Saiba mais sobre a dor de Jesus Cristo e da Virgem Maria por nossos pecados e a necessidade da reparação aos seus Sagrados Corações.

O culto às dores da Virgem Maria e a devoção reparadora está intimamente ligado às dores de Jesus Cristo. Durante a Idade Média, desenvolveu-se o culto piedosíssimo do mistério das sete dores da Virgem Maria. No século XIII, surgiu a famosa sequentia, em latim, conhecida como “Stabat Mater Dolorosa”, que diz: Stabat mater dolorosa, juxta crucem lacrimosa… – De pé, a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa… (cf. Jo 19, 25). Nesse tempo, a Igreja aprendeu a meditar sobre as sete dores de Maria: a profecia de São Simeão, de que uma espada transpassaria o coração de Nossa Senhora (cf. Lc 2, 22-35); a dor por causa da fuga e do exílio no Egito (cf. Mt2, 13-23); a dor da Mãe de Deus, que perde o Filho Jesus e o encontra no templo de Jerusalém (cf. Lc 2, 41-52); a dor de Maria, que encontra Jesus a caminho do Calvário; a dor da Virgem Mãe aos pés da cruz (cf. Jo 19, 25); a dor de Nossa Senhora que recebe seu Filho morto nos braços; e a dor do sepultamento do seu amado Filho.

Saiba mais sobre a dor de Jesus Cristo e da Virgem Maria por nossos pecados e a necessidade da reparação aos seus Sagrados Corações.

Encontro de Jesus com Maria a caminho do Calvário.

O que gostaríamos de salientar e meditar e fazer notar é o fato de que estas não são dores físicas. Nossa Senhora tinha dores físicas. Mas, essas dores que meditamos são espirituais. O problema é que nós, pecadores e insensíveis por causa do pecado, ficamos com capacidade de sofrer espiritualmente embotada. O pecado nos torna dormentes, enquanto a pureza de um Coração Imaculado torna este sensibilíssimo à tragédia espiritual do pecado. Exatamente porque nós somos insensíveis ao pecado que nosso Senhor, Deus, se fez homem e morreu na cruz, para que na dor física do Cristo na cruz nós enxerguemos a tragédia do pecado.

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As dores de Jesus na cruz e a reparação

Vamos entender a dor de Jesus Cristo, para entender a dor da Virgem Maria. A dor física de Jesus é um pequeno sinal da infinita dor espiritual que Ele sofreu ao ver as nossas ofensas e o nosso pecado. Mel Gibson conseguiu retratar, no seu filme “A Paixão”, a dor tremenda, os sofrimentos físicos medonhos, de nosso Senhor Jesus Cristo. O que ele não conseguir mostrar tão perfeitamente é essa dor espiritual, porque esta não é possível captar e colocar em um filme.

O Filho de Deus sofreu tremendamente na cruz porque nós não entendemos a gravidade do pecado. Quantas e quantas vezes nós pecamos e dizemos: “ah, eu confesso depois”. O que não entendemos e precisamos entender é que o pecado tem que ser algo tremendo, algo de muito terrível para que o remédio seja a morte do próprio Deus que se fez homem. Pelo remédio nós compreendemos a gravidade da doença. Se vamos ao médico e ele nos dá uma aspirina, sabemos que temos apenas uma dor de cabeça. Mas, se vamos ao médico e ele receita uma quimioterapia, sabemos que a doença é grave.

O remédio do pecado, daquele pecadinho que damos de ombros, é a morte do próprio Deus. O Verbo de Deus se fez homem e morreu para nos curar do pecado. Então, o pecado tem alguma coisa que nós não enxergamos.

O sofrimento de Cristo na cruz foi maior no corpo do que na alma. Se nós víssemos o sofrimento da alma de Jesus nós desmaiaríamos. Pois, a alma de Jesus na cruz está vendo todos os pecados da humanidade, do presente, do passado e do futuro. Cada vez que pecamos, estamos realmente torturando Jesus na cruz, porque, mesmo fazendo-se homem, Ele tinha a visão beatífica. Isso significa que Deus concedeu que a alma humana de Cristo enxergasse todos os seres humanos de todos os tempos, porque Ele veio a esse mundo não para nos amar genericamente. Jesus veio ao mundo para nos amar específica e pessoalmente.

