Neste primeiro sábado do mês, meditemos sobre a paixão de Jesus Cristo em reparação das ofensas cometidas contra o Imaculado Coração da Virgem Maria.

Neste primeiro sábado do mês de março, temos duas razões para meditar sobre a paixão de nosso Senhor Jesus Cristo: o tempo da Quaresma e o desagravo das ofensas cometidas contra o Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria.

Sobre a sua paixão e morte de cruz, o Senhor disse: “Abraham, pater vester, exultavit, ut videret diem meum: vidit et gavisus est – Abraão, vosso pai, desejou ansiosamente ver o meu dia: ele o viu e exultou de gozo” (Jo 8, 56).Neste primeiro sábado do mês, meditemos sobre a paixão de Jesus Cristo em reparação das ofensas cometidas contra o Imaculado Coração da Virgem Maria.

Abraão e os demais justos do Antigo Testamento desejavam ansiosamente ver o dia do Senhor. Pois, depois da vinda do Filho de Deus ao mundo, é impossível que uma alma devota, que medita nas dores e ignomínias que Ele sofreu por nosso amor, não se abrase em amor e não se decida firmemente a tornar-se santa. Sendo assim, se queremos progredir no caminho de perfeição, meditemos com frequência, especialmente nestes dias da Quaresma, sobre a paixão do divino Redentor e, meditando, imaginemos que presenciamos os mistérios dolorosos.

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A manifestação suprema do amor de Deus na paixão de Cristo

Não foi sem razão que o patriarca Abraão, nosso pai na fé, desejou ansiosamente ver o dia do Senhor. Ao receber a graça de ver este dia memorável, por uma revelação divina, ainda que somente em espírito, alegrou-se em seu coração, como atesta o Evangelho do Domingo da Paixão (cf. Jo 8, 56). Pois, o tempo que se seguiu à vinda de Jesus Cristo já não é mais tempo de temor, mas tempo de amor: “tempus tuum, tempus amantium – o teu tempo, tempo de amores” (Ez 16, 8).

Na Lei antiga, antes da Encarnação do Verbo, os homens podiam duvidar do amor de Deus. Mas, depois de ter acesso à nova Lei e de saber que Cristo morreu por nós, esvaído em sangue e vilipendiado sobre o madeiro da cruz, já não podemos duvidar que Ele nos ama com toda a ternura. Quem poderá compreender o excesso de amor que levou o Filho de Deus a pagar a pena devida pelos nossos pecados? No entanto, esta deve ser a nossa fé: “Dilexit nos, et lavit nos in sanguine suo — Ele nos amou, lavou-nos em seu sangue” (Ef 5, 2). Ó misericórdia infinita! Ó amor infinito de Deus por todos dos homens e por cada um de nós em particular!

A indiferença para com a paixão de nosso Senhor Jesus Cristo

Se assim fomos amados, por que é que tantos cristãos olham com indiferença para Jesus Cristo crucificado? Por que, na Semana Santa, muitas pessoas assistem à Liturgia da paixão e morte de Jesus, mas sem nenhum sentimento de ternura e gratidão, como se não se comemorasse um fato verdadeiro ou não lhes dissesse respeito?

Essas pessoas não sabem ou não creem, porventura, no que os santos Evangelhos dizem a respeito da paixão de Jesus Cristo? Com certeza elas creem nessas verdades, mas não refletem sobre elas. Entretanto, é impossível que uma pessoa que tem fé, que medita nas dores e ignomínias que Jesus Cristo padeceu por nosso amor, não se abrase de amor para com Ele e não tome uma forte resolução de tornar-se santa, a fim de não mostrar-se ingrata para com Deus, que tanto a ama. “Caritas Christi urget nos — A caridade de Cristo nos constrange” (2 Cor 5, 14).

A meditação na paixão de Cristo e o crescimento no amor

Se queremos crescer sempre no amor para com Deus e progredir na perfeição, meditemos repetidas vezes sobre o mistério da paixão de Jesus Cristo, conforme o conselho que nos dá São Boaventura: “Quotidie mediteris Domini passionem[1] — Meditemos todos os dias na paixão do Senhor”. Especialmente nestes dias, que precedem a comemoração da Sua morte dolorosíssima, guiado pelos sagrados Evangelhos, contemplemos com olhos cristãos tudo que o Crucificado sofreu nos principais momentos de seu padecimento, no horto das Oliveiras, na cidade de Jerusalém e no monte Calvário.

Para que tiremos desta meditação o fruto mais abundante possível, imaginemos os sofrimentos de Jesus Cristo tão vivamente, que nos pareça ver diante dos olhos o Redentor tão maltratado, e sintamos em nós mesmos as chagas que n’Ele abriram as pontas dos espinhos e dos cravos, a amargura do vinagre e do fel, a desonra das ignomínias e dos desprezos: “Hoc enim sentite in vobis, quod et in Christo Iesu — Senti em vós o que Jesus Cristo sentiu” (Fl 2, 5). Enquanto meditamos, repitamos muitas vezes com o Apóstolo dos gentios: Tudo isso o Senhor tem feito e padecido por mim, para me mostrar o Seu amor e ganhar o meu: “Dilexit me, et tradidit semetipsum pro me — Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20). Como não amar de volta um amor assim?

Oração de Santo Afonso Maria de Ligório

Sim, amo-Vos; † Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas; e porque Vos amo, pesa-me de Vos haver ofendido, e proponho antes morrer do que Vos tornar a ofender. “Vos, ó Senhor onipotente, lançai sobre mim um olhar benigno, para que por Vossa proteção seja regido no corpo e defendido na alma”[2]. † Doce Coração de Maria, sede minha salvação[3].

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. Preparação para Páscoa “Victimae Paschali Laudes”.
TODO DE MARIA. A devoção dos cinco primeiros sábados.
TODO DE MARIA. Como meditar com Maria nos primeiros sábados?
TODO DE MARIA. O triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Referências:


[1]  SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Meditações Para todos os dias e festas do ano: Tomo I, p. 376.
[2]  Idem, ibidem. Or. Dom. curr.
[3]  Idem, ibidem.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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