Irmã Lúcia afirmou que a batalha final entre Deus e o reino de Satanás será no campo do Matrimônio e a Família.

Irmã Lúcia, vidente das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, em uma longa carta enviada ao Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo de Bolonha, na Itália, afirmou que “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o Matrimônio e a Família”[1]. Além disso, a religiosa carmelita também advertiu sobre os ataques que sofrerão as pessoas que defenderem estas duas instituições naturais e, ao mesmo tempo, sobrenaturais.

Irmã Lúcia afirmou que a batalha final entre Deus e o reino de Satanás será no campo do Matrimônio e a Família.

A Sagrada Família: José, Jesus e Maria

A afirmação surpreendente de Irmã Lúcia, feita durante o pontificado do Papa São João Paulo II, foi retomada no dia 31 de maio deste ano, no semanário “Desde la Fe”, realizado na Arquidiocese do México, tendo em vista o debate gerado pelo Presidente Enrique Peña Nieto, que anunciou sua intenção de promover o Matrimônio homossexual no país. No evento, foram recordadas as declarações que o Cardeal Caffarra fez à imprensa italiana em 2008, três anos depois do falecimento de Irmã Lúcia, tendo em vista o seu caráter profético.

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A profecia de Irmã Lúcia a respeito do Matrimônio e da Família

No dia 16 de Fevereiro de 2008, o Prelado celebrou a Santa Missa junto ao túmulo de São Pio de Pietrelcina. Logo após a Eucaristia, Cafarra concedeu uma entrevista para a “Tele Radio Padre Pio”, na qual perguntaram sobre a profecia de Irmã Lúcia dos Santos, na qual falou da “batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás”.

Na entrevista, Cardeal Caffarra explicou que o contato com a religiosa foi o motivo do encargo que lhe deu o Papa João Paulo II, de planejar e estabelecer o “Instituto Pontifício para os Estudos do Matrimônio e da Família”. No início deste trabalho, o Cardeal escreveu uma carta a Irmã Lúcia através de seu Bispo, pois não pôde fazê-lo diretamente. O Arcebispo italiano não esperava uma resposta da religiosa, pois, na carta, somente pediu suas orações. Surpreendentemente, Cafarra recebeu uma longa carta, assinada por Lúcia, que atualmente está nos arquivos do Instituto.

Na carta, Irmã Lúcia nos fez uma revelação terrível, mas também deixou uma mensagem de esperança para nós:

A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimônio e da Família. Não temam, acrescentou, porque qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimônio e da Família sempre será combatida e enfrentada em todas as formas, porque este é o ponto decisivo. [Depois concluiu:] Entretanto, Nossa Senhora já esmagou sua cabeça[2].

Cardeal Caffarra disse que, em suas conversas com o Papa João Paulo II, a Família ocupava um lugar de destaque, pois esta é o fundamento da criação e a verdade a respeito da relação entre o homem e a mulher nos desígnios de Deus. “Se o pilar fundamental é transtornado, todo o edifício fica paralisado e agora vemos isto, porque estamos justamente neste ponto e sabemos”[3], afirmou o Arcebispo. Na ocasião, confidenciou que fica comovido quando lê as melhores biografias de Padre Pio, que contam como o Santo era zeloso quanto à dignidade do Matrimônio e a santidade dos esposos, inclusive, com justificável rigor em algumas ocasiões.

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O Matrimônio como sinal do amor de Cristo pela Igreja

Se um dos campos de batalha entre Deus e Satanás é o Matrimônio, sem dúvida devemos unir forças para que seja respeitada a indissolubilidade deste Sacramento.

A Igreja Católica reconhece que “pode parecer difícil, e até impossível, ligar-se por toda a vida a um ser humano”[4]. Todavia, juntamente com toda a Igreja, não podemos renunciar à nossa missão de acordar a consciência das pessoas e apresentar-lhes a verdade acerca do sacramento do Matrimônio.

A teologia deste Sacramento está intimamente ligada ao amor esponsal de Jesus Cristo pela Santa Igreja, demonstrado de modo incomparável no sacrifício da Cruz, como explica o Apóstolo dos gentios: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25). A aliança de amor, firmada entre um homem e uma mulher pelo sacramento do Matrimônio com a intenção de criar e educar os filhos, não pode ser quebrada, pois os esposos estão unidos ao sacrifício de Cristo.

Não podemos deixar-nos levar pelo egoísmo dos estilos de vida mundanos ou pelas legislações jurídicas, que hoje em dia admitem facilmente a separação de um casal. Quando o Filho de Deus falou a respeito da indissolubilidade do Matrimônio, não deixou margem para negociações: “não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6). Por isso, a Igreja não pode simplesmente alterar esta ordem divina ou ensinar outra doutrina. Da mesma forma, nós católicos devemos ser fiéis e ensinar desde cedo aos nossos filhos a obedecer Deus, para que não O traiam no futuro, rompendo os sagrados laços do Matrimônio. Nesse sentido, o Papa Emérito Bento XVI disse que: “o Matrimônio contraído na fé é indissolúvel. É uma palavra que não pode ser manipulada: devemos mantê-la intacta, mesmo que contradiga os estilos de vida dominantes hoje”[5].

