Padre Paulo Ricardo lança o curso “Ensina-nos a orar” e explica porque devemos aprender a rezar e nos tornar mestres de oração.

O Padre Paulo Ricardo lançou recentemente, no site padrepauloricardo.org, um curso chamado “Ensina-nos a orar”. Este faz parte do “Projeto Segunda Morada”, que o Sacerdote idealizou e passou a divulgar no início deste ano. Naquela oportunidade, tendo em vista a importância do tema, assumimos o compromisso de divulgar o “Projeto” aos nossos leitores. Sendo assim, disponibilizaremos os vídeos e áudios do curso “Ensina-nos a orar”, bem como um texto, para aquelas pessoas que preferirem ler o conteúdo.

Padre Paulo Ricardo lança o curso “Ensina-nos a orar” e explica porque devemos aprender a rezar e nos tornar mestres de oração.

Jesus Cristo em oração (cf. Lc 11, 1).

Na aula introdutória do Curso, Padre Paulo explica-nos porque a oração é tão importante em nosso caminho de salvação e nos fala da necessidade de aprender e, mais do que isso, de ensinar as pessoas a rezar. Depois, fala-nos porque Deus, que é amor e misericórdia, quer que rezemos. Enfim, o Padre diz-nos qual a importância da oração em nosso caminho de salvação.

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A obrigação de aprender e ensinar a orar

Certo dia, um dos discípulos de Jesus disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos” (Lc 11, 1). Foi esse o pedido dos apóstolos de Cristo, depois que O viram passar uma noite em oração. No início do capítulo 11 do Evangelho segundo São Lucas, o Senhor ensina o Pai-nosso. “Domine, doce no orar” — “Senhor, ensina-nos a orar”. Este é o pedido mais importante que nós podemos fazer a Jesus. E não somente isso, nós devemos aprender e ensinar a orar.

O Catecismo do Concílio de Trento, no início da quarta parte, que é dedicada à oração, faz uma afirmação que para algumas pessoas pode parecer exagerada: “Entre as obrigações do ministério pastoral, a mais necessária para a salvação do povo fiel é o ensino da prece cristã. Por isso, o principal empenho do pároco está em conseguir que seus piedosos ouvintes compreendam o que devem pedir a Deus e de que maneira o devem fazer”1. Ora, se o Concílio de Trento está dizendo isto, que esta é a principal obrigação dos párocos, nós que estamos vivendo os tempos atuais, após o Concílio Vaticano II, no qual ressaltou-se a obrigação dos leigos de cooperar com os pastores, precisamos todos aprender a orar e ensinar a orar.

A vida de oração e a prática do amor

Por que a oração é tão importante? Por que a Igreja coloca tanta ênfase nessa realidade da Oração? Deus afinal não é amor (cf. 1Jo 4, 8), não é misericórdia (cf. Lc 6, 36)? Ele não está disposto a nos perdoar se faltamos com as nossas orações? É verdade, Deus é amor e misericórdia, mas nós somos muito egoístas. A dificuldade está no fato que precisamos sair do nosso egoísmo.

Santo Agostinho nos recorda que, se Deus pede uma coisa, não pede o impossível, e se nós não conseguimos fazer, precisamos pedir a Ele. A oração é necessária pela nossa incapacidade de amar. Nós precisamos pedir a Deus aquilo que mais necessitamos. Por isso, Santo Agostinho diz: “Da quod iubes et iube quod vis” — “Dai-nos, Senhor, o que nos manda e manda-nos o que quiserdes”2. Deus manda-nos verdadeiramente amar. Mas, para isso, precisamos pedir, suplicar a Ele humildemente que nos dê a graça de amar. Por isso, necessitamos tanto da oração.

