Saiba se as mulheres consagradas a Virgem Maria precisam usar o véu e aderir à prática da modéstia, com o uso de saia ou vestido.

O crescimento no movimento de consagração a Jesus Cristo e a Santíssima Virgem Maria trouxe consigo algumas dificuldades, especialmente quanto ao piedoso uso do véu e à prática da modéstia no vestir para as mulheres. Práticas tão belas e salutares como essas têm criado discórdias, por vezes incontornáveis, em muitas comunidades e até em dioceses inteiras.

Saiba se as mulheres consagradas a Virgem Maria precisam usar o véu e aderir à prática da modéstia, com o uso de saia ou vestido.

Nossa Senhora do Bom Sucesso

A princípio, podemos dizer que se tratam de dificuldades próprias da batalha espiritual que envolve todo o bom apostolado. Mas, além disso, não haverá também certa falta de bom senso ou de conhecimento por parte de alguns de nós? Para esclarecer estas questões, veremos quais são as raízes da consagração, do uso do véu e da saia e do vestido na história da Igreja. A partir disso, veremos qual é a melhor atitude a respeito dessas práticas.

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A consagração a Nossa Senhora e o véu na tradição da Igreja

Com o movimento de consagração a Santíssima Virgem, há um crescente retorno ao uso do véu. Mulheres das mais diversas faixas etárias, principalmente as jovens consagradas, estão usando piedosamente o véu em momentos de oração e na Santa Missa. Isso não deveria causar espanto nenhum, pois a consagração e o uso do véu remontam os primeiros séculos da Igreja Católica.

A consagração começou com a entrega que o próprio Cristo fez de cada um de nós em particular, representados na pessoa do Discípulo amado, à sua Mãe, Maria Santíssima: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26). No entanto, a consagração não estaria completa se Jesus não entregasse a Virgem Maria como nossa Mãe: “Eis aí tua Mãe” (Jo 19, 27) e, como fez o Discípulo, não a levássemos para a nossa casa, ou seja, para a nossa vida interior.

Desde então, a consagração a Mãe de Deus foi se desenvolvendo, especialmente no pensamento dos santos, como Santo Agostinho e São Bernardo, até ganhar sua formulação mais perfeita com São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu clássico livro de espiritualidade mariana intitulado “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”.

O uso do véu remonta a era apostólica. Sabemos disso porque São Paulo menciona o véu na primeira Carta aos Coríntios: “Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher reze a Deus sem estar coberta com véu?” (1 Cor 11, 13). O uso do véu pelas mulheres na oração, especialmente na Liturgia, sempre foi uma obrigação unânime ao longo dos séculos.

O Código de Direito Canônico de 1917 ainda mencionava o uso do véu e a modéstia, dizendo que as mulheres: “estejam com a cabeça coberta e vestidas modestamente, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor”[1]. Somente o Código de Direito Canônico atual, reformado pelo Papa São João Paulo II, não traz o cânon que obriga o uso do véu. No entanto, isso não significa que o uso do véu esteja extinto. Com o novo Código, o uso deixou de ser obrigatório, mas o seu uso permanece uma prática válida na Igreja. Além disso, o seu uso é muito favorável para a vida espiritual e isso está sendo redescoberto por muitas mulheres em nossos dias. Boa parte dessas mulheres são consagradas a Virgem Maria, o que às vezes se interpreta como se fossem uma única devoção.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “É permitido o uso do véu na Igreja?”:

A consagração, o véu e a prática da modéstia cristã

Além da tradição, outro fator que une de certa forma a consagração a Santíssima Virgem e o piedoso uso do véu é o movimento de redescoberta da modéstia cristã no vestir por parte das mulheres. De fato, nos últimos tempos, muitas mulheres que se consagraram a Virgem Maria aderiram ao uso do véu e passaram a vestir-se mais modestamente.

A consagração, o uso do véu e a modéstia no vestir parecem completar-se mutuamente e juntos podem favorecer extraordinariamente a espiritualidade das mulheres. Além disso, a modéstia também é uma prática muito antiga, que está presente na Igreja desde os primórdios. A prova disso é que São Paulo também trata da modéstia por parte das mulheres em seus escritos: “…quero que as mulheres usem traje honesto, ataviando-se [embelezando-se] com modéstia e sobriedade. Seus enfeites consistam não em primorosos penteados, ouro, pérolas, vestidos de luxo, e sim em boas obras, como convém a mulheres que professam a piedade” (1 Tm 2, 9-10).

