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    Saiba um pouco mais sobre as genealogias de Jesus Cristo dos evangelhos de São Mateus e São Lucas e descubra como a Virgem Maria se insere nelas.

    Neste artigo, respondemos a pergunta do Marcelo a respeito da genealogia de Jesus Cristo, filho da Virgem Maria. A questão tem sua maior dificuldade no fato de que as genealogias de Jesus nos evangelhos segundo São Mateus e São Lucas não mencionam Nossa Senhora, mas São José como ascendente de Jesus Cristo. Primeiramente, segue a pergunta do Leitor:

    Saiba um pouco mais sobre as genealogias de Jesus Cristo dos evangelhos de São Mateus e São Lucas e descubra como a Virgem Maria se insere nelas.

    A Virgem Maria, o Menino Jesus e São José

    Deus disse, no Antigo Testamento, que Jesus seria descendente de Davi e na Bíblia [Novo Testamento] encontramos que São José era da linhagem do Rei Davi. Como explicar, aos que não creem, que Maria Santíssima também era descendente de Davi e que a Promessa de Deus se cumpriu integralmente através de Nossa Senhora e sem usar material genético de São José?

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    As diferenças entre as genealogias de São Mateus e São Lucas

    Sobre as duas genealogias de Jesus Cristo, de São Mateus e São Lucas, há exegetas que afirmam que uma delas é a genealogia de São José e a outra da Virgem Maria. Entretanto, não há comprovação dessa tese nas Escrituras.  É verdade que, segundo a Lei judaica, o homem deveria tomar uma mulher de sua própria tribo ou família (cf. Nm 36, 6.8). Sendo assim, é possível que a Virgem Maria também seja da descendência de Davi, como seu esposo São José. Mas, também não temos na Bíblia ou na Tradição da Igreja fontes seguras que confirmem essa tese.

    Ao compararmos as duas genealogias, verificamos que há diferenças significativas entre elas. Essas diferenças não são explicáveis do modo como entendemos o que é uma genealogia nos nossos dias.

    Estamos claramente diante de um gênero literário que procura descobrir mais um sentido mais profundo na história, que diz respeito ao Povo de Israel e a Cristo, do que reconstruir uma árvore genealógica bem documentada. Por isso, não há uma preocupação com a coerência entre as duas genealogias.

    O sentido teológico das genealogias de Jesus Cristo

    São Mateus intitula a sua genealogia: “Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão” (Mt 1, 1). A sua intenção é a de iluminar não só a origem hebraica de Jesus, chamando-o de “filho de Abraão”, mas também o seu carácter messiânico, ou seja, sua ligação com o grande Rei de Israel: “filho de Davi”.

    Ao meditar sobre esses personagens, entendemos por que esta passagem do Evangelho, aparentemente árida e semelhante a uma lista de nomes desconhecidos, é estimada e transparente para o leitor judeu-cristão. Compreendemos também que a intenção do Evangelista não era a de fazer uma pesquisa minuciosa sobre os antepassados de Jesus, mas – recorrendo à história de Israel e às suas etapas fundamentais – de revelar o sentido da figura de Jesus Cristo no interior da história de salvação da humanidade[1].

    Não devemos nos surpreender pelas diferenças da genealogia de Lucas (3, 23-38), que não ocorre por ocasião do nascimento de Jesus, como em Mateus, mas no início do Seu ministério público. Além disso, no Evangelho de Lucas temos uma genealogia “ascendente”, ou seja, que parte-se de Jesus – “que era tido por filho de José” (v. 23) – para chegar não somente até Abraão, como no de Mateus, mas até Adão. A última sequência da cadeia genealógica é o próprio Deus: “filho de Deus” (v. 38).

    A intenção do Evangelista não é apresentar as ramificações da família de Cristo, mas a sua intenção é teológica. Servindo-se de materiais da história de Israel e de fontes difíceis de identificar, Lucas quer realçar que a salvação é dirigida a todos os homens, ao referir-se a Adão, e a divindade de Jesus Cristo, quando chama Adão de “filho de Deus”.

    Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “A genealogia de Jesus”:

    A continuidade e ruptura com o Antigo Testamento

    Independentemente das incertezas e das polêmicas que possam criar essas e outras interpretações, o fato é que não é possível dizer, a partir das Sagradas Escrituras, que São José era pai biológico de Jesus Cristo, como afirmam alguns. Em Lucas, fica claro que São José era “considerado” (cf. Lc 3, 23) pelos judeus como pai de Jesus e não seu pai legítimo. Lucas não deixa dúvidas que o Filho de Maria e também “Filho do Altíssimo” (Lc 1, 32).

    Em Mateus, vemos que a palavra “gerou” perpassa toda a genealogia: “Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá […] Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo” (Mt 1, 1-16). No entanto, no final da genealogia há uma ruptura da narrativa. Mateus não diz que José gerou Jesus, mas somente que de sua esposa, a Virgem de Nazaré, nasceu o Cristo, ou seja, o Messias esperado pelos judeus. Este Evangelho foi escrito para os cristãos de origem judaica e para eles fica evidente que Jesus Cristo é o Messias, mas, ao mesmo tempo, que há uma novidade: Nossa Senhora, a Virgem Imaculada, “concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18).

    No Evangelho segundo Mateus, vemos também que não há uma preocupação de mostrar uma árvore genealógica de pessoas virtuosas, como qualquer pessoa gostaria de fazer. Ao contrário, o Evangelista faz questão de mostrar que há pecadores na descendência de Jesus Cristo. Ele menciona que Salmon gerou Booz da prostituta Raab (cf. Mt 1, 5); diz que o rei Davi gerou Salomão de Betsabé, que era esposa de Urias (cf. Mt 1, 6). Fica patente que São Mateus quer mostrar que há uma continuidade com o Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, uma ruptura: Jesus Cristo é o messias esperado pelos judeus, da descendência de Abraão e de Davi, mas, veio ao mundo de uma forma inesperada. O Filho de Deus se encarnou no seio da Virgem Maria, rompendo com a descendência herdeira do pecado de Adão, para gerar uma nova descendência: os filhos da Imaculada, da nova Eva, que são da descendência de Jesus Cristo, o novo Adão[2].

    Este foi mais um artigo do novo tema: “Perguntas e Respostas”, do blog Todo de Maria. Convidamos você a participar, enviando sua pergunta ou sugestão de tema para nossos posts. Agradecemos desde já a sua participação! Agradecemos também a você que é nosso leitor e aproveitamos para pedir que compartilhe nosso conteúdo, para que a Virgem Maria seja cada vez mais conhecida e amada e, consequentemente, Jesus Cristo seja mais conhecido e amado.

    Links relacionados:

    TODO DE MARIA. A fuga de Jesus, Maria e José para o Egito.

    TODO DE MARIA. O amor de São José a Jesus, a Maria e a nós.

    TODO DE MARIA. Os esponsais de Maria e José e o amor a Deus.

    Referências:


    [1]  CARDEAL GIANFRANCO RAVASI. A genealogia de Jesus Cristo.

    [2]  Cf. PAPA SÃO JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica, 411.


    Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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      2 Comentários

      1. Prezado Natalino:

        Com relação às genealogias de Jesus, desejo convidá-lo a ler os meus artigos que foram publicados na “Revista Bíblica” (Buenos Aires, Argentina), abaixo relacionados, todos em arquivos PDF:

        “As Genealogias de Jesus” (RevistB 71/3-4 [2009] 103-218)
        http://www.pesquisasbiblicas.com.br/portgenjesus.pdf

        “As Genealogias de Jesus: uma complementação” (RevistB 73/3-4 [2011] 117-129)
        http://www.pesquisasbiblicas.com.br/portgenjesuscompl.pdf

        Os referidos artigos contêm informações e teses inéditas sobre a questão.
        Se possível, gostaria de saber a sua opinião sobre meus artigos.
        Espero que eles possam ajudar cada vez mais à pesquisa bíblica.

        Atenciosamente,

        Adylson Valdez.

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