Assista ou ouça aula do Padre Paulo Ricardo sobre “O ensino da prece cristã”:

A oração em nosso caminho de salvação

Santo Afonso Maria de Ligório, no seu famoso livro “A oração”, coloca exatamente, de forma lapidar, a importância da oração para a nossa salvação:

[…] quem reza certamente se salva, e quem não reza certamente será condenado. Todos os bem-aventurados, exceto as crianças, salvaram-se pela oração. Todos os condenados se perderam porque não rezaram. Se tivessem rezado, não se teriam perdido. E este é e será o maior desespero no inferno: o poder ter alcançado a salvação com facilidade, pedindo a Deus as graças necessárias. E, agora, esses miseráveis não têm mais tempo de rezar3.

Nós ainda temos tempo de rezar e mas do que isso. Temos tempo de aprender a rezar. Por isso, a nossa primeira oração é aquela que aprendemos quando éramos crianças e nos dirigimos a Nossa Senhora: “Mãezinha do céu, eu não sei rezar. Eu só sei dizer: eu quero te amar”. Exatamente porque queremos amar, precisamos aprender a rezar e dizer: “Senhor, ensina-nos a rezar” — “Domine, doce nos orare!

O itinerário de salvação a partir da vida de oração

Assim, conscientes de que temos a obrigação de aprender a orar e também de ensinar a orar, tomemos a firme decisão, de nos empenhar cada vez mais em nossa vida de oração. Dessa forma, poderemos tornar-nos mestres de oração, conforme nos ensina a Santa Mãe Igreja.

Depois de aprender a orar, poderemos pedir a Deus a graça de amar e, assim, cumprir o mandamento do Senhor: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (Jo 15, 12). Então, movidos pela força do amor de Deus, poderemos amar especialmente ensinando as pessoas a orar. Pois, segundo o Magistério da Igreja, esta é a obrigação mais necessária para a salvação do Novo Povo de Deus.

Por fim, esforcemo-nos na vida de oração, pois este é o caminho ordinário de salvação. Não é à toa que o Magistério da Igreja diz que a oração é o ensino mais necessário para a salvação. Pois, como dizia Santo Afonso, “quem reza certamente se salva, e quem não reza certamente será condenado”. Que Nossa Senhora, mestra de oração, nos ajude a aprender a orar sem cessar e a ensinar as pessoas a rezar, para que juntos busquemos a perfeição na caridade e a salvação. Ó Virgem Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós!

Transcrição e adaptação: Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus em Maria.

Artigos da série: “Padre Paulo Ricardo ensina-nos a orar”:

1. O primeiro passo para começar a rezar.

2. Não rezemos como os pagãos.

3. A fé e a presença de Jesus ressuscitado.

4. A oração como doação de amor a Jesus Cristo.

5. A relação entre oração e leitura meditada.

6. Como fazer a leitura meditada?

7. A escolha de livros para a leitura meditada.

8. Como fazemos a leitura orante da Bíblia?

9. Quais são os quatro passos da lectio divina?

10. A interpretação da Bíblia na Igreja Católica.

11. Os sentidos literal e espiritual da Bíblia.

12. A meditação como diálogo amoroso com Deus.

13. A meditação como empenho de amor.

14. A meditação a partir de pequenos pontos.

15. Qual a importância de comungar bem?

16. O que é a oração de recolhimento ativo?

17. A aridez que é consequência da mornidão.

18. O que fazer em tempos de aridez espiritual?

19. Como saber se progredimos espiritualmente?

20. Como nos concentrar na oração?

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. Caminho de Perfeição.

TODO DE MARIA. Três missões de Nossa Senhora na Igreja.

TODO DE MARIA. Mudar de vida com o Projeto Segunda Morada.

TODO DE MARIA. Purificar: inteligência, memória e vontade.

Referências:

1 CONCÍLIO DE TRENTO. Catecismo Romano, IV, c. 1. Trad. port. de Leopoldo P. Martins. Rio de Janeiro: Vozes, 1951, p. 507.

2 SANTO AGOSTINHO. Confissões, l. XX, c. 29, 40; cf. De natura et gratia, c. 43, 40 (PL 44, 271).

3 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. A Oração. Trad. port. de Henrique Barros. 4.ª ed., São Paulo: Santuário, n. 28, p. 42.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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