofundar as convicções de fé, suscitar a conversão do coração e fortificar a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã procura meditar de preferência “os mistérios de Cristo”, como na “lectio (leitura) divina” ou no Rosário. Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve procurar ir mais longe: ao conhecimento de amor do Senhor Jesus, à união com Ele.” (p.2708)

A imaginação precisa ser purificada e controlada pela razão justa. O progresso espiritual está na mortificação da imaginação pela vida da razão. Pois o homem espiritual surge do mundo espiritual.

É na imaginação fantasiosa que surge o pecado: num primeiro instante no pensamento e, se não controlado, transforma-se depois em atitudes pecaminosas.

A imaginação, portanto, deve servir a nossa inteligência e, por ela, Cristo pode se manifestar à nós. É dom do alto, é tarefa pessoal: exige esforço e abertura de coração para uma transformação radical. Topa?

Cleber dos Santos Rodrigues
é missionário


 Comentário: Curtiu? Escreva seu comentário e leia também Camarotização e a desagregação social a luz da fé


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *