Descubra o que é necessário para uma correta interpretação da Bíblia na Igreja Católica.

Nesta aula do curso “Ensina-nos a orar”, Padre Paulo Ricardo nos explica qual é o conhecimento necessário para a leitura e a interpretação da Bíblia, segundo a Tradição viva e a doutrina da Igreja Católica. Além disso, veremos também quais são os perigos que corremos se não tivermos esse conhecimento e nos aventurarmos a interpretar as Sagradas Escrituras. Estas podem tornar-se, nas palavras de São Pedro, uma pedra de tropeço: “Mas, para os incrédulos, a pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular, uma pedra de tropeço, uma pedra de escândalo” (1 Pd 2, 7; cf. Sl 117,22; cf. Is 8,14).

Descubra o que é necessário para uma correta interpretação da Bíblia na Igreja Católica.

A tentação de Jesus Cristo no deserto.

Quando nós queremos fazer a leitura orante das Sagradas Escrituras, ou seja, a lectio divina, precisamos tomar cuidado, porque a Bíblia é uma faca de dois gumes. Pois, existe uma tendência, a partir da reforma protestante, que aconteceu faz 500 anos, de ler a Bíblia como um documento que não faz parte da Tradição da Igreja. Desde o início, é necessário esclarecer que não é possível ler as Escrituras para procurar nela a fé da Igreja. Primeiro precisamos ter a fé da Igreja, para depois ler a Bíblia.

A necessidade da fé da Igreja para ler as Sagradas Escrituras

A Bíblia é um instrumento importante para nos demonstrar a fé. Mas, se pegamos as Escrituras como um cético, como uma pessoa que não crê minimamente, olharemos para ela como um documento do passado. Veremos a Bíblia com um pensamento supostamente crítico, mas ela não será suficiente para transmitir a nós a fé. Primeiro precisamos ter fé.

Então, para aquelas pessoas que estão começando a vida espiritual é muito mais frutuoso ler livros de meditação escritos por santos, com a doutrina realmente comprovada, que aos poucos nos introduzirão na fé da Igreja. Dessa maneira, aos poucos, nos habituaremos e seremos capazes de interpretar as Sagradas Escrituras.

O perigo escondido na interpretação das Escrituras

Não dá para lermos a Bíblia fora da Igreja. Precisamos ser plenamente católicos e só depois é que a palavra da Escritura será para nós alimento espiritual. Pois, tudo aquilo que é bom, frutuoso, santo e divino, é depois tomado por Satanás, para se tornar uma arma. Porque a mentira nunca é tão mortífera como quando ela tem um simulacro, uma aparência, de verdade. O diabo citou as Sagradas Escrituras para Jesus (cf.: Mt 4, 3.6; Lc 4, 3.10-11; Sl 90, 11-12), mas citou errado, interpretou mal, para tentar enganar nosso Senhor Jesus Cristo. Se o pai da mentira fez isso com o Filho de Deus, não tentará também usar a mesma artimanha conosco?

Assista ou ouça aula do Padre Paulo Ricardo sobre “O sentido eclesial das Sagradas Escrituras”:

A interpretação da Bíblia segundo Concílio Vaticano II

Quando fazemos a leitura espiritual da Bíblia devemos sempre tomar muito cuidado para interpretá-la sempre na doutrina da Igreja e no mesmo Espírito com que ela foi escrita (cf. Gl 5, 18). É isso que nos ensina o próprio Concílio Vaticano II, conhecido por colocar a Bíblia na mão dos fiéis e por dar um impulso maior ao estudo bíblico. A “Constituição Dogmática Dei Verbum” nos diz, no número 12, citando um documento do Papa Bento XV intitulado “Spiritus Paraclitus”: “Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita[1], não menos atenção se deve dar, na investigação do reto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura, tendo em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé”[2].

A Bíblia como palavra dirigida aos filhos da Igreja

Assim, se vamos fazer a lectio divina, precisamos deixar de lado todo o tipo de “bibliomancia”, ou seja, querer adivinhar o futuro, fazer com que a Bíblia seja uma espécie de sortilégio, no qual recebemos o Espírito Santo e, então, é como se aquele texto estivesse escrito para o meu uso pessoal. A Bíblia foi escrita para nós, é verdade, é uma palavra dirigida a cada um de nós, pessoalmente. Mas, somos membros da Igreja e, portanto, se não é dirigida a nós enquanto membros da Igreja, que interpretamos a Bíblia dentro da Igreja, aquela palavra não está dirigida a nós, mas será “uma pedra de tropeço” (1 Pd 2, 7) para nós.

Fonte: PADRE PAULO RICARDO. Leitura meditada – O sentido eclesial das Sagradas Escrituras.

Transcrição e adaptação: Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus em Maria.

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Referências:


[1]  Cf. BENTO XV. Carta Encíclica Spiritus Paraclitus, 37. Cf. Gl 5, 18.

[2]  CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Dei Verbum, 12.

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