Saber o que é recolhimento e o que é distração pode ser a chave para descobrir como nos concentrar na oração.

Nesta aula do curso “Ensina-nos a Orar”, Padre Paulo Ricardo nos mostrará como nos concentrar na oração. Num primeiro momento, veremos em que consiste o recolhimento, ou seja, o que é estar concentrados em um momento de oração. Pois, a concentração, a aplicação pura e simples da nossa inteligência, não significa recolhimento.

Saber o que recolhimento e o que é distração pode ser a chave para descobrir como nos concentrar na oração.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Num segundo momento, trataremos da dolorosa experiência das distrações durante a oração. Mas, antes de conhecer a origem das distrações, os tipos de distração e como combater as distrações, nós precisamos gastar um tempo para entender o que é distração. Pois, a maior parte das pessoas acha que sabe o que é distração, mas, na verdade, não sabe.

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O que é o recolhimento?

O recolhimento é o contrário de distração. Ele acontece quando as faculdades da nossa alma, ou seja, a nossa inteligência e a nossa vontade estão aplicadas a um objeto sobrenatural.

Pode acontecer que uma pessoa esteja estudando e está totalmente concentrada no que ela está fazendo. Entretanto, o objeto do seu pensamento não é sobrenatural. A pessoa está simplesmente lendo um texto espiritual ou estudando as Sagradas Escrituras. Mas, não há nesse ato a advertência de uma Presença sobrenatural. A pessoa não está com a sua inteligência voltada para a Presença e com a sua vontade voltada para Deus, com o desejo de se unir a Ele.

Somente quando a inteligência e a vontade estão voltadas para Deus é que nós estamos verdadeiramente recolhidos. Pelo menos é isso que acontece com os principiantes. Na vida mística, para aqueles que já são mais avançados, a coisa é um pouco mais complexa. Ficaremos com a realidade dos principiantes.

A nossa inteligência tem que estar voltada para uma Presença divina, para uma Verdade divina, sobrenatural, e a nossa vontade tem que se aplicar a Ela. Dessa forma, estaremos recolhidos. Se não fizermos isso, estamos distraídos. Todavia, precisamos ter cuidado quando falamos de inteligência e de vontade. Porque existem outras coisas dentro de nós que não são as faculdades da alma e que podem atrapalhar muito, como os nossos sentidos.

Assista ou ouça aula do Padre Paulo Ricardo sobre “Como concentrar-se na oração?”:

As distrações sensoriais exteriores

Em nossos dias, onde encontramos uma capela especialíssima, na qual não existe barulho, nem ninguém ao nosso lado nos distraindo? Pode acontecer também que o lugar onde vamos rezar esteja muito quente ou o banco não é confortável. Pode ser que passamos por um momento de sofrimento, que estamos doentes. Se formos esperar ter todas as condições ideais para rezar, provavelmente vamos rezar muito pouco. Nunca vamos conseguir nos recolher.

Há aqueles dias especiais, em que nós, por uma graça divina, estamos tão voltados para a Presença divina que não damos atenção aos barulhos. Nem nos lembramos de que estamos sentindo uma dor na perna ou que o nosso estômago está roncando de fome. Também não nos lembramos que o suor está correndo no nosso rosto. Pois bem, esses dias acontecem, mas vamos dizer bem sinceramente, são raros.

No mais das vezes, quando aplicamos a nossa inteligência e a nossa vontade a Deus e à Sua presença, querendo nos unir a Ele amorosamente, pode acontecer que o nosso corpo não esteja cooperando. Pode ser que o nosso corpo não esteja ajudando. Pode ser que o barulho esteja nos puxando para outro lugar ou aquela dor incômoda persiste em nos atrapalhar. Pois bem, isso não quer dizer que nós estamos distraídos. Isso quer dizer simplesmente que nós estamos dolorosamente divididos. Mas, nós estamos recolhidos, porque a inteligência e a vontade estão aplicadas à presença de Deus.

Nós queremos nos unir a Deus e estamos realmente voltados para Ele. No entanto, acontece que essas perturbações externas nos atrapalham. Pois bem, isto é uma verdade dolorosa, mas infelizmente vamos ter que perseverar e continuar mesmo assim. Não nos preocupemos. Pois, isso não é distração, mas simplesmente luta.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “Como combater as distrações durante a oração?”:

As distrações sensoriais interiores

Além dessas realidades sensoriais externas, existem as realidades sensoriais internas, por exemplo, a imaginação. Há pessoas que pensam que a imaginação faz parte da alma. Entretanto, na verdade, a imaginação faz parte do nosso mundo interior muito mais próximo daquilo que é o animal, que é o corpo, do que da alma. Sendo assim, as nossas imaginações podem realmente ser a “louca da casa”, como se diz popularmente, ser aquela “taramela do moinho”[1], como dizia Santa Teresa. Pode ser que a nossa inteligência esteja aplicada, com a nossa vontade unida a Deus, mas a imaginação nos leve para outro caminho. É difícil para os iniciantes perceber que existe essa divisão dentro de nós, mas infelizmente ela existe.

Talvez algumas pessoas já tenham notado essa divisão interior e, para elas, isso vai ser consolação. Mas, se não conseguimos distinguir, não nos preocupemos. Pois, com o passar do tempo, perceberemos melhor essas realidades. A própria Santa Teresa levou muito tempo para perceber isto e, quando ela percebeu, foi consultar-se com peritos. E então, foi grande consolação para ela saber que, de fato, uma coisa é a inteligência aplicada a Deus, outra coisa é a imaginação.

Assim, vamos então procurar o recolhimento. Mas, recolhimento quer dizer o quê? Estarmos recolhidos significa que a nossa inteligência está voltada para uma Presença sobrenatural e divina e a nossa vontade quer se unir e corresponder amorosamente a essa Presença. Se houver isso, estamos recolhidos e não distraídos.

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. As deploráveis Terceiras Moradas.

PADRE PAULO RICARDO. Caminho de Perfeição.

PADRE PAULO RICARDO. Projeto Terceira Morada.

TODO DE MARIA. Mudar de vida com o Projeto Segunda Morada.

TODO DE MARIA. Padre Paulo Ricardo ensina-nos a orar.

Referência:


[1]  SANTA TERESA DE JESUS. Castelo Interior, Quartas Moradas, 13.

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