A Virgem Maria, desde a sua Imaculada Conceição, está no centro de nossa luta contra os poderes espirituais do mal.

A Imaculada Conceição de Maria e a luta contra o mal

Nossa Senhora da Imaculada Conceição

A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria não a afasta de nós, mas coloca-a no centro da nossa luta espiritual contra os poderes do mal, contra Satanás, o Inimigo de Deus. Esta inimizade entre a Mulher e a Serpente se faz presente na história da humanidade desde o início, logo depois do pecado de Eva e Adão: “Porei inimizade entre ti [a Serpente] e a Mulher”1. A primitiva Serpente do Paraíso cresce juntamente com o mal na humanidade e torna-se o grande Dragão vermelho do Apocalipse, que faz guerra à descendência de Maria: “Este [o Dragão] se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos e tem o testemunho de Jesus”2. Nesta guerra contra os principados e as potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra os poderes do mal espalhados nos ares3, não estamos sozinhos. Nossa Senhora coloca-se entre nós e o Demônio, no centro da nossa batalha contra os poderes das trevas.

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Na Imaculada Conceição de Maria, o pecado é superado, e a amizade com Deus, restabelecida. Em Nossa Senhora realizou-se a reconciliação de Deus com a humanidade. Todavia, Maria foi preservada do pecado original, por isso não teve necessidade de ser reconciliar-se com Deus, e viveu sempre em concórdia com Deus. Maria viveu, desde o primeiro instante de sua existência, em perfeita amizade com Deus, por isso a inimizade entre a Serpente e a Mulher se expressa mais perfeitamente em Maria, a Nova Eva. Entretanto, esta inimizade não diz respeito apenas a Virgem Maria, mas também a toda a humanidade e a cada um de nós em particular4. A história da salvação da humanidade é marcada por “uma luta árdua entre o poder das trevas, posto em marcha desde o princípio do mundo, e que continuará, como nos diz o Senhor, até ao último dia”5.

Esta inimizade, anunciada no início do livro do Gênesis, é confirmada no livro do Apocalipse, sob o sinal da “Mulher vestida de sol”6. Maria, Mãe do Verbo Encarnado, está no centro dessa inimizade7 da Mulher e sua descendência8, que somos nós, contra a Serpente. Esta inimizade entre a Mulher e a Serpente existe, em primeiro lugar, por sua Imaculada Conceição. Nela acontece a vitória completa da Graça divina sobre o pecado e o Demônio. Por isso, a Santíssima Virgem é amiga e aliada perfeita de Deus e inimiga do Diabo. A Virgem de Nazaré foi completamente retirada do domínio de Satanás na sua concepção imaculada, foi plasmada pelo Espírito Santo e preservada de toda mancha do pecado original. Mas, esta inimizade existe também por causa do papel de Maria na obra da redenção, da sua colaboração ativa na luta final de seu Filho para destruir as forças do Maligno. Associada inteiramente na obra salvífica do Filho de Deus, a Virgem Maria foi plenamente envolvida nesta luta contra os poderes do mal9.

Assista programa do Padre Paulo Ricardo na Solenidade da Imaculada Conceição – “Ave Maria, cheia de graça”:

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Nossa Senhora está no centro da nossa inimizade contra Satanás. Isso significa que a sua Imaculada Conceição não a separou de nós, que recebemos a herança do pecado original de nossos primeiros pais. Ao contrário, Maria está no centro desse combate espiritual que travamos, desta inimizade entre o “Príncipe das trevas” e a Mulher, entre o “Pai da Mentira” e a descendência de Maria10, que somos nós. Nas palavras do livro do Gênesis, nós vemos a Imaculada Conceição na realidade de sua eleição por parte de Deus. Vemos também a Virgem das Dores no momento culminante desta inimizade com a Satanás, aos pés da Cruz de Cristo, no Calvário11. Naquele momento do mistério da redenção, juntamente com seu Filho, a Mãe da Igreja esmaga a cabeça da Serpente e esta investe contra o seu calcanhar12.

Assim, uma vez que a Virgem Maria esteve tão intimamente unida a seu Filho no mistério da salvação, esmagando a cabeça da serpente, ela continua envolvida neste combate espiritual até o fim dos tempos, sustentando-nos em nossas batalhas cotidianas para vencer o mal e o pecado. Por isso, “devemos considerá-la como amparo seguro na luta contra as potências do mal, como luz fulgidíssima de verdade, como motivo invencível de esperança e de alegria. Maria fala-nos de uma vitória total sobre o mal, pela qual, ao colocarmo-nos no seu seguimento – e por isso no seguimento de Cristo – podemos esperar ser totalmente purificados do pecado e tornar-nos, também nós, ‘santos’ e ‘imaculados’”13. Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

Fonte: FIDELIS STÖCKL. O mistério da Imaculada Conceição no Pensamento de Papa João Paulo II.

Referências:

1 Gn 3,15.

2 Ap 12, 17.

3 Cf. Ef 6, 12.

4 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Audiência de 7 de dezembro de 1983, 12.

6 Ap 12,1

7 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 11.

8 Cf. Ap 12, 1-17.

9 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Audiência de 24 de janeiro de 1996, 12.

10 Cf. Gn 3, 15.

11 Cf. Jo 19, 25.

12 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Homilia de 8 de dezembro de 1985, 3.

13 Idem. Angelus de 8 de dezembro de 1989, 4.

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