Olhemos para a Virgem Maria e meditemos sobre vocação materna como consagração, como entrega amorosa a Deus e aos seus desígnios.

Para a Igreja Católica, ser mãe é, antes de tudo, uma vocação. De forma semelhante à vida religiosa, a maternidade é uma vocação na qual há uma consagração, uma entrega amorosa de toda a vida. A maternidade é um sacrifício de toda a vida, por amor ao esposo e aos filhos.

Olhemos para a Virgem Maria e meditemos sobre vocação materna como consagração, como entrega amorosa a Deus e aos seus desígnios.

Nossa Senhora de Fátima

Vemos essa entrega total na vida da Virgem Maria. Em obediência à Palavra de Deus, Nossa Senhora acolheu a sua vocação privilegiada, mas nada fácil, de esposa e mãe da Sagrada Família de Nazaré. Colocando-se ao serviço de Deus, ela colocou-se também ao serviço dos homens: um serviço de amor. “Este mesmo serviço permitiu-Lhe realizar na sua vida a experiência de um misterioso, mas autêntico ‘reinar’. Não é por acaso que ela é invocada como ‘Rainha do céu e da terra’”[1].

Toda a Igreja católica invoca Nossa Senhora como “Rainha”, bem como muitas nações e povos. “O seu ‘reinar’ é servir! O seu servir é ‘reinar’!” Dessa forma deveria ser entendida toda a autoridade, tanto na família, como na sociedade e na Igreja.

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A importância da figura materna em nossos dias

Num mundo marcado pelo materialismo, pelo egoísmo, pela busca desenfreada pelo prazer, a verdadeira figura materna nos ajuda a enxergar qual é a verdadeira vocação e consequentemente a realização de todas as mães.

Hoje em dia, muitas mães são depressivas porque se fecharam à vida, não querem ter filhos. Outras têm filhos, mas não querem cuidar deles e educá-los, confiando sua tarefa às babás e às empregadas, aos professores e aos catequistas. Tudo isso para ter mais tempo para cuidar de suas coisas, ter um trabalho, ter amizades e curtir a vida como se fossem pessoas livres e desimpedidas. Mas, quanto mais se entregam a esse estilo de vida, mais ficam depressivas, materialistas e infelizes. Além disso, muitas vezes essas atitudes acabam por desestruturar a família e consequentemente causar desentendimentos, brigas e até o divórcio.

A figura materna de Nossa Senhora é o oposto desse modelo de mulher e de mãe que hoje é imposto pela sociedade, pela televisão e pelas mídias sociais. A olharmos para a figura materna de Maria, temos como que um antídoto contra o veneno que está sendo inoculado em nossa sociedade.

A figura materna incompreendida e deturpada pela humanidade

A figura materna às vezes é tão incompreendida e deturpada pela humanidade porque a figura da mulher é incompreendida e deturpada pelas ideologias. Sob o pretexto de conceder às mulheres a liberdade e a igualdade, essas ideologias estão cada vez mais influenciando elas a assumir papéis e costumes masculinos. Consequentemente, a maternidade é vista como algo negativo, que tirará a liberdade da mulher. Por isso, hoje em dia, muitas mulheres não querem casar e ser mães, ou adiam o casamento e a maternidade, tornando suas vidas vazias, sem sentido.

Influenciadas por essas mesmas ideologias, as mulheres que são mães querem liberdade e igualdade, então, não querem dedicar-se à criação e educação dos filhos. Consequentemente, elas não se realizam e não formam os filhos, e às vezes até os deformam. Este é o principal risco de não compreender e ainda deturpar a figura da mãe na família e na sociedade.

Nossa Senhora como o exemplo de maternidade

O homem é a única criatura querida por Deus por si mesma e este não pode se encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo[2].

O materno reinar de Maria é dom sincero de si mesma, fazendo-se dom para o seu Filho com todo o seu ser. Ao fazer-se dom para o Menino Jesus, ela tornou-se também dom para os filhos e filhas de toda a humanidade. Mãe de todo gênero humano, Nossa Senhora gera uma profundíssima confiança em quem a Ela recorre para ser guiado pelos caminhos difíceis da vida até seu próprio destino definitivo, o Reino dos Céus.

Toda mulher, especialmente aquela que é mãe, é chamada a ser dom de si mesma para os outros, a fim de realizar-se como filha de Deus. Nesse sentido, Nossa Senhora é o maior exemplo e referência sobre maternidade porque não somente ela nos deixa o exemplo de dedicação em encaminhar seus filhos para a eternidade, mas também nos acompanha com seu olhar materno para que não nos percamos no caminho.

O dom de ser Mãe da Virgem Maria como referência

O dom da maternidade da Virgem Maria ilumina toda a vida da mulher, especialmente daquela que é mãe. Como todo ser humano, a mulher que é mãe se realiza quando transforma o seu reinado em serviço de amor, quando esta procura realizar bem a tarefa que lhe foi confiada por Deus e, ao mesmo tempo, vive esse serviço como um reinado, revestido de toda a dignidade.

