Saiba quais livros escolher, os mais indicados e adequados ao nosso perfil, para a leitura meditada.

Nesta aula do curso “Ensina-nos a orar”, Padre Paulo Ricardo nos explica como escolher um livro adequado para a leitura meditada. Pois, para que a nossa meditação seja frutuosa, não podemos escolher qualquer livro. É necessário que o livro tenha certas qualidades, que favoreçam a nossa meditação. Além disso, dependendo do nosso perfil pessoal, alguns livros são mais indicados e outros menos. Saber fazer essa escolha faz uma grande diferença para nossa meditação e consequentemente para a nossa vida espiritual.

Saiba quais livros escolher, os mais indicados e adequados ao nosso perfil, para a leitura meditada.

São João da Cruz

Primeiramente, conheceremos qual é o critério fundamental para escolher um bom livro para a leitura meditada. Se o livro não atende esse critério, por mais que ele seja bom do ponto de vista teológico, especulativo, não será um bom livro para nossa meditação. Num segundo momento, veremos quais são os livros mais indicados para meditação e valorizados para a espiritualidade católica; quais são aqueles que não atendem ao critério fundamental de escolha; quais são mais indicados para os iniciantes e os que não são indicados a estes. Por fim, saberemos qual é o efeito que a leitura meditada deve causar em nós e quais serão as consequências os frutos da nossa meditação.

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O critério fundamental para escolher um livro de meditação

O critério fundamental para que um livro seja adequado para nossa meditação é que ele nos coloque em contato com Jesus Cristo. Ele é o critério fundamental. Nós precisamos nos concentrar em Cristo, porque Ele é o Verbo de Deus.

A Palavra de Deus não é um livro, mas é uma Pessoa. Jesus é o Verbo de Deus, que se fez carne, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

O critério fundamental para escolher nossos livros de meditação é este: devem ser livros que nos levem a entrar em contato com Jesus. Vejamos o que São João da Cruz diz, no seu livro “Subida do Monte Carmelo”, a respeito do motivo pelo qual Jesus precisa ser o centro de nossa vida: “Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra – e não tem outra – (Deus) disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada mais tem para dizer”[1]. Este pensamento de São João da Cruz está presente na doutrina dos Santos Padres, de São Bernardo e de muitos outros santos. Jesus é a Palavra. Então, nós devemos entrar em contato com Ele, porque Deus não tem nada para falar além de Jesus.

Os livros mais indicados para as nossas meditações

Tendo em vista a complexidade dos mistérios de Deus, para muitas pessoas não é muito interessante começar com as Sagradas Escrituras. Pois, existem pessoas que têm dificuldade em penetrar no sentido das Escrituras. Às vezes, é melhor começar com um autor, um santo, que nos introduza nestes mistérios.

Quanto ao autor do livro, é importante que ele seja ortodoxo, ou seja, que esteja de acordo com a fé, a moral, com os ensinamentos do Magistério da Igreja. Santa Terezinha do Menino Jesus, por exemplo, certa vez, lia um livro, que estava muito interessante. Até que, alguém a alertou que aquele autor talvez não fosse tão católico e que havia um processo contra ele. Ela imediatamente parou de ler o livro. É importante que nos alimentemos de um alimento sadio e não fiquemos nos alimentando de heresias. Por isso, os livros dos santos são mais seguros, bons, sólidos, e indicados para nossa meditação.

Os livros dos santos, em geral, são bons para a meditação. Entretanto, é importante que o livro não seja muito especulativo. Existem alguns livros, mesmo aqueles escritos por santos, que são exercícios de Teologia, e para algumas pessoas, principalmente para aquelas que são curiosas intelectualmente, esses livros não são adequados. Pois, livros desse tipo fazem com que fiquemos em pensamentos intelectualizados abstratos, com divagações que não levam a nada. Não é este o caminho.

Assista ou ouça aula do Padre Paulo Ricardo sobre “Quais livros devo escolher para minha leitura meditada?”:

A leitura, o conhecimento e ao amor a Jesus Cristo

Nós precisamos entrar em contato com Jesus, porque Ele é aquele que nos coloca em contato com o amor de Deus. Ou seja, trata-se de nos “plugar”, de nos “conectar”, com o amor de Deus. São João da Cruz comenta esta realidade, quando ele diz assim: “Queres saber algumas coisas ou acontecimentos ocultos? Põe os olhos só em Cristo e acharás mistérios ocultíssimos e tesouros de sabedoria e grandezas divinas nele encerrados, segundo o testemunho do Apóstolo: ‘Nele estão encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência’ (Cl 2, 3)”[2].

Jesus Cristo é esse tesouro escondido que nós precisamos encontrar. Nós precisamos estar em contato com Ele que, ressuscitado, está nos tocando. Jesus está continuamente presente. Lembremo-nos sempre disso: o Cristo ressuscitado agora participa das propriedades divinas, é invisível, está presente em todos os lugares ao mesmo tempo, mas está sobretudo naqueles que O amam. Se estivermos em estado de graça, Jesus estará em nós, como amigo. Nesta amizade, vamos à leitura, procurar essa Pessoa que amamos. É muito difícil amar uma pessoa que não conhecemos. Então, a leitura nos dá o conhecimento necessário de Cristo, que nós precisamos para amá-Lo de volta.

Entre as várias meditações sobre Jesus que podemos fazer, se sobressai a meditação sobre a Paixão de Cristo, porque nela se manifestou, de forma extraordinária, o amor de Deus por nós! A respeito destes mistérios, recordemos o que diz São Paulo aos Coríntios, nesta passagem: “Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado” (1 Cor 2, 2). Esse é o centro de tudo: buscar o conhecimento do Filho de Deus e, assim, conhecer com que amor Ele nos amou.

Transcrição e adaptação: Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus em Maria.

Links relacionados:

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TODO DE MARIA. Purificar: inteligência, memória e vontade.

Referências:


[1]  SÃO JOÃO DA CRUZ. Subida do monte Carmelo, 2, 22, 3.

[2]  Idem, 2, 22, 6.

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