Os laços naturais e sobrenaturais que unem a Família

Entre o homem e a mulher há uma complementaridade inegável, não somente nas relações afetivas e sexuais, mas também nas relações efetivas, nas coisas práticas do dia a dia. Homem e mulher se completam também na geração e no cuidado dos filhos. Vemos essa complementaridade entre o homem e a mulher até mesmo no cuidado com os filhos. Os pais tem mais cuidado com as filhas, e as mães com os filhos. Esses laços naturais existentes entre os esposos e os filhos são importantes e devem ser valorizados. No entanto, há outros laços, mais importantes, que revestem a Família de uma dignidade divina.

Enquanto seres humanos, possuímos uma alma imortal, que nos foi concedida por Deus. Essa realidade espiritual reveste a Família de uma dignidade que ultrapassa infinitamente os laços naturais. Pois, o que se realiza na Família não é meramente a geração da vida, mas também a nobre missão de educar e de levar os filhos para Deus. Cabe aos pais a transmissão de valores, o cultivo das virtudes, o ensina da fé católica.

Esses laços espirituais, que unem a Família, dizem respeito também a Igreja Católica. Pois, ela verdadeiramente dá a vida aos seus filhos. Trata-se da vida divina, superior à vida biológica, infundida por Deus nas almas, pelo sacramento do Batismo, e pela absolvição dos pecados, no sacramento da Penitência. Além disso, pelo sacramento da Eucaristia e pela pregação da Palavra de Deus, a Igreja alimenta e educa os seus filhos, fazendo-os crescer na graça de Deus. “Nosso Senhor, quando fundou a Santa Igreja, quis que ela fosse realmente uma Família”[6]. Dessa forma, Jesus Cristo começou uma Família com os discípulos, assumindo a paternidade espiritual deles. Igualmente fizeram os santos, sendo pais espirituais de muitos outros seguidores do Senhor, e continuam a fazer até os dias de hoje.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “O marxismo e a destruição das famílias”:

Como combater nesta batalha espiritual sobre o Matrimônio e a Família?

Hoje, talvez muito mais do que em outros tempos, o resgate da dignidade do sacramento do Matrimônio e da Família seja um desafio quase que insuperável. Entretanto, não nos esqueçamos do que Irmã Lúcia nos disse: “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o Matrimônio e a Família”[7]. Não tenhamos medo, já que Deus está conosco nesta batalha espiritual. Todavia, isso não é motivo para que nos descuidemos, pois a religiosa também disse que qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimônio e da Família sempre será combatida e enfrentada em todas as formas, porque este é o ponto decisivo da batalha entre Deus e Satanás, a primitiva serpente, à qual Nossa Senhora já esmagou a cabeça.

Esta batalha espiritual a respeito do Matrimônio e a Família se dá principalmente no campo espiritual, mas se faz presente também em realidades muito concretas de nossas vidas. Vemos que a imoralidade sexual tem início, de modo particular: em nosso modo de vestir, cada vez mais semelhante ao dos mundanos; nos lugares que frequentamos, como bares, danceterias, boates; naquilo que nossos olhos veem, na televisão, na internet, nas revistas, nos filmes, mas também nas ruas, nas praças, em nosso ambiente de trabalho e até mesmo em nossas casas. Em consequência de tudo isso que entra em nossas vidas pelos sentidos, começam as bebedeiras, as drogas, o sexo desregrado, a prostituição. Por sua vez, a imoralidade sexual faz com que aconteçam: a gravidez indesejada, a violência, o estupro, o aborto, a separação de casais.

Nesta batalha árdua, Deus está conosco, mas precisamos buscá-Lo sempre, todos os dias, em todo momento. Esta busca pelo Senhor se dá principalmente através dos sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Mais do que nunca, a frequência a esses sacramentos é fundamental em nossos dias. Além disso, a verdadeira devoção a Virgem Maria e a oração do Santo Rosário são armas espirituais que os esposos e as famílias devem usar constantemente no combate contra o Inimigo. Por mais que a batalha pareça difícil, e às vezes até perdida, não tenhamos medo, pois Nossa Senhora nos garantiu a vitória: “por fim o meu Imaculado Coração triunfará”[8]. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus por Maria.

Links relacionados:

TODO DE MARIA. A Sagrada Família, as famílias e o mundo atual.

TODO DE MARIA. Nossa Senhora e a Nova Ordem Mundial.

TODO DE MARIA. O Rosário: a oração da família.

Referências:


[2]  Idem, ibidem.

[3]   Idem, ibidem.

[4]  PAPA JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica, 1648.

[8]  CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. A Mensagem de Fátima.

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