Sendo assim, compreendemos que a consagração, o uso do véu e a modéstia no vestir são práticas que santificaram as mulheres católicas durante praticamente todos os dois mil anos de história da Igreja. Por isso, são práticas muito recomendáveis para as mulheres de hoje, principalmente como um “antídoto” contra o mar de impureza e impiedade que devasta as famílias e a sociedade atuais. Além de se santificarem, as mulheres que aderiram a tal espiritualidade colaboram de modo extraordinário para a santificação dos homens. Pois, estes as veem de outra forma e passam a desviar o olhar delas para voltarem-se para Deus.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “Modéstia: Como as mulheres devem se portar (I)”:

O uso do véu e a modéstia são obrigatórios para as consagradas?

Até aqui, vimos que a consagração, o uso do véu e a modéstia no vestir, são práticas devocionais muito boas, que fazem parte da tradição da Igreja e que são muito recomendáveis. No entanto, devemos ter a clareza de que estas não estão necessariamente ligadas entre si. Este esclarecimento é importante porque pode evitar erros que infelizmente tornaram-se muito comuns em nossos dias e que causam dificuldades e incompreensões.

Há pessoas que insistem na obrigação das mulheres consagradas usarem o véu para participar de momentos de oração e da Liturgia. Outras, dizem que as consagradas devem usar saia ou vestido, colocando o movimento de modéstia feminina como regra. Há também aquelas pessoas que colocam ambas as práticas como parte da consagração a Virgem Maria, o que em si é muito bom. Mas, colocar o uso do véu e o uso da saia ou vestido como obrigação também cria dificuldades.

A primeira e mais grave delas é que a imposição do uso do véu e o uso da saia ou vestido como parte obrigatória da consagração tem criado muitas dificuldades em comunidades paroquiais e até mesmo em dioceses inteiras. Pois, querer impor algo que há muitos anos deixou de ser obrigatório cria uma ideia de ruptura com a Igreja. Isso tem feito com que muitos padres e bispos olhem com desconfiança para a consagração a Santíssima Virgem, quando não a proíbem. Dessa forma, práticas muito boas, mas opcionais, acabam por atrapalhar as pessoas que simplesmente querem consagrar-se a Jesus por Maria.

Confusões como essas têm feito com que muitas pessoas deixem de se consagrar, o que é muito compreensível. Pois, estas fazem com que o movimento de consagração a Nossa Senhora pareça intolerante e retrógrado. Além disso, colocar o uso da saia e/ou do véu como obrigação também afasta aquelas pessoas que se interessam pela consagração, mas não querem mudar seu modo de vestir e de participar da Liturgia, pelo menos a princípio.

Assim, sejamos prudentes em nossas comunidades e dioceses, especialmente naquelas que são mais resistentes ao movimento de consagração. O mais importante é que as pessoas se consagrem a Jesus Cristo e a Virgem Maria. O movimento de modéstia, que valoriza a beleza e a feminilidade da mulher, pode ser um segundo passo, como que um aprofundamento da vivência da consagração, mas não algo obrigatório. O uso do véu e da saia podem ser adotados depois, livremente, de maneira simples e discreta, à imitação de Maria, mas com a aprovação de um bom diretor espiritual. Em relação a essas questões, peçamos a Nossa Senhora que não sejamos pedra de tropeço para ninguém, principalmente para aquelas pessoas mais simples e fracas na fé. Ao contrário, que a Santíssima Virgem nos alcance a graça de sermos “verdadeiros apóstolos dos últimos tempos, a quem o Senhor das virtudes dará a palavra e a força para operar maravilhas e arrebatar gloriosos despojos ao inimigo”[2], como profetizou São Luís Maria.

Nossa Senhora do Bom Sucesso, rogai por nós!

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. O que é sagrado a Igreja cobre com um véu.

TODO DE MARIA. A aparição de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

TODO DE MARIA. A vidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

TODO DE MARIA. O uso do véu, da saia e da corrente.

Referências:


[1] PAPA BENTO XV. Código de Direito Canônico de 1917, Cânon 1262 §2.

[2] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, 58.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

1 Comentário

  1. A Paz de Cristo a todos.
    Talvez fosse interessante algum comentário sobre a modéstia da vestimenta masculina dos consagrados, já q a moda hoje em dia tem os influenciado a usar calças apertadas, roupa íntima aparecendo, bermudas e chinelos, e acabamos por encontrar muito isso inclusive durante as missas.
    Uma vez q a Palavra é viva, creio pois o q São Paulo falava nos primórdios da Igreja, seja válido hoje não somente como exclusividade para mulheres mas tb para os homens.
    Creio q seria um comentário válido e de inclusão visando o melhor entendimento e adesao de todos na consagração, visando o seu crescimento.
    Grata,

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