Descubra a presença silenciosa da Virgem Maria no mundo islâmico como sinal de esperança e de paz.

Há muitos anos, a presença materna da Santíssima Virgem Maria no mundo islâmico tem se mostrado um sinal do socorro de Deus para tantas pessoas, particularmente nossos irmãos cristãos perseguidos nos países dominados pelo Islã. Até mesmo em países de maioria islâmica, a presença da Santíssima Virgem tem se mostrado eficaz no fortalecimento da fé de nossos irmãos, na busca da reconciliação e da convivência pacífica com os islâmicos. Acontecem, inclusive, conversões de destes para o catolicismo.

Conheça a presença silenciosa da Virgem Maria no mundo islâmico como sinal de esperança e de paz.

Imaculado Coração de Maria

Um caso de conversão que nos chama à atenção é o de um sacerdote muçulmano, o indiano Mario Joseph, que tornou-se missionário católico. Duas coisas, presentes no Alcorão, o deixavam curioso em relação à sua própria religião e sua perplexidade o fez chegar a Igreja Católica. A primeira coisa é que o nome do profeta Maomé aparece 4 vezes no Escrito, mas o nome de Jesus, tem 25 ocorrências. A segunda, que o deixou ainda mais perplexo, foi a presença da Virgem Maria, que é a única mulher citada no Alcorão:

Uma segunda coisa era que eu não conseguia ver o nome de nenhuma mulher no Corão, nem o da mãe de Maomé, nem o de sua esposa, nem o de suas filhas, nada. Lá, há um único nome de mulher que encontrei: Maria, mãe de Jesus, e nenhum outro. O capítulo 3 do Corão se chama “Família de Maria” e o 19, simplesmente “Maria”. Um capítulo todo dedicado a ela. Então, eu fiquei curioso para saber por que o Corão dizia todas aquelas coisas1.

A presença discreta de Nossa Senhora no Irã

As religiosas caldeias Filhas de Maria chegaram a Teerã, capital da República Islâmica do Irã (antiga Pérsia), em 1963. Estas cuidavam de uma escola cristã e também trabalhavam numa paróquia dedicada à Virgem Maria, que ficava ao lado do convento. No entanto, depois da revolução islâmica de 1979, tudo ficou muito mais difícil no Irã, não somente para elas e para os cristãos em geral, mas até mesmo para os próprios muçulmanos, cujas liberdades ficaram restritas por imposição de grupos radicais islâmicos.

Em 2013, por causa dessas dificuldades, o convento das Filhas de Maria precisou ser fechado. Mas, no início deste ano, o convento foi reaberto. A retorno das atividades da casa religiosa coincidiu com a recepção do presidente do Irã pelo Papa Francisco no Vaticano.

Esta não é a primeira vez que a Virgem Maria dá um jeitinho de mudar as coisas no mundo islâmico. Em 13 de junho de 2013, o Líbano foi consagrado ao Imaculado Coração de Maria, em um ato que, no ano passado, foi estendido pelo patriarca maronita Bechara Boutros Rai a todo o Oriente Médio. Em uma corajosa e incisiva homilia na basílica libanesa de Harissa, o Patriarca denunciou os “mercenários que recebem apoio financeiro, político e militar de países do Oriente e do Ocidente” e, em reação aos “poderes do terror”, afirmou: “Renovamos a consagração do nosso povo e da nossa pátria libanesa, bem como de todos os países do Oriente Médio, ao Imaculado Coração da Virgem Maria, repleto de ternura e de amor pelos homens, irmãos do seu único Filho”2.

Bechara recomendou aos fiéis que rezem diariamente o Rosário, para conseguir a paz no mundo. O Cardeal também recordou que os cristãos procuram construir junto com os muçulmanos, há 1400 anos, uma convivência pacífica que seja modelo para todas as sociedades multiculturais e plurirreligiosas. O Prelado defendeu vivamente que este esforço pela concórdia não seja abandonado, ainda que em meio aos atuais conflitos com derramamento de sangue na região. Este esforço pela paz se dá com a presença discreta da Santíssima Virgem. Um sinal dessa presença discreta é a passagem da imagem de Maria pelo país. Depois de passar por Beirute, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima também visitou o patriarcado grego-católico, um mosteiro siro-católico e a sede do patriarcado armeno-católico.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “E o capitalismo?”:

A Virgem Maria em outras partes do mundo islâmico

Em junho de 2015, na Síria, a Virgem Maria apresentou mais um sinal de esperança para os cristãos perseguidos pelo mundo inteiro: a estátua de Nossa Senhora, que ficava no alto de uma colina da localidade de Maaloula, foi corajosamente reerguida, depois de ser destruída pelos terroristas da Frente Nusra. É interessante ressaltar que a pequena Maaloula, que tem apenas cerca de 4 mil habitantes, na sua maioria cristãos, é uma das pouquíssimas comunidades do Oriente Médio a falar aramaico, a mesma língua que Jesus falava.

Ainda na Síria, também em junho de 2015, aconteceu algo inédito no mundo islâmico: uma mesquita foi dedicada a Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo, na cidade litorânea de Tartous.

A Virgem Maria é reconhecida no islamismo como a mãe do “profeta Jesus”. O nome de Maria aparece 34 vezes no Alcorão, livro sagrado dos islâmicos, mais do qualquer membro da família do profeta Maomé. Maria, além de ser a única mulher, também dá nome a uma “sura”, que é um capítulo do Alcorão. A sura 19 se chama Maryam, que significa Maria em árabe.

