Meditemos sobre a alegria de celebrarmos a memória de Nossa Senhora das Dores neste Ano Mariano.

Neste Ano Mariano, no qual celebramos o jubileu de 300 anos de Aparecida e o de 100 anos de Fátima, é significativo que celebremos com grande júbilo a memória de Nossa Senhora das Dores. Esta festa torna-se ainda mais significativa porque na última das aparições de Fátima Maria Santíssima apareceu não somente sob os títulos de Senhora do Rosário e do Carmo, mas também com o de Virgem das Dores.Meditemos sobre a alegria de celebrarmos a memória de Nossa Senhora das Dores neste Ano Mariano.

Essa tríplice aparição mariana aconteceu justamente no dia 13 de outubro de 1917, conforme prometeu no mês anterior, no dia13 de setembro. Com isso, a Mãe de Deus parece nos mostrar o quanto as devoções do Rosário, do Escapulário e a Senhora das Dores são caras a ela e ao próprio Deus. Além disso, o fato de Nossa Senhora ter aparecido sob esses três títulos no mesmo dia revela-nos o quanto essas três devoções estão intimamente ligadas entre si. Outro fato que corrobora com essa ideia é que o anúncio dessa aparição aconteceu no mês de setembro, no qual celebramos Nossa Senhora das Dores e a aparição sob os três títulos foi em outubro, mês do Santo Rosário.

A Santíssima Virgem apareceu sob os títulos de Senhora do Rosário, das Dores e do Carmo como se nos quisesse mostrar a nós que: é na imitação dos mistérios da vida de Jesus Cristo, que o Rosário nos recorda, que nos tornaremos semelhantes a Ele; na oração e na penitência da mística montanha do Carmo nos purificaremos e alcançaremos a misericórdia; na compaixão das dores de Maria aprenderemos o horror ao pecado e o amor à mortificação. Sendo assim, neste mês em que celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz e a memória de Nossa Senhora das Dores, meditemos sobre a espada de dor que transpassou o Imaculado Coração de Maria.

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Os sofrimentos de Maria e a salvação da humanidade

Primeiramente consideremos o modo admirável com que o Senhor Jesus Cristo glorificou a sua Mãe Santíssima, já nesta terra, por ela ter se associado voluntariamente à sua dolorosa Paixão. No Calvário, o Filho de Deus encarnado deu a conhecer ao mundo as sublimes virtudes da Virgem Maria, especialmente a sua ardente caridade para com Deus e o próximo. Com efeito, sendo o sofrimento pela pessoa amada a prova mais evidente do amor, e tendo Nossa Senhora sofrido mais do que qualquer outra pessoa, pelo amor a Jesus Cristo e aos homens, ela provou que, mais do que ninguém, amava de todo o seu Coração o seu divino Filho e aqueles que Ele lhe confiou.

Em segundo lugar, em recompensa pelo martírio, pelo sofrimento indizível que a Virgem sofreu no Coração, Deus comunicou-lhe o título glorioso de Rainha dos Mártires, da mesma forma que o Pai deu a seu Filho o título de Rei das Dores, em recompensa dos tormentos inexprimíveis sofridos no corpo na sua Paixão.

Assim como Jesus Cristo se tornou o nosso Redentor por nos ter resgatado da escravidão do pecado e do demônio pelos merecimentos da sua Paixão, Maria Santíssima, pelos merecimentos das suas dores, também cooperou na causa da nossa salvação. Ela tornou-se Corredentora do gênero humano, porque uniu voluntariamente os seus sofrimentos com os do seu Filho. “É exatamente o que Jesus Cristo declarou do alto da cruz, depositando nas mãos dela, como diz São Bernardo, todo o preço da Redenção, e proclamando-a Mãe de todos os fiéis na pessoa de João: Mulier, ecce filius tuus (Jo 19, 26) — ‘Mulher, eis aí teu filho’”[1].

Nós também temos a felicidade de ser filhos desta grande Mãe e, por isso, alegremo-nos com ela pela glorificação das suas dores. Pois, se a Paixão de Cristo foi o ato supremo do amor de Deus pela humanidade, os sofrimentos da Virgem das Dores formaram o insuperável ato de amor humano para com Deus e para com toda a humanidade. Sendo assim, sejamos sempre fiéis devotos da Virgem Maria, reconhecendo-a como criatura mais abrasada em amor, como verdadeira Rainha dos Mártires e Corredentora da salvação do gênero humano.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre a “Memória de Nossa Senhora das Dores”:

Imitadores de Maria no mistério do sofrimento

Sendo esta terra um lugar de alcançar merecimentos, é chamada com razão vale de lágrimas, pois somos todos destinados a sofrer. Entretanto, o merecimento não consiste somente em sofrermos, mas em sofrermos com paciência, conformando-nos com a vontade de Deus. No livro do Apocalipse, São João viu todos os santos com palmas, símbolo do martírio, nas mãos: “vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão” (Ap 7, 9). Desta forma, o Discípulo amado nos ajuda a compreender que todos os adultos que desejam salvar-se devem ser mártires, pelo derramamento do próprio sangue ou pela paciência.

