O auxílio materno de Nossa Senhora se faz presente na história da Igreja Católica, principalmente em tempos de perseguição.

Na Igreja, em todos os tempos, Nossa Senhora mostra-se um auxílio extraordinário enviado por Deus para nos ajudar, especialmente em tempos de sofrimentos e perseguições. Este auxílio estava previsto desde o princípio, antes mesmo da obra da Criação, e foi revelado a nós na imagem misteriosa da inimizade entre a “Mulher do Gênesis” e a Serpente: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15).

O auxílio materno de Nossa Senhora se faz presente na história da Igreja Católica, principalmente em tempos de perseguição.

A Mulher revestida de sol e o grande Dragão vermelho (cf. Ap 12, 1-3).

Na plenitude dos tempos, esta imagem torna-se compreensível à luz de outra inimizade. Trata-se daquela entre a “Mulher revestida de sol” (Ap 12, 1) e o “grande Dragão vermelho” (Ap 12, 3), que nos é dada a conhecer no livro do Apocalipse. Se a Mulher do Gênesis aparece agora revestida de beleza e esplendor, “vestida de sol”, a primitiva serpente mostra-se um grande e assustador Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres. Este, por mais temível que parecesse, não pode vencer a Mulher, por isso, irritado, o Dragão veio fazer guerra contra nós, que somos da descendência da Virgem Maria e temos o testemunho de Jesus Cristo (cf. Ap 12, 17).

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A “Mulher do Apocalipse” como símbolo de Nossa Senhora

No livro do Apocalipse de São João, uma figura enigmática nos é dada a conhecer: “Depois apareceu um grande sinal do Céu: uma Mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça” (Ap 12, 1). Diante disso, é inevitável perguntarmos: Qual é o significado desta imagem? Ela representa, ao mesmo tempo, a Virgem Maria e a Igreja.

Antes de tudo, a “Mulher do Apocalipse” é Nossa Senhora. Ela está “revestida de sol”, ou seja, revestida de Deus: a Virgem Santíssima está totalmente envolvida pela luz de Deus e vive em Deus. Este símbolo da veste luminosa expressa claramente uma condição que diz respeito a todo o ser de Maria: Ela é a “cheia de graça” (Lc 1, 28), aquela que desde a sua concepção virginal é plena do amor de Deus. “Deus é luz” (1 Jo 1, 5), nos ensina São João, e eis que a Virgem de Nazaré, a “cheia de graça”, a “Imaculada”, reflete com toda a sua pessoa a luz do “sol” que é Deus.

Esta Mulher tem debaixo dos pés a lua, que é símbolo da morte e da mortalidade. Esta imagem nos ajuda a compreender que a Virgem Maria está plenamente associada à vitória de Jesus Cristo, seu Filho, sobre o pecado e sobre a morte. Por isso, ela está livre de qualquer sombra de morte e totalmente repleta de vida. A morte já não tem poder algum sobre Jesus Cristo ressuscitado (cf. Rm 6, 9), e também, por graça e privilégio singulares de Deus Onipotente, Maria Santíssima deixou-a atrás de si, superou a morte.

Esta vitória da Virgem Maria sobre a morte, que é, ao mesmo tempo, o triunfo de Deus, manifesta-se nos dois maiores mistérios da sua existência: ser concebida sem o pecado original, que no mistério da Imaculada Conceição; e a sua Assunção aos Céus em corpo e alma, para a glória de Deus. No entanto, toda a sua vida terrena também foi uma vitória sobre a morte, porque a Santíssima Virgem se dedicou totalmente ao serviço de Deus, no sacrifício total de si mesma ao Filho e ao próximo. “Por isso, Maria é em si mesma um hino à vida: é a criatura na qual já se realizou a palavra de Cristo: ‘Vim para que tenham vida, e a tenham em abundância’ (Jo 10, 10)”1.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “Como reagir diante das perseguições que a Igreja sofre?:

A “Mulher do Apocalipse” como símbolo da Igreja Católica

Na visão do Apocalipse há um detalhe que pode passar despercebido: sobre a cabeça da Mulher revestida de sol, há “uma coroa de doze estrelas”. “Este sinal representa as doze tribos de Israel e significa que a Virgem Maria está no centro do Povo de Deus, de toda a comunhão dos santos”2. Esta unidade de pessoas, representada pela imagem da coroa de doze estrelas, introduz-nos na segunda grande interpretação do sinal celeste da “Mulher revestida de sol”: além de Nossa Senhora, este sinal representa e encarna a Igreja, a comunidade cristã de todos os tempos. A “Mulher” está grávida, no sentido de que leva em seu ventre o próprio Cristo, e deve dá-Lo à luz para o mundo: eis a grande obra, o árduo serviço, da Igreja peregrina sobre a Terra, que entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo, deve levar Jesus aos homens.