Em 2015, também foi inaugurada a estátua mariana mais alta do mundo, a de Nossa Senhora da Assunção. O que chama a atenção neste fato é que a imagem da Virgem Maria não foi erguida em um país tradicionalmente católico, mas no país que tem a maior população islâmica do planeta: a Indonésia, que tem mais de 250 milhões de habitantes – mais do que o Brasil, que tem por volta de 205 milhões – dos quais 87,2% são muçulmanos.

Nossa Senhora continua silenciosamente promovendo a paz e a concórdia entre os seus filhos, ainda que muitos desses ainda insistem em brigar pelo mundo. Gestos surpreendentes de paz e de fraternidade continuam a acontecer pela devoção mariana em países islâmicos. Vemos isto na Turquia, país de maioria islâmica, que pretende sediar, em 2017, o Encontro Internacional de Turismo Religioso e Peregrinações, nos arredores do sítio arqueológico da antiga cidade de Éfeso.

A prefeitura de Selcuk levantará um monumento com a finalidade de incentivar o turismo religioso na região. Surpreendentemente, não se trata de nenhuma nova mesquita para concorrer em grandiosidade com as edificadas em Istambul, capital da Turquia. Será erigida uma estátua da Virgem Maria. O que é ainda mais admirável é que não será uma estátua qualquer. Os turcos querem construir nada menos que a estátua de Nossa Senhora mais alta do mundo!

A presença materna da Virgem Santíssima tem sido determinante há séculos como “ponte de paz” entre muçulmanos e cristãos em todo mundo. A mesma planície das ruínas de Éfeso, onde será erguida a grande imagem, já é ponto de peregrinação desde 1891, conhecido como a “casa de Maria”, o local onde ela teria vivido depois da ressurreição de Jesus. Segundo a tradição, Nossa Senhora foi levada de Jerusalém até lá por São João, o discípulo amado, que Jesus confiou à sua Mãe como filho (cf. Jo 19, 26). “A ‘casa de Maria’ foi descoberta no final do século XIX graças às revelações místicas transmitidas a Ana Catarina Emmerich”3.

Ouça programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo”:

O sinal de Maria na bandeira da Comunidade Europeia

Em 1955, a Comunidade Europeia organizou um concurso para escolher a bandeira que a representaria. A obra escolhida foi do artista plástico francês Arsène Heitz, composta por doze estrelas douradas em formato de círculo sobre um fundo todo azul, cor mariana por excelência. Quando os organizadores descobriram que este é um símbolo de Nossa Senhora, já era tarde demais, por isso, foi mantido.

Pela Providência divina, a bandeira da Europa “laica” é uma referência clara à passagem mariana do Apocalipse: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1). Estas doze estrelas representam, ao mesmo tempo, a coroa de Nossa Senhora, os doze apóstolos, as doze tribos de Israel e o novo Povo de Deus, do qual ela é personagem central. Dessa forma, um poderoso símbolo judaico-cristão e mariano, criado por um católico francês, tornou-se a bandeira da Comunidade Europeia.

A olhos vistos, a Europa laica e agnóstica permite o avanço do islamismo, principalmente pelo mal personificado pelo Estado Islâmico, Estado Islâmico, Al-Qaeda, Talibã, Boko Haram e outros grupos extremistas, que tem espalhado a violência, a morte e a destruição por onde passam. Em 2015, o ataque terrorista na sede do jornal Charlie Hebdo, com 11 mortos, e a mais recente tragédia de Paris, com mais de 129 mortos e 352 de feridos, 99 dos quais em estado grave, numa série de atentados terroristas, são sinais evidentes de que os católicos da Europa e de todo mundo devem unir forças, consagrando seus países e a si mesmos ao Imaculado Coração de Maria, para evitar a precipitação de muitas almas no abismo do Inferno. Pois, “só venceremos a guerra com a bandeira de Maria”4.

Conheça a presença silenciosa da Virgem Maria no mundo islâmico como sinal de esperança e de paz.

Bandeira da Comunidade Europeia

A devoção ao Imaculado Coração de Maria pela salvação das almas

Portanto, nós que vivemos também um momento crítico em nosso país, principalmente por causa da crise política e econômica e principalmente da entrada de ideologias perniciosas, devemos nos unir aos nossos irmãos cristãos perseguidos, mormente os que vivem em áreas dominadas pelo islamismo radical. Ofereçamos jejuns, penitências, sacrifícios pela conversão dos pecadores, pela salvação de tantas almas que se perdem em meio ao ódio, à violência e à morte. Rezemos especialmente o Santo Rosário, como nos foi pedido pela Virgem de Fátima em 1917, nessas mesmas intenções.

Recordemos que Nossa Senhora disse aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração”5. Desse modo, a Virgem Maria nos ajuda a compreender que não se trata de nutrir o ódio e a intolerância contra os nossos perseguidores, sejam muçulmanos, comunistas ou outros. Ao contrário, o Senhor aponta a devoção ao Imaculado Coração da Virgem Maria como caminho de salvação para toda a humanidade, inclusive os islâmicos. Afinal, Deus “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4). Assim, nos consagremos ao Imaculado Coração de Maria e propaguemos incessantemente a sua devoção, particularmente a devoção dos cinco primeiros sábados. Perseveremos confiantes, pois a Virgem Maria já profetizou a sua vitória: “por fim o meu Imaculado Coração triunfará”6. Doce e Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!

Natalino Ueda, escravo inútil da Santíssima Virgem.

Links relacionados:

TODO DE MARIA. Nossa Senhora e a Nova Ordem Mundial.

TODO DE MARIA. Nossa Senhora e seu auxílio nas perseguições.

TODO DE MARIA. O drama dos cristãos perseguidos pelo mundo.

Referências:

5 Idem, ibidem.

6 CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. A Mensagem de Fátima.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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