São Gregório dizia que nós também podemos ser mártires sem o ferro do algoz, da mesma forma que a Mãe de Deus, praticando a virtude da paciência. Nesse sentido, se oferecermos a Deus as penas que forçosamente sofremos neste mundo pela conversão dos pecadores e se sofrermos essas penas exatamente com a intenção de cooperarmos para esta conversão, então seremos também, de alguma sorte, corredentores, unidos a Cristo no mistério da Redenção.

Como fruto desta meditação, abracemos com resignação e por amor de Deus todas as tribulações que possam nos visitar, principalmente as enfermidades, as perseguições, as injúrias, os desprezos.

Quando sentirmos o peso das cruzes, olhemos para a Virgem Maria, a Rainha dos Mártires, e pensando na sua glorificação, digamos: “Padecemos com Maria para também sermos com Maria glorificados”[2]. Nos momentos de sofrimento, recorramos sempre a Nossa Senhora, como sempre fazia Santo Afonso Maria de Ligório: “Ó Mãe das Dores, proponho imitar as vossas virtudes, e especialmente a vossa paciência; ajudai-me a ser-vos fiel. ‘E Vós, ó meu Jesus, sede-me propício, e concedei-me a graça de experimentar o feliz efeito da vossa Paixão, na qual, como o havia profetizado Simeão, uma espada de dor traspassou a alma (cf. Lc 2, 35) tão terna da gloriosa Virgem Maria, vossa Mãe, cujas dores celebramos e honramos’”[3].

Oh! como aprouve a Deus glorificar já aqui nesta terra as dores da Santíssima Virgem Maria! Primeiramente o Senhor deu a ela a ocasião para mostrar as suas belas virtudes, especialmente a sua caridade para com Deus e o próximo. Em segundo lugar, o Senhor fez a Santíssima Virgem merecer o título glorioso de Rainha dos Mártires. Por fim, foi pelas suas dores que Nossa Senhora se tornou Mãe de todos os fiéis e Corredentora do gênero humano. Em resposta, se quisermos nos mostrar seus dignos filhos, alegremo-nos com a nossa Mãe Santíssima e esforcemo-nos em imitá-la, carregando com paciência as nossas cruzes. Assim, virá também para nós o dia em que seremos glorificados com ela no Céu. Compatimur ut et glorificemur — “Padecemos com ela para sermos também com ela glorificados” (cf. Rm 8, 17).

Oração de São Gabriel da Virgem Dolorosa a Mãe das Dores

Ó Mãe das Dores, pela angústia e amor que a tiveste ao lado da Cruz de Jesus, esteja ao meu lado na minha última agonia. Ao teu Coração materno recomendo as últimas três horas da minha vida. Ofereço essas horas ao Pai Eterno, em união com a Agonia do nosso querido Senhor, em expiação dos meus pecados. Ofereço ao Pai Eterno o Preciosismo Sangue de Jesus misturado com tuas lágrimas no Calvário, para que eu possa obter a graça de receber a Sagrada Comunhão com o amor mais perfeito e contrição antes da minha morte. Que a minha alma possa descansar diante da presença adorável de Jesus. Querida Mãe, quando chegar o último momento da minha morte, apresenta-me como um filho teu diante Jesus. Pede-lhe que me perdoe por tê-lo ofendido, pois não sabia o que fazia. Implora para que Ele me receba em seu Reino de glória para permanecermos unidos a Ele para sempre. Amém[4].

Links relacionados:

TODO DE MARIA. A Coroa das Sete Dores de Nossa Senhora.

TODO DE MARIA. Terço das Sete Dores: de Kibeho para o mundo.

TODO DE MARIA.São Gabriel de Nossa Senhora das Dores.

Referências:


[1]  SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Meditações Para todos os Dias e Festas do Ano – Tomo III, p. 364.

[2]  Idem, p. 365.

[3]  Idem, ibidem. Or. festi.

[4]  SERVI MARIAE. Oração à Mãe das Dores.

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