Saiba qual a diferença entre aridez e tibieza e o que fazer nos tempos de aridez espiritual.

Nesta aula do curso “Ensina-nos a Orar”, Padre Paulo Ricardo nos diz, com muita clareza, o que devemos fazer em tempos de aridez espiritual. Primeiramente, veremos o que diferencia a aridez espiritual da tibieza. Pois, saber qual é a diferença entre esses dois estados da nossa alma é fundamental antes de tomar qualquer atitude.

Saiba qual a diferença entre aridez e tibieza e o que fazer nos tempos de aridez espiritual.

Agonia de Jesus Cristo no horto da Oliveiras.

Depois de sabermos o que diferencia a aridez da tibieza, conheceremos as causas da aridez espiritual. Veremos também qual deve ser nossa atitude em tempos de aridez. Pois, ao contrário do que parece, os tempos de aridez podem ser muito fecundos para nossa vida espiritual. Sendo assim, tomar as atitudes certas nos tempos de aridez pode fazer a diferença entre o fracasso e o êxito no caminho espiritual.

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O que diferencia a aridez espiritual da tibieza?

Pode acontecer que, na vida de oração, tenhamos que enfrentar a aridez. Nós já falamos daquela aridez culposa, na qual, por negligência, terminamos caindo. Pois, na verdade, não é aridez, mas sim tibieza. Mas, às vezes, acontece que enfrentamos uma aridez sem culpa nossa, ou seja, por fatores alheios à nossa vontade.

A aridez pode acontecer porque temos problemas físicos, como por exemplo, uma doença, cansaço, stress, ou por causa de sofrimentos de índole moral, ou seja, problemas na família, perseguições, preocupações. Tudo isso afeta a nossa vida de oração. Consequentemente, é quase impossível que nós encontremos consolação na oração.

Em tempos de aridez espiritual, nós vemos que a nossa alma se torna uma espécie de campo de batalhas e não é nossa culpa. Se Deus permite esse tempo de aridez, um longo período em que temos dificuldade até mesmo de nos concentrar na oração, então, o que nós temos que fazer é sermos humildes, esta é a chave, é a solução de tudo.

Assista ou ouça aula do Padre Paulo Ricardo sobre “O que fazer nos períodos de aridez?”:

Qual deve ser nossa atitude em tempos de aridez espiritual?

Se nós não conseguimos ter oração mental, então devemos fazer o que mais nos desperta o amor[1], diz Santa Teresa nas Quartas Moradas. Mas, ela não fica por aí, mas esclarece o que é que desperta o amor, a partir de uma definição negativa: “É possível que nem saibamos o que é amar e isso não me espantaria porque o amor não está no maior gosto”[2]. Então, para que cresçamos no amor, não necessariamente cresceremos nas consolações.

Se o amor não está nos sentimentos e consolações, então, o que o que é amar? Santa Teresa nos responde, como grande mestra de oração: “O amor está na maior determinação de desejar contentar a Deus, agradá-Lo, em procurar na medida do possível não ofendê-Lo”[3]. Então, concluímos que o amor é um ato de vontade.

O amor não é sentimento. Então, se o sentimento desaparece, nós, mesmo assim, temos que amar. Veja, quando temos as consolações, os sentimentos, no fundo, no fundo, não amamos Deus. Estas consolações são convites que Deus faz a nós, para que O amemos. Da nossa parte, temos que responder e, se o sentimento desaparece, se a consolação deixa de existir, devemos perseverar, mesmo que isso nos cause um sentimento de aversão, uma forte repugnância.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “Como sair do estado de frouxidão espiritual?”:

A importância da perseverança em tempos de aridez

Pode parecer estranho, mas esse repúdio à oração acontece. No progresso espiritual, às vezes sentimos uma verdadeira repulsa da oração. Porque esta será como a oração de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-46). Ninguém gosta de suar sangue, mas temos que perseverar e permanecer em oração, contra nossa vontade. É assim que, no Caminho de Perfeição, Santa Teresa d’Ávila diz às irmãs e também a nós: “Praticai a oração mental, quem não puder, faça a oração vocal”[4], ou seja, o ideal é a oração mental. Pois, nela realmente nos alimentamos e progredimos espiritualmente.

O ideal é a oração mental, mas, se não conseguimos, sejamos humildes, façamos a oração vocal, através de “leituras e colóquios com Deus”[5]. Além disso, Santa Teresa diz para não deixarmos as orações que costumamos fazer. Algumas pessoas deixam de rezar por que deixaram de ter consolações. Isso é um erro gravíssimo para a vida espiritual. Continuemos com nossos deveres: as horas canônicas, a Santa Missa, o Terço. Pois, não sabemos quando seremos visitados pelo divino Esposo. Que não aconteça conosco o que aconteceu com as virgens imprudentes (cf. Mt 25, 1-13). O Esposo veio e elas não estavam preparadas[6].

Portanto, em meio à aridez espiritual, perseveremos, porque Deus quer o nosso bem e, se Ele nos tirou a consolação, talvez seja porque quer que nós cresçamos no amor. As mães, quando veem que os filhos precisam parar de mamar e comer alimentos sólidos, colocam alguma coisa amarga no bico da chupeta, na mamadeira ou até mesmo no próprio seio, para que a criança não queira mais a consolação do leite materno e aprenda a mastigar. É assim que Deus, para o nosso bem, pode proporcionar um tempo de aridez. Por isso, se passamos por um período de aridez na vida de oração, no qual não conseguimos progredir, mesmo que isso se mantenha durante um longo tempo, simplesmente amemos Deus e, no final da nossa oração, digamos: Senhor, eu sou somente um servo inútil, fiz o que devia fazer (cf. Lc 17, 10).

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. As deploráveis Terceiras Moradas.

PADRE PAULO RICARDO. Caminho de Perfeição.

PADRE PAULO RICARDO. Projeto Terceira Morada.

TODO DE MARIA. Mudar de vida com o Projeto Segunda Morada.

TODO DE MARIA. Padre Paulo Ricardo ensina-nos a orar.

Referências:


[1]  Cf. SANTA TERESA DE JESUS. Castelo Interior, Quartas Moradas, C 1, 7.

[2]  Idem, ibidem.

[3]  Idem, ibidem.

[4]  SANTA TERESA DE JESUS. Caminho de perfeição, C 18, 4.

[5]  Idem, ibidem.

[6]  Idem, ibidem.

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