Como um pai não se realiza plenamente sem exercer bem o seu ser pai, a mãe também não se realiza plenamente sem ser uma boa mãe. A imagem perfeita da mulher, especialmente daquela que é mãe, se realiza plenamente em Maria e exprime bem o ser da Igreja, enquanto comunidade consagrada. Pois, Nossa Senhora consagrou-se totalmente, com um coração virgem, para ser esposa de Cristo enquanto membro da Igreja, e mãe de todos os fiéis. Dessa forma, a Virgem Maria torna-se referência não somente de uma maternidade biológica e material, mas de uma maternidade espiritual, na qual ela continua a gerar filhos espirituais para Deus. Esta é a principal vocação de uma mãe, da qual a Mãe da Igreja é referência insuperável.

O auxílio de Maria para as mães do nosso tempo

Os maiores desafios enfrentados pelas mães para educar seus filhos em nossos dias talvez sejam os mesmos enfrentados por elas. Hoje em dia é muito difícil ou quase impossível manter-se longe das más influências. Até mesmo os desenhos animados estão influenciando as crianças, desde pequeninas, a serem vaidosas, egoístas, materialistas… Em alguns casos, aprendem até mesmo que podem escolher se querem ser menino ou menina e são ensinadas a estimular sua sexualidade. Todas essas coisas se fazem presentes também em muitas escolas e até mesmo nas famílias. Sendo assim, é um desafio quase insuperável manter um filho longe dessas influências negativas.

Diante desse quadro alarmante, as mães podem se apegar a Virgem Maria para superar suas dificuldades. Pois, ela é nossa Mãe e está sempre atenta às nossas necessidades. Da mesma forma que Deus Pai confiou seu Filho unigênito aos cuidados de Maria Santíssima, as mães podem entregar a si mesmas e os seus filhos aos seus cuidados maternos. Ela ajudou seu divino Filho a superar os tormentos do martírio e da cruz e certamente ajudará quem a ela se confiar a passar pelos sofrimentos desta vida.

De forma concreta, as mães podem fazer essa entrega incondicional através da consagração total a Jesus Cristo, pelas mãos maternas da Virgem Maria. Essa consagração tem no livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, um método muito bem elaborado.

Aconselho a todos, especialmente as mães, que se consagrem segundo o método de São Luís, que foi testado e aprovado na vida deste e de muitos outros santos, como Santa Teresinha, São João Bosco, São Pio de Pietrelcina e São João Paulo II.

O exemplo de Maria Santíssima para as mulheres

O dom da maternidade da Virgem Maria ilumina toda a vida da mulher, especialmente daquela que é mãe. Nossa Senhora é exemplo de vida para as mães que se tornaram viúvas, pois ela ficou viúva de São José; para as que perderam seus filhos, pois ela também perdeu seu Filho Jesus; para as que perderam pessoas próximas, já que ela também viu morrer seu esposo São José, seu Filho Jesus e muitos dos Seus discípulos. Seu exemplo de fé, esperança e caridade é como que um farol para todas as mulheres, especialmente para as mães.

Certa vez, em uma palestra na Canção Nova, o Padre Paulo Ricardo disse que a mãe deve ser intérprete do amor do pai. Podemos ver isso na Virgem Maria. Ela nos mostra o Amor do Pai encarnado, que é seu Filho Jesus Cristo. Nas bodas de Caná, ao chamar a atenção de seu Filho sobre o vinho que haveria de faltar, recebeu uma resposta cortante: “Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2, 4). Mas, ela conhecia o Coração de seu Filho, por isso disse aos que serviam: “Fazei o que ele vos disser” (v. 5). Nesse sentido, o exemplo de Maria ajuda as mulheres a exercer sua vocação, a serem intérpretes do amor do pai, ajudando os filhos a ver o seu amor em meio às palavras duras, às repreensões, aos castigos, ao não como resposta.

Por fim, Nossa Senhora é exemplo para as mulheres consagradas, que se entregam inteiramente a Deus na vida religiosa. Ela é também exemplo para todas as mulheres empenhadas nos mais diversos setores da educação e da saúde, para aquelas que exercem sua vocação materna nos berçários, pré-escolas, escolas, universidades, instituições de assistência social, paróquias, associações e movimentos.

Que a Virgem Maria, Mãe e Mestra, ajude todas as mães do Brasil e do mundo a serem fiéis à sua alta vocação, de gerar e educar filhos para Deus, para a eternidade!

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. Por que nós chamamos a Virgem Maria de Rainha e de Senhora?
TODO DE MARIA. A consagração a Maria passo a passo
TODO DE MARIA. A plenitude da maternidade espiritual de Maria.

Referências:


[1]  PAPA JOÃO PAULO II.  Carta do Papa João Paulo II às mulheres.
[2]  Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 24.

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