O Filho de Deus pensava em cada um de nós em particular o tempo todo. Por isso, podemos dizer: “Jesus pensava em mim o tempo todo”. Em qualquer página do Evangelho que pegarmos, por exemplo, na vocação de São Mateus, quando Jesus olhou para o então Levi e disse: “Segue-me” (Mt 5, 27), Ele pensou em mim e em você, pessoalmente. Ele pensa em nós, o tempo todo. Como isso é possível, não sabemos, pois, trata-se de um mistério de Deus. Mas, é importante que nos conscientizemos da seguinte realidade: quando pecamos, estamos torturando o Cristo na Cruz e quando fazemos uma coisa boa, estamos consolando Jesus.

Na primeira Sexta-feira do mês, muitos de nós comungamos em reparação das ofensas cometidas contra o Sagrado Coração Jesus. Quando fazemos isso e Lhe oferecemos os nosso sofrimento, na cruz, Jesus está vendo, é consolado em seus tormentos e pensa a respeito de cada um de nós: está valendo à pena, ele (a) está se convertendo; está valendo à pena, ele (a) está me amando; está valendo à pena… Então, consolamos Jesus quando o amamos e o maltratamos e torturamos o Senhor, cada vez que pecamos.

As sete dores de Nossa Senhora e a reparação

Todos os pecados da humanidade pesaram sobre a alma de Cristo, mas também todas as virtudes da Virgem Maria lhe serviam de consolação. No filme “A Paixão”, todas as vezes que Jesus se encontra com Nossa Senhora, Ele recobra as forças, porque a sua presença é uma consolação. Quando Jesus olhou para o rosto de sua Mãe, Ele viu os nossos atos de reparação, de amor, nossos oferecimentos. Eis aí o mistério da reparação!

Ao ver o seu Filho sofrer, com aquelas dores lancinantes, espirituais sobretudo, a Virgem Santíssima, sensibilíssima espiritualmente, sofreu dores atrozes. Qualquer pessoa que ler a biografia dos santos sabe como eles sofreram pelas ofensas feitas a nosso Senhor. Porque os santos não têm esse embotamento que nós temos. Eles não têm essa insensibilidade, essa anestesia espiritual, que nós temos e, por isso, dizemos: “ah, é um pecadinho qualquer”. O santo vê a gravidade do pecado e sofre com a ofensa feita a nosso Senhor.

Agora, imaginemos Maria Santíssima, ao ver o seu Filho rejeitado. Quando Simeão anuncia que Ele será rejeitado, é evidente que uma espada de dor transpassou o seu Coração de Mãe (cf. Lc 2, 34-35). Quando ela vê Jesus rejeitado e perseguido, tendo que fugir para o Egito (cf. Lc 2, 41-52), a rejeição de Jerusalém, de Herodes, de todo o povo de Israel, que rejeita o seu Salvador que veio, ao invés de gritar hosanas, de fazer festas, de rejubilar de alegria – o Céu tinha feito festa pelo nascimento de Cristo – mas a rejeição começa desde os seus primeiros passos e ela tem que fugir com Ele para o Egito (cf. Mt 2, 13-23).

A dor da alma da Virgem Maria foi porque não havia lugar para ele em nossos corações. A dor de ver seu Filho perdido no Templo (cf. Mt2, 13-23) foi uma forma de Deus antecipar a dor de ver seu Filho Jesus perdido no túmulo. Os três dias de Jesus perdidos no Templo simbolizam os três dias Dele na sepultura.

Ver Jesus rejeitado, maltratado, desprezado, pela nossa ingratidão, fez com que sua Mãe sofresse. E nós precisamos compreender que nenhuma alma humana, excetuada a alma de nosso Senhor Jesus Cristo, sofreu tanto quanto a da Virgem Maria. Depois de Cristo, ela é a primeira sofredora, a que mais sofreu.