Desde o princípio, a Igreja é perseguida, encontra a oposição de um adversário feroz, representado na visão apocalíptica por um “grande Dragão vermelho” (Ap 12, 3), justamente porque leva Jesus Cristo à humanidade. Em vão, este Dragão procurou devorar o Filho de Deus — o “menino, aquele que deve reger as nações pagãs com cetro de ferro” (Ap 12, 5) — porque Jesus, através de sua morte e ressurreição, subiu aos Céus, para junto de Deus. Não podendo mais atacar o Menino, o Dragão vermelho, derrotado de uma vez para sempre nos Céus e precipitado na Terra, passa a perseguir a Mulher — a Igreja — no deserto, na desolação deste mundo (cf. Ap 12, 7-13). No entanto, em todos os tempos, a Igreja é apoiada pela luz e pela força de Deus, que a alimenta no deserto, com o pão da sua Palavra e da sagrada Eucaristia.

Assim, através de todas as provas que encontramos ao longo dos tempos, nas diversas partes do mundo, a Igreja e cada um de nós, seus filhos, sofremos perseguições, passamos por tribulações, mas terminamos vencedores. Desta forma, “a Comunidade cristã é a presença, a garantia do amor de Deus contra todas as ideologias do ódio e do egoísmo”3. Vemos isto tornar-se realidade de modo particularmente extraordinário nos países em que a Igreja é perseguida pelo Islamismo, como na Síria e no Egito, e pelo Comunismo, a exemplo da China, do Vietnã e da Coreia do Norte. Nestes e em muitos outros países, vemos o testemunho do amor a Deus e aos homens, ainda que em meio aos sofrimentos, aos perigos, às perseguições, à violência e à morte.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “O perigo das falsas conversões:

A Igreja Católica e o “grande Dragão vermelho” das ideologias

Portanto, se a Igreja Católica é a presença da descendência da Mulher, as ideologias, que desde tempos imemoráveis querem dominar o mundo, são a presença deste grande Dragão vermelho. Dessa forma, não podemos negar que nós, que somos da descendência da Virgem Maria, simbolizada na imagem da “Mulher”, estamos em constante guerra contra Satanás, representado na figura do “Dragão”.

A guerra entre a “Mulher” e o “Dragão” é aparentemente desigual. Por vezes, somos tentados a pensar que o poder das trevas é mais forte que o da Luz. No entanto, ainda que em situações extremamente difíceis, não devemos temer, pois Deus está conosco (cf. Mt 28, 20). Além disso, o Senhor nos concedeu o auxílio de sua Mãe Santíssima. Contando com as presenças de Jesus e de Maria, “a única armadilha da qual a Igreja pode e deve ter receio é o pecado dos seus membros”4. Devemos atentar-nos a isto porque, enquanto Maria é toda santa e Imaculada, livre de toda e qualquer mancha de pecado, a Igreja é igualmente santa, mas, ao mesmo tempo, está marcada pelos nossos pecados. Por isso, nós católicos, que somos o novo Povo de Deus, peregrino neste mundo, dirigimo-nos à nossa Mãe dos Céus e pedimos o seu auxílio. Clamamos a Maria Santíssima que nos acompanhe no caminho da fé, apoie-nos na esperança e nos encoraje no compromisso com a caridade, enfim, nos ajude a testemunhar uma vida cristã autêntica.

Em nossos dias, talvez mais do que em outros tempos, necessitamos do auxílio materno da Virgem Maria, especialmente neste momento difícil que vivemos no Brasil, com a crise política e econômica, mas também em várias outras partes do mundo, dominadas pelo Islamismo, pelo Comunismo, pelas ideologias e falsas religiões. Que Nossa Senhora nos ajude, neste momento crítico da história da humanidade, a ver que há uma luz para além das sombras, que parecem envolver a realidade. Peçamos constantemente o auxílio, a proteção, o cuidado materno, a intercessão de Nossa Senhora: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”. Nossa Senhora das Graças, rogai por nós!

Natalino Ueda, servo inútil de Jesus por Maria.

Links relacionados:

TODO DE MARIA. A devoção aos Corações de Jesus e de Maria.

TODO DE MARIA. Nossa Senhora e a Nova Ordem Mundial.

TODO DE MARIA. Nossa Senhora das Graças e o Comunismo.

Referências:

1 PAPA BENTO XVI. Ato de veneração à Imaculada na Praça de Espanha.

2 Idem.

3 Idem.

4 Idem.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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