Meditemos sobre a Imaculada Conceição da Virgem Maria no mistério da Redenção em Jesus Cristo.

A solenidade da Imaculada Conceição está em perfeita sintonia com o espírito do tempo do Advento. Pois, enquanto a Igreja se prepara para a vinda de Jesus Cristo, o Redentor da humanidade, é justo fazer memória daquela Mulher, a Virgem Imaculada, que foi concebida sem qualquer mancha de pecado, porque Deus Pai a escolheu para Mãe de seu Filho.

Meditemos sobre a Imaculada Conceição da Virgem Maria no mistério da Redenção em Jesus Cristo.

Immaculate Conception – Peter Paul Rubens

A vocação de Maria Santíssima está em um lugar de evidência na história da salvação da humanidade. Pois, ela é o primeiro fruto da redenção, porque foi preservada de toda mancha do pecado original, em virtude dos merecimentos de Jesus Cristo. No entanto, o privilégio da Imaculada Conceição não significa apenas a ausência do pecado, mas também e principalmente a plenitude da graça, que nos foi revelada pelo Arcanjo São Gabriel: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28).

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A Imaculada Conceição e a plenitude da graça em Maria

Deus adornou a Virgem de Nazaré com dons dignos da mais elevada missão concedida a uma simples criatura: ser Mãe de Deus. Por isso, os Santos Padres chamavam a Mãe de Deus de “toda santa” e “imune de toda a mancha de pecado”, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e fez dela uma nova criatura[1]. Enriquecida, desde o primeiro instante da sua Conceição Imaculada, com os esplendores de uma santidade singular, Nossa Senhora é saudada pelo Arcanjo, da parte de Deus, como “cheia de graça” (Lc. 1, 28).

A saudação angélica: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28) constitui o mais válido testemunho da Imaculada Conceição de Maria. Pois, a Virgem não seria “cheia de graça”, em sentido pleno, se o pecado tivesse manchado a sua alma, ainda que fosse por apenas um instante.

A Virgem Santíssima começou a sua existência adornada de uma riqueza de graça muito mais abundante e perfeita do que a que obtiveram os demais santos e santas até o fim de suas vidas. Ao considerarmos a sua fidelidade absoluta e a sua disponibilidade total aos desígnios de Deus, podemos intuir a sublimidade do amor e da comunhão de Maria Santíssima com o Altíssimo, “levando vantagem a todas as demais criaturas do céu e da terra”[2].

O texto evangélico que nos apresenta Maria como a “cheia de graça” (Lc 1, 28) está em plena consonância com a carta aos Efésios:

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado (Ef 1, 3-6).

A Imaculada Conceição de Maria e a salvação em Cristo

A Virgem Maria ocupa o primeiro lugar nas bênçãos e na eleição de Deus, pois ela é a única criatura santa e imaculada em sentido pleno e absoluto. Nela as bênçãos divinas produziram os frutos mais belos e perfeitos, não apenas por ter sido abençoada e eleita “em Cristo”, em previsão dos Seus merecimentos, mas também “em ordem a Cristo”, para ser Sua Mãe.

Ao celebrarmos a solenidade da Imaculada Conceição, a Igreja nos convida ao louvor de Deus pelas maravilhas que Ele operou na humilde Virgem. “Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele operou maravilhas” (Sl 97, 1) – principalmente a maravilha de ter quebrado as cadeias do pecado que acorrentavam os homens – aplicando a Maria, antes de se realizar historicamente, a obra de salvação de Cristo Jesus, que haveria de nascer do seu seio virginal.

A Virgem de Nazaré ocupa o primeiro lugar na história da redenção. Em Maria, começa salvação da humanidade, na qual ela própria colabora dando ao mundo Aquele por quem os homens serão salvos. Quem acredita no Salvador mais não é do que um seguidor de Maria, e com a sua mediação, foi abençoado e eleito por Deus em Cristo para ser santo e imaculado na caridade (cf. Ef 5, 27). Este maravilhoso projeto divino que cumpriu em Maria com plenitude singular e privilegiada deve-se cumprir também em todos nós, em conformidade com os desígnios do Altíssimo. Todavia, para que isso aconteça, é necessário que cada um de nós siga o exemplo de Maria, imitando-a na sua fidelidade à graça e na sua total entrega ao Senhor.

Assim, da mesma maneira que a plenitude da graça em Maria floresceu na plenitude do amor a Deus e aos homens, também em nós a graça deve amadurecer em frutos de caridade para com Deus e para com os homens, para glória do Altíssimo e para a edificação da Igreja.

Prefácio Ambrosiano

É muito justo e salutar, Deus onipotente, que vos de graças e que, com a ajuda do vosso poder, celebremos a festa da Bem-aventurada Virgem Maria. Do seu sacrifício floresceu a espiga que nos alimentou com o Pão dos anjos. Eva devorou maçã do pecado, mas Maria restituiu-nos o doce fruto do Salvador. Como diferem as empresas da serpente e as da Virgem! Daquela nasceu o veneno que nos afastou de Deus; em Maria começaram os mistérios da nossa redenção. Por Eva prevaleceu a maldade do tentador; em Maria encontrou o Salvador uma cooperadora. Eva, com o pecado, matou a sua própria descendência; mas esta ressuscitou em Maria pela graça do Criador que libertou da escravidão a natureza humana restituindo-lhe a sua antiga liberdade. Tudo o que perdemos no nosso pai comum Adão, recuperamo-lo em Cristo (Prefácio Ambrosiano)[3].

Oração de São Bernardo a Virgem Maria

Por teu intermédio podemos aproximar-nos do teu Filho, ó Virgem bendita, que encontraste a graça, ó Mãe da vida, Mãe da saúde, para que, por ti, nos receba aquele que por ti nos foi dado.

A tua integridade desculpe, diante dele, as culpas da nossa corrupção e a tua humildade, tão agradável a Deus, nos obtenha o perdão para a nossa vaidade.

A tua grande caridade apague a multidão dos nossos pecados e a tua gloriosa fecundidade nos conceda a fecundidade das boas obras.

Nossa Senhora, nossa medianeira e advogada, reconciliai-nos com o teu Filho, encomenda-nos ao teu Filho, apresenta-nos ao teu Filho.

Pela graça que achaste diante de Deus, pelo privilégio que mereceste, pela misericórdia que deste à luz, faz com que Aquele que por meio de ti se dignou fazer participante da nossa enfermidade e miséria, pela tua intercessão, nos faça participantes da Sua glória e bem aventurança (S. Bernardo. In advento Domini)[4].

Links relacionados:

TODO DE MARIA. A devoção a Virgem Imaculada.
TODO DE MARIA. A Imaculada Conceição de Maria e a luta contra o mal.
TODO DE MARIA. A Imaculada Conceição de Maria e a humanidade.

Referências:


[1]  Cf. S. Germano Const., Hom in Annunt. Deiparae: PG 98, 328 A; In Dorm. 2: col. 357.-Anastácio Antioq., Serm. 2 de Annunt., 2: PG 89, 1377 AB; Serm. 3, 2: col. 1388: C. – S. André Cret., Can. in B. V. Nat. 4: PG 97, 1321 B. In B. V. Nat., 1: col. 812 A. Hom. in dorm. 1: col. 1086 C. – S. Sofrónio, Or. 2 in Annunt., 18: PG’ 87 (3), 3237 BD. In CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 56.

[2]  CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 53.

[3]  PADRE GABRIEL DE SANTA MARIA MADALENA, OCD. Intimidade Divina: Meditações sobre a vida interior para todos os dias do ano, p. 32-33.

[4]  Idem, p. 33.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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