A Tradição não celebra dores físicas da Virgem Maria. Certamente ela as teve. Mas, por exemplo, não se celebram as dores do parto da Virgem Maria. Primeiramente porque ela não teve as dores do parto. Porque é incompatível com o dogma da virgindade perpétua de Nossa Senhora. Além disso, se ela permaneceu virgem antes, durante e depois do parto, se ela permaneceu fisicamente virgem durante o parto, é evidente que ela não sentiu as dores do parto. Então não celebramos dores físicas da Virgem Santíssima. Nós celebramos as dores na sua alma, a espada de dor, a virgem que sofre pela rejeição de Jesus, por ver o seu Filho rejeitado e não amado.

Assista programa do Padre Paulo Ricardo sobre o tema: “Com sacrifícios e penitências”:

A reparação aos Sagrados Corações de Jesus e Maria

Quando Nossa Senhora apareceu em Fátima – depois ela viria para pedir e ensinar a devoção dos cinco primeiros sábados – uma das coisas que as crianças notaram é que ela nunca sorriu. Pois, ela não veio ao mundo para fazer festa, mas para mostrar a sua preocupação de Mãe de ver a nossa indiferença e o esquecimento no qual nós vivemos. Como nós esquecemos Jesus, o tempo todo, e cada esquecimento é a memória do sofrimento que ela passou no Calvário. Nossa senhora, no Céu, é gloriosa e não sofre mais. No entanto, no Calvário, ela sofreu tudo que tinha que sofrer. A Virgem Maria não tinha a visão beatífica, mas tinha a sintonia espiritual. Quando a profecia de Simeão, cheio do Espírito Santo, diz: “uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35), ele estava enxergando que Deus daria a Virgem Maria a graça de, no Calvário, perceber o abismo de dor da alma de seu Filho e de estar em sintonia com esse abismo de dor.

O abismo de dor da alma de Jesus foi causado pelos nossos pecados, porque Ele via os nossos pecados, e Maria estava em sintonia com esta dor. Sendo assim, consolar o Coração de Jesus é o mesmo que consolar o Coração de sua Mãe. Por isso, a devoção da primeira Sexta-feira está intimamente ligada com a devoção do primeiro Sábado. Esta é um revérbero da consolação que nós damos ao Coração de Jesus. Ao consolar o Sagrado Coração de Jesus, estamos consolando o Coração da Mãe e, vice-versa, porque ao consolar o Coração de Maria, também estamos consolando o Coração do Filho. Pois, Ele está vendo o nosso ato de consolador. Assim como Jesus, aos pés da cruz, preocupou-se com a Virgem Maria e a entregou a São João para ele a recebesse e a consolasse, também nós, recebendo Maria, sendo devotos e consagrados a ela, estamos consolando Jesus, por ele ver que sua Mãe não é rejeitada por nós.

Se nós não choramos os nossos pecados e os pecados da humanidade, peçamos a Deus essa graça, porque é uma doença espiritual não chorar os pecados. Não se trata de complexo de culpa. Pois, sabemos que Deus perdoou profundamente os nossos pecados. Nós choramos os nossos pecados porque existe algo de profundamente desordenado num coração que vê Deus sendo constantemente ofendido e maltratado e não se sensibiliza com isso. Essa dormência ou anestesia da alma é uma doença que nós precisamos curar. Precisamos aprender a chorar os pecados. Que a Virgem Dolorosa nos ajude e nos dê essa graça, porque essas são lágrimas que curam, lagrimas que refazem a nossa alma, lágrimas redentoras, que nos ajudam a amar Jesus.

Fonte: PADRE PAULO RICARDO. O mistério das sete dores de Nossa Senhora.

Nossa Senhora das Dores, Rogai por nós!

Links relacionados:

GLÓRIA TV. A Paixão (legendado).

GLÓRIA TV. A Paixão (dublado).

TODO DE MARIA. A devoção aos Corações de Jesus e de Maria.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

1 comentário

  1. Maria Santinha Martins de Assis

    como gostei de ler estes textos maravilhoso. com eu gostaria de ver também todos nós obedecendo a Jesus e a Maria. perdoando sempre e de verdade. NOS AJUDE SENHOR JESUS. DAI-NOS O BATISMO CONSTANTE NO SANTO ESPÍRITO PARA QUE CONSIGAMOS SEMPRE AMAR COMO JESUS AMOU, AMA E AMARÁ AMÉM. OBRIGADA ETERNAMENTE.

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